Poluição e Contaminação do Solo

Poluição e Contaminação do Solo

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Solo Poluição Contaminação Medidas

Poluição e Contaminação do Solo

Mestrado em Gestão Ambiental e Ordenamento do Território

Gestão de Recursos Naturais - MGAOT

Contaminação e poluição do Solo | MGAOT - GRN

Poluição e Contaminação do Solo Gestão de Recursos Naturais Mestrado em Gestão Ambiental e Ordenamento do Território Escola Superior Agrária de Ponte de Lima Instituto Politécnico de Viana do Castelo

João Azevedo – 2101 Jorge Araújo – 2686 Paulo Bogas – 23 Tiago Oliveira - 2199

Introdução4
Solo4
Poluição dos Solos6
Contaminação do Solo7
Medidas Correctivas9
Anexos1

Índice Bibliografia ............................................................................................................................... 14

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Contaminação e poluição do Solo | MGAOT - GRN

Introdução

Este trabalho é desenvolvido no âmbito da disciplina de Gestão de Recursos Naturais do Mestrado em

Ordenamento do Território, relativo à problemática da Gestão do Recurso Natural – Solo, usos e impactes resultantes da sua utilização. O relatório está dividido em quatro partes, correspondendo ao contributo de cada um dos elementos do grupo constituído, desenvolvendo-se da seguinte forma:

1 – Solo 2 – Poluição do Solo 3 – Contaminação do Solo 4 – Medidas Correctivas.

Solo

O cientista inglês James Lovelock (Lovelock, 2006) referiu que o Planeta Terra parece comportar-se como um sistema auto-regulador, a que chamou GAIA. A ser verdade, as implicações são profundas no modo como as sociedades tomam decisões:

Compreender os sistemas globais requer cooperação - interdisciplinar, interinstitucional e internacional

Os sistemas globais transcendem a propriedade privada e as jurisdições e competências locais e nacionais

Os sistemas globais actuam ao longo de décadas e séculos. Alterações indesejáveis poderão ter uma evolução lenta, mas em contrapartida será muito difícil interrompê-las ou revertê-las

Os sistemas globais são a base de todas as economias e sociedades, mas os seus benefícios são reclamados quer como propriedade privada quer como recursos de livre acesso

Esta definição é importante ao nível da gestão dos usos do solo, na medida em que estabelece correlações simbióticas entre o solo e os outros sistemas ambientais num contexto de serviços de ecossistemas de uso e ordenamento do território.

O solo é um corpo natural, complexo e dinâmico, formado na superfície da crosta terrestre em resultado da acção conjugada dos seus factores de formação, e que constitui um meio natural, ou modificado pelo homem, para suporte e alimentação das plantas (Réffega, 1998). Material participado composto em parte por rocha exposta à erosão e por partículas minerais, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos, o solo constitui a interface entre a geosfera, a atmosfera e a hidrosfera, alojando a maior parte da biosfera (Botkin e Keller 2005).

A FAO (IUSS, 2006) alargou o conceito e definiu o solo como qualquer material nos primeiros dois metros a partir da superfície terrestre que está em contacto com a atmosfera, com excepção de organismos vivos, áreas de gelo contínuo, não cobertas por outro material, e corpos de água de profundidade superior a dois metros. O solo é constituído por três fases: fase sólida que se divide em matéria orgânica e, essencialmente, em matéria mineral, fase líquida (solução do solo) e fase gasosa (atmosfera do solo).

Essencialmente, o solo é um recurso não renovável à escala humana, na medida em que as taxas de degradação podem ser rápidas e os processos de formação e regeneração são extremamente lentos. É um sistema muito dinâmico que desempenha inúmeras funções e presta serviços vitais para as actividades humanas e a sobrevivência dos ecossistemas. Essas funções são a produção de biomassa, o armazenamento, a filtragem e a transformação de nutrientes e água, funcionando como habitat e reserva de biodiversidade e uma plataforma para a maior parte das actividades humanas, fornecendo matérias-primas, servindo de reservatório de carbono e conservando o património geológico e arqueológico (Blum, 2005). É assim um recurso vital, dinâmico, com propriedades químicas, físicas e biológicas distintas, constituído por partículas minerais de diferentes tamanhos, matéria orgânica, água, ar e organismos vivos (Rodrigues e Duarte, 2003).

Relativamente à matéria mineral, que em percentagem em peso representa cerca de 98%, é composta por fragmentos de rochas, minerais primários e secundários (minerais de argila) e/ou óxidos e hidróxidos de Al e Fe. A matéria orgânica é constituída por restos de plantas e outros organismos em estado avançado de alteração. É ainda formada por um grande número de organismos em actividade. O solo resulta da acção conjugada dos factores clima, organismos (vegetais e animais), rocha mãe, relevo e tempo, designados conjuntamente por factores pedogenéticos ou factores de formação do solo. Entre estes factores vieram também a ser considerados o Homem e a água existente no solo.

Segundo Botelho da Costa (1995), a acção do clima e dos organismos, sobre a rocha-mãe (a rocha a partir da qual o solo se forma), é condicionada pelo relevo do terreno e depende da extensão do período de tempo que decorreu desde que se iniciou a diferenciação de horizontes num dado local. A rocha-mãe fornece os

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Contaminação e poluição do Solo | MGAOT - GRN constituintes minerais do perfil. A vegetação, que se instala praticamente desde o começo da alteração das rochas, decompõe-se e dá origem à matéria orgânica. Os componentes da rocha e o material orgânico, sujeitos a diversas reacções físicas, químicas e bioquímicas, são transformados e misturados com maior ou menos intensidade, migrando os produtos resultantes de um para outro ponto do perfil e conduzindo à diferenciação do solo em horizontes, ou seja ao desenvolvimento do perfil do solo. Por regra, as influências biológicas só atingem parte da espessura afectada pelos agentes atmosféricos e soluções formadas pela água das chuvas. No entanto, em climas favoráveis à alteração dos minerais das rochas, esta alteração pode atingir maiores profundidades, não afectando a vida das plantas.

O efeito do clima faz-se sentir principalmente através da temperatura, que influencia a velocidade das reacções de hidrólise e o processo de transformação dos minerais, e da precipitação que afecta a humidade do meio e, consequentemente, a natureza e intensidade dos processos responsáveis pelos fenómenos de alteração das rochas e da matéria orgânica.

A rocha mãe influencia a composição do solo por intermédio das suas características quer químicas quer físicas, e pelo espaço poroso que determina a permeabilidade, da qual depende a circulação da água e do ar, a intensidade dos processos químicos e biológicos, e a translocação dos constituintes. Uma baixa permeabilidade, por exemplo, impede fenómenos de eluviação e acumulação das bases. Também a composição química é responsável pela natureza do complexo de alteração formado, condicionando a evolução (Ricardo, 1969).

A matéria mineral sólida, que constitui o solo, é formada por minerais primários e por minerais que resultam da alteração destes, os minerais secundários. Os minerais primários provêm da rocha a partir da qual esse solo se originou, persistindo mais ou menos inalterados na sua composição. Os minerais secundários podem ocorrer no solo, principalmente por três processos: i) síntese in situ de produtos resultantes da meteorização dos minerais primários menos resistentes; i) simples alteração da estrutura de determinados minerais primários verificada in situ e i) herdados directamente da rocha-mãe (Costa, 1995).

Dentro dos minerais secundários existem os minerais de argila que são essencialmente silicatos de alumínio hidratados, com magnésio ou ferro substituindo parcialmente o alumínio em alguns minerais e que, em alguns casos, incluem elementos alcalinos ou alcalino-terrosos como constituintes essenciais. Os minerais de argila mais frequentes nos solos são principalmente minerais dos grupos da caulinite, da montmorilonite e das ilites (Costa, 1995).

Em vários minerais de argila, a estrutura está electroestaticamente desequilibrada, como resultado das substituições de iões durante a formação dos minerais, sem alteração das dimensões das unidades estruturais, sendo por isso denominadas de substituições isomórficas, originando excesso de cargas negativas permanentes, ou devido à quebra dos rebordos dos cristais (cargas negativas acidentais). Os minerais de argila são, por isso, maioritariamente electronegativos, podendo em certos casos apresentar zonas de carga positiva. A ligação entre duas unidades estruturais (lâminas) dá-se, por exemplo, por pontes de hidrogénio ou por forças Van-der-Walls. O número total de cargas negativas de superfície susceptíveis de fenómenos de troca de catiões denomina-se por capacidade de troca catiónica, ou adsorção não específica (Réffega, 1998).

A importância da existência de minerais de argila no solo reside no facto de serem colóides electronegativos, sendo uma das suas propriedades mais importantes a adsorção e a troca de catiões, que determina, por exemplo, a capacidade de armazenamento de iões nutritivos das plantas pelos solos minerais ou de poluentes. Apresentam fraca influência na retenção de iões, são susceptíveis de dispersão e floculação, têm poder tamponizante e apresentam elevado poder de retenção para a água, têm um papel fundamental na agregação dos solos minerais e formam ligações com substâncias orgânicas (Costa, 1995).

As várias funções do solo (já referidas anteriormente) são normalmente interdependentes e de elevada importância para a sustentabilidade. Quando o solo é utilizado como fonte de matérias-primas, ou o espaço localizado é utilizado como suporte de actividades humanas, a sua capacidade para desempenhar as suas funções pode ser alterada ou reduzida, conduzindo à “concorrência” entre as suas diversas funções (COM(2002)179).

Os solos são o principal sistema de suporte da vida e do bem-estar humano. Fornecem o substrato para as raízes, retêm água o tempo suficiente para esta ser utilizada pelas plantas e fixam nutrientes essenciais para a vida – sem os solos, a paisagem da Terra seria tão estéril como a de Marte. São o lar para miríades de microrganismos que provocam importantes transformações bioquímicas - fixando azoto atmosférico, conduzindo à decomposição de matéria orgânica - e para exércitos de animais microscópicos, bem como para as familiares minhocas, formigas e térmitas. Na realidade, a maioria da biodiversidade terrestre ocorre no interior do solo e não sobre ele.

A urbanização crescente promove uma separação do mundo rural e faz perder a noção da importância do solo como suporte de vida do planeta (Varennes, 2003)

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Poluição dos Solos

A poluição do solo é considerada uma alteração de equilíbrios químicos e biológicas que ocorrem podendo causar perda de fertilidade, o estabelecimento de uma rápida erosão, a entrada de substâncias estranhas na cadeia alimentar, e outras alterações ambientais. Podemos considerar 4 grandes grupos de poluição dos solos;

Poluição por substâncias orgânicas naturais (águas residuais urbanas, estrume, indústrias de transformação de material orgânico natural)

Poluição por compostos orgânicos sintéticos (pesticidas, muitas aulas substâncias de origem industrial)

Poluição de minerais e sólidos inorgânicos em suspensão, metais pesados e sais dissolvidos (derivado de erosão, de descargas industriais diferentes tipos de águas residuais)

Poluição microbiológica de águas residuais (de assentamentos urbanos e animal). As alterações provocadas pelo homem nas concentrações presentes na terra, são um poluente, pois as altas concentrações de metais tóxicos são altamente nocivos para as plantas e animais.

A questão da avaliação do estado de poluição do solo é muito debatida, uma vez que praticamente não existem métodos laboratoriais de produtos químicos ou biológicos para medir a sua produtividade e os métodos que utilizam ensaios biológicos para avaliação da qualidade do solo ainda estão em estudo.

A poluição do solo pode ser directa e indirecta, a directa verifica-se em áreas urbanas e industriais e ocorre como consequência da eliminação das águas residuais mal ajustados, e pela deposição de resíduos contendo substâncias químicas, outra razão possível para a modificação do solo é nos aterros de resíduos sólidos que não foram projectados de acordo com os trâmites legais.

Uma consequência importante é o potencial de poluição dos solos e o perigo de contaminação da água, como resultado da percolação profunda em substâncias contidas nos resíduos.

A poluição do solo pode também considerar-se de forma directa devido à utilização de produtos químicos ou agros tóxicos, esta designação significa que o fertilizante ou os pesticidas foram ministrado directamente no solo. Também outras fontes de poluição directa ocorrente devido à utilização de resíduos animais, lamas e compostagem de lamas.

O solo devido à sua auto-capacidade de purificação, é capaz de moderar os efeitos negativos decorrentes da poluição. Esta pode ser a sua virtude causa de sua absorção, capacidade tampão, actividade intensa biótica que é encenado.

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