Cuidados de Enfermagem na prevenção da Anorexia na Adolescencia: Como identificar fatores predisponentes

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Artigo de Revisão

Resumo

As adolescentes têm uma preocupação excessiva com o peso, a aparência e a imagem corporal, que as levam, muitas vezes, a buscar, de uma maneira deliberada, o emagrecimento a qualquer preço. Devido a isso, a sociedade está vivenciando a era do “corpo perfeito”, em que a saúde e os cuidados com a vida cedem espaço à escravidão da magreza, sendo esta vista como beleza. O objetivo deste trabalho foi descrever a atuação da enfermagem na prevenção da anorexia nervosa (AN), em adolescentes. Esta pesquisa implica no levantamento de dados de variadas fontes, seguindo método bastante rigoroso, a partir de leitura atenta e interpretativa, a fim de levantar o maior número de dados, atualizados e fidedignos. Para tanto, foram utilizados livros e periódicos dos últimos vinte anos, específicos sobre o assunto e revisão sistematizada de bases de dados disponíveis na Internet. A anorexia nervosa pode ser conceituada como um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal. A pessoa olha-se no espelho e, embora extremamente magra, vê-se obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos. A enfermagem psiquiátrica deve levar em conta que a adolescente tem dificuldade em dizer o que está sentindo ou pensando, portanto, será importante a comunicação extraverbal. Ficou evidenciado o desafio à equipe de enfermagem para compreender os diversos fatores que interagem entre si na anorexia nervosa. No protocolo de

Kalinka Fernandes Lima Kelly Alves Knupp

Faculdade do Futuro

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S a úde enfermagem proposto em anexo, nota-se a importância de um trabalho multidisciplinar para que os objetivos possam ser atingidos de maneira mais eficaz para o paciente e para a família envolvida. Palavra chave: Prevenção, cuidados de enfermagem, anorexia nervosa.

Abstract

way for the patient and family involved

Teenagers have an excessive worry concerning weight, appearance and body image, which take them many times to seek in a deliberative manner a radical weight loss. For this reason society is facing a “perfect body” era in which health and life care are suppressed by thinness slavery, in which thinness is viewed as beauty. The objective of this work was to describe nursing procedures in anorexia nervosa prevention for teenagers. This research implies in a survey of varied source data, following a very restricted method, through a very alert and interpretative reading, with the aim to organize a considerable number of data, faithful and actual. For that is was used books and papers of last twenty years, specific for the subject and a systematized database review available in the internet. Anorexia Nervosa can be conceptualized as an alimentary disturb resulted from exaggerated worry with body weight. The person looks himself/herself in the mirror and although he/she is thin, he/she sees himself/herself as a fat person. With fear of getting fat the person overloads physical activity, fasts, vomits, takes laxatives and diuretics. Psychiatric Nursing must consider that teenagers have difficulty to express what they are feeling and thinking, therefore nonverbal communication is very important. It was evident that the challenge for nursing team is to comprehend the different factors that interact in anorexia nervosa. In the nursing protocol that was proposed, it is perceived the importance of multidisciplinary work in which the objectives could be achieved in the most efficient Key-words: Prevention, Nursing Care and Anorexia Nervosa.

Introdução

Na sociedade está cada vez mais freqüente observar, sobretudo em adolescentes do sexo feminino, uma preocupação excessiva com o peso, a

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S a úde aparência e a imagem corporal, que as leva muitas vezes, a buscar, de uma maneira deliberada, o emagrecimento a qualquer preço.

De acordo com Gorgati et al. 10 , algumas adolescentes vão mais além da simples conseqüência de um ideal estético e acabam por se viciar em dietas, com uma infinita insatisfação posterior. Surge, então, uma série de condutas mais complexas, como provocação de vômito, abuso de laxantes e diuréticos, hiperatividade e prática de exercícios de forma exaustiva, com o único objetivo de alcançar a magreza extrema. A dinâmica vem acompanhada, geralmente, de um transtorno, quase delirante, que altera a percepção da própria imagem corporal, de tal forma que as adolescentes se vêem gordas, mesmo que seu corpo esteja cada vez mais esquelético. A sociedade está vivenciando a era do “corpo perfeito”, em que a saúde e os cuidados com a vida cedem espaço à escravidão da magreza, sendo esta vista como beleza.

O alto número de casos de anorexia tem causado inquietude sanitária, alarme social e progressiva proliferação de investigações dedicadas a ela. Trata-se de um transtorno complexo, que tende a tornar-se crônico, às vezes, sumamente grave, com conseqüências multifatoriais10 .

Dentre todos os fatores, o caráter cultural parece ocupar o primeiro lugar como predisponente, com freqüência precipitante, quase sempre mantenedor e agravador do transtorno. Talvez mais do que em qualquer outro transtorno do comportamento na criança e no adolescente, detectar precocemente os transtornos alimentares é fundamental. Evidências indicam que, quanto mais precoces forem as intervenções terapêuticas, melhor será o prognóstico a longo prazo10 .

Segundo Santos et al. 23 , muitas adolescentes demonstram preocupação excessiva com o peso, mas a observação isolada não é suficiente para o diagnóstico de um transtorno alimentar. No entanto, essas adolescentes têm sete vezes mais chances de desenvolver um transtorno alimentar e devem ser acompanhadas com atenção.

Entende-se, então, que o transtorno alimentar não pode ser visto apenas como conseqüência de uma neurose em busca do baixo peso, porém as adolescentes, que assim se comportam, estão mais vulneráveis às doenças oriundas do transtorno. É comum que as pacientes com transtornos alimentares escondam os sintomas da doença o que pode oferecer problemas para o diagnóstico precoce.

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Partindo-se da problemática exposta, o presente artigo tem como objetivo descrever a atuação da enfermagem na prevenção da anorexia nervosa (AN) em adolescentes, apresentando, para isso, um estudo de revisão de literatura voltado aos fatores predisponentes da anorexia nervosa, bem como a importância do tratamento multidisciplinar cujos melhores resultados parecem ocorrer exatamente naqueles casos de intervenção precoce durante a adolescência, evitando, assim, as formas crônicas e imutáveis da anorexia.

Metodologia

A fundamentação teórica do artigo foi realizada a partir de pesquisa e revisão bibliográfica, que segundo Lakatos e Marconi16 , significa muito mais do que apenas procurar a verdade: objetiva encontrar respostas para as devidas questões propostas, utilizando métodos científicos.

Esta pesquisa implica no levantamento de dados de variadas fontes, seguindo método bastante rigoroso, a partir de leitura atenta e interpretativa, a fim de levantar o maior número de dados, atualizados e fidedignos. Para tanto, foram utilizados livros e periódicos dos últimos vinte anos, específicos sobre o assunto, além de revisão sistematizada de bases de dados disponíveis na Internet: Lilacs, Dedalus, Medline e guidelines referentes ao assunto.

Discussão

Anorexia Nervosa: conceito e características.

Os transtornos alimentares (TAs), como anorexia nervosa, bulimia nervosa e suas variantes, representam quadros psiquiátricos que afetam especialmente adolescentes e adultos jovens, ainda que, nos dias de hoje, são encontrados, também, num grande número de crianças, principalmente do sexo feminino, levando a grandes prejuízos biopsicossociais, com alta taxa de morbidade e mortalidade1, 2,

Para Rocha22 , a adolescência é um período de oscilações no estado emocional a caminho do amadurecimento. É uma fase de substituição de vínculos de dependência com os pais. É uma época de descobertas, experiência. Pode-se

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S a úde dizer que é o período mais ativo do desenvolvimento do ser humano, por isso pode apresentar alguns transtornos e, entre eles, a anorexia nervosa.

Segundo Varella26 , a anorexia nervosa, em particular, pode ser conceituada como um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa olha-se no espelho e, embora extremamente magra, vê-se obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos. Trata-se de um transtorno que se manifesta principalmente em mulheres jovens, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes anoréxicos chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição e o índice de mortalidade chega a atingir 15% a 20% dos casos.

Segundo Abreu e Cangelli Filho1 , nas décadas de 1960 e 1970 foi descrita, pela primeira vez, a distorção da imagem corporal, vista como um distúrbio da paciente com anorexia nervosa na percepção de seu corpo. A partir de 1970, pacientes avaliadas, clinicamente, demonstravam um receio exagerado de ganhar peso, sendo esse o primeiro passo para incorporar o “medo mórbido de engordar” como característica psicopatológica da anorexia nervosa, juntamente com o emagrecimento, a distorção da imagem corporal e a amenorréia.

A anorexia nervosa tem, como características principais, a perda de peso intensa, à custa de rígidas dietas, muitas vezes auto-impostas pela busca cruel da magreza, além da distorção da imagem corporal e amenorréia. É comum o quadro clínico de um paciente anoréxico apresentar: emagrecimento, amenorréia, bradicardia, baixa temperatura corporal, edema nos membros inferiores, obstipação e cianose periférica1, 9, 15 .

O principal sintoma é constituído pela perda de peso, devido à contínua recusa da paciente em se alimentar, suficientemente, e pela amenorréia. Sinais secundários de inanição aparecem, posteriormente, de forma crescente. Os efeitos secundários da perda de peso aparecem, inevitavelmente, como: penugem no rosto e nos membros, extremidades do corpo cianosadas, pele fria e áspera, pulso às vezes com 40 batidas por minuto e pressão sangüínea sistólica abaixo de 100 m. Além disso, é característico que esses pacientes fiquem ativos e alerta, porém, tornam-se tão emaciados e fracos que mal podem ficar de pé. A grave perda de peso pode, igualmente, causar distúrbios psíquicos, levando a um errôneo diagnóstico de esquizofrenia8 .

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