manual de cuidadores

manual de cuidadores

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Organizador

José Mauro Ceratti Lopes Colaboradores Carmen Luiza Fernandes

Maria Lúcia M. Lenz May-Britt Heyer Simone Valvassori

PORTO ALEGRE/RS - NOVEMBRO DE 2003

Organizador

José Mauro Ceratti Lopes Médico de Família e Comunidade

Colaboradores

Carmen Luiza Fernandes Médica de Família e Comunidade

May-Britt Heyer Enfermeira

Simone Valvassori Enfermeira

Ilustrações

Da capa: cartunista Santiago, capa do Jornal “O Grupo”, 1984. Do texto: Maria Lúcia Medeiros Lenz

Projeto Gráfico Ventre Comunicação - ventre@terra.com.br

PORTO ALEGRE/RS - NOVEMBRO DE 2003

Manual de Assistência Domiciliar na Atenção Primária à Saúde

Ministério da Saúde

Secretaria de Políticas de Saúde Cordenação Nacional de DST/AIDS

Grupo Hospitalar Conceição Diretor Superintendente: João Motta

Serviço de Saúde Comunitária

Gerente: Eno Dias de Castro Filho

Coordenadora: Inês Gageiro Kieling

Assistente Técnico: Carlos Grossman Supervisor Administrativo: João Batista Ramos

Serviço de Saúde Comunitária do GHC

B823mBrasil. Ministério da Saúde. Grupo Hospitalar Conceição
Manual de assistência domiciliar na atenção primária
à saúde; organizado por José Mauro Ceratti Lopes.
Porto Alegre : Serviço de Saúde Comunitária do Grupo
Hospitalar Conceição, 2003.
1.Saúde pública -Rio Grande do Sul- Assistência
domiciliar. 2.Saúde comunitária -Rio Grande do Sul-
Assistência domiciliar. 3.Lopes, José Mauro Ceratti,
org. I.Título.
CDU 614.255(816.51)(035)
614.253.5(816.51)(035)

Catalogação elaborada por Izabel A. Merlo, CRB 10/329.

ÍNDICE Manual de Assistência Domiciliar na Atenção Primária à Saúde

APRESENTAÇÃO5
1 - UM POUCO DE HISTÓRIA7
1.1 - Grupo Hospitalar Conceição7
1.2 - Serviço de Saúde Comunitária7
1.3 - O atendimento domiciliar8
2 - INTRODUÇÃO9
3 - CONCEITOS FUNDAMENTAIS1
3.1- Assistência domiciliar1
3.1.1 - Atendimento domiciliar1
3.1.2 - Internação domiciliar1
3.1.3 - Acompanhamento domiciliar1
3.1.4 - Vigilância domiciliar1
3.2 - Cuidador12
3.3 - Visita Domiciliar (VD)12
4 - QUAIS PRINCÍPIOS DEVEM ORIENTAR A ASSISTÊNCIA DOMICILIAR?13
4.1 - Abordagem integral à família13
4.2 - Consentimento da família, participação do usuário e existência do cuidador13
4.3 - Trabalho em equipe e interdisciplinaridade13
4.4 - Adscrição da clientela14
4.5 - Inserção na política social local14
4.6 - Estímulo a redes de solidariedade14
5 - OPERACIONALIZANDO A ASSISTÊNCIA DOMICILIAR15
5.1 - Definindo quando realizar15
5.2 - Fluxo da assistência domiciliar16
5.2.1 - Acolhimento da solicitação16
5.2.2 -17
5.2.3 - Realização da visita domiciliar17
5.2.4 - Inclusão no programa de assistência domiciliar18
5.2.5 - Implementação do plano de assistência domiciliar19
5.3 - Registro da assistência domiciliar19
5.4 - Orientando a família e o paciente19
5.5 - Avaliação e controle da assistência domiciliar20
5.5.1 - Satisfação do usuário20
5.5.2 - Indicadores de avaliação20
5.5.3 - Indicadores de resultados21
DOMICILIAR23
6.1 - Atribuições da equipe como um todo23
6.2 - Da recepção23
6.3 - Do médico23
6.4 - Do enfermeiro24
6.5 - Do auxiliar e técnico de enfermagem:24
6.6 - Do agente comunitário de saúde24
6.7 - Do cirurgião dentista24
6.8 - Do auxiliar de consultório dentário e técnico de higiene dental25
6.9 - Do psicólogo25
6.10 - Do assistente social25
6.1 - Do terapeuta ocupacional26
6.12 - Do cuidador26
6.12.1 - Cuidador sem formação profissional26
6.12.2 - Cuidador com formação profissional26
6.13 - Do coordenador do programa de assistência domiciliar26
7 - RECURSOS MATERIAIS NECESSÁRIOS27
7.1 - Material da maleta de visitas domiciliares SSC-HC27
8 - REFERÊNCIA E CONTRA-REFERÊNCIA29
9 - CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E ALTA NA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR31
9.1 - Critérios de inclusão na assistência domiciliar31
9.2 - Critérios de desligamento ou alta da assistência domiciliar31

03 6 - OS RECURSOS HUMANOS E ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE SAÚDE NA ASSISTÊNCIA Avaliação da solicitação de assistência domiciliar

1 - ANEXOS35
Anexo 01 - Registro do atendimento assistência domiciliar35
Anexo 02 - Registro de acompanhamento domiciliar36
Anexo 03 - Avaliação da qualidade do acompanhamento domiciliar37
Anexo 04 - Ficha de acompanhamento da enfermagem38
Anexo 05 - Consentimento informado39
Anexo 06 - Prontuário domiciliar40
Anexo 07 - Vigilância à saúde domiciliar de populações específicas41
Anexo 08 - Formulário para consultoria43
Anexo 09 - Treinamento de cuidadores4
12 - BIBLIOGRAFIA45
13 - ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA47

Serviço de Saúde Comunitária do GHC

Ao completar seus primeiros 20 anos de existência, o Serviço de Saúde Comunitária do

GHC (MS) traz aos trabalhadores de saúde, gestores e à Universidade uma sistematização de sua experiência em atenção domiciliar. Uma experiência 100% pública, pautada pelos princípios que ficaram consolidados no Sistema Único de Saúde: integralidade e continuidade do cuidado, universalidade e eqüidade do acesso. Desde seu início, a preocupação do SSC foi direcionar as formas de atender as pessoas para as suas reais necessidades.

O cuidado com quem não tem autonomia ou suporte para ir até as Unidades de Saúde tornou-se, cedo, uma característica de todas as nossas equipes. Inicialmente conhecida pelo apelido “VD”, logo todos perceberam que é uma forma de atenção muito mais complexa do que apenas a visita domiciliar.

Com a implantação da estratégia de Saúde da Família pelo MS, desde 1993, progressivamente temos podido alterar antigas noções. Idéias de quem enxergava a complexidade como um predicado das máquinas mais caras dos hospitais. Trabalhar com famílias em situação de vulnerabilidade, atender pessoas em privação de mobilidade, construir redes de apoio a cuidadores estenuados, executar em domicílio planos terapêuticos baseados em evidência científica de ponta: de simples este cuidado não tem nada.

É, portanto, com muita alegria que as comemorações do SSC - Serviço de Saúde

Comunitária neste ano se expressam neste manual e na cartilha construída com os cuidadores. Alegria de quem vê muitos elementos de sua história sendo hoje aplicadas e reinventadas em todo o país. Esperamos que esta publicação apóie os esforços que nosso gestor municipal tem empreendido para qualificar todas as formas de atenção à saúde em Porto Alegre. E que ele possa ser enriquecido por contribuições de todo o lugar em que se constrói a saúde como direito de todos e dever do Estado.

Ao passar os leitores às páginas iniciais, não posso deixar de lado um convite: nunca deixemos de lembrar o quanto tem sido importante a colaboração de centenas de estagiários e Residentes que conviveram conosco nesse caminho de aprendizado. O ensinar e o aprender jamais ocorrem sozinhos.

Médico de Família e Comunidade
Gerente da Saúde Comunitária
Porto Alegre, primavera de 2003.

Eno Dias de Castro Filho Manual de Assistência Domiciliar na Atenção Primária à Saúde

06 Serviço de Saúde Comunitária do GHC

1.1 - GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) é um dos maiores complexos hospitalares da América

Latina, vinculado ao Ministério da Saúde, responsável por 32% das internações de Porto Alegre e 7% das internações do estado do Rio Grande do Sul. É composto por quatro hospitais:

· Hospital Nossa Senhora da Conceição (geral), · Hospital Cristo Redentor (trauma, oftalmologia e pronto-socorro),

· Hospital da Criança Conceição (pediatria) e

· Hospital Fêmina (materno-infantil).

O Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) é uma sociedade anônima onde o maior acionista é o Ministério da Saúde. Atualmente conta com 828 leitos, e um quadro funcional com cerca de 4.0 funcionários.

Além dos cuidados hospitalares, o HNSC também desenvolve ações na área de Atenção

Primária à Saúde (APS), através do Serviço de Saúde Comunitária, vinculado à Gerência de Saúde Comunitária.

1.2 - SERVIÇO DE SAÚDE COMUNITÁRIA

O Serviço de Saúde Comunitária (SSC) constitui uma rede de doze unidades de saúde, localizado na Zona Norte de Porto Alegre abrangendo mais de 100.0 pessoas.

Tem sua origem em 1980 com a implantação do Programa de Residência Médica em Medicina

Geral. O Serviço foi criado em 1982, através da instalação da sua primeira unidade - Unidade de Medicina de Família do Hospital Nossa Senhora da Conceição -, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de recursos humanos na área de Medicina de Família e prestar cuidados a população vizinha ao Hospital.

A abertura das demais unidades caracterizou-se pela solicitação das comunidades próximas em disponibilizarem no seu bairro serviços conforme o modelo original baseado na Saúde Comunitária. Buscou-se adequar a estrutura física e de pessoal às necessidades das comunidades, desenvolvendo atividades conjuntas na organização e implantação das unidades. As Unidades foram abertas na seguinte ordem cronológica:

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