Glifosato - Alguns aspectos do uso do herbicida glifosato na agricultura

Glifosato - Alguns aspectos do uso do herbicida glifosato na agricultura

(Parte 1 de 5)

ALGUNS ASPECTOS DA UTILIZAÇÃO DO HERBICIDA GLIFOSATO NA AGRICULTURA 1

Janeiro 2005

4 ISBN e expedientes

Autores

Antonio J. B. Galli – Gerente Técnico de Agroquímicos – Monsanto do Brasil Ltda. Marcelo C. Montezuma – PD Especialista – Monsanto do Brasil Ltda.

Revisores

Ecosafe Agricultura e Meio Ambiente Ltda. – Jaboticabal/SP

João Domingos Rodrigues – Prof. Titular da Unesp, campus de Botucatu/SP

José A. Quaggio – Pesquisador Científico do Centro de Solos e Recursos Agroambientais do

Instituto Agronômico - IAC Pedro J. Christoffoleti – Prof. Associado do Dept.o de Produção Vegetal da Esalq/USP

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica

Activa Design w.activadsp.com.br

Editora ACADCOM Gráfica e Editora Ltda

Nossos agradecimentos pela revisão científica aos Professores Titulares da UNESP

Robinson Antonio Pitelli (Jaboticabal/SP) e João Domingos Rodrigues (Botucatu/SP); ao Professor Associado do Deptº de Produção Vegetal da ESALQ/USP, Pedro J. Christoffoleti; e ao Pesquisador Científico do Centro de Solos e Recursos

Agroambientais do Instituto Agronômico – IAC, José A. Quaggio;

Nossos agradecimentos também aos funcionários da Monsanto que contribuíram para este material:

Cristina Rappa, Daniella Braga, Donna Farmer,

José Eduardo Vieira de Moraes,

Geraldo Ubirajara Berger, Juliana Aoki, Marcelo Ernandes, Márcio João Scaléa, Miriam Frugis, Ricardo Miranda e Silvia Yokoyama.

Desde o início da agricultura e da pecuária, as plantas que infestavam espontaneamente as áreas de ocupação humana e que não proporcionavam alimentos, fibras ou forragem eram consideradas indesejáveis e foram rotuladas de plantas daninhas. Essas plantas, em termos de nomenclatura botânica, são consideradas plantas pioneiras, ou seja, plantas evolutivamente desenvolvidas para a ocupação de áreas onde, por algum motivo, a vegetação original foi profundamente alterada, abrindo grandes nichos para o crescimento vegetal. Elas têm a função de criar habitats adequados ao início de uma sucessão de populações, culminando com o restabelecimento da vegetação original.

Com o desenvolvimento da sociedade humana, ocorreu não só a continuidade como a expansão geográfica das áreas de agricultura e pecuária, o que permitiu a evolução das plantas pioneiras e o aparecimento de novas espécies. Assim, as comunidades infestantes foram se tornando cada vez mais densas, diversificadas e especializadas na ocupação dos agroecossistemas, passando a interferir profundamente nas atividades agrícolas. Assim, esse tipo de vegetação passou a ser alvo de controle.

No início, a atividade de controle restringia-se à monda das plantas daninhas que se destacavam em termos de porte. Esse tipo de manejo promoveu uma seleção antropogênica das plantas de pequeno porte ou de hábito mais prostrado. A queima dos restos culturais logo após a colheita representava outra prática agrícola com grande impacto de controle das plantas daninhas e que promovia uma ação de seleção para plantas de ciclo mais curto, com rápida produção de propágulos, afetava a biodiversidade local com intensa mortalidade de insetos e outros animais.

Mais tarde, com o desenvolvimento dos primeiros equipamentos agrícolas, a capina manual passou a predominar nos campos agrícolas, favorecendo a seleção de plantas com propagação vegetativa e com habilidade de rebrota precoce. Esse tipo de seleção foi incrementado com a utilização da tração animal, que permitiu a intensificação da mobilização do solo como uma das formas de eliminação das plantas daninhas. O plantio em linhas foi uma prática que, se por um lado facilitou a utilização do cultivo manual e animal, por outro aumentou a disponibilidade de nichos adequados à instalação e ao desenvolvimento das plantas daninhas.

Na primeira metade do século 20, a mecanização agrícola foi a grande arma para o controle das plantas daninhas, devido à força e à diversidade dos equipamentos de preparo do solo, os quais eram eficientes nas mais diversas situações da agricultura mundial. Inicialmente, a inversão da leiva promovida pela aração realocava as sementes depositadas na superfície do solo para camadas profundas, onde a maioria morria. A dormência e a capacidade de reconhecimento da posição das sementes no perfil do solo passaram a constituir um forte fator de seleção para esse tipo de vegetação espontânea. Assim, após anos de agricultura mecanizada, as plantas daninhas desenvolveram inúmeros e complexos mecanismos de dormência de suas estruturas reprodutivas, resistência aos decompositores e predadores do solo, grande descontinuidade na germinação e capacidade de germinar e emergir de camadas mais profundas do solo. Nessa fase do controle de plantas daninhas, o processo erosivo e a depleção dos teores de matéria orgânica constituíram importantes impactos ambientais, até hoje não reparados.

Na segunda metade do século 20, houve aumento expressivo do controle químico com o desenvolvimento da indústria de herbicidas. Nesse período, grande número de produtos de diferentes classes químicas e modos de ação foram liberados no mercado. Devido à grande diversidade dos modos e mecanismos de ação dos herbicidas, não houve uma pressão de seleção específica de uma ou outra característica da vegetação. Na última década, com a utilização de herbicidas que atuam em sítios muitos específicos do metabolismo vegetal, começaram a aparecer as primeiras populações resistentes, decorrentes da pressão de seleção promovida pelos herbicidas ou um grupo de produtos com o mesmo modo de ação. A confiança que os agricultores depositaram no controle químico foi a principal responsável pela grande expansão dessa modalidade de manejo de plantas daninhas.

A evolução da urbanização, o crescimento da população humana, o avanço tecnológico na produção e conservação de alimentos, dos meios de transporte, do controle de plantas daninhas, pragas, fungos e organismos indesejáveis em residências foram praticamente exponenciais, sendo a conquista mais rápida que a capacidade de entendimento de seus efeitos ambientais, sociais e econômicos no longo prazo.

Com os pesticidas, devido à sua natureza declaradamente tóxica, os cuidados foram maiores que para outros produtos, como tintas, aditivos de alimentos e outros. No entanto, há ainda muito a ser entendido sobre o comportamento desses produtos no ambiente.

Deste modo, consideramos que esta obra, elaborada para esclarecer resultados de pesquisa sobre o comportamento ambiental do glifosato, seja extremamente pertinente, pois essa é uma molécula de importância fundamental na competitividade de nossa agricultura.

Considerando que o glifosato vem sendo utilizado no Brasil desde 1978 em numerosas condições de agricultura, áreas urbanas, manutenção de estradas e ferrovias, envolvendo inúmeras formulações comerciais, produzidas por empresas com diferentes níveis tecnológicos, não há evidências cientificamente comprovadas de impactos importantes no ambiente.

Robinson Antonio Pitelli Prof. Titular FCAV/ UNESP - Jaboticabal

IntroduçãoPágina 1
Capítulo IForma de atuação nas plantasPágina 12
desenvolvimento e a produtividade das culturasPágina 14
Capítulo IIIGlifosato no manejo de plantas daninhas em culturas perenesPágina 19
Capítulo IVGlifosato – segurança para as culturasPágina 27
Capítulo VA Clorose Variegada dos Citros (CVC) e o glifosatoPágina 30
Capítulo VIComportamento do glifosato no solo e na águaPágina 36
Capítulo VIIO glifosato e as populações microbianas do soloPágina 4
Capítulo VIIIGlifosato e a fixação biológica de nitrogênio na cultura da sojaPágina 50
Capítulo IXSegurança para o homem e para o meio ambientePágina 53
Capítulo X Resistência de plantas daninhasPágina 56
Considerações FinaisPágina 59
ReferênciasPágina 60

Capítulo IIA importância da aplicação correta do glifosato para o ÍNDICE

Esta publicação visa fornecer informações sobre o uso do glifosato, um produto com uma história de 30 anos de sucesso no manejo de plantas daninhas. São abordados seu modo de ação e seu comportamento no solo, na água e nas plantas, além de ser apresentado um sumário sobre segurança ambiental e saúde humana.

Discutimos, ainda, os benefícios proporcionados por sua alta eficácia no controle das plantas daninhas, bem como seu impacto sobre a flora e sobre os microrganismos do solo.

Tais temas são tratados de forma prática e suas respostas são sempre fundamentadas nos conhecimentos científicos atuais. Nossa intenção com esta publicação é oferecer informações sobre diversos pontos relacionados ao uso deste herbicida, tão popular não apenas na agricultura brasileira como mundial, pois acreditamos no poder da comunicação para esclarecer dúvidas e aprimorar o uso dos produtos, beneficiando, dessa forma, agricultores, fabricantes, a comunidade científica e a sociedade em geral.

Forma de Atuação nas Plantas

O glifosato é um herbicida pós-emergente, pertencente ao grupo químico das glicinas substituídas, classificado como não-seletivo e de ação sistêmica. Apresenta largo espectro de ação, o que possibilita um excelente controle de plantas daninhas anuais ou perenes, tanto de folhas largas como estreitas.

As aplicações do produto devem sempre ser dirigidas sobre as plantas daninhas seguindo as recomendações técnicas e boas práticas agrícolas. Se utilizado dessa forma não causará qualquer interferência no metabolismo, desenvolvimento ou produtividade das culturas para as quais é recomendado.

Quanto à absorção, lembramos que o glifosato é absorvido basicamente pela região clorofilada das plantas (folhas e tecidos verdes) e translocado, preferencialmente pelo floema, para os tecidos meristemáticos.

O glifosato atua como um potente inibidor da atividade da 5- enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS), que é catalisadora de uma das reações de síntese dos aminoácidos aromáticos fenilalanina, tirosina e triptofano, influencia também outros processos, como a inibição da síntese de clorofila, estimula a produção de etileno, reduz a síntese de proteínas e eleva a concentração do IAA (Cole, 1985; Rodrigues, 1994).

Assim, toda vez que for aplicado de forma inadequada e entrar em contato com a cultura, o produto também expressará sua atividade herbicida e causará danos, guardadas as proporções de dose e suscetibilidade da cultura.

Os trabalhos desenvolvidos com o glifosato e que dão sustentação às diferentes recomendações de uso elaboradas pela Monsanto, bem como os trabalhos oficiais desenvolvidos para gerar os dados exigidos para o registro das marcas comerciais de acordo com a legislação vigente, são conduzidos em conformidade com as recomendações técnicas e boas práticas agrícolas, como se recomenda nas aplicações comerciais.

Os resultados obtidos nesses trabalhos, incluindo os dados de produção, corroboram a segurança do uso e a alta eficácia agronômica do produto, que, aliadas às práticas culturais adequadas e ao controle de plantas daninhas, promovem excelente desenvolvimento e rendimento das culturas.

Isso mostra que, se for utilizado de forma adequada e dentro das recomendações de bula, o glifosato é bastante seguro para as culturas e as ajudará a expressar todo o seu potencial produtivo, dentro dos recursos disponíveis.

A Importância da Correta

Aplicação do Glifosato para o

Desenvolvimento e a Produtividade das Culturas

A ampla utilização do glifosato em várias culturas, incluindo as perenes, desde a sua instalação (pré-plantio) até a fase produtiva, temse mostrado vantajosa em relação a vários métodos de controle de plantas daninhas, inclusive a capina manual. Aspectos relacionados à toxicologia, ecotoxicologia, facilidade de manuseio, eficácia de controle, ganhos de produtividade etc. tornaram o produto líder mundial no controle de plantas daninhas.

O glifosato, por ser um herbicida não-seletivo e altamente eficiente, se utilizado de forma inadequada poderá ocasionar fitotoxicidade ou mesmo levar à morte as plantas de interesse econômico. Por outro lado, o uso do produto como maturador para cana-de-açúcar, aplicado em baixas doses conforme recomendação de bula, promove ganhos significativos de sacarose, sem qualquer efeito negativo sobre a cultura.

Em ensaio conduzido para se avaliar a movimentação do glifosato em frutíferas, Putnam em 1976 aplicou o produto em plantas jovens de maçã, pêra, cereja e pêssego. O autor observou que, quando o produto foi aplicado na região basal do tronco, houve injúria somente em mudas de pêssego recentemente transplantadas, chegando a causar a morte dos vasos, sem contudo danificar outras partes das mudas. Quando a aplicação foi realizada em ramos baixos de plantas de maçã, foram observadas injúrias localizadas, que não foram visíveis em outras partes da planta. Quando o glifosato com carbono marcado foi aplicado na parte basal do tronco de maçã de 4 anos de idade e de pêra de 5 anos, não produziu radioatividade detectável em folhas, gemas ou frutas no período de colheita. Aplicações em folhas produziram radioatividade somente em tecidos tratados e adjacentes e não em outras partes da planta. O glifosato com carbono marcado moveu-se prontamente das folhas tratadas dos ramos mais baixos para outras folhas, gemas e frutos em desenvolvimento no mesmo ramo, mas não foi detectável em outras áreas da planta. Esses resultados mostram que, em frutíferas em produção, as partes basais, mais passíveis de contato com o produto durante as aplicações, têm seu metabolismo mais restrito aos ramos.

(Parte 1 de 5)

Comentários