Aplicação de Defensivos Agrícolas

Aplicação de Defensivos Agrícolas

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TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS Marcos Ferreira da Costa – ENGº AGRÔNOMO – UFMT/AGOSTO 2009

Tecnologia de Aplicação de Agroquímicos

O aumento da população mundial exige da agricultura cada vez mais eficiência e competitividade. À medida que as áreas cultivadas foram se tornando maiores, a quantidade de produtos químicos utilizada no controle de pragas e doenças foi aumentando.

Entretanto, devem ser considerados os efeitos da produção, formulação, transporte, manuseio, armazenamento e aplicação dos agroquímicos agrícolas sobre o meio ambiente, visto serem a maioria deles poluidores ou contaminantes ambientais, quando mal manejados.3

O emprego de agroquímicos apresenta dois pontos cruciais para o ambiente: eles são biocidas e alguns muitos persistentes, podendo ser transportados para outros locais por água e vento, por exemplo, e também acumular na cadeia alimentar.3

As ciências diretamente relacionadas, Entomologia, Fitopatologia,

Matologia, Acarologia, Nematologia, etc., fornecem as informações necessárias para se lançar mão das diferentes formas de controle do problema fitossanitário. Uma vez optado pelo controle químico, em época correta de seu uso, cabe ao processo de aplicação garantir que o controle seja efetuado com eficiência, economia e segurança.3

Muito se tem escrito sobre os agroquímicos disponíveis, seus efeitos nas pragas, doenças e nos organismos que não são o alvo, porém pouco sobre como devem ser aplicados de forma segura e correta. 1

A falta de treinamento das pessoas envolvidas na aplicação desses produtos e o desconhecimento da ação dos mesmos sobre o organismo humano e sobre o ambiente têm resultado no aumento dos riscos à saúde humana, bem como na agressão ao meio ambiente.

A aplicação de agroquímicos quando feita de maneira errada sempre é sinônimo de prejuízo, além de gerar desperdício, pode causar resistência e aumentar os riscos de contaminação de pessoas e do ambiente.2

Até 70% dos produtos pulverizados nas lavouras podem ser perdidos por má aplicação, escorrimento e deriva descontrolada.2

A aplicação de agroquímicos é multidisciplinar, vai além do homem que opera o pulverizador, envolve agrônomos, biólogos, químicos, economistas, engenheiros, médicos e físicos. 1

Conceitos básicos

Ao final desse módulo você será capaz de: *Entender a finalidade da aplicação de agroquímicos

*Definir e entender os principais conceitos utilizados na tecnologia de aplicação *Entender características das gotas pulverizadas como diâmetro, espectro e densidade

A aplicação eficiente tem como finalidade a colocação do produto no alvo para que o mesmo atue com a esperada eficácia.

A determinação da dosagem e dos procedimentos operacionais está diretamente relacionada com a economia.

Finalmente a proteção dos aplicadores, dos consumidores dos produtos produzidos na área tratada e do próprio ambiente está intrinsecamente ligados à segurança.

O objetivo de toda aplicação de agroquímicos para o controle de pragas, doenças e plantas infestantes é cobrir o alvo com a máxima eficiência e o mínimo esforço.

A primeira fase, essencial em todo o processo, é a identificação do alvo biológico, sendo este um dos aspectos mais negligenciados das operações de aplicações de agroquímicos.

Além da indefinição do “alvo biológico”, ou seja, do exato local onde deverá ser aplicado o produto químico, os agricultores em geral se defrontam, com frequência, com vários problemas que dizem respeito à tecnologia de aplicação de agroquímicos. Escolha de pontas, determinação de volume de pulverização, seleção adequada do equipamento, calibração e manutenção são dúvidas frequentes no campo.

Alguns conceitos básicos são importantes para um melhor entendimento da tecnologia de aplicação. São eles:

• Vazão • Pressão

• Volume de pulverização

• Dose

• Faixa de deposição

• Diâmetro de gota

• Densidade de gota

• Espectro de gotas

• Deriva

Veremos a seguir cada um desses itens detalhadamente.

Vazão

Vazão: quantidade, em volume, por unidade de tempo.

Em hidráulica ou em mecânica dos fluidos, define-se por vazão, o volume por unidade de tempo, que se escoa através de determinada seção transversal de um conduto livre (canal, rio ou tubulação com pressão atmosférica) ou de um conduto forçado (tubulação com pressão positiva ou negativa). Isto significa que a vazão é a rapidez com a qual um volume escoa. 4

É o volume de determinado fluido que passa por uma determinada seção de um conduto por uma unidade de tempo.

Na aplicação de agroquímicos a unidade usualmente adotada é litros por minuto (l/min), embora existam outras unidades:

• m3/s - Metro cúbico por segundo • m3/h - Metro cúbico por hora

• l/s - Litro por segundo

• l/h - Litro por hora

• ft3/s - Pé cúbico por segundo

• gal/s - Galão (US) por segundo

• gal/min - Galão (US) por minuto (gpm)

A vazão de cada ponta varia de acordo com a suas características de fabricação, a pressão de serviço.

Pressão

Pressão: força aplicada a uma superfície, por unidade de área.

A pressão ou tensão mecânica (símbolo: p) é a força normal (perpendicular à área) exercida por unidade de área.4

A unidade no sistema internacional (SI) para medir a pressão é o Pascal (Pa). A pressão exercida pela atmosfera ao nível do mar corresponde a aproximadamente 101 325 Pa (pressão normal), e esse valor é normalmente associado a uma unidade chamada atmosfera padrão (símbolo atm).

A pressão relativa define-se como a diferença entre a pressão absoluta e a pressão atmosférica. Os aparelhos destinados a medir a pressão relativa são o manômetro e também o piezômetro.

A pressão atmosférica mede-se com um barômetro, inventado por Torricelli.

Atmosfera é a pressão correspondente a 0,760 m de Hg de densidade 13,5951 g/cm³ e numa aceleração da gravidade de 9,80665 m/s2

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