curso de emergencista pré-hospitalar Mod. 2

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Curso Emergencista Pré-hospitalar – Módulo 2 SENASP/MJ - Última atualização em 18/10/2007 w.fabricadecursos.com.br

Módulo 2 - Hemorragias, choques e ferimentos

Este módulo tem como objetivo apresentar os efeitos de acidentes e os procedimentos pré-hospitalares para tratá-los.

Para isso, foram são relacionadas 3 aulas:

• Hemorragias • Choques

• Ferimentos

Aula 1 – Hemorragias Os objetivos desta aula são:

• Enumerar 5 sinais ou sintomas indicativos de uma hemorragia; e • Citar e demonstrar 3 diferentes técnicas para controlar hemorragias externas.

Hemorragia

É o extravasamento de sangue para fora dos vasos ou do coração e é sempre patológico, exceto durante a menstruação ou trauma. As hemorragias podem ser internas ou externas, espontâneas ou provocadas (nos ferimentos), causadas tanto por lesões da parede vascular de natureza inflamatória, traumática ou tumoral.

As hemorragias são classificadas de forma anatômica ou clínica. Classificação clínica

Hemorragia interna - Classificação clínica Geralmente não é visível, porém é bastante grave, pois pode provocar choque e levar a vítima à morte.

Sinais e sintomas de hemorragia interna • Idênticos aos da hemorragia externa

• Saída de sangue ou fluídos pelo nariz e/ou pavilhão auditivo externo

• Vômito ou tosse com presença de sangue

• Contusões

• Rigidez ou espasmos dos músculos abdominais

• Dor abdominal

• Sangramento pelas genitálias

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Hemorragia externa - Classificação clínica Ocorre devido a ferimentos abertos.

Sinais e sintomas de hemorragias externas • Agitação

• Palidez

• Sudorese intensa

• Pele fria

• Pulso acelerado (acima de 100 bpm)

• Fraqueza

Classificação anatômica Arterial: Hemorragia que faz jorrar sangue pulsátil e de cor vermelho vivo.

Capilar: O sangue sai lentamente dos vasos menores, na cor similar ao sangue venoso. Venosa: Hemorragia onde o sangue sai lento e contínuo, com cor vermelho escuro. -

Técnicas utilizadas no controle das hemorragias 1.Pressão direta sobre o ferimento;

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2.Elevação do membro;

3.Compressão dos pontos arteriais; 4.Curativo compressivo.

Tratamento Pré-Hospitalar: • Avalie nível de consciência;

• Abra as VA estabilizando a coluna cervical;

• Monitore a respiração e a circulação;

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• Exponha o local do ferimento; • Efetue hemostasia;

• Afrouxe roupas;

• Aqueça o paciente;

• Não dê nada de comer ou beber;

• Ministre oxigênio suplementar; e

• Transporte o paciente imediatamente para o hospital.

Em casos de amputação traumática, esmagamento de membro e hemorragia em vaso arterial de grande calibre deve-se empregar a combinação das técnicas de hemostasia.

O primeiro passo a ser empregado em hemorragias visíveis é o emprego da técnica de pressão direta.

Aula 2 – Choques

O objetivo desta aula é descrever, passo a passo, o tratamento merecido por uma vítima de choque.

Estado de choque

A função do sistema circulatório é distribuir sangue com oxigênio e nutrientes para todas as partes do corpo. Quando isso, por qualquer motivo, deixa de acontecer e começa a faltar oxigênio nos tecidos corporais, ocorre o que denominamos estado de choque, ou seja, as células começam a corporais, ocorre o que denominamos estado de choque, ou seja, as células começam a entrar em sofrimento e, se esta condição não for revertida, as células acabam morrendo.

É uma reação do organismo a uma condição onde o sistema circulatório não fornece circulação suficiente para cada parte vital do organismo.

Estado de choque

As causas do choque podem ser:

Insuficiência cardíaca: Quando o coração não conseguir bombear quantidade suficiente de sangue. Se o coração por algum motivo deixar de bombear sangue adequadamente ou parar de funcionar (parada cardíaca), o choque se desenvolverá de imediato.

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Lesão nos vasos sangüíneos: O sistema circulatório deve, obrigatoriamente, ser um sistema fechado. Se os vasos (artérias, veias ou capilares) forem lesados e perderem muito sangue, o paciente entrará em choque.

Diminuição do volume de sangue circulante: Se houver uma diminuição no volume de sangue circulante ou se os vasos sangüíneos por algum motivo se dilatarem (aumentarem seu diâmetro), impedindo que o sistema permaneça preenchido corretamente , o choque se desenvolverá.

Estado de choque

Tipos de choque

O choque pode ser classificado de várias formas porque existem mais de uma causa para ele. O Emergencista não necessita conhecer todas essas formas de choque, no entanto, é fundamental que ele entenda de que forma os pacientes podem desenvolver o choque.

Os tipos de choque são:

Choque hemorrágico: É o choque causado pela perda de sangue e/ou pela perda de plasma. Ex.: Sangramentos graves ou queimaduras.

Choque cardiogênico: É o choque cardíaco. Este choque é causado pela falha do coração no bombeamento sanguíneo para todas as partes vitais do corpo.

Choque neurogênico: É o choque do sistema nervoso, em outras palavras, a vítima sofre um trauma e o sistema nervoso não consegue controlar o calibre (diâmetro) dos vasos sangüíneos. O volume de sangue disponível é insuficiente para preencher todo o espaço dos vasos sangüíneos dilatados.

Choque anafilático: É o choque alérgico. Desenvolve-se no caso de uma pessoa entrar em contato com determinada substância da qual é extremamente alérgica, por exemplo, alimentos, medicamentos, substâncias inaladas ou em contato com a pele. O choque anafilático é o resultado de uma reação alérgica severa e que ameaça a vida.

Choque séptico: É o choque da infecção. Microorganismos lançam substâncias prejudiciais que provocam uma dilatação dos vasos sangüíneos. O volume de sangue torna-se insuficiente para preencher o sistema circulatório dilatado. O choque séptico ocorre geralmente no ambiente hospitalar e, portanto, é pouco observado pelos profissionais Emergencistas que atuam no ambiente pré-hospitalar.

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Estado de choque

Sinais e sintomas gerais do choque

Agitação ou ansiedade Respiração rápida e superficial Pulso rápido e filiforme (fraco) Pele fria e úmida Sudorese Face pálida e posteriormente cianótica Olhos estáveis, sem brilho e pupilas dilatadas Sede Náuseas e vômitos Queda da pressão arterial.

Sinais e sintomas do choque anafilático: • Prurido na pele

• Sensação de queimação na pele

• Edema generalizado

• Dificuldade para respirar

• Inconsciência

Estado de choque Tratamento Pré-Hospitalar do estado de choque:

• Avalie nível de consciência; • Posicione a vítima deitada (decúbito dorsal);

• Abra as VA estabilizando a coluna cervical;

• Avalie a respiração e a circulação;

• Efetue hemostasia;

• Afrouxe roupas;

• Aqueça o paciente;

• Não dê nada de comer ou beber;

• Eleve os MI (caso haja fraturas, eleve-a após posicioná-la sobre uma maca rígida, exceto se houver suspeita de TCE);

• Imobilize fraturas;

• Ministre oxigênio suplementar; e

• Transporte o paciente imediatamente para o hospital.

Na entrevista, pergunte se o paciente é alérgico a alguma substância e se teve contato com ela. No mais, trate igualmente como outro choque já visto anteriormente. Neste

Curso Emergencista Pré-hospitalar – Módulo 2 SENASP/MJ - Última atualização em 18/10/2007 w.fabricadecursos.com.br caso, a vítima precisa receber medicamentos para combater a reação alérgica. -

Aula 3 – Ferimentos

O objetivo desta aula é descrever os procedimentos gerais para tratar ferimentos abertos e fechados.

Classificação dos ferimentos

Ferimento ou Trauma Aberto é aquele onde existe uma perda de continuidade da superfície cutânea.

Ferimento ou Trauma Fechado ocorre quando a lesão é abaixo da pele, porém não existe perda da continuidade na superfície, ou seja, a pele continua intacta.

Tipos de Ferimentos Existem diferentes tipos de ferimentos abertos em partes moles, os mais comuns são:

Abrasões ou Escoriações São lesões superficiais de sangramento discreto e muito doloroso. Usualmente não é um ferimento sério, desde que a pele não seja completamente perfurada e a força que causou o ferimento não esmague ou rompa outras estruturas. A contaminação da ferida tende a ser o mais sério problema encontrado. Devem ser protegidas com curativo estéril de material não aderente, bandagens ou ataduras.

Ferimentos Incisos São lesões de bordas regulares produzidas por objetos cortantes, como lâminas de barbear, facas e vidros quebrados, que podem causar sangramentos variáveis e danos a tecidos profundos, como tendões, músculos e nervos. Devem ser protegidas com curativo estéril fixado com bandagens ou ataduras.

Ferimentos Lacerantes ou Lacerações São lesões de bordas irregulares, produzidas por objetos rombos, onde o tecido ao longo da extremidade da ferida é rasgado, produzindo extremidades ásperas. Devem ser protegidas com curativo estéril fixado com bandagens e ataduras.

Ferimentos Perfurantes ou Penetrantes São lesões que avançam através da pele e danificam os tecidos em uma linha transversal. Podem ser provocados por objetos pontiagudos e armas de fogo. Uma ferida penetrante pode ser perfurante, quando há um ponto de entrada e outro de saída. O Emergencista deve considerar lesões de órgãos internos, quando o ferimento

Curso Emergencista Pré-hospitalar – Módulo 2 SENASP/MJ - Última atualização em 18/10/2007 w.fabricadecursos.com.br localizar-se nas regiões do tórax ou abdome. As lesões devem ser cobertas completamente com curativo estéril.

Avulsões São lesões que envolvem rasgos ou arrancamentos de uma grande parte da pele. Se possível e se a pele estiver ainda presa, deve ser recolocada sobre o ferimento, controlada a hemorragia e, a seguir, coberta com curativo estéril fixado com bandagens ou ataduras.

Eviscerações Lesão na qual a musculatura do abdome é rompida em decorrência de violento impacto ou lesão de objeto penetrante ou cortante, expondo o interior da região abdominal à contaminação ou exteriorizando vísceras. É preciso remover vestes para expor a lesão e não recolocar nenhum órgão eviscerado para dentro do abdome, em seguida, cobrir com plástico ou curativo oclusivo. Não lavar a lesão.

Tratamento de um ferimento aberto

• Utilize proteção individual do Emergencista (EPI); • Exponha o local do ferimento (se necessário, corte as vestes);

• Cubra o ferimento com um curativo estéril (curativo = compressa de gaze e atadura) para controlar sangramentos e prevenir contaminação;

• Mantenha o paciente em repouso e tranqüilize-o; e

• Trate o choque.

Não remova um curativo já colocado, caso não tenha ocorrido hemostasia.

Tratamento de ferimentos fechados Estes ferimentos podem variar desde lesões abaixo da pele até lesões severas em órgãos internos. Tratamento pré-hospitalar :

• Avalie o acidentado;

• identifique a lesão; e

• trate a hemorragia interna com imobilização, previnindo o choque.

Traumas específicos

A seguir são listados traumas específicos e suas formas de tratamento:

Couro cabeludo • Controle a hemorragia com pressão direta (não puntiforme);

• Suspeite de lesão adicional na cabeça ou pescoço;

• Não aplique pressão se existir a possibilidade de fratura no crânio; e

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Ferimentos na face • Reviste a boca procurando corpos estranhos ou sangue coagulado;

• Mantenha as vias aéreas permeáveis;

• Se houver objeto penetrante nas bochechas, empurre de dentro para fora e cubra com compressas interna e externamente;

• Se necessário, transporte o paciente lateralizado para drenar o sangue da boca;

• Tenha cuidado se houver lesão associada de pescoço; e

• Mantenha a posição neutra da cabeça.

Hemorragia nasal • Mantenha as vias aéreas abertas;

• Mantenha a cabeça um pouco fletida, comprimindo um pouco acima das fossas nasais, para estancar as hemorragias; e

• Se houver saída de líquido cefalorraquidiano, não oclua o nariz.

Ferimentos nos olhos • Não comprima diretamente sobre os olhos;

• Cubra o globo ocular lesado com curativo úmido e proteja com copo plástico ou bandagem triangular em anel e compressas de gaze e esparadrapo;

• Estabilize objetos cravados e nunca tente removê-los;

• Tampe os dois olhos; e

Lesões no ouvido e orelhas • Não tente remover objetos cravados;

• Não tampone a saída de sangue ou líquor; e

• Aplique gaze externamente (frouxa e em grande quantidade) e fixe com esparadrapo.

Ferimentos no pescoço • Aplique pressão direta com a mão para cessar hemorragias;

• Aplique curativo com uma bandagem sem comprimir ambos os lados do pescoço;

• Trate o choque (O2 etc);

• Mantenha a posição neutra da cabeça.

Ferimentos abdominais • Órgãos sólidos sangram muito. Ex.: fígado e baço.

• Órgãos ocos são altamente contaminantes. Ex.: estômago e intestino.

Sinais e sintomas de traumas fechados

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• Respiração rápida e superficial;

• Abdome sensível ou rígido.

Tratamento para ferimentos abdominais abertos • Descubra o local e aplique curativo estéril úmido sobre o ferimento;

• Não recoloque órgãos eviscerados;

• Previna-se para a ocorrência de vômito;

• Trate o choque (O2 etc); e

• Transporte a vítima com as pernas fletidas.

Ferimentos na genitália • Controle o sangramento com pressão direta;

• Nas contusões, use bolsa de gelo ou água fria;

• Não remova os objetos transfixados; e

• Preserve as partes avulsionadas, envolvendo-as em plástico, curativos esterilizados ou qualquer curativo limpo.

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