Parada cardiorrespiratória

Parada cardiorrespiratória

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Diretor científico Antonio Carlos Lopes

Diretores acadêmicos Hélio Penna Guimarães Renato Delascio Lopes

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A medicina é uma ciência em permanente atualização científica. À medida que as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade

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1 PROURGEN SEMCAD

Hélio Penna Guimarães – Médico Assistente da Disciplina de Clínica Médica – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Coordenador do Núcleo de Estudos em Emergências Clínicas da Disciplina de Clínica Médica – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Especialista em Clínica Médica com certificação de área de Atuação em Medicina de Urgência pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) e Associação Médica Brasileira (AMB). Especialista em Terapia Intensiva pela Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB) e Associação Médica Brasileira (AMB). Médico da Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Coordenador do Centro de Treinamento em Emergência do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Diretor acadêmico do PROURGEN

Renato Delascio Lopes – Médico Assistente da Disciplina de Clínica Médica – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Coordenador do Núcleo de Estudos em Emergências Clínicas da Disciplina de Clínica Médica – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Especialista em Clínica Médica com certificação de área de Atuação em Medicina de Urgência pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) e Associação Médica Brasileira (AMB). Doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Fellow da Duke University – EUA. Diretor acadêmico do PROURGEN

A parada cardíaca (PC) é a cessação súbita da circulação sistêmica em indivíduo com expectativa de restauração da função cardiopulmonar e cerebral, não portador de doença intratável ou em fase terminal. Em conjunto a esse evento, interrompe-se a atividade respiratória, definindo-se então parada cardiorrespiratória (PCR). 1,2,3

A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) consiste no conjunto de procedimentos realizados após uma PCR, com o objetivo de restabelecer temporariamente a circulação de sangue arterial ao cérebro e a outros órgãos vitais, até a recuperação da circulação espontânea.1,2,3

O atendimento da PCR é conhecimento prioritário de todo profissional de saúde, independentemente de sua especialidade. Particularmente no pronto-socorro (PS) ou unidade de pronto-atendimento (PA), a necessidade de atitudes rápidas e precisas determina a contínua atualização do médico e equipe nas diretrizes mais recentes de atendimento à PCR.

Neste capítulo serão descritos e detalhados os principais procedimentos relacionados às manobras de suporte básico e avançado de vida aplicadas à ressuscitação cardiopulmonar e cerebral, de acordo com as mais recentes recomendações das diretrizes mundiais sobre o tema. Espera-se que o texto contribua para a:

Principais procedimentos aplicados à ressucitação cardiopulmonar

O rápido diagnóstico Estabelecendo o suporte básico de vida

Suporte avançado de vida

Fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso

Assistolia

Atividade elétrica sem pulso

Amiodarona Adrenalina/epinefrina Atropina

Bicarbonato de sódio Lidocaína

Sulfato de magnésio

Tratamento após a recuperação da circulação espontânea

Disfunção miocárdica pós-ressuscitação cardiopulmonar e cerebral

Aplicação terapêutica da hipotermia após parada cardiorrespiratória

Quando parar esforços de ressuscitação?

Conclusão

Modalidades de PCR

Fármacos mais utilizados durante a RCP

O reconhecimento da PCR baseia-se na tríade: inconsciência, ausência de respiração e ausência de pulso central (carotídeo ou femoral).

A avaliação do pulso não deve consumir mais do que 5 a 10 segundos.4 Imediatamente depois de constatada a perda de consciência, deve-se solicitar a presença de equipe de emergência capacitada no atendimento à PCR, acompanhada sempre de desfibrilador externo, automático ou convencional. Em alguns serviços hospitalares, essa equipe de emergência pode ser denominada como “código azul”.

O suporte básico de vida (SBV) consiste em oxigenação e perfusão de órgãos vitais através de manobras simples (habitualmente sem necessidade de equipamentos ou recursos técnicos mais sofisticados)1, 2, 3 e que devem ser mantidas continuamente (vide Figura 12, algoritmo 1). 5,6

O suporte básico de vida é procedimento de fundamental relevância ao sucesso da RCP, particularmente as compressões torácicas. O SBV pode ser sistematizado em etapas, a saber:

[1]Avaliar a responsividade: avaliar o nível de consciência, tocando a vítima pelo ombro e chamando em voz alta (Figura 1).

[2]Chamar por ajuda: solicitar ou acionar serviço médico de emergência e desfibrilador ou “código azul”.

[3]Abrir as vias aéreas: realiza-se essa abertura pela extensão do pescoço com mão na fronte e dois dedos sob a mandíbula (Figura 2). Em casos de trauma, elevam-se os ângulos da mandíbula na manobra de tração da mandíbula (Figura 3).

[4]Detectar a respiração: uma vez abertas as vias aéreas, tenta detectar-se a respiração através da avaliação da expansão torácica, audição de som da respiração e sensação de ar exalado (manobra de “ver, ouvir e sentir”) (Figura 4).1,2,6,7

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Figura 1 – Avaliando o nivel de consciênciaFigura 2 – Abertura de via área

Figura 3 – Tração da mandíbula

Figura 5 – Ventilação boca-máscaraFigura 6 – Ventilação com bolsa-valva-máscara

[5]Ventilação: procede-se a duas ventilações de resgate que podem ser do tipo boca-a-boca, boca-máscara

(Figura 5) ou bolsa-valva-máscara (Figura 6). Cada uma dessas duas ventilações deve durar 1 segundo, com volume suficiente para permitir expansão torácica.1,2,6,7 Os socorristas devem realizar duas tentativas de ventilação. Em caso de ineficiência de duas tentativas seqüenciais, segue-se com a avaliação de pulso e compressões torácicas. 2,6,7

[6]Avaliação do pulso: realiza-se essa avaliação em 5 a 10 segundos, através da palpação da artéria central carótida ou femoral (Figura 7).

[7]Compressões torácicas: devem ser realizadas na velocidade de 100 vezes por minuto.1,2,6,7 Enquanto o paciente não estiver sob intubação traqueal, a relação compressões/ventilações deve ser mantida de forma sincronizada,2,3,6,7,8 na relação de 30:2. Cada compressão deve promover a presença de pulso palpável, permitindo-se o retorno completo do tórax.7,8,9,10,1 Deve haver sempre o revezamento do responsável pela compressão torácica a cada 5 ciclos (2 minutos), visando manter a eficácia (Figura 8).1,6,7,1,12,13

Figura 7 – Avaliação do pulso centralFigura 8 – Compressão torácica

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