cicatrização de feridas

cicatrização de feridas

(Parte 1 de 3)

CICATRIZAÇÃO DAS FERIDAS

Alunos: Jorge Wilson Silva de Oliveira

Bianca Hermida Arcas

Luana Fontenelle

Leopoldo Jotha

Livia Pejon

Lanassa Andrade

Emerson Ferneda

SUMÁRIO

1. ANATOMIA TOPOGRÁFICA DA PELE 3

2. FISIOLOGIA 8

3. EVOLUÇÃO DA CICATRIZAÇÃO 12

3.1. Classificação dos Processos Biológicos da Cicatrização 12

3.2. Coagulação 13

3.3. Inflamação 13

3.4. Proliferação 14

3.5. Contração da Ferida 16

3.6. Remodelação ou Maturação 16

3.9. Fase de Maturação 18

4. FORMAS DE CICATRIZAÇÃO 19

5. FERIDA OPERATÓRIA 20

Bibliografia 23

1. ANATOMIA TOPOGRÁFICA DA PELE

A pele é considerada o maior órgão humano, possuindo cerca de 1,5 a 2,0 m2 no adulto médio. Em tempos passados, esta era de grande importância em todas as culturas e merecia cuidados especiais. Qualquer alteração patológica visível na pele, como hanseníase, psoríase entre outras, constituíam pretexto de aleijamento familiar e social.Tais patologias desencadeavam atitudes negativas, tanto por parte dos indivíduos portadores de lesões como por aqueles profissionais que prestavam cuidado a estes pacientes, o que acabava influenciando diretamente a qualidade da assistência prestada.

Em decorrência das condições de vida na sociedade moderna, houve uma alteração na valoração individual e social do corpo. A medicina experimenta avanços consideráveis na área da cirurgia plástica, estética e reparadora, proporcionando aquelas pessoas que se sentem fora dos padrões de estética e beleza, o alcance do ajustamento pessoal e social, permitindo a melhoria da auto imagem.Todavia as condições socioeconômicas nem sempre permitem a maioria o acesso a este beneficio. Dessa forma é adotada uma abordagem abrangente e multiprofissional na preservação e manutenção da integridade cutânea, bem como no tratamento de suas lesões e alterações. Ressalta-se a importância do componente educacional e da participação ativa do individuo e de seus familiares no processo de preservação das estruturas teciduais.

A pele se divide em três camadas:

1. Epiderme - Camada superficial e bem fina. É formada por epitélio queratinizado, escamoso e estratificado, sem vascularização, cuja nutrição se efetua por difusão, através dos capilares situados na derme.

A constituição essencial da epiderme é determinada pelas células denominadas queratinócitos, onde esses derivam da ectoderma, e seu processo de maturação é complexo e multifatorial. Formam a camada córnea que é anucleada, achatada, com 15 a 40 células empilhada. A transformação de um queratinócito basal em um córneo se processa em torno de 26 a 42 dias nos seres humanos, acrescidos de cerca de 15 dias para descamação. A camada morta mais superficial é formada por queratina, que exerce uma barreira para germes patogênicos, além de ser quase impermeável a água.

Outras células presentes na epiderme são os melanócitos. Estes possuem organelas citoplasmáticas responsáveis pela síntese da melanina, a qual exerce papel importante na determinação da cor da pele e na sua proteção contra a ação dos raios ultravioletas excessivos.

Existem ainda na epiderme as células de merkel, que possuem grânulos citoplasmáticos, os quais contém substancias neurotransmissoras, com suposto envolvimento na percepção da sensibilidade tátil.

2. Derme – Camada um pouco mais profunda e espessa, constituída por tecido conjuntivo, subdvidindo- se em duas camadas: papilar e a reticular. A diferença entre ambas consiste no fato de que a reticular é composta por fibras colágenas e fibroblastos, enquanto a papilar situa-se na linha divisória entre a derme e a epiderme, formando evaginações na forma de papilas. Estas possuem vascularização sanguinea e linfática, nervos e receptores sensitivos, terminações nervosas responsáveis pela percepção de diferentes tipos de sensibilidade:tátil, térmica e dolorosa. Nessa camada acham-se os folículos de pilosos, os músculos eretores dos pêlos e as glândulas sebáceas.

3. Hipoderme - É constituída por tecido adiposo. Efetua a união dos tecidos vizinhos com a subcamada reticular da derme. Na junção dermo-hipodermica se acham localizadas as glândulas sudoríparas. Localizam-se na hipoderme as terminações nervosas, denominadas corpúsculos de pacini, e os vasos sanguíneos, alem de elementos celulares. A característica desse tecido é a de ser frouxo, o que lhe confere maleabilidade e elasticidade, com exceção das regiões palmares e plantares e dedos. A variação de sua espessura e a sua distribuição no organismo varia de acordo com o sexo e com a idade.

Alguns elementos podem indicar normalidade ou anormalidade, e que são conclusivas no estabelecimento de diagnostico clínico.

Coloração da pele: é determinada pelo conjunto de vários fatores, tais como os genético - raciais, individuais, regionais, sexuais, e conteúdo dos vasos sanguíneos. Um dos elementos pertencentes aos fatores genético – raciais é o pigmento denominado melanina que é produzido nos melanócitos. Os melanócitos contêm estruturas denominadas melanossomas, nos quais ocorrem síntese e a deposição da melanina pela ação da enzima tirozinase.

A coloração normal da pele é levemente rosada nos indivíduos de cor branca, mas nos indivíduos de pele escura a detecção dessa característica é dificultada. Para Porto, as alterações da coloração são: palidez, vermelhidão, fenômeno de Raynaud,cianose, icterícia, albinismo, bronzeamento solar, doença de Addison, dermatografismo ou urticária fictícia.

Outro pigmento encontrado na epiderme são o caroteno e a hemoglobina. O caroteno capta os raios solares ultravioletas e os transforma em vitamina D2 ou calciferol. Essa vitamina permite a absorção de cálcio no trato gastrointestinal e o seu déficit origina raquitismo e diminuição do cálcio sérico, alterando as condições dos músculos e desencadeando tetania. Alterações medicamentosas da hemoglobina ou em decorrência a intoxicações exógenas podem impedir a fixação do oxigênio por esse pigmento, originando cianose, cuja origem é central ou periférica.

Continuidade ou integridade: O tegumento é a parte do corpo que se expõe aos mais variados agentes, desde patológicos ate os traumáticos, abrasivos e causticantes.

Umidade, textura e espessura: são elementos indicadores de disfunção orgânica. A pele mantém-se úmida pela constante evaporação de água. A umidade de acha diminuída nos idosos, nas pessoas com distúrbios renais, em algumas intoxicações...

Textura: a pele torna-se fina, áspera ou enrugada. O estilo de vida, a atividade exercida pela pessoa, a idade, os distúrbios nutricionais e hormonais, a perda rápida e excessiva de peso, bem como a presença e a eliminação de edemas.

Temperatura: pode variar de 30 a 35,5°C, sendo o primeiro valor encontrado no dorso do pé e o segundo na região anterior do pescoço e na fronte. Sua variação,é desencadeada por fatores ligados a meio ambiente, estado emocional, sono e ingestão de alimentar. São relevantes na regulação da temperatura os corpúsculos de Krausse, localizados na derme.

Elasticidade e mobilidade: A elasticidade é propriedade que possui o tecido de estender-se ao ser tracionado, enquanto a mobilidade é entendida pela capacidade desseb tecido de deslocar-se .

Turgor: é indicador de hidratação da pele, perpassando uma sensação de “suculência” ao se efetuar uma prega na pele com os dedos, a qual se desfaz rapidamente quando estes são soltos.

A sensibilidade da pele é constituída de 4 modalidades:frio, calor, dor e tato. Essas modalidades são mantidas por numerosas terminações nervosas, constituìdas por:

  • Corpúsculo de meissner: Localizados nas regioas palmares e plantares. São específicos para a sensibilidade tátil e perceptivos de resposta rápida.

  • Discos ou meniscos de merkel – ranvier: são plexos localizados nas polpas dos dedos, em posição subepidermica, sendo responsáveis pelo tato de resposta lenta.

  • Corpúsculos de Ruffini: formados por fibra nervosa, permeando o colágeno, sendo detectores de sensibilidade térmica, de pressão e de movimentos lentos dos tecidos.

  • Corpúsculos de Pacini: localizam-se nas regiões plantares e palmares, sendo detectores de sensibilidade a pressão e movimentos rápidos nos tecidos.

  • Corpúsculo de Krausse: são órgãos nervosos terminais mucocutâneos responsáveis pelo tato. Situa-se na derme papilar ou subpapilar.

  • Cestos de folículo piloso: responsáveis pelo tato às modificações de posição do pêlo. São estruturas importantes na regeneração da pele. São formados no terceiro mês fetal e originam os pêlos que recobrem o feto, o lanugo, que posteriormente cai e é substituído por pêlos mais espessos.

Como último elemento anatomossemiológico, destaca-se as lesões elementares que são modificações do tegumento cutâneo oriundas de processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios e neoplásicos ou, ainda, por distúrbios ou má-formação genética.

Outras estruturas da pele são os vasos sanguíneos, que podem ser superficiais ou profundos, organizados em plexos. O plexo profundo situa-se na camada dermo-hipodérmica, e é constituído de arteríolas; o plexo superficialacha-se na derme subpapilar e é formado pelos capilares. Em alguns locais, como o leito ungueal, a orelha e a região central da face, os vasos efetuam uma anastomose direta entre a arteríola e a vênula, denominada glomus. O canal arterial possui parede espessa e lúmen estreito, enquanto o canal venoso apresenta paredes finas e lúmen amplo.

Entretanto a epiderme não é vascularizada, recebendo nutrientes através da difusão; uma vez que as células epiteliais necessitam de irrigação e muito líquido intersticial para se desenvolverem e exercer suas funções.

Os vasos linfáticos também compõem a estrutura da pele. São canais constituídos por penas uma camada de células endoteliais e que se organizam em forma de alças na derme papilar, que de transforma em um plexo linfático profundo na camada dermo-hipodérmica.

A pele é formada por musculatura lisa, que constitui os músculos eretores dos pêlos, os dartos do escroto e a musculatura dos mamilos. A disposição das fibras lisa do pêlo é responsável pelo fenômeno de horripilação, que consiste na verticalização do pêlo à estimulação. O outro tipo de musculatura da pele é a estriada, encontrada no pescoço e na face.

As últimas estruturas componentes da pele são os anexos cutâneos, englobando as glândulas sudoríparas, o aparelho pilossebáceo, os pêlos e as unhas.

As glândulas sudoríparas, localizam-se nas regiões palmares e plantares e nas axilas. Podem ser écrinas, que têm poder contrátil e fazem a eliminação da secreção ou suor pelo seu orifício ou poro, e apócrinas, que possui a porção secretora que é duzentas vezes maior que a écrina, com secreção de aspecto leitoso e seu odor é atribuído à ação das bactérias.

As glândulas sebáceas estão em toda a pele e seu tamanho é maior nas regiões pouco pilosas, como fronte e nariz. Sua secreção denomina-se sebum, que tem ação antimicrobiana, antibacteriana e antifúngica.

Os pêlos são estruturas filiformes, constituídas por queratina. São estruturas resistentes, flexíveis e elásticas.

As unhas são lâminas formadas por queratina dura. Sua irrigação é feita pela matriz ou leito ungueal, intensamente vascularizada.

2. FISIOLOGIA

A pele exerce múltiplas funções, mas, sem dúvida, a que mais se destaca é a de proteção. A epiderme funciona como uma película protetora contra a perda excessiva de líquidos, eletrólitos e outras substâncias do interior do organismo. O tecido subcutâneo funciona como isolante das alterações ambientais, ao mesmo tempo em que sustenta as estruturas e órgãos internos. Como proteção, impede a penetração de microorganismos e, ainda, alterações celulares decorrentes de irradiações ionizantes e dos efeitos dos raios solares ultravioleta. Os pigmentos de melanina também funcionam como uma barreira protetora.

Outra função protetora da pele é a imunológica. Muitos elementos celulares da derme participam do processo de defesa do sistema retículo endoplasmático. Os linfócitos e os macrófagos são os leucócitos que atuam nos processos infecciosos crônicos, como os da hanseníase. As células de Langerhans exercem função macrocítica e antigênica, e participam do processo de defesa imunológica e celular. Outras células possuem histamina, que se encontra nos locais em que ocorrem sinais de reação inflamatória tissular. Conceitualmente, existem duas categorias de microbiota na pele: a residente e a transitória.

A segunda função da pele, a de termorregulação, é fundamental na manutenção da homeostase do ser humano. A termorregulação é o controle da temperatura corporal, que depende do metabolismo corporal e consiste no equilíbrio entre a intensidade da perda de calor e a intensidade da produção de calor, comandada pelos centros nervosos localizados no hipotálamo. Nesse processo destacam-se dois mecanismos básicos determinantes da perda de calor corporal: a circulação, que garante o fluxo sanguíneo na pele, graduando a passagem do calor do interior do corpo para as camadas superficiais; e a sedação, que controla a intensidade da evaporação dos líquidos corporais pela pele.

A temperatura corporal interna é quase constante, com valores médios em torno de 36,6 e 37,0º C, alternado em cerca de 0,6º C quando o individuo está exposto a temperaturas muito frias ou quentes, ou experimenta emoções intensas. Já a temperatura da pele é variável (entre 30 a 35,5º C) e depende de fatores internos e externos. Entretanto, esse calor não se perde totalmente, em decorrência da função isolante da pele e do grau de constrição das arteríolas e anastomoses arteriovenosas.

A transferência de calor da corrente sanguínea para a pele se dá através de três mecanismos: irradiação, ligada ao ambiente físico; condução, para objetos; e evaporação.

A perda de calor corporal por sudação é contínua. O início de sudorese se dá quando a temperatura corporal atinge 37º C, através da vasodilatação dos vasos cutâneos que aumenta a eliminação do calor corporal. Podem ser perdidos 4 litros de suor em uma hora, o que equivale à cerca de 2 mil calorias do calor do corpo. O suor é excretado pelas glândulas apócrinas é inodoro.

Uma variação de até 2º C em regiões semelhantes da pele, percebida pela palpação, pode indicar distúrbios circulatórios. Aumento de temperatura em áreas específicas pode significar processos inflamatórios.

Outra função da pele é a de percepção. Os estímulos táteis, térmicos, dolorosos, pressóricos, vibratórios e a resposta galvânica da pele mostram a especificidade do tecido tegumentar e justificam o uso de instrumentos especiais para a avaliação da precisão de suas respostas.

A função secretora da pele engloba as glândulas sebáceas e sudoríparas. As glândulas sebáceas são importantes para a manutenção do equilíbrio tissular, preservando a camada córnea. Os ácidos graxos livres e, em especial, o ácido oléico atuam num processo de autodesinfecção da pele. Os lípides têm papel importante na corneificação da pele. A epiderme á ácida, cujo valor do pH é de 5,4 a 5,6. Já a derme e o subcutâneo são alcalinos, com pH menor que o do sangue, que varia de 7,35 a 7,45.

As glândulas sudoríparas, além de participarem da termorregulação corpórea, favorecem a elasticidade da pele, bem como funcionam como órgão de apoio da função renal.

A água representa cerca de 70% do peso da pele livre de tecido gorduroso. Existem relatos na literatura de aumento do volume de água da pele em alguns estados patológicos cutâneos e sistêmicos.

Outra função da pele é a de permitir a infusão de medicamentos por via percutânea e por absorção, mesmo que diminuta. As estruturas que permitem essa passagem são orifícios adanexiais, que variam em número de acordo com a região anatômica em que se encontram, e os espaços intercelulares da camada córnea.

A pele tem também a função de identificação. Uma pele saudável reflete a beleza interna e externa da pessoa, ao passo que os danos provocados por traumatismos, sejam eles cirúrgicos ou não, determinam alterações e, mesmo, mudanças na imagem corporal resultando em distúrbios funcionais e psicológicos.

E mais uma função da pele é a de comunicação. As alterações e as expressões faciais permitem à pessoa interagir com o meio e com outros indivíduos, bem como transmitir sentimentos de conforto, amizade, amor e preocupação através do toque.

A responsabilidade do enfermeiro no atendimento da pessoa com problemas da pele, especialmente aquelas portadoras de feridas, e a eficácia de suas ações de enfermagem estão ligadas ao conhecimento que ele possui nesta área de atuação. É imprescindível uma atualização continua das bases cientificas dermatológicas para a qualidade do atendimento.

(Parte 1 de 3)

Comentários