Interação família e escola: contribuições

Interação família e escola: contribuições

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LINHARES 2008

2 RICARDO DE ANDRADE ALVES

Monografia apresentada ao curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Aplicadas “Sagrado Coração”, como requisito parcial para obtenção do grau de licenciado em Ciências Biológicas. Orientadora: Profª. MSc. Paula Mara Reis Ferraz

LINHARES 2008

3 RICARDO DE ANDRADE ALVES

Monografia apresentada à Faculdade de Ciências Aplicadas “Sagrado Coração”, como requisito parcial para obtenção do grau de licenciado em Ciências Biológicas.

Aprovado em 19 de novembro de 2008.

Profª Ms. Paula Mara dos Reis Ferraz Faculdade de Ciências Aplicadas “Sagrado Coração” Orientadora

4 DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente ao “Deus Eterno e Imortal”, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.

Em especial, a minha Pastora Lindaura Rodrigues Lopez, por sua atenção constante orando por mim e pelos meus estudos, me dando credibilidade, aumentando a minha fé e a esperança em meu coração e pelo mútuo aprendizado de vida, durante nossa convivência, na Igreja Pentecostal Nova Jerusalém do Bairro Novo Horizonte. Gratidão eterna!!!

A minha esposa Sandra Fernandes Marques Alves, por sua compreensão e pelo apoio em todos os momentos desta importante etapa de minha vida.

Por fim, dedico este trabalho aos meus pais João Gregório Alves e Maria Dolores de Andrade e a todos os meus irmãos – Maurício, Leopoldo e João Gregório Filho, cunhadas e sobrinhos, pelo incentivo, cooperação e apoio; pois, além de terem me acolhido durante todo o curso, compartilharam comigo os momentos de tristezas e também de alegrias, nesta etapa que, com a graça de Deus, está sendo vencida.

5 AGRADECIMENTOS

À Sônia Maria dos Reis Pandolfi, Diretora da Escola Polivalente de Linhares I, por ter aberto as portas da instituição para que assim eu fizesse a pesquisa para o trabalho de TCC e aos amigos e professores desta instituição, Luiz Guilherme da Silva e Valdíria que me apoiaram no caminhar da pesquisa e dos estágios.

Aos professores, especialmente à Paula Mara dos Reis Ferraz, à Eliana Maria Perini Monti e à Izaura Pratissolli pela contribuição, dentro de suas áreas, para o desenvolvimento de nossa monografia, e, principalmente pela dedicação e empenho que demonstraram no decorrer de suas atividades.

À professora Tatiana Stanisz Nunes, Mestre em Ciências do Meio Ambiente que não deixou que eu parasse de estudar, que me deu forças que se fizeram necessárias e me possibilitaram um novo olhar para o futuro promissor que se descortinava.

Aos professores da Faculdade Pitágoras de Linhares e aos estudantes de Biologia, pelo empenho e auxílio, num momento decisivo em nosso trabalho.

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, colaboraram para que este trabalho conseguisse atingir os objetivos propostos.

"A imaginação é mais importante que o conhecimento." Albert Einstein

“A educação faz um povo fácil de ser liderado, mas difícil de ser dirigido; fácil de ser governado, mas impossível de ser escravizado”.

Henry Peter

7 RESUMO

A relação família-escola é, hoje, tema em destaque na discussão sobre o alcance do sucesso dos alunos no processo de ensino-aprendizagem. A ausência dos pais às reuniões pedagógicas pode ser um indicativo do pouco acompanhamento da vida escolar das crianças por parte dos pais. Diante desse contexto, definiu-se como objetivo geral dessa pesquisa argumentar teoricamente sobre a importância da interação família e escola, e como objetivos específicos: analisar o papel da família na educação dos filhos, enumerar os fatores que exercem maior influência na interação entre a família e a escola, descrever o papel da escola no processo de interação com a família e verificar como ocorre a interação entre a escola e a família na E.E.E.F.M. “Polivalente de Linhares I”. Para a obtenção dos dados foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica e um levantamento, por meio da aplicação de questionários a um grupo de pais de alunos das séries finais do ensino fundamental da E.E.E.F.M. “Polivalente de Linhares I”. Nos resultados foi constatado que a importância da educação na vida de um cidadão, a responsabilidade familiar de educar e cuidar dos filhos e a consciência dos efeitos positivos da presença assídua da família na escola sobre o desempenho escolar dos filhos é consenso entre as diferentes classes sociais e intelectuais da população estudada. Também não foi verificado um grande desequilíbrio na relação entre família e escola pesquisada, porém, uma parcela muito pequena demonstrou ter conhecimento do Projeto Político Pedagógico da escola em questão. Sendo assim, conclui-se que a sociedade necessita de uma parceria de sucesso entre a família e a escola, pois só assim poderá, realmente, fazer uma educação de qualidade e que possa promover o bem estar de todos.

Palavras-chave: Família. Escola. Interação.

8 LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Perfil das famílias26
Gráfico 2 – Renda mensal27
Gráfico 3 – Número de pessoas27
Gráfico 4 – Importância da educação na vida dos filhos28
Gráfico 5 – Responsabilidade da escola na educação dos filhos28
Gráfico 6 – Função da escola na vida dos filhos28
Gráfico 7 – Avaliação da participação do filho na escola29
Gráfico 8 – Expectativa dos pais em relação à formação dos filhos pela escola29
Gráfico 9 – Freqüência de visitas dos pais à escola30
Gráfico 10 – Avaliação do diálogo entre a família e a escola30
Gráfico 1 – Sensação durante diálogo com membros da escola31
Gráfico 12 – Recepção dos pais por parte da escola31
Gráfico 13 – Acompanhamento dos estudos dos filhos32
Gráfico 14 – Opinião sobre os efeitos da participação familiar junto à escola32
Gráfico 15 – Conhecimento sobre o Projeto Político Pedagógico da escola32

Gráfico 16 – Atividades a serem desenvolvidas para melhorar a integração entre escola e família .......................................................................................................3

9 SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO10
2 A FAMÍLIA E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS12
2.1 O PAPEL DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS16
3 A INTERAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA17
3.1 IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA17
RENDIMENTO ESCOLAR20

3.2 FATORES QUE INFLUENCIAM A RELAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA E O 3.3 O PAPEL DA ESCOLA NO PROCESSO DE INTERAÇÃO COM A FAMÍLIA...2

4 METODOLOGIA24
4.1 TIPO DE PESQUISA24
4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA24
4.3 COLETA DOS DADOS25
4.4 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS25
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES26
6 CONCLUSÕES35
7 REFERÊNCIAS36

10 1 INTRODUÇÃO

A relação família-escola é, hoje, tema em destaque na discussão sobre o alcance do sucesso dos alunos no processo de ensino-aprendizagem. Freqüentemente, ouvese dos professores que o apoio da família é essencial para o bom desempenho do aluno. Porém, muitas vezes essa expectativa de ajuda torna-se fator de acusação, atribuindo-se à família a responsabilidade pelo mau desempenho escolar da criança. Os profissionais da escola acreditam, muitas vezes, que os alunos vão mal porque suas famílias estão desestruturadas ou porque não se interessam pela vida escolar da criança. A ausência dos pais às reuniões pedagógicas é um fato que vem acontecendo muito no contexto escolar atual, o que pode ser um indicativo do pouco acompanhamento da vida escolar das crianças por parte dos pais.

O baixo desempenho dos alunos, os cuidados com a criança em relação à escolaridade e o não atendimento aos pedidos e expectativas da escola foram algumas das questões que motivaram o desenvolvimento desta pesquisa.

No decorrer do processo educacional, depara-se com alguns aspectos que atrasam a vida do aluno na escola. Dentre esses aspectos, optou-se por observar a influência da família no processo ensino-aprendizagem. Assim, nesse estudo, pretende-se analisar a família perante a escola e a necessidade de uma integração, pois supõese que a questão familiar pode ser um dos fatores que influenciam o desenvolvimento escolar de um aluno.

Hoje, mesmo não existindo mais um parâmetro de família como predominava até o início do século passado, acredita-se que mesmo nas famílias compostas por apenas duas pessoas, esse representante da família pode ser um personagem importante na aprendizagem dos educandos.

A escola que, por sua vez, tinha o papel de ensinar o que o mundo do trabalho iria cobrar ao indivíduo no futuro, passa a absorver também a função de educar para a vida no que se referem aos aspectos sociais, morais, espirituais, entre outros. As conseqüências desse acúmulo de funções são sentidas hoje pela escola, pois ela passou a ser vista como uma instituição que ensina, que critica, passa sermões e faz cobranças de organização e socialização que deveriam ser trabalhados em casa; daí gera-se muitos conflitos.

Para sanar tais conflitos, é preciso criar uma parceria entre família e escola, para que haja uma distribuição mais justa de responsabilidades na educação da criança. Assim, cada um fazendo o seu papel, uma não sobrecarrega a outra. Mais do que uma descentralização das funções, essa parceria ajuda pais e escola a falarem a mesma linguagem, situando o indivíduo num mundo organizado em uma estrutura que compõe a sociedade da qual ele também faz parte.

No presente trabalho pretendeu-se enumerar as vantagens dessa parceria, que devido a sua importância pode ser a chave para muitos problemas enfrentados hoje no sistema educacional. Diante disso, o principal objetivo deste trabalho foi argumentar teoricamente sobre a importância da interação família e escola. Para atingirmos tal objetivo, foi analisado o papel da família na educação dos filhos; enumerado os fatores que exercem maior influência na interação entre a família e a escola; descrevido o papel da escola no processo de interação com a família, e verificado como ocorre a interação entre a escola e a família na E.E.E.F.M. “Polivalente de Linhares I”.

Acredita-se que quanto mais a família participa, mais eficaz é o trabalho da escola, pois dessa forma, cada um se dedicará às suas atribuições.

Para a obtenção dos dados foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica, por meio da qual buscou-se informações teóricas principalmente em livros de autores renomados da área como Vitor Henrique Paro (1992, 2007). Além disso, desenvolveu-se uma pesquisa de campo, por meio da aplicação de questionários a um grupo de pais de alunos das séries finais do ensino fundamental da E.E.E.F.M. “Polivalente de Linhares I” com o objetivo de verificar como ocorre a interação família e escola nessa instituição.

12 2 A FAMÍLIA E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

A pesquisa aqui descrita abrange estudos que abordam a interação família e escola. Para iniciar é preciso citar algumas referências sobre a família, sua história e sua condição atual. Para melhor localizar a perspectiva que aqui se adota, os termos principais são a família, a criança e a escola.

Retomando a história social da infância e da família, Ariès (2006) assinala o caráter histórico e cultural do modelo de família nuclear, que emergiu como socializadora das crianças apenas a partir do século XVIII. Dessa forma, a visão contemporânea de família, como algo natural na organização humana, é contrariada. Da mesma forma que a visão de grande parte das escolas que toma tal estrutura familiar como parâmetro de normalidade em nossa sociedade.

A partir da Revolução Industrial, as mães tendo de trabalhar para ajudar no sustento da casa, raramente tinham a oportunidade de se dedicar inteiramente aos seus filhos. A escola, que por sua vez, tinha o papel de ensinar o que o mundo do trabalho iria cobrar ao indivíduo no futuro, passa a exercer também a função de educar para a vida, e passou a agir com ensinamentos de filosofia, sociologia dentre outros que eram passados pela família (ARIÈS, 2006).

Durante muito tempo, especialmente durante a Idade Média, a família era a única fonte de aprendizagem da criança até tornar-se adulta, ter suas próprias experiências e se tornar parte de outros segmentos da sociedade. Não só a própria família, mas muitas vezes, outras famílias ficavam incumbidas da educação das crianças, e as famílias faziam o que hoje a escola se propõe a fazer: educar para a vida.

De acordo com Ariès (2006), uma forma muito comum na educação era o aprendizado por meio da prática, e muitas vezes essa prática não apresentava limites entre a profissão e a vida particular. O mesmo autor relata ainda que a bagagem de conhecimentos, a experiência prática e o valor humano eram transmitidos por meio do serviço doméstico.

A aprendizagem tinha como currículo a cultura que era passada de geração a geração. Dessa forma, a aprendizagem era contextualizada e direcionada especificamente a uma profissão ou aos serviços de cavaleiro. Como a educação da criança poderia ser transferida a outra família ou à Igreja, perdia-se o vínculo familiar entre pais e filhos. Assim, “a família era uma realidade moral e social, mais do que sentimental” (ARIÈS, 2006).

Com o início da Idade Moderna, começam a aparecer as primeiras instituições educacionais. Diante disso, os pais começaram a preocupar-se em ter os filhos mais por perto e a cuidar mais de sua educação, o que antes era transferido a outra família e isolava a criança totalmente do convívio com sua verdadeira família até a proximidade de sua fase adulta. Com a educação escolar, a criança recebia a visita dos pais e passava também as férias em convívio familiar, o que os aproximava mais. Conforme afirma Ariès (2006, p. 159), “o clima sentimental era agora completamente diferente, e mais próximo do nosso, como se a família moderna tivesse nascido ao mesmo tempo em que a escola, ou ao menos, que o hábito geral de educar as crianças na escola”.

Ao contrário do que acontece hoje, o crescimento do número de escolas fez com que os pais se aproximassem mais dos filhos, devido às mesmas estarem mais acessíveis, possibilitando assim, ver os filhos com mais freqüência. No entanto, no decorrer dos séculos XVIII e XIX a disciplina escolar foi se tornando cada vez mais rígida e foi sendo reforçado o regime de internado.

Ariès (2006) afirma que a instituição de ensino aprisionou a infância do aluno num sistema cada vez mais arcaico e rígido durante os séculos XVIII e XIX resultando numa espécie de internato. De modo geral, as regras impostas pela sociedade restringiram a liberdade da criança que outrora desfrutava entre os adultos.

A criança passa a ser castigada, a escola tem toda a rigidez, principalmente por separar a criança de seu contexto, ela vivia presa, muitas vezes, em regime de internato e quando saía dali, ia para o convívio com a família. A família, por sua vez, também fazia suas cobranças, estas impostas pela sociedade.

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