Geografia ? pequena história crítica

Geografia ? pequena história crítica

(Parte 1 de 8)

DISCIPLINA: EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO – CH 80h PROFESSOR: WALBER LOPES DE ABREU

TÉCNICA DE FICHAMENTO GEOGRAFIA – PEQUENA HISTÓRIA CRÍTICA Antônio Carlos Robert de Moraes

TURMA: C831NF ALUNO: LEONARDO SOUSA DOS SANTOS - 200883168

BELÉM – PARÁ 2008

I. Identificação da Obra MORAES, A. C. R. de. Geografia – Pequena História Crítica. São Paulo: Hucitec, 1981.

I. Resumo da Obra (por capítulos seguidos de parágrafos transcritos literalmente e/ou de forma textualizada, discorrida).

1. O OBJETO DA GEOGRAFIA (p. 13-20).

controvérsia sobre a matéria tratada por esta disciplina

A questão que introduz este volume – o que é Geografia? – aparentemente é bastante simples, porém refere-se a um campo do conhecimento científico, onde reina enorme polêmica em termos científicos e há uma intensa

Isto se manifesta na indefinição do objeto desta ciência, ou melhor, nas múltiplas definições que lhe são atribuídas.

“Alguns autores definem a Geografia como o estudo da superfície terrestre. Esta concepção é a mais usual, e ao mesmo tempo a de maior vaguidade. Pois a superfície da Terra é a teatro privilegiado (por muito tempo o único) de toda reflexão científica, o que desautoriza a colocação de seu estudo como especificidade de uma só disciplina.”(...), p31.

“Outros autores vão definir a Geografia como o estudo da paisagem. Para estes, a analise geográfica estaria restrita aos aspectos visíveis do real. A paisagem, posta como objeto especifico da Geografia, é vista como uma associação de múltiplos fenômenos, o que mantém a concepção de ciência de síntese, que trabalha com dados de todas as demais ciências”.(...), p31.

“A definição da geografia como o estudo da superfície terrestre está apoiado no próprio significado etimológico do termo Geografia – descrição da Terra. Assim, caberia ao estudo geográfico descrever todos os fenômenos manifestados na superfície do planeta, sendo uma espécie de síntese de todas as ciências.”(...), p31.

“A concepção que definem a Geografia como o estudo da superfície terrestre e dada por Kant. Que estabelece duas classes de ciências: as especulativas, apoiadas na razão, e as empíricas, apoiadas na observação e nas sensações.”(...), p31.

“Na ciência empírica, classe da ciência dada a geografia dada por Kant, estará dividida em: duas disciplinas de síntese, a Antropologia, síntese dos conhecimentos relativos ao homem, e a Geografia, síntese dos conhecimentos sobre a natureza. Assim, Kant coloca a Geografia como uma ciência síntese (trabalha com dados de todas as demais ciências) e descritiva (enumera os fenômenos abarcados e visa abranger uma visão de conjunto do planeta).”(...), p32.

“Contudo as maiores polêmicas ensejadas por esta perspectiva dizem respeito ao significado preciso do termo superfície terrestre. Alguns autores vão falar em biosfera (esfera do planeta, que apresenta formas viventes); em outros, em crosta terrestre (camada inferior da atmosfera, mais a capada superior da litosfera), encobrindo, com a discussão terminológica, a vaguidade desta definição do objeto.”(...), p32

“A idéia de descrição da superfície da Terra vai alimenta a corrente majoritária do pensamento geográfico”(...), p32.

“Geografia como o estudo da paisagem apresenta duas variantes, para paisagem: uma, mantendo a tônica descritiva, enumeração os elementos presentes e na discussão das formas – daí ser denominada de morfológica. A outra se preocuparia mais com a relação entre os elementos e com a dinâmica destes, apontando para um estudo de fisiologia, isto é, do funcionamento da paisagem.”(...), p32.

“A perspectiva da morfologia apresenta, em sua gênese, fundamentos oriundos da Estética: o capítulo inicial da obra de Humboldt Cosmos se intitula “Dos graus de prazer que a contemplação da natureza pode oferecer”, pois, caberia observar o horizonte abarcado pela visão do investigador, e desta contemplação adviria à explicação,”(...), p32.

“Outra proposta encontrada é a daqueles autores que propõem a Geografia como estudo da individualidade dos lugares. Para estes, o estudo geográfico deveria abarcar todos os fenômenos que estão presentes numa dada área, tendo por meta compreender o caráter singular de cada porção do planeta. Esta meta através da descrição exaustiva dos elementos, outros pela visão ecológica, encontrando, no próprio inter-relacionamento, um elemento de singularizarão.(...), p33.

“Modernamente, tal perspectiva tem sua expressão mais desenvolvida na chamada Geografia Regional. Esta propõe, como objeto de estudo, uma unidade espacial, a região – uma determinada porção do espaço terrestre (de dimensão variável), passível de ser individualizada, em função de um caráter próprio.(...), p33.

“A definição da Geografia, como estudo da diferenciação de áreas, é uma outra proposta existente. Tal perspectiva traz uma visão comparativa para o universo da analise geográfica. Busca individualizar áreas, tendo em vista comparálas com outras; daí a tônica nos dados que diferenciam cada uma.”(...), p33.

“São buscadas as regularidades da distribuição e das inter-relações dos fenômenos. Tal concepção é mais restritiva, em termos de abrangência, do pensamento geográfico.”(...), p34.

“Existem ainda autores que buscam definir a Geografia como o estudo do espaço. Para estes, o espaço seria passível de uma abordagem específica, a qual qualificaria a análise geográfica. Tal concepção, na verdade minoritária e pouco desenvolvida pelos geógrafos, é bastante vaga e encerra aspectos problemáticos (...), podendo-se apontar três possibilidades mais usuais no trato da questão: o espaço pode ser concebido como uma categoria do entendimento, isto é,toda forma de conhecimento efetivar-se-ia através de categorias, como tempo, grau, gênero, espaço etc. O espaço também pode ser concebido como um atributo dos seres, no sentido de que nada existiria sem ocupar um determinado espaço. Finalmente, o espaço pode ser concebido como um ser específico do real, com características e com uma dinâmica própria.(...), p34.

“Esta perspectiva da Geografia, como estudo do espaço, enfatiza a busca da lógica da distribuição e da localização dos fenômenos, a qual seria a essência da dimensão espacial. Entretanto, esta Geografia, que propõe a dedução, só conseguiu se efetivar à custa de artifícios estatísticos e da quantificação. É um campo atual da discussão geográfica.”(...), p34.

“Finalmente, alguns autores definem a Geografia como o estudo das relações entre o homem e o meio, ou, posto de outra forma, entre a sociedade e a natureza. Assim, a especificidade estaria no fato de buscar essa disciplina explicar o relacionamento entre os dois domínios da realidade.”(...), p35.

“Seria, por excelência, uma disciplina de contato entre as ciências naturais e as humanas, ou sociais.”(...), p35.

“Aparecem, pelo menos, três visões distintas do objeto: alguns autores vão apreendê-lo como as influências da natureza sobre o desenvolvimento da humanidade. “Caberia à Geografia explicar as formas e os mecanismos pelos quais esta ação se manifesta. Desta forma, o homem é posto como um elemento passivo, cuja história é determinada pelas condições naturais, que o envolvem. O peso da explicação residiria totalmente no domínio da natureza. Os fenômenos humanos seriam sempre efeitos de causas naturais; isto seria uma imposição da própria definição do objeto, identificado com aquelas influências.”(...), p35.

“Outros autores, mantendo a idéia da Geografia, como o estudo da relação entre o homem e a natureza, vão definir-lhe o objeto como a ação do homem na transformação deste meio. Assim caberia estudar como o homem se apropria dos recursos oferecidos pela natureza e os transforma, como resultado de sua ação.”(...), p35.

“Há ainda aqueles autores que concebem o objeto como a relação entre si, com os dados humanos e os naturais possuindo o mesmo peso. Para estes, o estudo buscaria compreender o estabelecimento, a manutenção e a ruptura do equilíbrio entre o homem e a natureza. A concepção ecológica informaria diretamente esta visão.”(...), p35.

“Estas três visões do objeto, expressa o mais intenso debate do pensamento geográfico. encontra-se a idéia de que a Geografia trabalha unitariamente, com os fenômenos naturais e humanos.”(...), p 36

“Este breve painel das definições da Geografia justifica a afirmação inicial, quanto às dificuldades de concepção do objeto geográfico. O painel abarcou somente as perspectivas da Geografia Tradicional, isto é, não foram abordadas as propostas atuais, oriundas do movimento de renovação, que domina o conjunto do pensamento geográfico contemporâneo.”(...), p36.

“Isto mostra quão mais complexo é o problema da definição da Geografia, pois é nessa que a questão do objeto aflora de modo mais contundente. A Geografia Renovada não se prende a uma visão tão estanque da divisão das ciências, não coloca barreiras tão rígidas entre as disciplinas, não possui uma necessidade tão premente de formular uma definição formal do objeto.”(...), p36

“A Geografia Renovada busca sua legitimidade na operacionalidade (para o planejamento) ou na relevância social de seus estudos.”(...), p36.

Capítulo 2 O Positivismo como fundamento da Geografia Tradicional

“Os postulados do positivismo (aqui entendido como o conjunto das correntes não-dialéticas) vão ser o patamar sobre o qual se ergue o pensamento geográfico tradicional, dando-lhe unidade.”

“Uma primeira manifestação dessa filiação positivista está na redução da realidade ao mundo dos sentidos, isto é, em circunscrever todo trabalho científico ao domínio da aparência dos fenômenos. “Para o positivismo, os estudos devem restringir-se aos aspectos visíveis do real, mensuráveis, palpáveis.” (...), p39.

“Com o cientista, como mero observador, Daí a limitação de todos os procedimentos de análise à introdução, posta como a única via de qualquer explicação científica” (...), p39.

“A Geografia é uma ciência empírica, pautada na observação”, “A descrição, a enumeração e classificação dos fatos referentes ao espaço são momentos de sua apreensão, mas a Geografia Tradicional se limitou a eles; como se eles cumprissem toda a tarefa de um trabalho científico.” (...), p40.

“a Geografia Geral, tão almejada pelos geógrafos, na prática sempre se restringiu aos compêndios enumerativos e exaustivos, de triste memória para os estudantes do secundário.” (...), p,40.

“Outra manifestação da filiação positivista (...) “é, a não aceitação da diferença de qualidade entre o domínio das ciências humanas e o das ciências naturais.” (...), p40.

“A Geografia é uma ciência de contato entre o domínio da natureza e o da humanidade”. Postura esta que serviu para tentar encobrir o profundo naturalismo, que perpassa todo o pensamento geográfico tradicional.” (...), p40.

O homem vai aparecer como um elemento a mais da paisagem, como um dado do lugar, como mais um fenômeno da superfície

“Geografia sempre procurou ser uma ciência natural dos fenômenos humanos. Isto se expressa, por exemplo, na colocação de J. Brunhes de que, para a Geografia, a casa (como elemento fixo da paisagem) tem maior importância do que o morador. Ou, na afirmação de C. Vallaux, de que o homem importa, para a análise geográfica, por ser um agente de modelagem do relevo, por sua ação como força de erosão.”(...), p41.

“ Tal perspectiva naturalizante aparece com clareza no fato de buscar esta disciplina a compreensão do relacionamento entre o homem e a natureza, sem se preocupar com a relação entre os homens. Desta forma, o especificamente humano, representado nas relações sociais, fica fora do seu âmbito de estudos.(...), p41.

“a unidade do pensamento geográfico tradicional adviria do fundamento comum tomado ao positivismo, manifesto numa postura geral, profundamente empirista e naturalista.”(...), p41.

“a idéia de “ciência de síntese” serviu para encobrir a vaguidade e a indefinição do objeto. Tal idéia, que postulava um conhecimento excepcional, desvinculava tal ciência de uma exigência do próprio positivismo – a definição precisa do objeto de estudo.”(...), p42.

“a Terra é um todo, que só pode ser compreendido numa visão de conjunto;(...), p42.

“princípio da individualidade” – cada lugar tem uma feição, que lhe é própria e que não se reproduz de modo igual em outro lugar;”.p42.

“princípio da atividade” – tudo na natureza está em constante dinamismo; p42.

“princípio da conexão” – todos os elementos da superfície terrestre e todos os lugares se interrelacionam; o “princípio da comparação” – a diversidade dos lugares só pode ser apreendida pela contraposição das individualidades;p43

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