Staphylococcus aureus

Staphylococcus aureus

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Staphylococcus aureus

I- Introdução

Família: Micrococcaceae

Gênero: Staphylococcus

Definição do Gênero:Estafilococos (gr. staphyle, uva) são cocos Gram-positivos, imóveis,

agrupados em massas irregulares ou em cachos de uva. Aeróbios ou anaeróbiosfacultativos, catalase positivos. Fermentam a glicose com produção de ácido, tanto em aerobiose, como em anaerobiose.

Os estafilococos são bactérias esféricas, piogênicas por excelência. Gram-positivas e que crescem em forma de cachos de uva (do grego staphile = cacho de uva).

As manifestações clínicas revelam-se com maior ou menor gravidade de acordo com a localização primária ou secundária da infecção. O problema da estafilococia tem se tornado sério nos anos atuais. Em pacientes hospitalizados, recém-nascidos e crianças abaixo de um ano de idade, as manifestações clínicas tendem a ser de maior importância. As infecções estafilococicas da pele tais como impetigo, contaminação de feridas cirúrgicas ou em queimados, podem levar à septicemia e complicações graves como osteomielite e outros focos metastáticos no coração, pulmão, sistema nervoso central, rins. Além desse comportamento, certas cepas elaboram uma enterotoxina, agindo à distância, causando intoxicação alimentar.

Esses são alguns dos problemas importantes da ação dos estafilococos sobre o hospedeiro e que se unem a sua tendência à variabilidade genética com conseqüente resistência às drogas antimicrobianas; há de realçar seu papel na patogenia humana, pois representam eles, na atualidade, importante problema médico a ser resolvido.

Desta forma, a estafilococia pode se expressar como estado de colonização das superfícies cutâneo-mucosas (portadores transitórios ou permanentes) ou como doença aguda ou crônica, supurativa, localizada ou disseminada, benigna, grave ou mesmo fatal, causada pela presença do estafilococo, seja por meio da ação de suas enzimas, ou à distância, sem a presença do agente, isto é, por meio de suas toxinas. Relaciona-se a condições de higiene precárias como a fatores debilitantes da imunidade do hospedeiro.

Principais Espécies de Estafilococos :Atualmente o gênero Staphylococcus é composto por cerca de 30 espécies, sendo algumas freqüentemente associadas a uma ampla variedade de infecções de caráter oportunista, em seres humanos e animais. As principais espécies de estafilococos encontrados em seres humanos são os Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus saprophyticus. O S. epidermidis é encontrada primariamente como residente da pele, tendo um baixo potencial patogênico, assim como o S. saprophyticus, que faz parte da microbiota normal da região periuretral do homem e da mulher e da pele. Ao contrário, o S. aureus é um patógeno em potencial e pode ser encontrado na região da nasofaringe e também nas fossas nasais.

II- Morfologia dos estafilococos

Os estafilococos são bactérias GRAM + ,em forma de cocos,que crescem seguindo um padrão que se assemelha a um cacho de uvas. Seu tamanho varia entre 0,5 a 1 micrometros de diâmetro.

Os componentes citoplasmáticos dos estafilococos não variam dos componentes gerais de uma célula bacteriana, sendo os principais:

- O nucleóide, onde se encontra o cromossomo bacteriano;

- Os ribossomos, responsáveis pela síntese protéica;

- Os plasmídios, moléculas de DNA circulares capazes de autoduplicação independente da replicação cromossômica.

Outra estrutura que pode estar presente são os flagelos, responsáveis pela movimentação das bactérias.

A parede celular dos estafilococos é constituída por:

- Cápsula: camada frouxa de polissacarídeos que protege as bactérias ao inibir a quimiotaxia e da fagocitose.Também facilita a aderência à materiais sintéticos;

- Peptideoglicano: componente estrutural composta de cadeias de glicano de ligação cruzada com peptídeos e confere maior rigidez à parede ;

- Proteína A: reveste a superfície dos estafilococos e se liga a camada de peptideoglicano.Eficaz na prevenção da eliminação do microorganismo pelo sistema imune;

- Ácidos teicóicos: polímeros que contém fosfatos ligados à camada de peptideoglicano ou à membrana plasmática. Medeiam a fixação dos estafilococos às superfícies mucosas;

- Fator de aglutinação: proteína que provoca aglutinação ou agregação dos estafilococos.

- Membrana citoplasmática: complexo de carboidratos, proteínas e de lipídios que atua como barreira osmótica e local de fixação para enzimas.

III- Cultura

Crescem bem nos meios de culturas mais comuns, como o caldo simples ou ágar simples, pH 7, à temperatura ótima de 37 º C. Em placa de ágar simples, após 24 horas na estufa a 37º C, produzem colônias de cerca de 1-3mm de diâmetro, convexas, da superfície livre e bordos circulares, opacas e brilhantes. Deixando as placas um ou dois dias à temperatura ambiente, as culturas de estafilococos patogênicos, recém isolados, geralmente desenvolvem um pigmento amarelo, ao passo que os estafilococos saprófitas, formam colônias brancas.

IV- Epidemiologia

Os estafilococos possuem ampla distribuição na natureza e não são essencialmente parasitas humanos, podem também ser encontrados em objetos inanimados ou outros animais, e também alimentos. No homem os estafilococos se estabelecem principalmente na pele, e os locais onde se encontram uma considerável população dessas bactérias são os hospitais, nesses lugares a porcentagem de S. aureus isolada nas narinas das pessoas eu aí trabalham é muito alta.Outro local onde os estafilococos estão presentes com muita freqüência é no leite bovino, que ao ser utilizado para a fabricação de queijos pode encontrar temperaturas ideais para sua multiplicação e gerar posteriormente intoxicação alimentar, por isso é necessário fazer a pasteurização do leite, processo que elimina os estafilococos. As vias de transmissão podem se dar de pessoa para pessoa, de objetos para pessoa (ou vice-versa), de animais para pessoas (ou vice-versa) e de muitas outras maneiras, uma vez que essas bactérias são de ampla distribuição. Pode ocorrer inclusive de pessoas infectadas, mas que não apresentam sintomas, para outras saudáveis. Um exemplo dessa via de transmissão são as

infecções neonatais, que ocupam o segundo lugar na etiologia de todas as infecções, sendo superadas apenas pela E. coli. Isso se dá porque a porcentagem dessas bactérias encontradas nos enfermeiros (como já foi citado antes) é grande, sendo assim, mesmo os berçários sendo submetidos a rigorosos processos de limpeza, ainda há um risco de transmissão. Dessa maneira, o que se pode observar é que a epidemiologia das estafilococias guarda dependência na transmissão homem/ homem ou homem/ objeto/ homem, propiciada pela presença de portadores assintomáticos e sua atividade de trabalho.

V- Fatores de Virulência

Os principais fatores de virulência do S. aureus são os componentes da superfície celular (superficiais), toxinas e enzimas (extracelulares).

FATORES SUPERFICIAIS

1) CÁPSULA

A cápsula de S. aureus é constituída por polissacarídeos. Sua função como fator de virulência é proteger a bactéria contra a fagocitose. É possível classificar as amostras em sorotipos, baseando-se na variabilidade antigênica dos polissacarídeos capsulares (CP). Os mais freqüentes são os sorotipos 5 (CP5) e 8 (CP8).

2) PEOTÍDEOGLICANOS E ÁCIDOS TEITÓICOS

Fazem parte da parede celular. Ativam a via alternativa do complemento e estimulam a produção de citocinas.

3) PROTEÍNA A

A maior parte da proteína A se encontra na parede da bactéria, covalentemente ligada ao peptideoglicano. Ela Impede que anticorpos interajam com as células fagocitárias (proteção contra a fagocitose juntamente com a cápsula).

4) ADESINAS

São proteínas, que se ligam à fibronectina, ao colágeno e ao fibrinogênio. Estão ancoradas no peptideoglicano e promovem a colonização dos tecidos pelo S. aureus.

FATORES EXTRACELULARES

1) TOXINAS

Citocinas:

Alfa-toxina/alfa-hemolisina: É uma hemolisina com capacidade de formar poros na membrana celular dos leucócitos, promovendo saída do conteúdo da celular, com morte da célula. Atua como mais um mecanismo de proteção contra a fagocitose. Além disso, essa ruptura da membrana pode liberar citocinas que contribuem para o desenvolvimento do choque séptico. Outras hemolisinas (que provocam lise de hemácias): beta, gama e delta.

Leucocidina: semelhante a gama-hemolisina (que é uma outra hemolisina). Está presente em 90% das lesões dermonecróticas graves, indicando seu importante papel na formação destas.

Superantígenos:

TSST-1 (toxic shock syndrome toxin-1): Esta é a toxina responsável pelo choque tóxico estafilocócico (TSS).

Enterotoxinas (SE): São a causa direta da intoxicação alimentar estafilocócica. Estimulam os linfócitos T a liberarem citocinas, as quais provocam o choque.

Toxinas que degradam moléculas de adesão:

toxinas esfoliativas: são a esfoliatina e a epidermolisina, responsáveis pela síndrome da pele escaldada, que consiste na separação da epiderme da derme. Estão presentes também no impetigo bolhoso. O tipo mais comum de esfoliatina é a ETA, que age sobre a desmogleína, uma proteína que existe nas superfícies das células epiteliais da pele e que promove a adesão entre elas.

2) ENZIMAS

Coagulase: Coagula o plasma, pela transformação da protrombina em trombina que, por sua vez, ativa a formação da fibrina a partir do fibrinogênio.

Fibrinolisina: Possui capacidade de dissolver coágulos.

Outras enzimas: catalase, desoxirribonucleases (DNase), hialuronidase, lipase, proteases e estafiloquinase. A hidrólise de diferentes proteínas e de outras moléculas pode gerar nutrientes utilizáveis pelo S. aureus e ao mesmo tempo facilitar a sua disseminação pelos tecidos.

Relação entre Curva de Crescimento de Expressão dos Fatores de Virulência : As adesinas são expressas na fase exponencial do crescimento e as toxinas, na fase estacionária. Esta ordem de expressão está de acordo com a atividade patogênica da bactéria que primeiro precisa colonizar para, em seguida, causar danos ao organismo.

VI -Manifestações clínicas

a) Infecções cutâneas estafilocócicas:

Devido a sua completa exposição pode parecer surpreendente que a pele não sofra mais infecções do que ocorre normalmente. Entre os fatores que contribuem para isso estão o pH baixo, a camada queratinizada, que normalmente é impenetrável a maioria dos microorganismos, por ser um meio de cultura desfavorável para o crescimento de bactérias, a contínua descamação das camadas superficiais da pele, que removem os microorganismos mecanicamente, e as propriedades imunológicas naturais e adquiridas da pele que a pretege quando os demais fatores falham.

As infecções cutâneas primárias causadas pelos estafilococos são chamadas genericamente de piodermites.As piodermites tem contagiosidade variável, havendo formas muito contagiosas como o impetigo.

Impetigo: Trata-se de uma piodermite superficial, que acomete mais crianças do que adultos. Essa doença raramente oferece dificuldade no diagnóstico: Inicialmente aparecem vesículas contendo líquido purulento pouco turvo. Essas vesículas se expandem, seu liquido torna-se turvo até que ocorre seu rompimento. Rompidas as bolhas , há a concreção do líquido purulento, formando crostas amareladas/acastanhadas sobre as lesões. Comumente as lesões regridem sem deixar cicatriz

Os locais mais afetados são a face e as extremidades, porém nas crianças qualquer área pode ser afetada.

Impetigo Bolhoso do recém nascido (“pênfigo” epidêmico do recém-nascido): Incidência maior em crianças, no verão. As lesões normalmente localizam-se na face e no tronco. Geralmente a criança tem febre. Esse quadro clínico se inicia por vesículas serosas que evoluem para bolhas flácidas. Estas, após o rompimento liberam um líquido turvo e então formam-se crostas acastanhadas

Foliculite, furúnculo e antraz: São infecções relativamente profundas da pele. Enquanto o impetigo apresenta-se como infecção que se propaga apenas horizontalmente, a foliculite (infecção acomete apenas a porção superior do folículo piloso), o furúnculo(atinge todo o folículo piloso e a sua glândula sebácea anexa) e o antraz (furúnculo se agrupam numa mesma área, constitui o antraz), são infecções que tendem a se estender verticalmente, atingindo camadas mais profundas da pele.

Observação: A doença anthrax, muito comentada nos noticiários sobre bioterrorismo é causada pela bactéria Bacillus anthracis . Essa bactéria é letal, sendo que o hospedeiro morre em 1 ou 2 dias.

b) Infecções profundas

Bacteremias :O S.aureus é uma das causas mais freqüentes de bacteremias. A infecção é geralmente adquirida quando do emprego de cateteres intravenosos. A bacteremia é um processo secundário a infecções cutâneas ou de outros locais e pode dar origem a diferentes tipos de infecções, tais como endocardites, osteomielites e abcessos metastáticos em vários órgãos. Pode também evoluir para a sepse, com mortalidade elevada.

Pericardite e endocardite :O S. aureus é o agente mais comum da pericardite aguda purulenta, podendo também causar endocardite aguda.

Em usuários de drogas ilícitas, a endocardite é adquirida por meio de injeção intravenosa e a válvula mais comprometida é a tricúspide. Nos não-usuários de drogas, a infecção é devido à disseminação a partir de uma infecção local ou de cateteres intravenosos colonizados.

Pneumonia e Empiema :As pneumonias estafilocócicas podem ser primárias ou secundárias. No primeiro caso, o agente etiológico chega ao pulmão através da via traqueobronquial, e nas pneumonias secundárias através de disseminação hematogênica de um foco à distância.

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