Manual Rede de Frio

Manual Rede de Frio

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•O tempo de duração do reteste, no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde – INCQS, varia entre 45 e 90 dias, dependendo do imunobiológico.

2.6.1. Inutilizaçªo dos imunobiológicos sob suspeita

Muitas vezes o quantitativo de imunobiológicos sob suspeita não justifica a realização de reteste, outras vezes o resultado da reanálise orienta a não utilização do produto.

Nesses casos, os imunobiológicos devem ter um destino adequado que será determinado pela Coordenação Estadual/

Regional do Programa. Alguns produtos são compostos por microorganismo vivos atenuados (vacinas contra: sarampo, poliomielite, febre amarela, tuberculose, etc.) e, por isso, constituem material biológico infectante que deve receber tratamento prévio antes de ser desprezado. Os compostos por produtos de bactérias e vírus mortos ou sintéticos obtidos por engenharia genética (as vacinas DTP, dT, DT, Hib, HB, etc.) não precisam receber tratamento especial antes de serem inutilizadas.

O descarte de grandes volumes de imunobiológicos deverá ser feito através da Central Regional ou Estadual de

Imunizações, com conhecimento, orientação e acompanhamento da Vigilância Sanitária e proceder conforme condições técnicas locais (incineração, autoclavagem, aterro, etc.)

Observação:Os municípios de grande porte que preencherem os requisitos necessários, acima citados, poderão proceder o descarte.

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2.6.2. Inutilizaçªo das sobras de imunobiológicos na sala de vacinaçªo

Caso a própria unidade seja responsável pela destinação final de seus resíduos, recomenda-se para a inutilização das vacinas compostas por microorganismos vivos a autoclavagem durante 15 minutos, à temperatura de 127ºC, sendo que não há a necessidade de abrir os frascos para este processo. Na falta da autoclave, orienta-se esterilizar em estufa por duas horas a 170ºC, sendo que neste processo os frascos não precisam estar abertos.

Após tratamento em autoclave ou estufa, os frascos das vacinas poderão ser desprezados como lixo comum, conforme Resolução n° 5, de 5/8/1993 do Conselho Nacional de Meio Ambiente.

Nos locais com coleta de lixo hospitalar sistemática, os imunobiológicos inutilizados deverão ser acondicionados em sacos plásticos resistentes brancos, especificados para lixo hospitalar, identificados como material contaminante antes de serem desprezados. Nesse caso não é necessário submetê-los a qualquer processo de esterilização. Ocorre que essa coleta especial não é comum na rede de serviços do país, sendo importante adotar os procedimentos indicados antes de acondicionar os produtos que serão desprezados, de forma a impedir a disseminação de agentes patogênicos ou de outra forma de contaminação acima de limites aceitáveis.

Na falta de um sistema municipal de disposição final, o serviço produtor dos resíduos (sala de vacinação) ficará responsável por essa disposição, bem como pelo eventual tratamento a que o lixo necessita ser submetido (principalmente o lixo composto por resíduos infectantes e especiais).

2.7. Outros tipos de geladeira 2.7.1. Geladeira a gÆs/eletricidade

É indicada para os lugares em que existem constantes cortes de energia, tendo em vista que dispõe de duas fontes de energia para seu funcionamento: o gás (butano ou propano) e energia elétrica.

Sua capacidade varia entre 170 e 240 litros e o seu consumo é de 0,6 litros de gás em 24 horas de funcionamento a uma temperatura ambiente de 32°C. Uma vez cortada a energia este equipamento leva três horas para ter a sua temperatura elevada a 10°C e a sua capacidade para produção de gelo é de 3,6kg por 24 horas de funcionamento.

2.7.2. Geladeira com paredes de gelo reciclÆvel

Esta geladeira trabalha acumulando frio ao congelar uma determinada quantidade de bobinas de gelo reciclável, que é colocada em suas paredes. Uma vez cortada a energia e este equipamento tenha funcionado no mínimo oito horas até o momento do corte, a temperatura de +2°C a +8°C será mantida por 24 horas.

2.7.3. Geladeira à energia solar

Como o próprio nome está dizendo, são geladeiras que funcionam através de painéis que absorvem a luz do sol. Só é recomendada para aqueles lugares onde é impossível obter energia elétrica ou a gás.

Seu uso é muito limitado em função do alto custo, que varia entre 2.500 a 4.500 dólares para geladeiras com capacidade entre 18 e 85 litros.

Para armazenar a energia do sol, utilizam baterias especiais (ciclo profundo), que têm uma duração aproximada de três a quatro anos e custo de reposição de 1.500 dólares.

2.8. Caixas tØrmicas

São produzidas com material térmico do tipo poliuretano ou poliestireno expandido (ex.: isopor, isonor), sendo esta última a mais utilizada no transporte de imunobiológicos entre os diversos laboratórios produtores até a sala de vacina, inclusive vacinação extramuros (figura 5).

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A caixa térmica deve ser organizada para manter a temperatura de conservação dos imunobiológicos a -20°C ou entre +2°C e +8°C por um determinado período de tempo, de acordo com o imunobiológico a ser armazenado ou transportado.

Deve-se utilizar flocos de isopor para preencher os espaços vazios, com o objetivo de diminuir a quantidade de ar existente na caixa e assim manter melhor a temperatura.

Não utilizar sacos com gelo solto porque não existe forma de se acondicionar facilmente na caixa, e que devido a sua forma irregular, permanecerão espaços vazios entre o isolamento e a vacina, o que será prejudicial à manutenção da temperatura adequada.

2.8.1. Cuidados bÆsicos com a caixa tØrmica

•verificar as condições da caixa, observando se existem rachaduras, furos; se o dreno (quando existir) está vedado e verificar as condições da tampa;

•lavar e secar cuidadosamente as caixas após cada uso. Manter as caixas térmicas sem a tampa, até que estejam completamente secas. Após a secagem, tampá-las e armazená-las em local adequado;

2.9. Bobinas de Gelo ReciclÆvel

São constituídas por um frasco plástico (geralmente polietileno), contendo hidroxietil celulose em concentração comestível, conservante e água (gelo reciclável de gel); ou apenas água e conservante (gelo reciclável de água), encontradas no mercado em várias dimensões.

Figura 5 - Caixas tØrmicas Caixa tØrmica de poliuretano

Caixa tØrmica de poliestireno expandido (ex.: isopor/isonor)

Caixa tØrmica de poliuretano

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O Programa Nacional de Imunizações recomenda para a conservação de imunobiológicos apenas a bobina de gelo reciclável de gel com capacidade de 1 litro, as quais são utilizadas apenas para o transporte de produtos em temperatura positiva (entre +2ºC e +8ºC). Para o transporte de imunobiológicos em temperatura negativa, é

Durante o processo licitatório para aquisição deste produto, deverão ser exigidas das empresas licitantes amostras para serem submetidas aos seguintes testes:

a)Manter as bobinas em freezer durante um período mínimo de 48 h; b)Colocar as bobinas congeladas em caixa térmica que atenda às especificações contidas neste manual e monitorá-la durante 48 horas, verificando se a temperatura preconizada para conservação de imunobiológicos durante o transporte se mantém por 24 horas no mínimo; e se ao completar as 48 horas de monitoramento ainda apresenta temperatura máxima de até +8ºC.

2.9.1. Cuidados com as bobinas de gelo reciclÆvel

•como complemento indispensável da caixa térmica, o programa recomenda a utilização de gelo reciclável de gel, como descrito anteriormente;

•caso o frasco plástico seja danificado, deixando vazar seu conteúdo, no total ou em parte, a bobina deverá ser desprezada. NUNCA USAR ÁGUA COM SAL OU OUTRA SUBSTÂNCIA, para completar o volume de bobinas porque quando se adiciona sal à água, baixa-se o ponto de congelamento e desta forma poderá haver congelamento de vacinas bacterianas;

•uma vez terminado o uso da caixa térmica, as bobinas deverão ser retiradas, lavadas, enxugadas e retornadas ao congelador ou freezer. NÃO SE DEVE MANTER BOBINAS FORA DO CONGELADOR OU FREEZER. Quando a unidade de saúde só dispor de uma geladeira, guardar o máximo de bobinas possíveis na bandeja coletora de água situada abaixo do evaporador. NUNCA ARMAZENAR BOBINAS NA PORTA DA GELADEIRA.

•todas as instâncias de armazenamento e distribuição de imunobiológicos deverão possuir bobinas congeladas em quantidade suficiente ao abastecimento do número de caixas térmicas utilizado.

•observar o prazo de validade das bobinas, pois as que contêm celulose vegetal propiciam o crescimento de microorganismos após o vencimento do prazo de validade.

2.10. Procedimentos para aquisiçªo de caixas tØrmicas

•As caixas térmicas de poliestireno expandido (isopor) a serem utilizadas pelo Programa deverão ter uma densidade mínima de 25 kg/m3 e uma espessura mínima de 2cm (caixas de sete litros), 3cm (caixas de 17 e 37 litros), 4cm (caixas de 80 litros) e 5cm (caixas de 180 litros).

•As caixas térmicas de poliuretano a serem utilizadas pelo Programa deverão ter uma densidade mínima de 35 kg/m3 e uma espessura mínima de 2cm (caixas de sete litros), 3cm (caixas de 17 e 37 litros), 4cm (caixas de 80 litros) e 5cm (caixas de 180 litros).

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