Manual Rede de Frio

Manual Rede de Frio

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•Durante o processo licitatório, deverá ser fornecida pelos participantes amostra do produto que será enviada ao requisitante (Coordenação do Programa de Imunizações) para efetuar testes de qualidade, cujo procedimento está descrito no anexo VII.

•O uso de caixas térmicas de poliestireno expandido (isopor), ao invés de poliuretano, no transporte em instância nacional, deve-se ao alto custo do frete aéreo que inviabiliza o retorno das mesmas.

•Recomenda-se a aquisição de caixas de poliuretano em todas as localidades que utilizem transporte terrestre e fluvial terceirizados.

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2.1. Organizaçªo da caixa tØrmica para vacinaçªo de rotina na sala de vacinaçªo

No serviço de saúde, a conservação dos imunobiológicos a serem utilizados na vacinação durante a jornada de trabalho deve ser feita em caixa térmica do tipo retangular, com capacidade de sete litros e com tampa ajustada (evitar usar caixas do tipo “cumbuca” porta-gelo).

Ao organizar a caixa térmica para início das atividades diárias, deve-se ter os seguintes cuidados:

•manter a temperatura interna da caixa entre +2ºC e +8ºC, monitorando-a com termômetro de cabo extensor, de preferência, ou com termômetro linear, trocando as bobinas de gelo reciclável sempre que se fizer necessário;

•usar bobina de gelo reciclável, a qual deverá estar no congelador da geladeira da sala de vacina e que precisará ser ambientada para uso, vez que a temperatura atingida por esta no congelador chega a aproximadamente -7°C;

•arrumar os imunobiológicos na caixa, deixando-os circundados (ilhados) pelo gelo reciclável (três a cinco bobinas de gelo reciclável com capacidade de 500ml para a caixa térmica acima mencionada);

•manter a caixa térmica fora do alcance da luz solar direta e distante de fontes de calor (estufa, aquecedor, etc.);

Observação:Embora o gelo em barra ou em escamas não seja adequado para a manutenção da temperatura recomendada para a conservação de vacinas, é prática sua utilização em campanhas de vacinação, considerando-se assim uma situação especial. Sendo esta a única alternativa, utilizar gelo em barra ou em escamas dentro de saco plástico, considerando-se a insuficiência de bobinas. Os serviços de saúde deverão conservar devidamente as bobinas enviadas pela instância central, ou adquiridas com recursos próprios, a fim de que torne cada vez mais desnecessária a utilização de gelo comum.

2.1.1. Procedimentos no final das atividades:

•desprezar as sobras das vacinas BCG-ID, contra o sarampo, dupla viral, contra a febre amarela, tríplice viral e contra a rubéola conforme normas da CGPNI (ver “imunobiológicos sob suspeita”);

•retornar à geladeira aquelas que podem ser utilizadas no dia seguinte: DTP, dT, DT, Hib, Hepatite B, e Sabin, dependendo das condições de manuseio e refrigeração;

•retornar as bobinas de gelo reciclável ao congelador da geladeira;

•lavar a caixa térmica, enxugá-la e guardá-la destampada em local protegido.

2.1.2. Ambientaçªo da bobina de gelo reciclÆvel a)Quando as bobinas de gelo reciclável estiverem estocadas em freezer, ou seja, próximo de -20°C, ou em congelador de geladeira, próximo de -7°C, deverá ser feita a ambientação das mesmas, isto é: as bobinas de gelo reciclável devem ser retiradas do freezer, colocadas sobre uma mesa, pia ou bancada, até que desapareça a “névoa” que normalmente cobre a superfície externa da bobina congelada (figura 5A). Ao mesmo tempo, colocar uma das bobinas sobre um material isolante (tampa da caixa de isopor) e colocar sob a bobina o bulbo de um termômetro de cabo extensor, para indicação de quando as bobinas terão alcançado a temperatura mínima de 0ºC. Após o desaparecimento da “névoa”, e a confirmação da temperatura positiva através do termômetro de cabo extensor mantido em uma das bobinas, colocá-las nas caixas conforme figura abaixo. Concomitantemente recomenda-se mensurar a temperatura interna da caixa através do termômetro de cabo extensor, antes de colocar as vacinas dentro dela.

b)A ambientação do gelo reciclável deverá ser feita sempre que se for acondicionar as vacinas na temperatura de +2ºC a +8°C, seguindo os procedimentos descritos para transporte de vacinas, entre as diversas instâncias, ou para uso em sala de vacina; c)A precipitação de uma vacina deve-se a sua permanência a uma temperatura inferior a 0°C, por um período de tempo de vários dias, ou acúmulo de períodos parciais de tempo.

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Figura 5A - Ambientaçªo das bobinas de gelo

Retirar o gelo reciclÆvel do freezer, podendo estar a uma temperatura de -15”C a -20”C;

Colocar o gelo reciclÆvel sobre uma superfície atØ desaparecer a nØvoa.

Ao mesmo tempo, monitorar uma delas com termômetro de cabo extensor;

Colocar na caixa tØrmica e em seguida colocar as vacinas.

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3. Instâncias de armazenamento

3.1. Armazenamento nacional

Em 1982 o Programa Nacional de Imunizações (PNI), necessitando de uma Central para recebimento, armazenagem e distribuição de imunobiológicos aos estados, criou a Central Nacional de Armazenagem e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), nas dependências da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde foi mantida até 1992.

Em 1992 a Fundação Nacional de Saúde assume a administração da Cenadi e transfere as suas atividades para as câmaras frias da Companhia Brasileira de Armazenamento (Cibrazem), em Irajá, no Rio de Janeiro.

Em 1994 o Programa Nacional de Imunizações inicia a construção de sede própria da Cenadi, nas dependências do 14° Batalhão de Suprimento do Exército, situado à Rua Dr. Garnier – Bairro da Rocha, no Rio de Janeiro, em regime de comodato com o Ministério do Exército.

No ano de 1996 é inaugurada a nova sede, concebida dentro de modernos padrões técnicos, e controle de temperatura totalmente informatizado, monitorada por 282 sensores que informam sistematicamente todos os dados gerenciais de temperatura, carga elétrica consumida pelos equipamentos, segurança predial e necessidade de manutenção preventiva e corretiva.

A Cenadi atualmente também participa da elaboração dos treinamentos em Rede de Frio colaborando com a qualificação dos recursos humanos nas diversas instâncias da Rede.

A equipe técnica da Cenadi, em conjunto com o Departamento de Informática do SUS (Datasus), desenvolveu um Sistema de Controle e Distribuição de Imunobiológicos (EDI) que já está implantado na central de gerenciamento e em todas as unidades federadas.

A Cenadi conta com três câmaras frigoríficas, nas quais são armazenados todos os imunobiológicos, para posterior distribuição a todo o país. Estão disponíveis câmaras frigoríficas para conservação dos imunobiológicos em temperatura de -20ºC (vacinas contra: poliomielite, sarampo, febre amarela, etc.) e +2ºC (vacina DTP, DT, dT, T, BCG, VCRH, contra febre tifóide e os SAT e SAD, etc.). Esses imunobiológicos são distribuídos para os estados de acordo com o controle de movimentação de estoque, recebidos até dia 10 de cada mês e a seguir são enviados por via área ou terrestre (caminhões frigoríficos) em caixas térmicas devidamente preparadas.

3.2. Armazenamento estadual

São armazenados todos os imunobiológicos utilizados em cada unidade federada, destinados à distribuição na rede de saúde do estado.

A área física destinada à Central Estadual da Rede de Frio deverá ter:

•área física suficiente para a localização dos equipamentos da Rede de Frio e armazenagem de seringas, agulhas, caixas térmicas, bobinas de gelo reciclável, vacinas e soros;

•boa localização para facilitar o acesso de veículos de carga;

•ambiente arejado;

•proteção da incidência de luz solar direta;

•os estados que recebem os imunobiológicos por via terrestre devem dispor de uma tomada trifásica para alimentação dos equipamentos de refrigeração do veículo de transporte;

•ambiente destinado à localização da câmara, freezer e geladeira deverá dispor de boa circulação de ar e permitir a movimentação de pessoas e carga entre os equipamentos;

•Para cada 20m2 de área, deve-se colocar um aparelho de ar-condicionado de 12.0 BTUs.

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A área destinada à preparação, recebimento e despacho dos imunobiológicos (sala de preparo) deverá ter também proteção da incidência de luz solar direta e teto com forro térmico. Deve contar ainda com uma bancada com superfície de dupla altura: uma de 0,45m e outra com 0,70m, devidamente adequada para realizar estas atividades (figura 6) e local para o arquivo de controle de entrada, saída e estoques de imunobiológicos.

Figura 6 - Bancada para preparo e despacho de imunobiólogico

A quantidade e o dimensionamento dos equipamentos necessários à conservação de imunobiológicos no estado deve sempre levar em conta o volume de estocagem e a rotatividade dos produtos.

O estado deve dispor de câmara positiva para conservação de imunobiológicos em temperatura de +2ºC. Os estados e municípios com população superior a cinco milhões de habitantes poderão dispor de câmara de temperatura - 20°C, para conservação de imunobiológicos que devem ser conservados em temperatura negativa. Os estados com população inferior deverão utilizar freezers. Recomenda-se, nestes casos, o uso de freezer horizontal de capacidade igual ou superior a 400 litros.

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