Vascularização e inervação dos membros inferiores

Vascularização e inervação dos membros inferiores

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Tem origem abaixo da margem distal do poplíteo e do arco tendíneo o sóleo (Fig. 5.38 e 5.41). Esta artéria desce obliquamente em direção à fíbula e segue ao longo de sua face medial, geralmente dentro do flexor longo do hálux. Emite ramos musculares para o poplíteo e outros músculos nos compartimentos posterior e lateral da perna e origina a artéria nutrícia da fíbula e distalmente dá origem: ao ramo perfurante (atravessa a membrana interóssea e segue até o dorso do pé onde anastomosa-se com a artéria arqueada), e aos ramos terminais maleolares laterais (unem-se a outros ramos maleolares para formar uma anastomose arterial do tornozelo) e calcâneos (suprem o calcanhar).

3.1.6 Artéria circunflexa fibular

Origina-se da artéria tibial anterior ou posterior no joelho e segue lateralmente sobre o colo da fíbula até as anastomoses ao redor do joelho.

3.1.7 Atéria nutrícia da tíbia

Origina-se da artéria tibial anterior ou posterior. É a maior artéria nutrícia do corpo.

Envia ramos para o músculo tibial posterior e também o perfura e entra no forame nutrício no terço proximal da face posterior da tíbia.

3.2 ARTERIAS DO PÉ

As artérias presentes no pé são ramos terminais das artérias tibiais anterior e posterior (Fig. 3) que correspondem respectivamente as artérias dorsal e plantares.

Figura 5: Artérias do pé. Fonte: MOORE; DALLEY (2007)

3.2.1 Artéria dorsal do pé

Corresponde a continuação da artéria tibial anterior, sendo uma importante fonte de suprimento sanguíneo para a parte anterior do pé (Fig. 3A). Inicia-se as metade dos maléolos e segue em sentido antero-medial e segue até o primeiro espaço interósseo onde se divide na 1ª artéria metatarsal dorsal e artéria plantar profunda que passa profundamente entre as cabeças do primeiro músculo interósseo dorsal para entrar na planta do pé unindose a artéria plantar lateral para formar o arco plantar profundo (Fig. 3B).

3.2.2 Artéria tarsal lateral

É um ramo da artéria dorsal do pé e segue lateralmente um trajeto curvo sob o extensor curto dos dedos com o objetivo de suprir este músculo e os tarsais e as articulações subjacentes (Fig. 3A), se anastomosa com outros ramos (ex. artéria arqueada).

16 3.2.3 Artéria arqueada

Esta disposta lateralmente através das bases dos quatro metatarsais laterais passando profundamente aos tendões dos músculos extensores para assim alcançar a face lateral da parte anterior do pé, que é o local onde anastomosa-se com a arterial tarsal lateral para formar uma alça arterial. Origina a 2ª, 3ª e 4ª artérias metatarsais dorsais.

3.2.4 Artérias metatarsais

Seguem distalmente até as fendas dos dedos, sendo unidos com o arco plantar e as artérias metatarsais plantares por ramos perfurantes (MOORE; DALLEY, 2007). As veias acompanhantes estão situadas próximas as artérias que vascularizam a região. Essa drenagem se junta as veias de mais calibre.

3.3 VEIAS DOS PÉ

Existem as superficiais e as profundas. Ao contrário da perna e da coxa a drenagem venosa ocorre para as grandes veias superficiais

Figura 6: Veias do pé. Fonte: MOORE, DALLEY (2007).

3.4 VEIAS DO MEMBRO INFERIOR

3.4.1 Veia safena magna:

Retirada para fazer ponte de safena. Estende-se até o trígono femoral onde desemboca na veia femoral. É formada pela união da veia dorsal do hálux e do arco venoso dorsal do pé.

Inicia na veia marginal medial do pé e vai até a veia femoral cerca de 3 cm antes do ligamento inguinal. Ascende anteriormente ao maléolo medial e ao longo da face medial da perna junto com o nervo safeno. Dirige-se proximalmente posterior aos côndilos medial da tíbia e do fêmur, ao longo da face medial da coxa terminando na veia femoral, no trígono femoral. É a veia mais longa do corpo e possui 10-12 válvulas geralmente localizadas abaixo das veias perfurantes, as válvulas venosas são projeções do endotélio que formam seios valvulares caliciformes que se enchem na parte superior. Os processos de oclusão da luz da veia, evitando o refluxo de sangue distalmente tornando o fluxo unidirecional e o mecanismo valvular que divide a coluna de sangue na veia safena em segmentos menores que reduz a pressão retrógrada facilitam a superação da gravidade para a bomba musculovenosa conduzir o sangue ao coração.

Na sua ascensão a veia safena magna recebe várias tributárias e comunica-se em vários locais com a veia safena parva. Atravessa o hiato safeno na fáscia lata e desemboca na veia femoral.

3.4.2Veia safena parva:

Mais lateral, na panturrilha vai até na fossa poplítea onde desemboca na veia poplítea.

Começa posteriormente ao maléolo lateral subindo lateralmente ao longo do tendão de Áquiles cruzando-o depois para alcançar a parte média do dorso da perna, dirigindo-se diretametne para cima atravessando a fáscia profunda na parte distal da fossa poplítea terminando na veia poplítea, entre as duas cabeças do gastrocnêmio.

3.4.3 Veia poplítea

Inicia na margem distal do poplíteo como continuação da veia tibial posterior situando-se próximo a artéria poplítea em seu trajeto. A veia poplítea, superiormente, apresenta várias válvulas e torna-se a veia femoral quando atravessa o hiato dos adutores.

Figura 7: Visualização da veia poplítea por dissecção profunda. Fonte: MOORE; DALLEY (2007).

3.5 NERVOS DO MEMBRO INFERIOR

Grande parte da inervação deste membro é originado dos plexos lombo-sacro que é formado por raízes de L4 a S3 que tem como principais ramos deste plexo nas regiões: posterior o nervo ciático e o tibial; e na região anterior os nervos femoral, cutâneo lateral da coxa, obturador, fibulares superior e profundo.

3.5.1 Nervos da região glútea

Estes nervos suprem a região glútea ou atravessam a região para suprir o períneo (nervo pudendo) e a coxa (nervo isquiático). Sendo os nervos clúnios que inervam a pele da região glútea e os nervos glúteos profundos que são os nervos glúteos superior e inferior, isquiático, nervo para o quadrado femoral, cutâneo femoral posterior, o nervo para o músculo obturador interno e nervo pudendo. Estes inervam distintas áreas dos membros inferiores após sua origem (Fig. 8).

Figura 8: Nervos da região glútea e do compartimento posterior da coxa. Fonte: MOORE; DALLEY (2007).

3.5.1.1 Lesões

No nervo glúteo, uma lesão, resulta em perda motora característica que para compensar o enfraquecimento da abdução da coxa ocorre uma inclinação para o lado em que o glúteo esta enfraquecido, ocorre também o compromentimento acentuado da rotação medial da coxa.

O bloqueio anestésico do nervo isquiático pode ser percebido no pé devido a ramificações deste nervo. Já uma lesão neste nervo aparece como dor nas nádegas.

Para injeções na região glútea devem ser observadas alguns cuidados para a boa aplicação do medicamento, um exemplo é o nervo isquiático que esta situado profundamente na região mais proeminente da nádega.

21 3.5.2 Nervo ciático (isquiático)

Possui o comando motor e sensível dos membros inferiores e é o maior nervo do corpo (dedão do pé à região glútea). Ele origina os nervos tibial (que será único e o maior ramo do ciático) e o fibular próximo a fossa poplítea.

3.5.3 Nervo femoral

É o principal ramo anterior do plexo lombo-sacro. Esta situado na região anterior do quadril e entra na região do trígono femoral e inerva a região anterior da coxa (quadríceps).

3.5.4 Nervo cutâneo lateral da coxa

Passa para a coxa sob a porção mais lateral do ligamento inguinal. É responsãel pela inervação sensitiva da região Antero-lateral da coxa.

3.5.5 Nervos na fossa poplítea

É no ângulo superior da fossa poplítea que o nervo isquiático divide-se em nervos tibial e fibular comum (Fig. 7). O nervo cutâneo sural medial também é derivado do nervo tibial na fossa poplítea e forma o nervo sural que supre a face lateral da perna e do tornozelo. O nervo isquiático dá origem ao nervo fibular comum que é o menor ramo terminal lateral daquele.

3.5.6 Nervos da perna

No compartimento anterior apenas o nervo fibular profundo (um dos dois ramos do nervo fibular comum) esta presente. Acompanha a artéria tibial anterior e sai do compartimento anterior e continua através da articulação do tornozelo (MOORE, DALLEY, 2007).

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