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01 APRESENTAÇÃO02
02 CONCEITOS02
03 ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO SOCORRISTA03
04 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS BÁSICOS09
05 NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANA12
06 CINEMÁTICA DO TRAUMA28
07 SINAIS VITAIS34
08 ATENDIMENTO INICIAL36
09 DESOBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS42
10 RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR46
1 HEMORRAGIA5
12 CHOQUE58
13 FERIMENTOS62
14 FRATURAS E LUXAÇÕES65
15 TRAUMATISMO CRANIO-ENCEFÁLICO E RAQUI MEDULAR67
16 DESMAIO E CONVULSÃO71
17 QUEIMADURAS73
18 ENVENENAMENTO/INTOXICAÇÃO75
19 ANIMAIS PEÇONHENTOS79
20 PARTO DE EMERGÊNCIA83

1. APRESENTAÇÃO

O trauma e as emergências clínicas são responsáveis anualmente por várias mortes e seqüelas irreparáveis aos acidentados. O custo das internações é muito alto para o Estado ou para a família dos pacientes. Estes fatos não podem ser desconsiderados e, não só o Governo, mas todos os cidadãos devem contribuir para melhorar este quadro, tanto em relação à prevenção de acidentes e doenças quanto no socorro aos acidentados.

Este Estágio Básico de Primeiros Socorros tem como finalidade a preparação de profissionais no primeiro atendimento a acidentados, fora do ambiente hospitalar.

A nobre missão de salvar requer conhecimentos técnicos específicos de primeiros socorros, portanto, o socorrista é a pessoa mais valiosa no primeiro atendimento fora do hospital, diminuindo as complicações que poderiam prolongar a recuperação ou resultar na incapacidade definitiva do paciente.

2. CONCEITOS

Antes de apresentar as principais atribuições do socorrista, alguns conceitos importantes devem ser observados:

Atendimento pré-hospitalar É considerado como nível pré-hospitalar móvel na área de urgência, o atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que possa levar ao sofrimento, a seqüelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.

chegada de ajuda especializada

Primeiros socorros São os procedimentos prestados, inicialmente, àqueles que sofreram acidente ou doença, com a finalidade de evitar o agravamento do estado da vítima, até a

Socorrista É a pessoa tecnicamente capacitada para, com segurança, avaliar e identificar problemas que comprometam a vida. Cabe ao Socorrista prestar o adequado socorro pré-hospitalar e o transporte do paciente sem agravar as lesões já existentes.

Omissão de socorro Segundo o Artigo 135 do Código Penal, a omissão de socorro consiste em

“Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em desamparo ou em grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública”.

Pena: detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa. Diz ainda aquele artigo, “A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e é triplicada, se resulta de morte”. Vale ressaltar que, o fato de chamar o socorro especializado, nos casos em que a pessoa não possui treinamento específico ou não se sente confiante para atuar, já descaracteriza a ocorrência de omissão de socorro.

Ocorrência Evento causado pelo homem, de forma intencional ou acidental, por fenômenos naturais, ou patologias, que podem colocar em risco a integridade de pessoas ou bens e requer ação imediata de suporte básico de vida, a fim de proporcionar melhor qualidade de vida ou sobrevida aos pacientes, bem como evitar maiores danos à propriedade ou ao meio ambiente.

3. ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES DO SOCORRISTA

Para ser um Socorrista é preciso aprender a lidar com o público. Pessoas que estão doentes ou feridas não se encontram em condições normais.

dependendo da situação, atuar de modo profissional pode ser muito difícil
O Socorrista deve ser honesto e autêntico

Você deve ser capaz de superar comportamentos grosseiros ou pedidos descabidos, supondo que estes pacientes estão agindo assim devido à doença ou ao ferimento presente. Lidar com as pessoas é uma das mais exigentes tarefas do Socorrista e, Quando estiver ajudando uma pessoa, você não deve dizer que ela está bem, se na verdade ela estiver doente ou ferida. Nem mesmo dizer que tudo está bem quando você percebeu que existe algo errado. Dizer para a pessoa não se preocupar é uma bobagem. Quando uma emergência acontece, certamente, existe algo com que se preocupar.

No local da emergência, você deve ser um profissional altamente disciplinado.

Observe a sua linguagem diante dos pacientes e do público. Não faça comentários sobre os pacientes ou sobre a gravidade do acidente. Concentre-se em auxiliar o paciente e evite distrações desnecessárias. Coisas simples como fumar um cigarro no local da emergência, mostra que você não é disciplinado e não pode ser um Socorrista.

Saiba mais sobre a ação do Socorrista A comunicação com o paciente pode ser benéfica e contribuir para o seu relaxamento, desde que você seja honesto. Dizer ao paciente que você está treinado em primeiros socorros e que irá ajudá-lo, pode diminuir o medo e estabelecer vínculos de confiança. Avisar ao paciente que o Serviço de Emergência Médica (Corpo de Bombeiros Militar ou o SAMU) está a caminho pode ajudar a tranqüilizá-lo.

É essencial ao Socorrista ter discernimento quanto aos limites do que pode ser comunicado ao paciente. Avisar que a criança do paciente está morta ou um ente querido está seriamente ferido não ajudará em nada. Quando a assistência de emergência é prestada, o Socorrista deve ter maior sensibilidade sobre o que dizer ao paciente. Nessas situações, como uma tentativa de acalmar o paciente, o Socorrista pode avisar que outras pessoas estão cuidando de seus entes queridos. É importante lembrar que um paciente vivendo o stress da doença ou de um trauma pode não tolerar uma pressão adicional.

Atuar como Socorrista exige que você controle os seus próprios sentimentos no local da emergência. Você aprenderá a envolver-se com a assistência aos pacientes enquanto, ao mesmo tempo, controla as suas próprias reações emocionais ao enfrentar uma situação de doença ou ferimentos graves. Os pacientes não necessitam unicamente de simpatia ou lágrimas, mas exigem um atendimento profissional.

Prestar assistência como Socorrista requer que você admita que o local do acidente ou os tipos de emergência podem afetá-lo. Você deve conversar com outros trabalhadores do serviço de emergência ou especialistas do Serviço de Emergência Médica, para lidar com os seus problemas emocionais e o stress, ocasionados pelas situações de emergência.

Você não precisa mudar o seu estilo de vida para ser um Socorrista. Entretanto, no momento em que você é requisitado para prestar assistência a uma pessoa, alguns aspectos relacionados à mudança de seu comportamento devem ser considerados. Sua atuação e aparência podem facilitar a obtenção da confiança do paciente. Tomar uma dose a menos de bebida alcoólica em uma festa, pode parecer pouco importante, porém, o significado desta pequena ação é muito importante, para que o Socorrista preste uma assistência adequada nas situações de emergência.

Para ser um Socorrista, você deve manter-se em boas condições de saúde. Se você tem limitações físicas, como dificuldade em agachar ou de respirar, o seu treinamento terá pouca utilidade.

Atributos do Socorrista Os principais atributos inerentes à função do Socorrista, são: • Ter conhecimento técnico e capacidade para oferecer o atendimento necessário;

• Ter capacidade de liderança para dar segurança e conforto ao paciente

• Aprender a controlar suas emoções, ser paciente com as ações anormais ou exageradas daqueles que estão sob situação de stress; Responsabilidades do Socorrista As responsabilidades do Socorrista no local da ocorrência incluem o cumprimento das seguintes atividades: • Utilizar os equipamentos de proteção individual (EPIs);

• Controlar o local do acidente de modo a proteger a si mesmo, sua equipe, o paciente, e prevenir outros acidentes;

• Obter acesso seguro ao paciente e utilizar os equipamentos necessários para a situação;

• Identificar os problemas utilizando-se das informações obtidas no local e pela avaliação do paciente;

• Fazer o melhor possível para proporcionar uma assistência de acordo com seu treinamento;

• Decidir quando a situação exige a mobilização ou mudança da posição ou local do paciente. O procedimento deve ser realizado com técnicas que evitem ou minimizem os riscos de lesões adicionais;

coordenar as atividades

• Solicitar, se necessário, auxílio de terceiros presentes no local da emergência e

A responsabilidade profissional é uma obrigação atribuída a toda pessoa que exerce uma arte ou profissão, ou seja, a responder perante a justiça pelos atos prejudiciais resultantes de suas atividades inadequadas, portanto, o Socorrista poderá ser processado e responsabilizado se cometer os seguintes atos:

Imperícia (Ignorância, inabilidade, inexperiência): Entende-se, no sentido jurídico, a falta de prática ou ausência de conhecimentos, que se mostram necessários para o exercício de uma profissão ou de uma arte qualquer.

as técnicas de abertura das vias aéreas, durante a reanimação

A imperícia, assim se revela na ignorância, como na inexperiência ou na inabilidade acerca de matéria, que deveria ser conhecida, para que se leve a bom termo ou se excute com eficiência o encargo ou serviço, que foi confiado a alguém. Evidencia-se, assim, no erro ou engano de execução de trabalho ou serviço, de cuja inabilidade se manifestou. Ou daquele que se diz apto para um serviço e não o faz com a habilidade necessária, porque lhe falecem os conhecimentos necessários. A imperícia conduz o agente à culpa, responsabilizando-o, civil e criminalmente, pelos danos que sejam calculados por seu erro ou falta. Exemplo: é imperito, o Socorrista que utilizar o reanimador manual, sem executar corretamente, por ausência de prática,

Imprudência (Falta de atenção, imprevidência, descuido): Resulta da imprevisão do agente ou da pessoa, em relação às conseqüências e seu ato ou ação, quando devia e podia prevê-las.

Mostra-se falta involuntária, ocorrida na prática de ação, o que a distingue da negligência (omissão faltosa), que se evidencia, precisamente, na imprevisão ou imprevidência relativa à precaução que deverá ter na prática da mesma ação. Fundase, pois, na desatenção culpável, em virtude da qual ocorreu um mal, que podia e deveria ser atendido ou previsto pelo imprudente. Em matéria penal, argüido também de culpado, é o imprudente responsabilizado pelo dano ocasionado à vítima, pesando sobre ele a imputação de um crime culposo. Exemplo: É imprudente o motorista que dirige um veículo de emergência excedendo o limite de velocidade permitido na via.

Negligência (Desprezar, desatender, não cuidar): Exprime a desatenção, a falta de cuidado ou de precaução com que se executam certos atos, em virtude dos quais se manifestam resultados maus ou prejudicados, que não adviriam se mais atenciosamente ou com a devida precaução, aliás, ordenada pela prudência, fosse executada. A negligência, assim, evidencia-se pela falta decorrente de não se acompanhar o ato com a atenção que se deveria.

Nesta razão, a negligência implica na omissão ou inobservância de dever que competia ao agente, objetivado nas precauções que lhe eram ordenadas ou aconselhadas pela prudência, e vistas como necessárias, para evitar males não queridos ou evitáveis.

Exemplo: É negligente o Socorrista que deixa de utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI), em um atendimento no qual seu uso seja necessário.

Reconhecimento do local da ocorrência O reconhecimento da situação é realizado pelo Socorrista no momento em que chega ao local da emergência. O reconhecimento é necessário para que o mesmo possa avaliar a situação inicial, decidir o que fazer e como fazer. Para o correto reconhecimento do local da ocorrência, devem ser observados:

Avaliação do local O Socorrista deverá avaliar o local da ocorrência, observando principalmente os seguintes aspectos: • A situação;

• Potencial de risco;

• As medidas a serem adotadas.

Informes do Socorrista Após avaliar o local, o Socorrista deverá informar ao Corpo de Bombeiros Militar ou ao SAMU: • Local exato da ocorrência;

• Tipo de ocorrência;

• Riscos potenciais;

• Número de vítimas e idade;

• Gravidade das vítimas;

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