Sistema Nervoso Autônomo

Sistema Nervoso Autônomo

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SISTEMA NERVOSO AUTÓNOMO(revisão)

Aluna: Evelyn Pacheco

NOTA: Para esta aula não foram disponibilizados os slides o que tornou bastante difícil a execução da desgravada uma vez que não tivemos aces-so aos inúmeros gráficos e esquemas que a professora mostrou, princi-palmente em relação a casos clínicos que não se encontra em qualquer tipo de bibliografia, por muito boa vontade que haja. Preferimos manter integralmente o que foi dito na aula mesmo nas partes em que a presença do gráfico seria essencial para a compreensão da explicação na esperan-ça que os slides venham a ser disponibilizados.

NOTA: Todas as referências à consulta dos hand-outs foram aconselhadas pela docente no decurso da própria aula.

Introdução

O sistema nervoso autónomo é um dos sistemas que controla, a cada instante, o corpo humano. Neste momento, como já foi leccionado em várias disciplinas, já sabemos que existem sistemas com necessidade de controlo a curto prazo (os relacionados com as funções vitais à sobrevivência do indiví-duo, como o controlo da circulação, respiração, pressões osmóticas necessá-rias à filtração renal, temperatura, metabolismo e função gastrointestinal) e outros a prazo mais dilatado (os relacionados com os ritmos circadiários, sono-vigília e protecção contra agentes externos ou internos agressores).

Quando existe uma falência de um sistema de um controlo (geral ou particular), ocorrem alterações da função do SNA e dos mecanismos que regu-lam a homeostase ou equilíbrio do indivíduo.

Algumas causas das referidas falências são:

- Lesões de neurónios periféricos causadas por neuropatia periférica;

- Lesões da medula espinal causadas por acidentes;

-Síndromes, como a síndrome da morte súbita infantil, em que há ausência de neurónios autonómicos, que normalmente não permitem que o indivíduo se desenvolva até ao estado adulto;

- Falências decorrentes do envelhecimento do indivíduo;

- Falências de origem farmacológica, provocadas por substâncias ingeri-das para produzir uma determinada função.

Essas disfunções podem ser localizadas ou generalizadas (ver à frente os casos específicos); primárias (falência autonómica pura) ou secundárias (decorrentes de patologias).

Por esta altura, já sabemos também como funcionam, em traços gerais, os sistemas de controlo: existe uma zona central de processamento (siste-ma nervoso central – encéfalo + medula espinal) e uma zona periférica de sensorização das alterações (constituída por uma série de receptores), que através de vias nervosas aferentes envia a informação que está a ocorrer num dado local para o sistema central de processamento, o qual por sua vez, através de vias nervosas eferentes, provoca acções a curto prazo (através do sistema nervoso autónomo, com acção incisiva rápida e de curta duração) ou a longo prazo (sistema hormonal, com uma acção iniciada mais tar-diamente e que dura muito mais tempo).

Algumas das disfunções autonómicas mais importantes (ver hand-outs) são:

  1. de origem primária: atrofia múltipla sistémica, falência autonómica relacionada com Parkinson, falência autonómica pura completa;

  2. de origem secundária: todas as falências autonómicas resultantes de patologias como a diabetes, artrite reumatóide, lúpus, síncope vaso-vagal ou hipotensão ortostática.

Organização geral do sistema nervoso autónomo

O SNA tem duas grandes classes principais: o sistema nervoso simpá-tico e o sistema nervoso parassimpático. Ao nível do intestino existem ainda fibras do SNA que formam o chamado sistema nervoso entérico, que consti-tui um “grupo especial” pois não actua exactamente do mesmo modo que o SNA actua nos outros órgãos.

Sabemos, por exemplo, que um nervo que inerva o músculo pela junção neuromuscular tem o seu corpo celular no SNC (ver imagem nos hand-outs). No SNA há diferenças do ponto de vista neuroanatómico. O corpo celular encontra-se igualmente no SNC mas existe uma solução de descontinuidade, um gânglio autonómico, o que faz com que os neurónios do SNA sejam cons-tituídos por uma fibra pré-ganglionar e uma fibra pós-ganglionar. Os órgãos efectores são os músculos liso e cardíaco e as glândulas e neurónios do tracto gastrointestinal.

Existem diferenças neuroanatómicas entre os neurónios pré e pós gan-glionares simpáticos e parassimpáticos:

Sistema nervoso simpático

1. Os neurónios pré-ganglionares são mais curtos que os parassimpáti-cos e fazem sinapse nos mesmos gânglios, que estão afastados do órgão;

2. Os neurónios pós-ganglionares são longos por comparação com os do parassimpático.

Sistema nervoso parassimpático

1. Os neurónios pré-ganglionares são mais longos e sinapsam nos gân-glios, que estão quase sobre o órgão;

2. Os neurónios pós-ganglionares são muito curtos.

Todos os órgãos são inervados, de forma geral, reciprocamente pelos sistemas nervosos simpático e parassimpático, os quais, também de uma for-ma geral, têm acções opostas.

Exemplo: o parassimpático contrai a pupila e o simpático dilata-a; no coração, o simpático provoca taquicardia e o parassimpático bradicardia; na bexiga, o parassimpático está relacionado com a função de esvaziamento (reflexo da micção), enquanto que o simpático está relacionado com a função de enchimento (reflexo relacionado com a função vesical).

Alguns aspectos sobre o sistema nervoso simpático

O simpático tem uma organização tóraco-lombar, saindo entre a T1 e a L3.

A distribuição dos neurónios pré-ganglionares simpáticos tem caracterís-ticas especiais. Na medula espinal, mais concretamente na coluna de células intermédio-lateral dos seus cornos laterais, saem os neurónios pré-ganglionares simpáticos, que sinapsam na cadeia ganglionar perivertebral. Essa sinapse pode ser feita no próprio segmento, isto é, nesse segmento o neurónio pré-ganglionar pode originar um pós-ganglionar; contudo, pode acon-tecer também que esse neurónio não sinapse no gânglio correspondente ao seu segmento mas mais abaixo ou acima dele, sendo que isto faz com que a distribuição da actividade simpática não seja segmentar. Assim, se estimu-larmos um animal de experiência neste segmento, podemos ter alterações nos órgãos inervados por neurónios que estão acima ou abaixo do segmento cor-respondente.

Os principais gânglios relacionados com o sistema nervoso simpático são o gânglio superior cervical, gânglio médio cervical, gânglio estrelado (importante pois dele partem fibras para o coração e pulmões), cadeia gan-glionar simpática (vai para toda a região pélvica) e gânglios superior e infe-riormesentéricos (com neurónios pré-ganglionares que saem deles para iner-var a parte inferior do corpo).

Alguns aspectos sobre o sistema nervoso parassimpático

  • O parassimpático tem uma distribuição crânio-sagrada.

  • As fibras parassimpáticas saem através dos nervos cranianos dos III, VII, IX e X pares e do nervo esplâncnico.

  • Cerca de 75% das fibras parassimpáticas têm origem numa região loca-lizada no bulbo, no núcleo ambíguo ou no núcleo motor dorsal do vago, situados junto ao início do tronco cerebral, numa zona muito curta e muito pequena (ver hand-outs).

  • Quanto aos III e VII pares, saem do núcleo de Edinger-Westphal, enquanto que o IX sai do núcleo salivatório.

Existem também algumas fibras parassimpáticas que saem da medula espinal através dos segundo e terceiro nervos sagrados e, ocasionalmente, pelo primeiro e quarto nervos sagrados. Estes neurónios pré-ganglionares parassimpáticos que saem da região da coluna de células intermedio-lateral sagrada vão através dos nervos esplâncnicos até aos gânglios pélvicos, onde sinapsam, indo a partir daí para as vísceras pélvicas.

Alguns aspectos sobre o sistema nervoso entérico

É constituído por dois plexos, Auerbach (mioentérico) e Meissner (submucoso), separados pela camada circular da muscular própria (ver hand-outs).

As fibras esplâncnicas inervam densamente ambos os plexos, permitin-do assim a absorção e a contracção e dilatação que se observam no intestino e que permitem a progressão do seu conteúdo.

Diferenças entre neurotransmissão simpática e parassimpática

Têm em comum o facto de os neurónios pré-ganglionares sinapsarem no gânglio e o NT envolvido ser a acetilcolina, que atua em receptores nico-tínicos.

Nos neurónios pós-ganglionares...

1) ... parassimpáticos, a acetilcolina actua e mantém-se como neurotransmissor, actuando em receptores muscarínicos;

2) ... simpáticos, a acetilcolina actua em receptores muscarínicos (que inervam, por exemplo, os músculos dos nervos), mas também em recep-tores adrenérgicos (adrenalina; noradrenalina).

REVISÕES

Receptores

Os receptores que actuam no SNA estão ligados a proteínas G e a segundos mensagei-ros.

Os principais tipos de receptores do SNA são:

  1. 1. Adrenérgicos (β1 – predominantes no coração, ocorrendo também no intestino; β2 – predominantes em órgãos que não o coração, no qual no entanto também podem exis-tir; β3): exercem as suas funções moduladoras no sistema nervoso simpático;

  2. 2. Muscarínicos (M1, M2, M3 e M4): exercem as suas funções através da acetilcolina, pertencendo ao grupo dos receptores colinérgicos e não tendo nenhum deles preponde-rância nalguma das vísceras (estão distribuídos por todas elas).

Nota 1: O conhecimento dos locais onde predominam cada um dos tipos de receptor é importante no contexto da farmacologia.

Nota 2: Segundo o Ganong, os receptores M2 predominam no tecido cardíaco e os M4 no tecido glandular, considerando-se ainda um quinto grupo, M5.

Co-transmissão e neuromodulação

Alguns dos neuromoduladores e co-transmissores da adrenalina e noradrenalina para os sistemas nervosos simpático e parassimpático (coadjuvantes da acção desses neurotransmis-sores) são:

  1. péptido vasodilatador intestinal;

  2. somatoestatina;

  3. encefalina;

  4. substância P;

  5. neuropéptido Y.

Organização da informação pelo SNA

O primeiro passo do processo de organização da informação pelo SNA é o envio da informação desde a periferia às zonas centrais por aferências visce-rais oriundas dos receptores (ver hand-outs).

Nessas zonas centrais, a informação é transmitida especificamente a uma zona que funciona como integradora do sinal: o núcleo do tracto solitá-rio. A partir da chegada da informação a esse núcleo, podem acontecer dois processos diferentes:

1) surgir a emergência de um reflexo que vai para a periferia, organi-zando-se uma dada acção;

2) “subida” da informação até zonas mais superiores (ver à frente quais são), para ser conjugada com a informação existente nos sistemas endócrino e limbico, provocando:

um aumento da concentração das hormonas que vão actuar a médio/longo prazo, para contrariarem a acção que foi sensorizada pelos receptores;

alterações comportamentais.

O núcleo do feixe solitário (NTS) tem 3 organizações diferentes:

  1. 1. Organização Anatómica: três zonas distintas: uma mais caudal (poste-rior ao obex), uma zona intermédia e uma zona mais distal (mostral). ( é uma estrutura em V que vai desde a separação entre a medula espinhal e o bulbo ate ao pedúnculo cerebeloso)

  2. 2. Organização funcional:

É uma organização baseada nas eferências vão parar as células. Pode ser:

2.1 Organização funcional

Existem células que recebem eferências de um determinada qualidade e com uma determinada origem, enquanto que existem outras que rece-bem de outras origens e qualidades. Isto é, há células que recebem informação principalmente proveniente dos receptores cardiovasculares, outras que recebem dos receptores gastrointestinais, outras dos recep-

tores das vias aéreas e dos pulmões, etc. Esta organização predomina nas áreas mais caudais (zonas junto ao obex.

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