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ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL PCC - 2435: Tecnologia da Construção de Edifícios I

Mercia Maria S. Bottura de Barros Silvio Burrattino Melhado

Versão Ampliada e Atualizada em 2006: Mercia Maria S. Bottura de Barros e Viviane Miranda Araújo, a partir do texto original de 1998

1 INTRODUÇÃO1
2. A PRODUÇÃO DA ESTRUTURA DE EDIFÍCIOS COM CONCRETO ARMADO20
2.1 PRODUÇÃO DAS FÔRMAS E ESCORAMENTO21
2.1.1 Conceituação21
2.1.2 Propriedades ou Requisitos de Desempenho24
2.1.3 O Custo da Fôrma no Conjunto do Edifício25
2.1.4 Elementos Constituintes de um Sistema de Fôrmas26
2.1.5 Principais Materiais Utilizados para a Produção de Fôrmas27
2.1.6 O Conceito Estrutural das Fôrmas3
2.1.7 Estudo do SISTEMA CONVENCIONAL de fôrmas de MADEIRA34
2.1.7.1 Características da fôrma de laje35
2.1.7.2 Características da fôrma de viga37
2.1.7.3 Características da fôrma do pilar38
2.1.8 Estudo de SISTEMAS de FÔRMAS RACIONALIZADAS39
2.1.8.1 Objetivos da racionalização do sistema de fôrmas39
2.1.8.3 Ações de racionalização do sistema de fôrmas39
2.1.8.4 Parâmetros para escolha ou projeto do sistema de fôrmas47
2.1.8.5 Considerações sobre a execução das fôrmas47
2.1.8.6 Outros tipos de fôrma47
2.2 A MONTAGEM DA ARMADURA50
2.2.1 Introdução50
2.2.2 A Compra do Aço52
2.2.3 A organização do Aço no Canteiro54
2.2.4 Corte da Armadura56
2.2.5 Preparo da Armadura61
2.2.6 Montagem da Armadura64
2.3 ASPECTOS SOBRE A PRODUÇÃO DA ESTRUTURA DE C. A72
2.3.1 Recebimento do Sistema de Fôrmas72
2.3.2 Montagem das Fôrmas dos Pilares72
2.3.3 Controle de Recebimento da Montagem dos Pilares7
2.3.4 Montagem de Fôrmas de Vigas e Lajes7
2.3.5 Controle de Recebimento da Fôrma de Vigas e Lajes81
2.3.6 Procedimentos para a Concretagem dos Pilares81
2.3.7 Verificação da Concretagem do Pilar82
2.3.8 Colocação das Armaduras nas Fôrmas de Vigas e Lajes83
2.3.9 Verificações para liberação da Armadura de Vigas e Lajes83
2.3.10 Procedimentos para a Concretagem das Vigas e Lajes84
2.3.1 Procedimentos Recomendados para Lançamento do Concreto85
2.3.12 Procedimentos para Desforma86

1 INTRODUÇÃO

Considerando-se as estruturas dos edifícios comumente construídos, pode-se propor uma classificação fundamentada na sua concepção estrutural, na intensidade de seu emprego ou mesmo a partir dos materiais que constituem a estrutura, dentre outras.

- classificação quanto à concepção estrutural

Quanto à concepção estrutural, ou seja, quanto à forma de transmissão dos esforços, as estruturas podem ser classificadas em:

• reticulada (figuras 1.1 e 1.2) • elementos planos (figuras 1.3 a 1.5)

• outras - cascas; espaciais; pneumáticas; boxes, etc...(figuras 1.7 a 1.9)

As estruturas reticuladas são aquelas em que a transmissão dos esforços ocorre através de elementos isolados tais como lajes, pilares e vigas ou pórticos. Nas estruturas planas a transmissão de esforços faz-se através de um plano de carregamentos, como‚ o caso dos edifícios constituídos por paredes maciças de concreto armado ou mesmo de alvenaria estrutural.

Figura 1.1 Edifícios com estrutura reticulada de concreto

2 Figura 1.2 Edifício com estrutura reticulada de concreto

Figura 1.3 Estrutura em elementos planos: painéis pré-fabricados de concreto armado com função estrutural/portante – Sistema Pedreira de Freitas

Figura 1.4 Estrutura em elementos planos: paredes maciças de concreto Figura 1.5 Estrutura em elementos planos: edifícios em alvenaria estrutural

4 Figura 1.6 Treliças espaciais

Figura 1.7 Casca de alvenaria cerâmica Figura 1.8 Casca em concreto armado

Figura 1.9 Estrutura estaiada

- classificação quanto á intensidade de emprego

Quanto à freqüência com que são empregadas, as estruturas podem ser classificadas em:

• tradicionais; e • não tradicionais.

As estruturas tradicionais são consideradas como aquelas mais empregadas em um certo local. É o caso, por exemplo, dos edifícios de médio e grande porte, construídos com estrutura de concreto armado moldado no local e dos pequenos edifícios (um e dois pavimentos) construídos com alvenaria resistente.

Pode-se considerar os não tradicionais como sendo aqueles de uso menos freqüente, tais como os edifícios com estrutura de madeira, de aço, de alvenaria estrutural (armada ou não armada) e os de concreto pró-moldados.

- classificação quanto ao processo de produção dos elementos resistentes Quanto ao local de produção, as estruturas podem ter seus elementos classificados em:

• moldados no local; • pré-fabricados (em usina);

• pré-moldados (em canteiro)

Os elementos moldados no local são aqueles produzidos já no seu lugar definitivo no conjunto da estrutura. Os pré-fabricados são moldados numa usina e transportados até o canteiro, enquanto que os pré-moldados são fabricados no canteiro; porém, longe do local em que serão instalados.

- classificação quanto ao processo de produção das estruturas Quanto ao processo de produção, as estruturas podem ser classificadas em:

• por montagem - acoplamento mecânico (figuras 1.10 a 1.12) • por moldagem no local (figuras 1.13 e 1.14)

• por moldagem e montagem no local (figura 1.15)

Figura 1.10 Acoplamento mecânico: Boxes pré-fabricados de concreto armado com função estrutural – construção pós-guerra na Europa

7 Figura 1.1 Acoplamento mecânico: estrutura pré-fabricada de concreto

Figura 1.12 Acoplamento mecânico: estrutura metálica Figura 1.13 Moldagem no local

Moldagem Figura 1.14 Moldagem e montagem no local - vigas

Figura 1.15 Moldagem e montagem no local - escada

Montagem

- classificação quanto aos sistemas estruturais Quanto ao sistema estrutural utilizado, as estruturas podem ser classificadas em:

• sistema estrutural reticulado (figura 1.16) • sistema estrutural com laje plana (figura 1.17)

• sistema estrutural com laje nervurada (figura 1.18)

• sistema estrutural com paredes maciças

No sistema estrutural reticulado as lajes se apóiam nas vigas, e as vigas nos pilares. Já, no sistema com laje plana, estas se apóiam diretamente sobre os pilares, sem que haja vigas para realizar a transmissão dos esforços. O sistema com laje nervurada é similar ao com laje plana diferindo pelo fato de remover o concreto da região da laje que não está sendo comprimida.

Figura 1.16 Sistema estrutural reticulado

10 Figura 1.17 Sistema estrutural com laje plana

Figura 1.18 Sistema estrutural com laje nervurada

- classificação quanto aos materiais constituintes

Considerando-se as construções atualmente existentes no mundo sob a Ética do processo construtivo, pode-se dizer que os materiais comumente empregados na produção das estruturas de edifícios são:

• madeira - estrutura reticulada (figuras 1.19 e 1.20); • aço - estrutura reticulada (figuras 1.21 a 1.23);

• alvenaria - estrutura em elementos planos (figuras 1.24 a 1.29);

• concreto armado e protendido: pré-moldado e moldado no local - ambas as tipologias (figuras 1.30 a 1.32);

• outros e mistos.

MADEIRA A madeira, sobretudo pela dificuldade de obtenção, é um material que vem tendo pouca utilização na construção de estruturas de edifícios, principalmente no Brasil. Além disto, suas deficiências quanto à resistência mecânica e durabilidade, a falta de tradição do usuário, a legislação restritiva quanto à sua utilização (problemas decorrentes do elevado potencial de queima) e a não-política de reflorestamento, também contribuem para o seu reduzido emprego, sendo empregada apenas em edifícios de pequena intensidade de carregamentos (casas térreas ou sobrados).

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