Automedicação em Idosos

Automedicação em Idosos

(Parte 1 de 5)

1Sá, M. B. Automedicação em Idosos... 1Sá, M. B. Automedicação em Idosos...

Sá, M. B. Automedicação em Idosos... Sá, M. B. Automedicação em Idosos...

Sá, M. B. Automedicação em Idosos... MIRIVALDO DE BARROS E SÁ

AUTOMEDICAÇÃO EM IDOSOS SALGUEIRO-PE, 2004

Dissertação apresentada ao Programa Integrado de Pós- Graduação em Saúde Coletiva do Departamento de Medicina Social de Centro de Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Saúde Coletiva.

Orientador: Profº. Dr. José Augusto Cabral de Barros. Co-orientadora: Profª. Drª. Maria Dolores Paes Silva.

RECIFE, 2005 MIRIVALDO DE BARROS E SÁ

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AUTOMEDICAÇÃO EM IDOSOS SALGUEIRO – PE, 2004

Dr. José Augusto Cabral de Barros Universidade Federal de Pernambuco

Dr. Paulo Sérgio Dourado Arrais Universidade Federal do Ceará

Dra. Márcia Carrera Campos Leal Universidade Federal de Pernambuco

Suplentes

Dra. Rosa Maria Carneiro Universidade Federal de Pernambuco

Dr. Ricardo Arraes de Alencar Ximenes Universidade Federal de Pernambuco

Recife, 2005

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É indispensável reconhecer a todos que direta ou indiretamente colaboraram para a concretização deste trabalho, com muita dedicação e compromisso, especialmente:

Ao Programa Integrado de Pós Graduação em Saúde Coletiva e todo o Corpo de Professores e Técnicos.

À Profª. Rosa Carneiro com imenso carinho, pela confiança e respeito a mim dispensado.

Ao Prof. José Augusto pela serenidade e sabedoria, que me instruiu na elaboração deste trabalho.

À Profª Dolores Paes, pela compreensão e orientação na construção deste projeto.

À Profª Ana Bernarda, pela gentileza e compreensão no decorrer do curso, dos momentos difíceis.

Ao precioso Moreira, que sempre esteve disposto e com satisfação, colaborando sempre.

Aos colegas do Mestrado, pelo imenso prazer de tê-los como amigos: Valéria, Eduardo, Cristina, Jacyra, Janaína, Lílian e em especial meu amigo Ulisses pela imensa colaboração na construção deste trabalho.

À Daniela Aquino, pelo companheirismo, meu imenso carinho, e dedicação na construção deste projeto, como também sempre perto nas horas difíceis.

À Polyana meu afeto, por estar sempre pronta em ajudar.

À Sabrina minha colega, o meu afeto

À Da Luz pela sua generosidade

Aos meus irmãos e irmãs, Mirileuza, Miriam, Antônio, Mirinalvo e Márcio, e aos meus sobrinhos, em especial Michel, que foi de suma importância na digitação deste projeto.

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A todos aqueles que já partiram, mas que jamais esqueci, os momentos inesquecíveis e felizes, em especial meu pai e mães, que Deus me abençoou por ter tido duas.

E a querida Gorete, pela participação nos dados da pesquisa.

Ao Prof. Djalma Agripino, com quem muito aprendi em suas aulas.

E a Deus e Cristo pela PAZ, com suas dores e esperanças, pois, sem elas, não há vida.

E a meu amigo José Carlos, sempre disponível a escutar as minhas lamentações das horas nebulosas e por toda solidariedade.

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“Choremos a juventude e a velhice também, pois a primeira sempre foge e a segunda sempre vem”

Teógnis (poeta grego)

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RESUMO A automedicação é uma forma importante de cuidados pessoais e evidências mostram que a forma mais comum de respostas a sintomas. Porém, o uso inadequado dos medicamentos pode expor a população a sérios riscos e constitui-se um problema a ser prevenido. No caso dos idosos esta prevenção se faz especialmente importante tendo em vista peculiaridades desse grupo populacional. O objetivo deste trabalho foi estudar a prática da automedicação, avaliando os determinantes que a influenciam e, classificando os grupos farmacológicos mais utilizados pelos idosos no município de Salgueiro-PE no período de 01 de maio de 2004 a 10 de junho de 2004. Foram realizadas 355 entrevistas através de um questionário padronizado. Evidenciou-se que 7,1% dos entrevistados incluídos no estudo estavam tomando algum medicamento no momento da entrevista e 61,6% fazia uso simultâneo de medicamento prescrito pelo médico e por conta própria. Os analgésicos e os antipiréticos (31% e 29%, respectivamente) foram as classes terapêuticas mais utilizadas sem receita médica. A automedicação é uma necessidade tendo função complementar aos sistemas de saúde. Porém, deve ser orientada por médicos e farmacêuticos, e os medicamentos utilizados com essa finalidade devem ter sua segurança e eficácia amplamente comprovada, ser de fácil identificação para leigos e conter instruções específicas e claras para seu uso.

Palavras-chave: automedicação, idosos, medicamentos sem prescrição médica

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The self-medication is an important way of self-care and evidences show that is the msot commom way of answers to symptoms. But the incorrect using of medicnes may put the population in serious risks and this is a problem that must be preventend. In the case of elders , this prevention is specially important because of the singularity of this populational group. The objective of this work was study the self-medication practice, evaluating the factors that influence and, classifying the most used pharmacological groups by elders in the city of Salgueiro-PE between May 01, 2004 and June 10, 2004. 355 interviews were done through a questionnaire . 7,1% of the interviewed was using some kind of medicine and 61,6% was using medicines simultaneously prescribed by doctor or not. The analgesics and antipyretics (31% and 29%) were the most used therapeutic groups without medical prescription. The self-medication is a need that comes to be a complement of the health systems. But this practice must be instructed by doctors and pharmaceutics, and the used medicines with this porpose must have their security and efficacy proved, must be easily identified by lays and have specific and clear instructions for using.

Key-words: self-medication, elders, medicines without medical prescription

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LISTA DE FIGURAS Figura 1. Mapa de Pernambuco, localizando a cidade de Salgueiro. 5

Tabela 1. Distribuição dos entrevistados segundo grupo etário, sexo, grau de instrução, ocupação e com quantas pessoas reside. 62

Tabela 2. Distribuição dos entrevistados segundo os motivos pelos quais estão tomando medicamento. 63

Tabela 3. Fontes de indicação dos medicamentos. 63 Tabela 4. Categoria terapêutica mais utilizada com receita antiga. 64 Tabela 5. Motivações apresentadas para o uso de medicamentos. 64 Tabela 6.Categorias mais utilizadas sem prescrição médica. 65 Tabela 7.Freqüência com que fazem uso de medicamentos sem receita salutar. 65

Tabela 8. Distribuição das categorias citadas como indispensáveis na farmácia caseira. 6

Tabela 9. Distribuição dos entrevistados segundo sexo, grupo etário e grau de instrução, ocupação, número de membros da família e a prática de automedicação. 69

Tabela 10. Distribuição dos entrevistados que acham na consulta médica que tem que sair com uma receita em relação a automedicação. 70

Tabela 1. Distribuição dos entrevistados segundo à compreensão das recomendações médicas e a automedicação 70

Tabela 12. Distribuição dos entrevistados segundo uso regular de vitaminas associado com a automedicação. 71

Tabela 13. Distribuição dos entrevistados segundo a prática de atividade física e a automedicação. 71

Tabela 14. Distribuição dos entrevistados, segundo os problemas que os medicamentos lhes causaram com receita médica. 72

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Gráfico 1. Distribuição dos indivíduos entrevistados segundo os motivos pelos quais fazem uso de medicamento sem prescrição médica. 67

Gráfico 2 . Fitoterápicos mais utilizados. 68

FDAFood and Drug Administration
HONHealth on the Net
RMBHRegião Metropolitana de Belo Horizonte

EUA Estados Unidos da América IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OMS Organização Mundial de Saúde PNADS Pesquisas Nacionais por Amostras de Domicílios UFPE Universidade Federal de Pernambuco

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1 INTRODUÇÃO 12

1.1 Automedicação e suas Implicações 13 1.2 O Consumo na Sociedade Moderna 19 1.3 A Publicidade da Indústria Farmacêutica 24 1.4 A Automedicação e os Idosos 27 1.5 Transição Demográfica 3 1.6 Transição Epidemiológica 36 1.7 Idosos 41 1.8 Farmacoepidemiologia 4 1.9 Justificativa 47

2 PERGUNTA CONDUTORA 48

3 OBJETIVOS 50 3.1 Geral 51 3.2 Específicos 51

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 52 4.1 Desenho de Estudo 53 4.1.1 Vantagens 53 4.1.2 Desvantagens 53 4.2 Área do Estudo 54 4.3 Definição da População 5 4.4 Critérios para o Cálculo da Amostra 5

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4.5 Procedimento Amostral 56 4.6 Critérios de Exclusão 56 4.7 O Elenco das Variáveis 57 4.7.1 Variável Dependente 57 4.7.2 Variáveis Independentes 57 4.8 Coleta e Processamento de Dados 57 4.9 Plano de Descrição da Análise 58 4.10 Problemas Metodológicos 58 4.1 Considerações Éticas 58

Farmacológicos Associados com a Prática da Automedicação61

5 RESULTADOS 60 5.1 Fatores Socioeconômicos, Demográficos, Sociais e Grupos

6 DISCUSSÃO 73

7 CONCLUSÃO 8

REFERÊNCIAS 92

APÊNDICE - Questionário

ANEXOS Anexo A - Estatuto do Idoso Anexo B - Termo de Consetimento Livre e Esclarecido

Sá, M. B. Automedicação em Idosos... 1 INTRODUÇÃO

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1.1 A Automedicação e suas Implicações

A automedicação é um procedimento caracterizado fundamentalmente pela iniciativa do doente ou do seu responsável em obter ou produzir e utilizar um produto que acredita que lhe trará benefícios no tratamento de doenças ou alívio dos sintomas. É uma prática muito comum, vivenciada por civilizações de todos os tempos, com características peculiares a cada época e a cada região (PAULO; ZANINI, 1988). A automedicação é uma forma importante de cuidados pessoais e evidências mostram que é a forma mais comum de resposta a sintomas (LEVIN et al., 1988).

Segundo Paulo e Zanini (1988) a automedicação pode ser assim classificada: Ü Cultural – Uso de produtos naturais como fármacos, sendo este conhecimento passado através de gerações. Exemplo: uso de pó de café como um agente hemostático, uso do pão com bolor em feridas, entre outros.

Ü Orientada - consiste numa situação em que o paciente já possui conhecimentos básicos a respeito do uso do medicamento, da eficácia e dos efeitos colaterais, posto que já foi informado a respeito destes pelo médico quando de uma consulta prévia. É importante ressaltar a supervisão médica existente neste tipo de automedicação.

Ü Induzida – Indução ao uso de medicamentos através de campanhas públicas de saúde e também com fins comerciais. Ainda, segundo PAULO e ZANINI (1988), considera - Atos rotulados erroneamente como automedicação:

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Ü Aconselhamento em balcão de farmácia – não se trata de automedicação e sim, exercício ilegal da medicina, punível com restrição de liberdade, independentemente do tipo de medicamento, seja ele de livre aquisição ou controlado (vendido apenas com receita médica).

Ü O curanderismo ocorre quando um leigo se faz passar por médico realizando atividades próprias do mesmo tal como prescrever e receitar substâncias, até mesmo realizar “diagnósticos”.

Ü O charlatanismo é quando uma pessoa que vende um determinado medicamento atribui ao mesmo, propriedades exageradas, não contidas de fato no produto havendo uma exploração da boa fé do comprador.

A decisão de tomar um remédio pode ser resultado de uma prescrição médica, mas nem sempre é isto que acontece. A reutilização de receitas velhas é também bastante freqüente, especialmente nos casos de doenças crônicas.As pessoas passam a identificar e interpretar alguns sintomas, e resolvem prescrever para si mesmas, às vezes combinando recursos caseiros com medicamentos que conheceram no serviço de saúde (NASCIMENTO, M., 2002).

Pelo menos 35% dos medicamentos adquiridos no Brasil são feitos através da automedicação (BARROS, 1995), ou seja, para cada dois medicamentos devidamente receitados, pelo menos um é consumido com base na própria experiência, no palpite de um vizinho, na dica de um conhecido, na propaganda, na sugestão do balconista da farmácia ou de outros profissionais não formalmente habilitados (NASCIMENTO, M., 2003).

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Há ainda a influência da propaganda de medicamentos. Realizada nos meios de comunicação de massa, constitui um estímulo freqüente para a automedicação, especialmente porque explora o desconhecimento dos possíveis consumidores sobre os produtos e seus efeitos adversos. Porém, a automedicação não é a única vilã desta história (NASCIMENTO, M., 2003). Além da indução por campanhas publicitárias, a automedicação pode ter origens na herança cultural e folclórica de um povo, em orientação profissional prévia, ou ainda ser simplesmente instintiva, sem qualquer base racional (OLIVEIRA, G., 1998).

Entretanto, se o brasileiro tende a se automedicar é também porque não encontra posto de saúde perto de casa, precisa ficar horas numa fila e, às vezes, esperar dias e até meses para ser atendido por um médico. O baixo poder aquisitivo da população e a precariedade dos serviços de saúde contrastam com a facilidade de se obter medicamentos, sem pagamento de consulta e sem receita médica, em qualquer farmácia, onde, não raro, se encontra o estímulo do balconista interessado em ganhar uma comissão pela venda (NASCIMENTO, M., 2003).

Mas, não é apenas o consumidor de baixa renda que faz uso da automedicação. Ela também acontece entre as camadas privilegiadas, que têm amplo acesso aos serviços médicos. Observa-se, em linhas gerais, há uma tendência para a busca de solução imediata para as enfermidades, a fim de não interromper as atividades cotidianas ou possibilitar um pronto retorno a elas. Vale notar a existência de medicamentos classificados para uso sem prescrição médica, devido à margem de segurança que apresentam. Isto não significa, porém, que sejam livres de riscos. Grande abundância de medicamentos de venda livre de pouco valor terapêutico tem a oferta inadequada, este texto por si só não explica o uso irracional, alguns estudos não exploram os motivos que levam ao consumo de medicamentos, este fato por exemplo, que algumas formulações

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vitamínicas de alto valor intrínseco hajam sido utilizados em situações em que estavam indicadas como substituto de alimentação adequada, portanto uma maneira irracional (HEINECK, et al., 1998). Ainda assim, nestes casos, a automedicação tem o aval das autoridades de saúde pública. Este aval, inclusive, está inserido no processo de educação sanitária da população, através do qual são ensinadas as pessoas a reconhecerem alguns sintomas ou enfermidades e administrar cuidados e procedimentos básicos (NASCIMENTO, M., 2003).

Neste sentido, existe a proposta de a automedicação ser parte integrante da educação desde a infância, com o objetivo de promoção, maior compreensão do uso e seus limites, ao invés de menor responsabilidade. Os adeptos desta proposta entendem que é preciso educar as pessoas, fornecendo-lhes critérios seguros para lidar com os males mais comuns que as afligem. Afinal, o sistema de saúde não resistiria se para uma dor simples de cabeça (de baixa intensidade em um período curto de tempo) fosse necessário recorrer a um médico (NASCIMENTO, M., 2003).

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