Apostila Introdução a Enfermagem

Apostila Introdução a Enfermagem

(Parte 1 de 9)

Introdução à Enfermagem Prof . Adriana M.S.C.costa

Professora Adriana Costa

Introdução à Enfermagem Prof . Adriana M.S.C.Costa

1 – Introdução07
2 - Saúde07
3 - Doença07
4 - Necessidades Humanas Básicas07
4.1 Necessidades Fisiológicas07
4.2 Necessidades de Segurança07
4.3 Necessidades Sociais07
4.4 Necessidades de Status ou Estima07
4.5 Necessidades de auto – realização07
5 - Evolução da Assistência á Saúde nos Períodos Históricos08
6 - História da Enfermagem10
6.1 Período Florence Nightingale10
6.2 História da Enfermagem no Brasil1
6.2.1 Anna Nery12
7 – Símbolos da Enfermagem13
7.1 Resolução COFEN – 218 / 199913
8 – Exercícios de fixação14
9 – Infecção15
9.1 Infecção hospitalar15
9.1.1 Fatores de risco para ocorrer a infecção16
9.1.2 Fontes ou reservatórios de microorganismos16
9.2 Tipos de infecções16
9.3 Modos de transmissão16
10 – Sistema de Precauções e Isolamento18
10.1 Precaução Padrão18
10.2 Isolamento19
1 Áreas e Artigos Hospitalares20
1.1 Áreas Hospitalares quanto infecções20
1.2 Artigos Hospitalares quanto infecções20
1.3 Terminologias específicas20
12 Exercícios de fixação21
13 Lavagem das mãos24
13.1 Finalidade24
13.2 Materiais24
13.3 Método24
13.4 Observações gerais24
14 – Luvas25
14.1 Tipos25
14.1.1 Finalidade25
14.2 Método para calçar as luvas25
14.3 Método de retirada das luvas26
15 Exercícios de fixação26
16 – Preparo da cama hospitalar27

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16.1.1 Cama fechada27
16.1.2 materiais27
16.1.3 Método de Dobradura27
16.1.4 Ordem de uso da roupa de cama27
16.1.5 Método27
16.2 Cama aberta28
16.2.1 Materiais28
16.2.2 Método28
16.3 Cama para Operado28
16.3.1 Finalidade28
16.3.2 Materiais28
16.3.3 Método29
17 – Exercícios de fixação29
18 – Cuidados de higiene corporal no leito30
18.1 Banho no leito30
18.1.1 Materiais31
18.1.2 Procedimento31
18.2 Cuidados Perineais31
18.3 Higiene oral32
18.3.1 Materiais32
18.3.2 Procedimento32
18.4 Limpeza de próteses dentárias3
18.5 Cuidados com os cabelos3
18.5.1 Lavagem dos cabelos no leito3
18.6 Banho de aspersão3
19 – Exercícios de fixação34
20- Posicionamento35
20.1 – Decubito dorsal35
20.2 – Posição de fowler35
20.3 – Decubito ventral36
20.4 Decubito de Sims36
20.5 Genupeitoral37
20.6 Ginecológica37
20.7 Litotômica37
20.8 Trendelemburg38
21 – Cuidados com a pele39
2 – Úlceras por pressão39
2.1 Riscos para o comprometimento de pele39
2.2 Causas imediatas39
2.3 Cuidados preventivos39
23 – Curativos40
23.1 Tipos40
23.2 Medidas de antissepsia40
23.3 Soluções e materiais mais utilizados41
23.4 Materiais necessários para o método43
23.5 Método4

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24 – Verificação de SV45
24.1 Materiais45
24.2 Verificação de temperatura45
24.2.1 valor normal45
24.2.2 terminologias especificas45
24.2.3 método46
24.3 Verificação de Pulso46
24.3.1 valor normal46
24.3.2 artérias mais utilizadas para a verificação46
24.3.3 terminologias específicas46
24.3.4 método46
24.4 verificação da respiração47
24.4.1 valor normal47
24.4.2 terminologias especificas47
24.4.3 método47
24.5 verificação da pressão arterial47
24.5.1 valor normal47
24.5.2 terminologias específicas47
24.5.3 método48
25 Medidas Antropométricas49
25.1 finalidade49
25.2 método de verificação de peso49
25.3 método de verificação de estatura49
26 – Alimentação do paciente49
26.1 método de alimentação 150
26.2 método de alimentação 250
26.3 alimentação por gavagem50
26.3.1 indicações51
26.3.2 materiais51
26.3.3 método51
26.3.4 Gastrostomia52
27 Sondagem Nasogástrica52
27.1 objetivos52
27.2 materiais52
27.3 método52
28 Administração de medicamentos53
28.1 Cuidados na administração de medicamentos53
28.2 Preparo e administração de medicamentos por VO53
28.2.1 materiais53
28.2.2 método53
28.2.3 Cuidados gerais com drogas administradas por VO54
28.3 Preparo e administração de medicamentos por via SL54
28.3.1 método54
28.4 Preparo e administração de medicamentos por via parenteral54
28.4.1 Complicações54
28.4.2 Preparo do medicamento em ampola5

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28.5 Administração de medicamentos por via SC5
28.5.1 Locas para aplicação5
28.5.2 materiais56
28.5.3 método56
28.6 Administração de medicamentos por via IM56
28.6.1 Locais para aplicação56
28.6.2 método56
28.7 Administração de medicamentos por via EV57
28.7.1 Locais de aplicação57
28.7.2 método58
28.8 Administração de medicamentos por via EV em pacientes com venoclise58
29 Enemas58
29.1 Indicações58
29.2 tipos58
29.3 método para aplicação58
30 Tricotomia59
30.1 materiais59
30.2 método59
31 Aspiração endotraqueal59
31.1 materiais60
31.2 método60
31.3 seqüência para aspiração60
32 Verificação de glicemia capilar periférica61
32.1 materiais61
32.2 método61
32.3 valor normal61
3 – Verificação de glicosúria e cetonúria61
3.1 materiais61
3.2 método62
34 Troca de selo d’água62
34.1 objetivos62
34.2 materiais62
34.3 método62
35 Documentação63
35.1 Prontuário médico63
35.1.1 valor do prontuário63
35.2 anotações de enfermagem64
35.2.1 finalidades64
35.2.2 o que anotar64
36 passagem de plantão65
37 Admissão Hospitalar6
37.1 Regras gerais6
38 Alta hospitalar6
38.1 tipos6
38.2 papel da enfermagem67
39 transferência67

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40.1 Limpeza geral ou terminal68
40.1.1 indicações68
40.2 Limpeza diária ou concorrente68
40.2.1 objetivos68
40.2.2 materiais68
41 Cuidados com resíduos68
41.1 materiais infectantes e perfurocortantes68
41.1.1 tipos de coletores69
41.1.2 causas mais freqüentes de acidentes ocupacionais69
41.1.3 recomendações69
42 Cateterismo vesical69
42.1 cateterismo vesical de alívio69
42.1.1 objetivo69
42.1.2 materiais69
42.1.3 método70
42.2 Cateterismo vesical de demora70
42.2.1 objetivo71
42.2.2 materiais71
42.2.3 método71
43 Preparo do corpo pós morte71
43.1 objetivo71
43.2 materiais72
43.3 procedimento72
4 Terminologias básicas73
45 Siglas padronizadas74
46 Exercícios de fixação

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1 – Introdução

cuidado e confiança ao enfermo

Pode – se considerar que a enfermagem sempre esteve voltada para atender as necessidades de assistência de saúde da sociedade . Ela originou-se do desejo de manter as pessoas saudáveis, assim como propiciar conforto,

“ A enfermagem como profissão, é a única na medida, em que se dedica humanista, ás reações dos pacientes e de suas famílias, frente aos problemas reais e potenciais ‘’.

2 - SAÚDE : é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não meramente a ausência de doença ou enfermidade .

3 - DOENÇA : é um processo anormal no qual o funcionamento do organismo de uma pessoa está diminuído ou prejudicado em uma ou mais dimensões .

4 - NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS 4.1Necessidades fisiológicas

Estas são as necessidades mais básicas (oxigênio, hidratação, nutrição, temperatura, excreção, repouso, sexo). Uma vez satisfeitas estas necessidades passamos a nos preocupar com outras coisas.

4.2 Necessidades de segurança

No mundo conturbado em que vivemos procuramos fugir dos perigos, buscamos por abrigo, segurança, proteção, estabilidade e continuidade. A busca da religião, de uma crença deve ser colocada neste nível da hierarquia.

4.3 Necessidades sociais

tenhamos a sensação de pertencer a um grupo

O ser humano precisa amar e pertencer. O ser humano tem a necessidade de ser amado, querido por outros, de ser aceito por outros. Nós queremos nos sentir necessários a outras pessoas ou grupos de pessoas. Esse agrupamento de pessoas pode ser, no seu local de trabalho, na sua igreja, na sua família, no seu clube ou na sua torcida. Todos estes agrupamentos fazem com que

4.4 Necessidades de "status" ou de estima

O ser humano busca ser competente, alcançar objetivos, obter aprovação e ganhar reconhecimento.

4.5 Necessidade de auto-realização

O ser humano busca a sua realização como pessoa, a demonstração prática da realização permitida e alavancada pelo seu potencial único. O ser humano pode buscar conhecimento, experiências estéticas e metafísicas, ou mesmo a busca de Deus.

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Os profissionais de saúde preocupam-se que estas necessidades básicas sejam proporcionadas aos pacientes que buscam assistência .

5 - A Evolução da Assistência à Saúde nos Períodos Históricos

- Período Pré-Cristão

Neste período as doenças eram tidas como um castigo de Deus ou resultavam do poder do demônio. Por isso os sacerdotes ou feiticeiras acumulavam funções de médicos e enfermeiros. O tratamento consistia em aplacar as divindades, afastando os maus espíritos por meio de sacrifícios. Usavam-se: massagens, banho de água fria ou quente. Mais tarde os sacerdotes adquiriam conhecimentos sobre plantas medicinais e passaram a ensinar pessoas, delegando-lhes funções de enfermeiros e farmacêuticos. Alguns papiros, inscrições, monumentos, livros de orientações política e religiosas, ruínas de aquedutos e outras descobertas nos permitem formar uma idéia do tratamento dos doentes.

- Egito Os egípcios deixaram alguns documentos sobre a medicina conhecida em sua época. As receitas médicas deviam ser tomadas acompanhadas da recitação de fórmulas religiosas. Pratica-se o hipnotismo, a interpretação de sonhos; acreditava-se na influência de algumas pessoas sobre a saúde de outras. Havia ambulatórios gratuitos, onde era recomendada a hospitalidade e o auxílio aos desamparados.

- Índia Documentos do século VI a.C. nos dizem que os hindus conheciam: ligamentos, músculos, nervos, plexos, vasos linfáticos, antídotos para alguns tipos de envenenamento e o processo digestivo. Realizavam alguns tipos de procedimentos, tais como: suturas, amputações e corrigiam fraturas. Neste aspecto o budismo contribui para o desenvolvimento da enfermagem e da medicina. Os hindus tornaram-se conhecidos pela construção de hospitais. Foram os únicos, na época, que citaram enfermeiros e exigiam deles qualidades morais e conhecimentos científicos. Nos hospitais eram usados músicos e narradores de histórias para distrair os pacientes. O bramanismo fez decair a medicina e a enfermagem, pelo exagerado respeito ao corpo humano - proibia a dissecção de cadáveres e o derramamento de sangue. As doenças eram consideradas castigo.

- Assíria e Babilônia

Entre os assírios e babilônios existiam penalidades para médicos incompetentes, tais como: amputação das mãos, indenização, etc. A medicina era baseada na magia - acreditava-se que sete demônios eram os causadores das doenças. Os sacerdotes - médicos vendiam talismãs com orações usadas contra ataques dos demônios. Nos documentos assírios e babilônicos não há menção de hospitais, nem de enfermeiros. Conheciam a lepra e sua cura dependia de milagres de

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Deus, como no episódio bíblico do banho no rio Jordão. "Vai, lava-te sete vezes no Rio Jordão e tua carne ficará limpa".

- China Os doentes chineses eram cuidados por sacerdotes. As doenças eram classificadas da seguinte maneira: benignas, médias e graves. Os sacerdotes eram divididos em três categorias que correspondiam ao grau da doença da qual se ocupava. Os templos eram rodeados de plantas medicinais. Os chineses conheciam algumas doenças: varíola e sífilis. Tratamento: anemias, indicavam ferro e fígado; doenças da pele, aplicavam o arsênico. Anestesia: ópio. Construíram alguns hospitais de isolamento e casas de repouso. A cirurgia não evoluiu devido a proibição da dissecção de cadáveres.

- Japão Os japoneses aprovaram e estimularam a eutanásia. A medicina era fetichista e a única terapêutica era o uso de águas termais.

- Grécia As primeiras teorias gregas se prendiam à mitologia. Apolo, o deus sol, era o deus da saúde e da medicina. Usavam sedativos, fortificantes e hemostáticos, faziam ataduras e retiravam corpos estranhos, também tinham casas para tratamento dos doentes. A medicina era exercida pelos sacerdotes - médicos, que interpretavam os sonhos das pessoas. Tratamento: banhos, massagens, sangrias, dietas, sol, ar puro, água pura mineral. Dava-se valor à beleza física, cultural e a hospitalidade. O excesso de respeito pelo corpo atrasou os estudos anatômicos. O nascimento e a morte eram considerados impuros, causando desprezo pela obstetrícia e abandono dos doentes graves. A medicina tornou-se científica, graças a Hipócrates, que deixou de lado a crença de que as doenças eram causadas por maus espíritos. Hipócrates é considerado o Pai da Medicina. Observava o doente, fazia diagnóstico, prognóstico e a terapêutica. Reconheceu doenças como: tuberculose, malária, histeria, neurose, luxações e fraturas. Seu princípio fundamental na terapêutica consistia em "não contrariar a natureza, porém auxiliála a reagir". Tratamentos usados: massagens, banhos, ginásticas, dietas, sangrias, e calmantes, ervas medicinais e medicamentos minerais.

- Roma A medicina não teve prestígio em Roma. Durante muito tempo era exercida por escravos ou estrangeiros. Os romanos eram um povo, essencialmente guerreiro. O indivíduo recebia cuidados do Estado como cidadão destinado a tornar-se bom guerreiro, audaz e vigoroso. Roma distinguiu-se pela limpeza das ruas, ventilação das casas, água pura e abundante e redes de esgoto. Os mortos eram sepultados fora da cidade, na via Ápia. O desenvolvimento da medicina dos romanos sofreu influência do povo grego. O cristianismo foi a maior revolução social de todos os tempos. Influiu positivamente através da reforma dos indivíduos e da família. Os cristãos praticavam uma tal caridade, que movia os pagãos: "Vede como eles se amam".

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Desde o início do cristianismo os pobres e enfermos foram objeto de cuidados especiais por parte da Igreja.

6 - História da Enfermagem 6.1 Período Florence Nightingale

Nascida a 12 de maio de 1820, em Florença, Itália, era filha de ingleses. Possuía inteligência incomum, tenacidade de propósitos, determinação e perseverança - o que lhe permitia dialogar com políticos e oficiais do Exército, fazendo prevalecer suas idéias. Dominava com facilidade o inglês, o francês, o alemão, o italiano, além do grego e latim. No desejo de realizar-se como enfermeira, passa o inverno de 1844 em Roma, estudando as atividades das Irmandades Católicas. Em 1849 faz uma viagem ao Egito e decide-se a servir a Deus, trabalhando em Kaiserswert, Alemanha, entre as diaconisas. Decidida a seguir sua vocação, procura completar seus conhecimentos que julga ainda insuficientes. Visita o Hospital de Dublin dirigido pela Irmãs de Misericórdia, Ordem Católica de Enfermeiras, fundada 20 anos antes. Conhece as Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, na Maison de la Providence em Paris. Aos poucos vai se preparando para a sua grande missão. Em 1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declaram guerra à Rússia: “ Guerra da Criméia.’’ Os soldados acham-se no maior abandono. A mortalidade entre os hospitalizados é de 40%. Florence partiu para Scutari com 38 voluntárias entre religiosas e leigas vindas de diferentes hospitais. Algumas enfermeiras foram despedidas por incapacidade de adaptação e principalmente por indisciplina. A mortalidade decresce de 40% para 2%. Os soldados fazem dela o seu anjo da guarda e ela foi imortalizada como a "Dama da Lâmpada" porque, de lanterna na mão, percorre as enfermarias, atendendo os doentes. Durante a guerra contrai tifo e ao retornar da Criméia, em 1856, leva uma vida de inválida. Dedica-se porém, com ardor, a trabalhos intelectuais. Pelos trabalhos na Criméia, recebe um prêmio do Governo Inglês e, graças a este prêmio, consegue iniciar o que para ela é a única maneira de mudar os destinos da Enfermagem - uma Escola de Enfermagem em 1959. Após a guerra, Florence fundou uma escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, que passou a servir de modelo para as demais escolas que foram fundadas posteriormente. A disciplina rigorosa, do tipo militar, era uma das características da escola nightingaleana, bem como a exigência de qualidades morais das candidatas. O curso, de um ano de duração, consistia em aulas diárias ministradas por médicos. Nas primeiras escolas de Enfermagem, o médico foi de fato a única pessoa qualificada para ensinar. A ele cabia então decidir quais das suas funções poderiam colocar nas mãos das enfermeiras. Florence morre em 13 de agosto de

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1910, deixando florescente o ensino de Enfermagem. Assim, a Enfermagem surge não mais como uma atividade empírica, desvinculada do saber especializado, mas como uma ocupação assalariada que vem atender a necessidade de mão-de-obra nos hospitais, constituindo-se como uma prática social institucionalizada e específica.

6.2 História da Enfermagem no Brasil

A organização da Enfermagem na Sociedade Brasileira começa no período colonial e vai até o final do século XIX. A profissão surge como uma simples prestação de cuidados aos doentes, realizada por um grupo formado, na sua maioria, por escravos, que nesta época trabalhavam nos domicílios. Desde o princípio da colonização foi incluída a abertura das Casas de Misericórdia, que tiveram origem em Portugal. A primeira Casa de Misericórdia foi fundada na Vila de Santos, em 1543. Em seguida, ainda no século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e Ilhéus. Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, esta inaugurada em 1880, com a presença de D. Pedro I e Dona Tereza Cristina. No que diz respeito à saúde do povo brasileiro, merece destaque o trabalho do Padre José de Anchieta. Ele não se limitou ao ensino de ciências e catequeses. Foi além. Atendia aos necessitados, exercendo atividades de médico e enfermeiro. Em seus escritos encontramos estudos de valor sobre o Brasil, seus primitivos habitantes, clima e as doenças mais comuns. A terapêutica empregada era à base de ervas medicinais minuciosamente descritas. Supõe-se que os Jesuítas faziam a supervisão do serviço que era prestado por pessoas treinadas por eles. Não há registro a respeito. Outra figura de destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 anos exerceu atividades de enfermeiro no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro (Séc. XVIII). Os escravos tiveram papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no cuidado aos doentes. Em 1738, Romão de Matos Duarte consegue fundar no Rio de Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 1822, o Brasil tomou as primeiras medidas de proteção à maternidade que se conhecem na legislação mundial, graças a atuação de José Bonifácio Andrade e Silva. A primeira sala de partos funcionava na Casa dos Expostos em 1822. Em 1832 organizou-se o ensino médico e foi criada a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. A escola de parteiras da Faculdade de Medicina diplomou no ano seguinte a célebre Madame Durocher, a primeira parteira formada no Brasil. No começo do século X, grande número de teses médicas foram apresentadas sobre Higiene Infantil e Escolar, demonstrando os resultados obtidos e abrindo horizontes e novas realizações. Esse progresso da medicina, entretanto, não teve influência imediata sobre a Enfermagem. Assim sendo, na enfermagem brasileira do tempo do Império, raros nomes de destacaram e, entre eles, merece especial menção o de Anna Nery.

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6.2.1 Anna Nery

Aos 13 de dezembro de 1814, nasceu Ana Justina Ferreira, na Cidade de Cachoeira, na Província da Bahia. Casou-se com Isidoro Antonio Nery, enviuvando aos 30 anos. Seus dois filhos, um médico militar e um oficial do exército, são convocados a servir a Pátria durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), sob a presidência de Solano Lopes. O mais jovem, aluno do 6º ano de Medicina, oferece seus serviços médicos em prol dos brasileiros. Anna Nery não resiste à separação da família e escreve ao Presidente da Província, colocando-se à disposição de sua Pátria. Em 15 de agosto parte para os campos de batalha, onde dois de seus irmãos também lutavam. Improvisa hospitais e não mede esforços no atendimento aos feridos. Após cinco anos, retorna ao Brasil, é acolhida com carinho e louvor, recebe uma coroa de louros e Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada no edifício do Paço Municipal. O governo imperial lhe concede uma pensão, além de medalhas humanitárias e de campanha. Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880. A primeira Escola de Enfermagem fundada no Brasil recebeu o seu nome. Anna Nery que, como Florence Nightingale, rompeu com os preconceitos da época que faziam da mulher prisioneira do lar.

“A enfermagem é uma arte; e para realiza-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus . É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes ‘’ Florence Nightingale

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