Psicodinâmica das cores em comunicação

Psicodinâmica das cores em comunicação

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Limeira/SP - Ano 4, nº 12- De outubro à dezembro de 2007

PSICODINÂMICA DAS CORES EM COMUNICAÇÃO1 Ana Karina Miranda de FREITAS (anak_tj@hotmail.com)

As cores sempre estiveram presentes desde o começo da história do homem. Elas faziam parte mais das necessidades psicológicas do que das estéticas, como por exemplo, na história dos egípcios que sentiam na cor um profundo sentido psicológico, tendo cada cor como um símbolo.

Posteriormente nas artes, Vincent van Gogh2 conferiu às suas pinturas sensações cromáticas deslumbrantes, que traduzem intensas cargas emotivas e psicológicas de seu autor.

Mas, foi só no século XIX que houve um interesse maior em estudar cientificamente a cor, até mesmo com a participação de filósofos e escritores.

As cores enfim, têm a capacidade de liberar um leque de possibilidades criativas na imaginação do homem, agindo não só sobre quem admirará a imagem, mas também sobre quem a produz.

Sobre o observador que recebe a comunicação visual, a cor exerce três ações: a de impressionar a retina, a de provocar uma reação e a de construir uma linguagem própria comunicando uma idéia, tendo valor de símbolo e capacidade.

É tamanha a expressividade das cores que ela se torna um transmissor de idéias, tão poderoso que ultrapassa fronteiras espaciais e temporais. Não tem barreiras nacionais e sua mensagem pode ser compreendida até por analfabetos.

Influência das cores nas artes

1 Artigo produzido no 8° Semestre de Publicidade e Propaganda- ISCA Faculdades, sob orientação do Prof. Renato Frigo 2 Vincent van Gogh (1853-1890), pintor holandês nascido em Zundert.

Nas artes, o clima é um grande influenciador na utilização das cores. No Brasil, isso pode ser percebido através da arte do nordestino em contraste com a do sulista. Vivendo debaixo de um sol causticante, o artista nordestino sofre a influência de um intenso cromatismo que se refletem luminosa e vibrantemente na sua obra, expondo as cores de uma forma apaixonante e pura. Em contrapartida o artista sulista que não sofre tal influência, volta-se para as cores frias que expressam muito mais as reações através da forma, impondose o racionalismo frio característico do artista plástico paulista.

Influência das cores na publicidade

Para que uma marca, um título, ou uma informação, tenham legibilidade é preciso que se análise a cor de fundo deles para que haja um contraste. Do contrário, terão a visibilidade prejudicada e dificilmente serão memorizados.

Podemos dizer que o Sol é o grande regente na orquestra das cores, visto que precisamos sempre dele para uma boa visualização delas.

pelo sistema neurofisiológico de cada indivíduo

É claro que há um peso psicológico na escolha dessa ou aquela cor, que é definido

Teoria de Young-Helmholtz

Young3 procurou a existência das três cores primárias na constituição do homem, e não na natureza da luz como outros teóricos fizeram.

Segundo Young, a maioria dos fenômenos relacionados à cor deve-se à existência de estímulos de excitação do olho humano, sensíveis à luz que reagem, respectivamente, ao azulvioleta, ao verde e ao vermelho-alaranjado.

Teoria de Hering

3 Hermann von Helmholtz, fisiologista e físico alemão (1821-1894), conhecido por seus estudos sobre ressonância acústica, acomodação visual, etc. Desenvolveu mais as teorias das cores de Young, e que nós chamamos de “Teoria de Young-Helmholtz”. Inventou o oftalmômetro e o telestereoscópio. Helmholtz é autor do famoso “Manual de óptica fisiológica”, que, apesar de ser do século passado, é ainda uma obra básica de estudo e consulta.

Hering4 , defende a teoria da existência de três variedades de cones de dupla ação. Um dos grupos seria responsável pela formação das luzes azul e amarela; outro pelas luzes verde e vermelha, e o terceiro seria excitado pelas luzes preta e branca. Essa teoria expressa que, as cores verde, preta e azul refazem a substância das células, porém essa mesma substância é destruída pelo branco, pelo vermelho e pelo amarelo.

Teoria de Ladd Franklin

Para Christine Ladd Franklin5 , a visão da cor é um processo de evolução do homem primitivo, que só distinguia o branco, o preto e o cinza. Ocorreu uma evolução e os bastonetes se transformaram em dois tipos distintos de cones, que podiam distinguir os demais tipos de cores.

As sensações visuais que têm apenas a dimensão da luminosidade são chamadas de acromáticas. Incluem-se todas as tonalidades entre o branco e o preto, quer dizer, o cinzaclaro, o cinza e o cinza-escuro, formando a chamada escala acromática.

Já as sensações visuais compostas por todas as cores do espectro solar, são denominadas cromáticas.

Podemos dizer que as cores quentes derivam do vermelho-alaranjado e as cores frias do azul-esverdeado.

4 Ewald Hering, fisiologista alemão (1834-1918). Trabalhou especialmente sobre a fisiologia do sentido da vista, da percepção do espaço e das cores. 5 Christine Ladd Franklin, psicóloga, realizou nos Estados Unidos vários estudos sobre a evolução da sensação da cor.

As cores quentes são estimulantes e produzem as sensações de calor, proximidade, opacidade, secura e densidade. Em contraste, as cores frias parecem nos transmitir as sensações de frias, leves, distantes, transparentes, úmidas, aéreas e acalmantes.

Fatores que influem nas escolhas das cores

Existem três fatores que influenciam e determinam as escolhas de cores, são eles: psicológicos, sociológicos e fisiológicos.

Porém, a escolha de uma cor, algumas vezes se determina não por preferências pessoais, mas pela utilização que ela poderá ter em função de algo.

A partir de hábitos sociais que se estabelecem durante toda uma vida, fixam-se reações psicológicas que norteiam tendências individuais.

Atribuímos significados conotativos às sensações visuais que temos, como por exemplo:

“Estou verde de fome.” “Ele está roxo de frio.” “Fiquei branca de susto.”

Através de experimentos feitos por Rorschach6 , foi descoberto que caracteres alegres correspondem intuitivamente à cor, enquanto as reações de pessoas deprimidas correspondem à forma.

Pessoas sensíveis, que se deixam influenciar, e que têm tendência à desorganização e a oscilações emocionais, são geralmente indivíduos que têm preferência pela cor.

O temperamento frio, controlado e introspectivo, são características daqueles que reagem à forma.

Os estudos de Bamz 6 Hermann Rorschach, Psicodiagnóstico, Editora Paidós, Buenos Aires, 1961.

O psicólogo Bamz7 defende o fator idade versus preferência na manifestação de uma pessoa por determinada cor.

Laranja:de 10 a 20 anos- idade da aventura, excitação, imaginação;
Verde:de 30 a 40 anos- idade da diminuição do fogo juvenil;
Azul:de 40 a 50 anos- idade da inteligência e do pensamento;
Lilás:de 50 a 60 anos- idade da lei, do juízo, do misticismo;
Roxo:além dos 60 anos- idade da benevolência, do saber, da experiência.

Vermelho: de 01 a 10 anos- idade da espontaneidade e da efervescência; Amarelo: de 20 a 30 anos- idade da arrogância, força, potência;

Se fizermos uma análise científica das preferências, poderemos observar que o cristalino do olho humano vai gradativamente se tornando amarelo com o passar dos anos. Por exemplo, uma criança absorve 10% da luz azul, em contrapartida um idoso absorve cerca de 57%. Ao observarmos os adultos fazendo compras poderemos notar que os mais idosos dão preferência a produtos contidos em embalagens em que prevalece a cor azul.

Cor, memória e comunicação

Mesmo que a reação à cor seja algo instintivo, não podemos negar as experiências que o homem vai acumulando em sua memória no decorrer de sua vida que o define e o faz agir de determinadas maneiras. Esta constatação é algo fundamental para o trabalho do publicitário.

Sensações acromáticas 7 J. Bamz, Arte y ciência del color, publicada em Barcelona pelas Ediciones de Arte.

Branco • Associação material: neve, casamento, lírio, batismo, areia clara.

• Associação afetiva: limpeza, paz, pureza, alma, divindade, ordem, infância.

• Branco vem do germânico blank (brilhante). É o símbolo da luz, e não é considerada cor. No ocidente, o branco traduz a vida e o bem, em contrapartida para os orientais o branco traduz a morte, o fim ou o nada.

Preto • Associação material: enterro, morto, sujeira, coisas escondidas.

• Associação afetiva: tristeza, desgraça, melancolia, angustia, dor, intriga, renúncia.

• Vem do latim niger (negro, escuro, preto). É angustiante e expressivo

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