Contaminação e Poluição do Solo

Contaminação e Poluição do Solo

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João Azevedo –2101 | Jorge Araújo –2686 | Paulo Bogas –23 | Tiago Oliveira –2199 João Azevedo –2101 | Jorge Araújo –2686 | Paulo Bogas –23 | Tiago Oliveira –2199

Contaminação e Poluição dos Solos

João Azevedo –O Solo

Jorge Araújo -Poluição

Paulo Bogas –Contaminação / Agentes Contaminantes

Tiago Oliveira –Medidas Correctivas

Esta apresentação é desenvolvida em 4 pontos ou temáticas relativas à problemática da Gestão do Recurso Natural –Solo, usos e impactes resultantes da sua utilização

Solo –Sistema dentro de um sistema

O cientista inglês JamesLovelockreferiu que o Planeta Terra parece comportar-se como um sistema auto-regulador, a que chamou GAIA. A ser verdade, as implicações são profundas no modo como as sociedades tomam decisões:

●Compreender os sistemas globais requer cooperação -interdisciplinar, interinstitucional e internacional

●Os sistemas globais transcendem a propriedade privada e as jurisdições e competências locais e nacionais

●Os sistemas globais actuam ao longo de décadas e séculos. Alterações indesejáveis poderão ter uma evolução lenta, mas em contrapartida será muito difícil interrompê-las ou revertê-las

●Os sistemas globais são a base de todas as economias e sociedades, mas os seus benefícios são reclamados quer como propriedade privada quer como recursos de livre acesso

Solo

Camada superficial da Terra, substrato essencial para a biosfera terrestre, que desempenha como principal função ser suporte e fonte de nutrientespara a vegetação e, como tal, base de toda a cadeia alimentar.

Constituído por minerais, matéria orgânica, organismos vivos, ar e água, o solo contribuicom um sistema complexo e interactivo na regularização do ciclo hidrológico, nomeadamente através da sua capacidade de transformação, filtro e tampão.

Solo

"organismo vivo" onde a actividade biológica determina o seu potencial.

A estrutura do solo depende do tratamento que recebe, e a produtividade das culturas agrícolas e longevidade da sua bioestrutura reflectem a sua adequação.

Forma-se a uma taxa de 0,3 a 1,5 m por ano e pode ser considerado, à escala humana, como um recurso não renovável.

Solo

Fornece o substrato para as raízes, retêm água o tempo suficiente para esta ser utilizada pelas plantas e fixam nutrientes essenciais para a vida lar para miríades de microrganismos que provocam importantes transformações bioquímicas -fixando azoto atmosférico, conduzindo à decomposição de matéria orgânica -e

para exércitos de animais microscópicos, bem como para as familiares minhocas, formigas e térmitas. Na realidade, a maioria da biodiversidade terrestre ocorre no interior do solo e não sobre ele

Solo

Clima: através da interferência no ciclo hidrológico, na retenção de carbono e na emissão de gases de efeito de estufa (vapor de água, CO2, NOxe metano);

Ciclo hidrológico: os solos funcionam como um elemento de ligação e como sistema regulador do ciclo hidrológico global. Cerca de 60% da água doce é água “verde”, retida no solo e disponível para as plantas. Os solos também regulam os cursos de água e os reservatórios de água subterrânea que suportam as zonas húmidas, a irrigação e os abastecimentos doméstico e industrial –por vezes milhares de quilómetros a jusante

Solo

Ciclos dos nutrientes e dos resíduos: os solos reciclam os nutrientes libertados pela alteração das rochas ou transportados pelo ar e neutralizam as toxinas. Alterações neste ciclo podem causar a eutrofizaçãoou poluição dos solos e da água, ou ainda, a redução de nutrientes, ameaçando meios de subsistência em todo o mundo

Erosão: a perda da cobertura vegetal pode originar a degradação dos solos e causar danos irreparáveis, como por exemplo, torrentes de lama e acumulação de sedimentos em locais onde não são desejáveis –solos férteis, rios, barragens e portos. A erosão nem sempre é negativa, uma vez que, muitos dos solos mais férteis em deltas, planícies aluviais e depósitos de loess, são produtos da erosão ocorrida no passado, tal como o são os nutrientes presentes nos oceanos.

Emissão de GasesTroca de energia Reciclagem

Fauna e Flora

Lixiviação Formação de solo

Água do solo

Evaporação

Classificação dos Solos -Zonais

- Factor climático (vegetação) é o principal elemento de formação (independentes da rocha-mãe), ocorrem em correspondência com as grandes zonas climáticas

Desértico:Típico de clima árido; pouco fértil.

Chernozem(Pradaria): clima temperado frio sub-húmido; clima temperado húmido; vegetação de floresta; fértil;

Latossolo: clima quente e húmido (tropical), muitoprofundo

Classificação dos Solos -Intrazonais -Solos em que a influência de uma característica local é dominante

Vertissolos (Grumossolo):

natureza argilosa; boa fertilidade.

Halomórfico ou Salino: Solos com quantidades excessivas de sais, (baixa fertilidade). Típicos de locais áridos ou semi-áridosou de estuários.

Hidromórfico:

Típicos de locais alagados temporária ou permanentemente.

Classificação dos Solos -Azonais

- Solos jovens, com características próximas da rocha mãe (pouco afectados por processos pedogenéticos). Aparecem nas formações modernas (areias ou aluviões) ou rochas mais antigas (erosão arrastou o solo e expôs o material originário)

Litossolo: Derivam de rochas consolidadas, espessura < 10 cm, sujeitos a forte erosão, típico de relevo inclinado. Aluviossolo:Formam-se nas aluviões(vales dos rios) Coluviossolo:Solos de baixas, forma-se com material arrastadodas encostas

Litólicos (Cambissolo): pouco evoluídos, de rochas não calcárias

Regossolo: Formam-se de rochas não consolidadas(areiasdo litoral: Minho, Beira Litoral, Caparica ao Cabo Espichel, península de Tróia)

Classificação dos Solos –Portugal (S.R.O.A)

Categorias taxonómicas

Distribuição dos solos de Portugal

com base no levantamento realizado à escala 1:50.0

Solo -Horizontes

Aa, Ap - Camada arável, horizonte modificado por acção da lavoura (30 cm) h-acumulação dehúmus t - acumulação de argila s- acumulação de sesquióxidos

w - alteração in situ reflectida pela presença de argila, cor, estrutura sa – acumulação de sais : Horizonte cálcico (ca:calcite), Horizonte gípsico (y: gesso) g - glei (saturação do solo com água mais ou menos rica em matéria orgânica, durante períodos longos, redução intensa, cores cinzenta, cinzento-azulado, azul, cinzento-esverdeado ou verde (Fe 2+)

Solo –Horizontes de diagnóstico

Horizontes superficiais de diagnóstico (formam-se á superfície) – Epipedon (parte superior do solo escurecida pela matéria orgânica ou parte do horizonte B)

Mólico–horizonte superficial, escuro, espesso, saturado essencialmente por catiões bivalentes, com matéria orgânica de razão C/N baixa. Úmbrico-semelhante ao anterior mas em que o catão de troca predominante no complexo adsorvente é o H e/ ou em que a razão C/N é muito alta

Ócrico-de cores claras e pobre em matéria orgânica ou muito delgado

Hístico-orgânico, delgado, saturado temporariamente de água á superfície

Antrópico-enriquecido em N, P e matéria orgânica devido a práticas agrícolas

Horizontes subsuperficiais de diagnóstico - debaixo do epipedon ou á superfície devido à erosão, em geral são horizontes B)

Espódico-acumulação de materiais amorfos: sesquióxidos e colóides orgânicos (elevada CT)

Nátrico-horizonte argílico com estrutura colunar ou prismática e elevada % de Na no complexo de troca.

- argila e óxidos de Fe foram removidos, cor determinada pela cor dos grãos de areia ou de limo

Solo –Horizontes de diagnóstico

Horizontes subsuperficiais de diagnóstico - debaixo do epipedon ou á superfície devido à erosão, em geral são horizontes B)

Horizonte argílico – horizonte iluvial de acumulação de minerais de argila em quantidades apreciáveis.

Câmbico - formado por alteração in situ, textura não grosseira, e com formação de agregados estruturais

Solo –Horizontes de diagnóstico

Solo –Horizontes de diagnóstico

A importância da existência de minerais de argila no solo reside no facto de serem colóides electronegativos, sendo uma das suas propriedades mais importantes a adsorçãoe a troca de catiões, que determina, por exemplo, a capacidade de armazenamento de iões nutritivos das plantas pelos solos minerais ou de poluentes.

http://www.iambiente.pt/atlas/est/index.jsp http://www.iambiente.pt/atlas/est/index.jsp

Cartasde solos http://www.iambiente.pt/atlas/est/index.jsp

Solo –Capacidade de uso Solos agrupados em classes e sub-classes de acordo com as suas potencialidades e limitações

Classes

e -limitações resultantes de erosão e de escoamento superficial h -limitações resultantes de um excesso de água s -limitações do solo na zona radicular

Sub-classes

Conclusões

O Solo é um RECURSO Finito, limitado e Não-Renovável, face à sua taxa de degradação potencialmente rápida, pela pressão das actividades humanas, relativamente à sua taxa de formação e regeneração extremamente lenta (a formação de uma camada de solo de 30 cm’sleva 1000 a 10000 anos a completar-se.

A urbanização crescente promove uma separação do mundo rural e faz perder a noção da importância do solo como suporte de vida do planeta

Conclusões

O Solo uma vez contaminado e/ou degradado traz consequências ambientais, sanitárias, económicas, sociais e políticas que poderão limitar ou até inviabilizar a sua utilização posterior.

Quando existem grandes alterações na utilização do solo e na sua gestão, atinge-se uma situação em que as suas aptidões produtivas, hidrológicas e ecológicas se perdem. Verificam-se ainda graves desfasamentos entre a utilização do solo e a sua real aptidão

Poluição doSolo

Entende-se a introduçãopelo homem, directa ou indirectamente de substanciasou energiano ambiente, provocandoum efeitonegativono seu equilíbrio, causando assim danos na saúde humana, nos seres vivos e no ecossistema ai presente.

Poluição do solo e do subsolo consiste na deposição, disposição, descarga, infiltração, acumulação, injecção ou enterro no solo ou no subsolo de substâncias ou produtos poluentes, em estado sólido, líquido ou gasoso.

Poluiçãodo Solo

Contaminaçãoou qualquer alteração das propriedadesfísicas, químicas e biológicas do meio ambientee das águas, pelo lançamento de quaisquer substâncias sólidas, líquidas ou gasosas, que se tornem efectiva ou potencialmente nocivas à saúde, à segurança e ao bem-estar público, comprometendo seu emprego para uso doméstico, agrícola, pastoril, recreativo, industrial ou para outros fins justificados e úteis, bem como causem danos ou prejuízos à flora e fauna.

Poluiçãodo Solo

Regra geral, a contaminação do solo torna-se problema quando:

há uma fonte de contaminação; há vias de transferência de poluentes que viabilizam o alargamento da área contaminada;

há indivíduos e bens ameaçados por essa contaminação.

Poluiçãodo Solo

Poluição por substâncias orgânicas naturais(águas residuais urbanas, estrume, indústrias de transformação de material orgânico natural)

ØPoluição por compostos orgânicos sintéticos(pesticidas, muitas aulas substâncias de origem industrial)

ØPoluição de minerais e sólidos inorgânicos em suspensão, metais pesados e sais dissolvidos (derivado de erosão, de descargas industriais diferentes tipos de águas residuais assentamentos civis mal extraído)

ØPoluição microbiológica de águas residuais(de assentamentos urbanos e animal).

Poluiçãodo Solo –Instrumentos Internacionais

O ISRIC(Centro Internacional de Informação e de Referência de Solos) foi estabelecido em 1966, na Holanda, com o objectivo de permitir uma melhor compreensão dos solos e promover um melhor uso da terra, recolhendo e espalhando conhecimentos científicos relativos aos solos internacionais.

A Carta do Solo do Conselho da Europa, de 1972, exortava os Estados a promoverem uma política de conservação do solo, reconhecendo, pela primeira vez, que qualquer degradação biológica física ou química desse recurso deverá constituir preocupação prioritária e que deverão ser implementadas medidas urgentemente para a sua protecção.

A primeira Carta Mundial do Solo(elaborada pela FAO/UNESCO, para o período 1971 –1981) pretendia estimular a cooperação internacional ao nível da utilização racional dos recursos do solo. Esta carta fornece informação relativa aos solos a uma escala global (1:5 milhões).

Na Cimeira da Terra do Rio de Janeiro, em 1992, foi acordada uma parceria global para o desenvolvimento sustentável, tendo impulsionado a adopção posterior, por parte dos Estados participantes, de uma série de convenções juridicamente vinculativas com relevância para a protecção do solo:

-a Convenção-Quadrodas Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC)reconhece o papel e a importância dos ecossistemas terrestres como sumidourosdos gases com efeito de estufa (GEE), concluindo que os problemas de degradação do solo e as mudanças na sua utilização podem agravar a emissão de gases para a atmosfera. O Protocolo de Quioto, que surgiu no âmbito da CQNUAC, apela a que cada Estado aplique políticas e medidas para proteger e aumentar os sumidourose os depósitos de GEE.

-a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD)procura combater a redução significativa da diversidade biológica, causada principalmente por actividades humanas e pela gestão do solo e das terras.

Poluiçãodo Solo

Directiva Habitats, definindo vários habitats terrestres que dependem das características específicas dos espaços (tendo em vista a protecção da biodiversidade do solo e a redução do impacte negativo que sobre ele têm algumas práticas agrícolas)

Plano de Acção para a Conservação dos Recursos Naturais (27 Março de 2001) com vista à melhoria e manutenção da flora e fauna selvagens, seus ecossistemas e habitats, concretizando os objectivos definidos pela estratégia comunitária em matéria de diversidade ecológica.

Convenção Internacional para a Luta contra a Desertificação (CCD), o seu objectivo passa pelo combate à desertificação nos países afectados por seca grave e/ou desertificação, através de acordos de cooperação internacional (a implementação da Convenção dá prioridade às regiões semi-áridas e sub-húmidas secas do mundo, que representam 1/3 da superfície terrestre do planeta.)

-A CCD contém cinco anexos regionais, correspondentes a essas áreas críticas: África, Ásia, América Latina e Caraíbas, Norte do Mediterrâneo (relevante para Portugal) e Europa Central e Oriental. Esta convenção reconhece a interligação existente entre desertificação, pobreza, segurança alimentar, perda de biodiversidade e alterações climáticas.

Comité para a Ciência e a Tecnologia (CST), órgão subsidiário no âmbito da CCD, produz um volume importante de informações e recomendações sobre questões científicas e tecnológicas relativas à degradação do solo a nível mundial.

Memorando de Bona sobre as políticas de protecção do solo na Europa (1998) ajudou a determinar o estado actual de conservação do solo e estabeleceu uma plataforma para actividades adicionais de protecção do solo.

Em 1999 foi criado no seu seguimento o Fórum Europeu do Solo (ESF), constituído pela UE e países candidatos à adesão, entre outros, com a missão de permitir um melhor entendimento das questões relativas à protecção do solo e promover o intercâmbio de informações entre os participantes, procurando trazer a discussão sobre a protecção do solo ao nível científico e técnico para o domínio político-administrativo.

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