importância da semente

importância da semente

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Nota de aulas

IMPORTÂNCIA DE SEMENTES

A semente é um sistema biológico com múltiplas funções, das quais três são as mais importantes: a) dispersão das espécies e manutenção da variabilidade genética; b) manutenção das espécies entre os ciclos de desenvolvimento e c) reprodução.

Ela é importante devido a vários aspectos:

1) Por ser elemento modificador da história do homem;

2) Por ser o mecanismo de perpetuação da espécie;

3) Por ser o principal mecanismo de estabelecimento, expansão, diversificação e melhoramento na produção agrícola;

4) Por ser o banco de reposição de caracteres hereditários e de variabilidade das espécies vegetais;

5) Por ser mecanismo de transporte das inovações e da revolução oriundas da biotecnologia;

6) Por ser fonte de alimentos e de matéria prima para a indústria;

7) Como material de pesquisa.

1. Como elemento modificador da história do homem

Há mais de 10 mil anos o homem observou o surgimento de novas plantas onde antes não havia nada de similar e relacionou seus frutos com outros frutos coletados anteriormente após as enchentes do rio. Por meio desta relação associou a semente com a formação de plantas e dessa descoberta originou-se a agricultura e a nova civilização. Dessa relação o homem modificou seus hábitos – de caçador e nômade a agricultor e sedentário. Os homens começaram a se agrupar em comunidades que cresciam rapidamente, a terem organização social, econômica e política.

2. Como mecanismo de perpetuação da espécie

As plantas produtoras de sementes apareceram provavelmente no final do período Devoniano (era paleozóica), cerca de 350 milhões de anos atrás. As sementes teriam surgido como uma extensão da heterosporia (a produção de diversos tipos de esporos assexuais), em resposta a pressões ambientais (Tffuny, 1977, citado por Carvalho e Nakagawa, 2000).

A importância da semente como órgão de perpetuação e de disseminação das espécies vegetais deve-se principalmente à capacidade de distribuir a germinação no tempo, devido aos mecanismos de dormência, e no espaço, devidos aos mecanismos de dispersão como asas, espinhos, pêlos, etc.

Por causa do mecanismo de dormência, as sementes não germinam quando as condições ambientais não são adequadas, como temperaturas altas ou baixas, excesso ou falta de chuvas. Quando as sementes atingem a maturação, algum mecanismo de dormência desenvolveu-se nas mesmas, impedindo que todas germinem ao mesmo tempo, evitando a extinção da espécie. As sementes somente irão germinar quando existirem condições climáticas adequadas ao estabelecimento da plântula ou planta. Os mecanismos de dispersão permitem que as sementes estabeleçam-se em novas áreas, saindo de locais que poderiam ser arriscados para a sua sobrevivência. Essas duas características unidas permitem que as espécies produtoras de sementes dominem o reino vegetal e exista a grande diversidade de espécies.

3. Como principais mecanismos de estabelecimento, expansão, diversificação e melhoramento na produção agrícola

A semente sempre foi alvo de cobiça devido a sua importância no processo de produção agrícola e pelo seu valor. As grandes explorações dos séculos XVI a XIX sempre incluíam a coleta de sementes nas novas áreas descobertas. No Brasil, no ciclo da borracha, as sementes foram levadas para regiões asiáticas, deslocando-se a exploração da seringueira para novas áreas e mudando a economia da região norte do país.

Além da grande adaptação para a função prioritária de perpetuação e multiplicação das espécies, as sementes possuem outras importantes funções na agricultura. O processo sexual em plantas combina continuamente a variabilidade genética da população influenciando a semente produzida de diferentes maneiras, garantindo características que as diferenciam das demais.

O homem através do tempo separou sementes para multiplicação entre aquelas que exibem características desejáveis. No século XX e início do século XXI, o processo de desenvolvimento agrícola foi intenso e acelerado, pela sistemática coleta e conservação da variabilidade das espécies, bem como pelo mais recente domínio da biologia molecular. A pequena quantidade de material de alto valor obtida pela ciência é mais seguramente mantido, transmitido e multiplicado por sementes.

4. Como mecanismo de transporte das inovações e da revolução oriundas da biotecnologia

Atualmente, as sementes transportam agentes químicos em sua superfície, em pequenas quantidades, protegendo tanto as sementes como a planta, contra patógenos e insetos. Também transporta micronutrientes com objetivo de regular o crescimento e corrigir possíveis deficiências do solo. Como a dosagem é menor e mais criteriosa que em outros métodos de controle de doenças e pragas ocorrem vantagens para o ambiente.

Também, as inovações e produtos oriundos da biotecnologia podem ser transportados pelas sementes. Variedades de algumas espécies que produzem seu próprio inseticida, fungicida e antídotos estão no mercado ou se encontram em desenvolvimento.

5. São o banco de reposição de caracteres hereditários e de variabilidade das espécies vegetais

As sementes são consideradas como os principais insumos da agricultura moderna, limitantes de produção. Sementes de cultivar melhorado são o componente básico de insumos requeridos para uma agricultura economicamente bem sucedida, além de catalizadoras de explorações em outros avanços tecnológicos. Como insumo, a semente é diferente em importantes e diferentes maneiras, diferenciando-se de outros como fertilizantes, pesticidas e água. São requeridas em pequenas quantidades, multiplicadas em vez de consumidas no processo de produção. A produção agrícola é limitada pelo potencial genético da variedade, e somente atingirá o máximo de produção determinado geneticamente. O fertilizante permitirá que esse máximo seja atingido, mas não ultrapassado.

6. Como fonte de alimentos e de matéria prima para a indústria

A semente possui três tipos básicos de tecidos: tecido maristemático, tecido de reserva e tecido de proteção. O tecido meristemático é o eixo embrionário responsável pela formação da plântula. O tecido de reserva contém as reservas nutritivas, fonte de energia para o processo germinativo. O tecido protetor formado pelo tegumento e/ou pericarpo envolve a semente, protegendo contra abrasões, impactos, patógenos, insetos e regulando a absorção de água e trocas gasosas.

O tecido de reserva contém principalmente carboidratos, lipídios e proteínas. As sementes, de acordo com o nutriente principal, podem ser amiláceas ou oleaginosas. O amido é o principal carboidrato presente nas sementes. As principais espécies utilizadas na alimentação humana são amiláceas, como as gramíneas (trigo, milho, arroz).

Os povos pré-históricos alimentavam-se de mais de 1500 espécies de plantas e pelo menos 500 dessas espécies e variedades têm sido cultivadas ao longo da história. Atualmente, apenas 30 vegetais cultivados integram 95% da dieta humana e, desses, o trigo, arroz, milho e soja representam mais de 85% do consumo de grãos. A agricultura de subsistência cultiva as principais plantas alimentícias há mais de 10.000 anos. A dieta alimentar nos países subdesenvolvidos é composta principalmente por alimentos oriundos de grãos (65 a 75%) e, nos países desenvolvidos esse percentual é em torno de 35%.

Além de seu valor como alimento, seja direta ou indiretamente pela industrialização, a semente é também a fonte de inúmeros outros produtos que servem ao homem, das mais diversas maneiras, destacando-se os vestuários e produtos medicinais.

Na indústria de alimentos para consumo animal, de cosméticos e de combustíveis, o uso de sementes também é bastante intenso.

Com a importância do desenvolvimento sustentável, várias organizações estão sendo formadas para implementar o uso de sementes e de outras partes das plantas para confeccionar peças como anéis, colares, brincos, pulseira. Entre as espécies encontram-se açaí, mumuru, anaja, tucumã, jatobá, pataua, e principalmente as mais resistentes, como a jarina. É a importância das sementes não apenas como uma questão de mercado, mas como um instrumento que alia rentabilidade com a construção da cidadania e preservação do meio ambiente.

7. Como material de pesquisa

As sementes apresentam diversas formas, tamanhos e cores. De forma geral, apresentam tamanho pequeno que permite ser guardada em recipientes relativamente pequenos. O formato tendendo para o arredondado permite fácil manipulação, com as mãos ou com pinças. Também, as sementes de inúmeras espécies podem ser desidratadas e conservadas por muito tempo. Todas essas características permitem que as sementes possam ser utilizadas de maneira mais fácil como fonte de pesquisa. Mesmo tendo organização morfológica muito simples, a organização fisiológica e bioquímica é complexa, permitindo qualquer tipo de estudo na área de Biologia Vegetal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As sementes são consideradas como patrimônio da humanidade. A história começou no início do século passado, quando o sábio russo Vavilov identificou os centros de origem das plantas cultivadas, criando os chamados Centros de Vavilov. Verificou-se, então, um fato extraordinário: os chamados "países ricos" são extremamente pobres em germoplasmas vegetais originais, ao passo que os "países pobres" são, ao contrário, muito ricos nessas bases genéticas. Quase todas as culturas principais se originaram em menos de uma quarta parte das terras do mundo e, a maioria dessas terras encontra-se em áreas consideradas "pobres" (Oriente, América do Sul, África). Para se ter uma idéia da extensão do problema, na década de 70, das 200 espécies vegetais cultivadas na Califórnia, USA, nenhuma era originária daquele país!

Devido a isto, as sementes são consideradas importantes como segurança alimentar.A diversidade genética das plantas é o mecanismo que há milênios tem permitido a adaptação desses seres aos mais diversos ambientes, ao mesmo tempo em que tem oferecido base material para o seu melhoramento genético. A manutenção da diversidade implica tanto na continuidade e na proteção da natureza, como também implica na criação de germoplasmas simplificados, dependentes de altos insumos de síntese química-fertilizantes e agrotóxicos, como nas monoculturas.

A expansão de multinacionais no controle da produção e comércio de sementes implica no controle de todo o sistema alimentar. O mecanismo é simples e fácil de entender; as multinacionais controlam a produção e comércio de sementes que são "melhoradas" visando a uniformidade fenotípica com altas produções. Essa uniformidade elimina as resistências naturais e aumenta a vulnerabilidade das culturas, com o que se cria a dependência dos agrotóxicos. As multinacionais que fabricam agrotóxicos são as mesmas que controlam o "melhoramento", a produção e a comercialização das sementes. A uniformidade genética leva à perda de variedades e à vulnerabilidade das plantas às pragas e doenças.

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