Manual Rede de Frio

Manual Rede de Frio

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Além disso, são previstas ações que visam à capacitação de recursos humanos, como forma de aperfeiçoar o trabalho, bem como assessoria técnica, supervisão e acompanhamento das atividades em instâncias estadual e municipal.

No âmbito das unidades federadas, as secretarias estaduais de saúde são responsáveis pela coordenação do

Programa, executando a programação estadual, a operacionalização, a supervisão e a avaliação das atividades em articulação com as secretarias municipais de saúde e com as demais instituições envolvidas com as ações de imunizações.

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1. Rede de Frio

1.1. Rede de Frio

A Rede de Frio ou Cadeia de Frio é o processo de armazenamento, conservação, manipulação, distribuição e transporte dos imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações, e deve ter as condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório produtor até o momento em que a vacina é administrada.

O objetivo final da Rede de Frio é assegurar que todos os imunobiológicos administrados mantenham suas características iniciais, a fim de conferir imunidade, haja vista que são produtos termolábeis, isto é, se deterioram depois de determinado tempo quando expostos a variações de temperaturas inadequadas à sua conservação. O calor acelera a inativação dos componentes imunogênicos.

É necessário, portanto, mantê-los constantemente refrigerados, utilizando instalações e equipamentos adequados em todas as instâncias: nacional, estadual, regional ou distrital e municipal/local. Um manuseio inadequado, um equipamento com defeito, ou falta de energia elétrica podem interromper o processo de refrigeração, comprometendo a potência e eficácia dos imunobiológicos.

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Figura 1 - Fluxograma da Rede de Frio

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2. Equipamentos da rede de frio

2.1. Câmaras frigoríficas

Também denominadas quartos frios ou câmaras frias, são ambientes especialmente projetados para a armazenagem de produtos predominantemente em baixas temperaturas e em grandes volumes (figura 2). Podem ser reguladas para trabalhar mantendo as mais diversas temperaturas, tanto positivas quanto negativas. Especificamente para os imunobiológicos, essas câmaras são projetadas para operarem em temperatura de +2ºC e -20°C, de acordo com a especificação do produtor. Os imunobiológicos podem em algum momento estar conservados em temperatura entre +2° e +8°C, sem perda da sua capacidade imunogênica, observada a data de validade especificada no produto.

Figura 2 - Câmara frigorífica

O seu funcionamento de uma maneira geral obedece aos princípios básicos de refrigeração, além de princípios específicos, tais como:

•isolamento das paredes internas do ambiente a ser refrigerado;

•sistema de ventilação no interior da câmara, para facilitar a distribuição do ar frio pelo evaporador;

•compressor e condensador dispostos na área externa à câmara, com boa circulação de ar;

•antecâmara, com temperatura de +4°C, objetivando auxiliar o isolamento do ambiente e prevenir a ocorrência de choque térmico aos imunobiológicos;

•alarmes de baixa e alta temperatura para alertar a ocorrência de falta de energia elétrica;

•alarme audiovisual indicador de abertura de porta;

•dois sistemas independentes de refrigeração instalados: um em uso e outro em reserva, para eventual defeito do outro;

•sistema de alarme com registrador de temperatura (termógrafo), registrador de umidade (higrômetro).

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2.2. Alarme de temperatura com discador telefônico para câmaras, geladeiras e freezers

Este equipamento é composto por um discador telefônico, uma bateria e um ou mais sensores de temperatura (termostatos), que são ligados em paralelo ao equipamento. É ainda capacitado para efetuar três ligações a três diferentes telefones, quando a temperatura de algum dos equipamentos estiver fora da faixa permitida.

Este equipamento dispõe de um sistema de alimentação de dupla voltagem (selecionável) que faz a recarga da bateria, de tal forma que, em caso de corte no fornecimento de energia elétrica, o sistema continuará operando com a alimentação de 12 volts DC proveniente das baterias.

Organizaçªo interna

As câmaras são dotadas de prateleiras, preferencialmente metálicas (aço inox). Os imunobiológicos armazenados devem ser acondicionados nas prateleiras, de forma a permitir a circulação de ar entre as mesmas.

Os imunobiológicos devem ser armazenados da seguinte forma: •nome do imunobiológico, separar por: - laboratório produtor;

-nº do lote;

-prazo de validade;

-enfrascagem (uma dose - 10 doses - 20 doses, etc.);

-ordem alfabética (instâncias estadual/regional).

Deve-se observar também a validade dos lotes. Aqueles com menor prazo de validade deverão ter prioridade na distribuição, para possibilitar menor perda de imunobiológicos por vencimento do prazo.

Cuidados bÆsicos:

•fazer a leitura da temperatura interna, diariamente, no início da jornada de trabalho, no início da tarde e no final do dia, com equipamento disponível (termômetro, termógrafo ou equipamento de automação);

•testar os alarmes antes de sair, ao final da jornada de trabalho;

•verificar, diariamente, se a carga de tinta e o disco dos termógrafos acabaram;

•usar equipamento de proteção individual para trabalhar dentro da câmara: calça, casaco com capuz, botas, luvas;

•não deixar a porta aberta por mais de um minuto ao colocar ou retirar imunobiológico. E somente abrir a câmara depois de fechada a antecâmara;

•certificar-se, uma vez ao mês, de que a vedação da porta da câmara é adequada, isto é, se sua borracha não apresenta ressecamento, não tem qualquer reentrância, abaulamento em suas bordas e a trava de segurança está em perfeito funcionamento. O formulário próprio para registro da revisão mensal encontra-se em anexo;

•observar para que a luz interna da câmara não permaneça acesa quando não houver pessoas trabalhando em seu interior. A luz é grande fonte de calor;

•no final do dia de trabalho, certificar-se de que a luz interna foi apagada; de que todas as pessoas tenham saído, caso a câmara seja grande; de que a porta da câmara esteja fechada corretamente;

•fazer a limpeza da câmara com pano úmido; quando necessário utilizar sabão neutro, mantendo-a sempre limpa;

•semanalmente a coordenação estadual deverá receber do responsável pela Rede de Frio o gráfico de temperatura das câmaras e dar o visto, após análise dos mesmos. Isto deverá ser feito pelo coordenador estadual do Programa ou seu substituto.

Observação:Este equipamento deverá ser submetido à manutenção preventiva conforme formulário em anexo, e corretiva quando necessário.

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