Modo de ação e mecanismo de ação

Modo de ação e mecanismo de ação

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Comentário: INSERIR CULTURAS E REGISTRO basicamente por via foliar. Possuem atividade no solo baixa ou nula, não sendo utilizados nessa modalidade de aplicação;

• Possuem considerável flexibilidade quanto à época de aplicação. O estádio mais sensível das gramíneas é entre 3 a 5 folhas, mas plantas maiores podem ainda ser controladas. Dentro de certos limites, a taxa de crescimento das gramíneas por ocasião da aplicação pode ser mais importante do que o estádio de desenvolvimento.

• As vezes ocorre algum antagonismo quando esses graminicidas aplicados em pósemergência são misturados em tanque com outros herbicidas latifolicidas, (ex: diclofop+2,4-D; sethoxydim ou fluazifop com bentazon ou acifluorfen) caracterizado pela redução na porcentagem de controle das gramíneas;

• Casos de resistência a herbicidas desse mecanismo de ação já foram descritos em vários países, inclusive no Brasil;

• São, na maioria dos casos, aplicados em mistura com adjuvantes (óleos minerais), para melhorar a absorção.

B) Modo de ação

Em 1987 foi demonstrado que o local de ação era a acetil-coenzima A carboxilase (ACCase). Esta enzima, encontrada no estroma dos plastídeos, converte acetil coenzima A

(acetil co-A) à malonil-coenzima-A (malonil co-A), através da adição de CO2 (HCO3) à acetil co-A, no processo de biossíntese dos ácidos graxos.

O crescimento das plantas sensíveis cessa logo após a aplicação. Os primeiros sintomas do efeito herbicida em plantas sensíveis são notados inicialmente na região meristemática, onde a síntese de lipídeos para a formação de membranas é muito intensa. Em gramíneas, os meristemas (próximos aos entre-nós) sofrem descoloração, ficam marrons e desintegram-se. As folhas recém-formadas ficam cloróticas e morrem entre uma e três semanas após o tratamento. Folhas mais desenvolvidas podem adquirir coloração arroxeada ou avermelhada, lembrando sintomas de deficiência de fósforo (Vidal, 1997).

C) Seletividade

O mecanismo de seletividade entre espécies dicotiledôneas e gramíneas ocorre a nível de sítio de atuação (insensibilidade da ACCase). Nenhuma diferença significativa na absorção, translocação ou metabolismo tem sido demonstrada entre essas plantas (Dan Hess, 1994c).

D) Resistência

Dezenove espécies de gramíneas já desenvolveram resistência aos inibidores da

ACCase. As primeiras ocorrências foram relatadas pelo uso de diclofop-methyl para o controle de gramíneas em trigo. Espécies de Lolium spp. desenvolveram resistência ao diclofop e a outros inibidores da ACCase na Austrália, Chile, França, Arábia Saudita, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. De forma similar, Avena sp. desenvolveu resistência a esse grupo de herbicidas na Austrália, Canadá, Chile, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos. Também de considerável importância econômica são os casos de resistência de Phalaris spp. no México e de Setaria spp. na América do Norte.

Recentemente (Kuk et al., 2000) foram descritos biótipos de Lolium spp. que apresentavam não só resistência cruzada aos APP e CHD, mas também resistência múltipla ao chlorsulfuron (inibidor da ALS).

No Brasil, populações de capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) com resistência cruzada a herbicidas desse grupo já foram confirmadas no Paraná, em Guarapuava (Christoffoleti, 1998) e em Mangueirinha (Gazziero et al., 2000).

E) Grupos químicos e herbicidas

Herbicidas Grupo químico Nomes comuns Nomes comerciais

Ariloxifenoxipropionatos (APPs) Diclofop-methyl Iloxan ("fops") Fenoxaprop-ethyl Furore

Fenoxaprop-p-ethyl Podium, Whip, Whip S Fluazifop-p-butil Fusilade Haloxyfop-methyl Gallant, Verdict Propaquizafop Shogun Quizalafop-p-ethyl Targa, Truco Quizalafop-p-tefuril Panther

Ciclohexanodionas (CHDs) Butroxydim Falcon ("dims") Clefoxydim Aura

Clethodim Select Sethoxydim Poast Tepraloxydim Aramo

7. Inibidores da síntese de aminoácidos

Os herbicidas classificados nesse mecanismo de ação constituem-se num dos mais importantes grupos de herbicidas atualmente comercializados. Grande parte das novas moléculas lançadas nos últimos anos ou em fase de desenvolvimento estão compreendidas nesse mecanismo de ação.

Herbicidas que inibem a ALS foram responsáveis por cerca de 17% do mercado mundial de herbicidas em 1994, mais do que qualquer outro grupo isoladamente. Os inibidores da ALS tem sido intensivamente utilizados em função da alta eficiência em doses muito baixas, baixa toxicidade para mamíferos e boa seletividade para várias das culturas de grande importância econômica. A combinação do uso generalizado e da facilidade com que plantas daninhas desenvolvem resistência a esse grupo resultou, até o presente, na seleção de 53 espécies resistentes aos inibidores da ALS, num total de 14 países. Novos casos de resistência têm surgido nesse grupo em maior número do que em qualquer outro nos últimos 10 anos (Heap, 2000). Dos grupos químicos que atuam bloqueando a síntese de aminoácidos (Figura

4), as imidazolinonas e as sulfoniluréias são, sem dúvida, os de maior importância, seguidos pelas triazolopirimidinas.

Imidazolinonas Ex.: Imazaquin

Sulfoniluréias Ex.: Chlorimuron

Pirimidil-tiobenzoatos Ex.: Byspiribac-sodium

Sulfamoiluréias Ex.: Cyclosulfamuron

Triazolopirimidinas Ex.: Diclosulam

Inib. da síntese de aminoácidos de cadeia ramificada (Inibidores da enzima ALS*)

Inibidores da GS*

Ex.: Derivados do ác.fosfínico (Amônio-glufosinate)

Inibidores da EPSP sintase* Ex.: Derivados da glicina (Glyphosate)

Inibidores da síntese de aminoácidos de cadeia aromática Inibidores da síntese de aminoácidos

Figura 4. Organograma mostrando os diferentes grupos químicos que inibem a síntese de aminoácidos (*Abreviações das enzimas: ALS = acetolactato sintase; GS = glutamina sintetase; EPSP = 5-enolpiruvilshikimate-3-fosfato sintase)

7.1. Imidazolinonas

Esta classe de herbicidas foi descoberta pelos cientistas da American Cyanamid

Company durante a década de 70. Em função de sua versatilidade, baixa toxicidade e segurança ambiental, estes herbicidas são usados em muitas culturas e desempenham papel fundamental na produção de alimentos e fibras no mundo todo.

As imidazolinonas e as sulfoniluréias, embora quimicamente diferentes, atuam no mesmo sítio de ação (Figura 5) e geralmente produzem sintomas de fitotoxicidade similares nas plantas susceptíveis. Ambos os grupos são efetivos em doses muito baixas (< 0,15 kg/ha), e a maioria é altamente seletiva, controlando um largo espectro de folhas largas de ciclo anual. Herbicidas do grupo das imidazolinonas apresentam incompatibilidade física com misturas em tanque com 2,4-D.

Luz+CO2+H2O 0 glicose
Fotossíntese 3-fosfogliceratotriptofano

23 EPSPs

PEP shiquimato chorismate

Glyphosate

piruvatofenilalanina
isoleucina
acetil-CoAGlufosinato

leucina valina tirosina

NH3 2-cetobutirato Sulfoniluréias

Imidazolinonas GS treonina aspartato Ciclo de Krebs glutamato glutamina

Figura 5. Locais de atuação dos herbicidas inibidores da síntese de aminoácidos. Nos retângulos constam o nome comum dos herbicidas e nas elipses as respectivas enzimas inibidas. Fonte: Vargas et al. (1999)

A) Características gerais

Toxicidade

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