Operação de uma ETA

Operação de uma ETA

(Parte 6 de 10)

C% 5

  • o dosador deve ser regulado para uma vazão de sulfato igual a 60ml em 10 s.

OBSERVAÇÃO

Para regular o dosador à vazão desejada coleta-se em uma proveta o volume encontrado pela fórmula no tempo de 10 s.

  1. Dosagem de cal saturada

Os ajustes da dosagem do processo de tratamento se faz em função da análise do pH e alcalinidade, usando como referência os dados do ensaio de floculação.

7. CÂMARAS DE MISTURA

Em tratamento de água chama-se “mistura” ao processo através do qual o coagulante é colocado em contato com toda a massa líquida de forma contínua e homogênea, processo esse que deverá estar concluído em um intervalo de tempo menor do que o de reação do coagulante.

Uma vez adicionados os reagentes à água, teremos duas fases, a mistura rápida e a mistura lenta ou floculação.

1) Mistura rápida

A mistura rápida é a que permite a dispersão dos produtos químicos na água a ser tratada, dando uma distribuição uniforme aos mesmos.

Os reagentes químicos devem ser distribuídos em toda massa líquida de maneira rápida e uniforme. Aplicados em pontos de grande turbulência.

As câmaras de mistura rápida podem ser mecanizadas ou não.

  1. Câmaras mecanizadas

Tanques providos de agitadores mecânicos com entrada de água pela parte inferior ou pelo fundo e a saída pela parte superior.

  1. Câmaras não mecanizadas

A mistura é feita aproveitando-se a energia da água, os tipos mais comuns são:

  • Câmaras com chicanas, de movimento horizontal ou vertical da água;

  • Ressalto hidráulico, medidor Parshall ou vertedores.

2) Mistura lenta ou floculação

É o processo pelo qual as partículas em estado de equilíbrio eletrostaticamente instáveis no meio da massa líquida são forçadas a se movimentar, a fim de que sejam atraídas entre si formando flocos. Com a continuidade da agitação, tendem a aderir uns aos outros, tornando-se pesados, para posterior sedimentação.

Os floculadores são destinados a promover a agitação moderada, para boa constituição dos flocos e a agregação de impurezas. Podem ser mecanizados ou não.

a) Floculadores mecãnicos

Podem ser de eixo vertical ou horizontal.

Figura

b) Floculadores não mecânizados

Câmaras com chicanas, de movimento horizontal ou vertical da água.

figura

8. DECANTAÇÃO

Entre as impurezas contidas nas águas naturais encontram-se partículas em suspensão e partículas em estado coloidal. Partículas mais pesadas que a água podem se manter suspensas nas correntes líquidas pela ação de forças relativas a turbulência. A decantação é o processo pelo qual se verifica a deposição de matérias em suspensão pela ação da gravidade. Em geral, as águas em seu movimento carregam partículas granulares e matérias floculantes, por serem mais leves que a água que as mantém em suspensão.

8.1 MECANISMO EM DECANTAÇÃO

Para cada partícula existe uma velocidade máxima horizontal, acima da qual não há decantação. Essa velocidade dependerá da forma e principalmente da densidade da substância considerada. Uma partícula será acionada por duas forças.

Força horizontal, resultante do movimento da água no decantador.

Força vertical devido a ação da gravidade.

Portanto, simultaneamente, a partícula avança no decantador e desce aproximando-se do fundo.

Se a partícula no decantador, possuísse apenas esses movimentos, o tempo necessário para a água atravessar o decantador serio igual para a partícula atingir o fundo do mesmo, mas, na prática isso não acontece, pois existem movimentos assencionais da água devido as diferentes temperaturas, a ação dos ventos, etc.

O período teórico de detenção em um decantador é igual ao volume do tanque dividido pela vazão.

8.2 – ZONAS DO DECANTADOR

O decantador pode ser dividido em 4 zonas

figura

a) Zona de Turbilhonamento

A zona de turbilhonamento é a região situada na entrada da água onde as partículas estão em turbilhonamento.

Esta zona se caracteriza por certa agitação. A localização das partículas é variável e as nuvens de flocos mudam de lugar constantemente, denominado fenômeno de entrada.

b) Zona de Decantação

A zona de decantação é uma região onde as nuvens de flocos mantém-se aparentemente imóveis (estacionárias). Nesta zona não há agitação e as partículas avançam e descem lentamente, caminhando para a zona de repouso.

c) Zona de Ascensão

Esta região é relativamente tranqüila, mas na saída, os flocos que não alcançam a zona de repouso seguem o movimento ascensional da água e aumentam a velocidade tornando-se máxima na passagem pelo vertedor.

d) Zona de Repouso

É o local onde o lodo se acumula, não sofrendo a influência da corrente de água do decantador, a não ser que ocorram anormalidades tais como: inversão das camadas de água pela brusca mudança de temperatura, fermentação do lodo, etc.

8.3 TIPOS DE DECANTADORES

Há critérios muito variados para a classificação dos decantadores. Os mais importantes sob o ponto de vista prático são os seguintes:

1) em função do escoamento da água

  1. decantação de escoamento ‘horizontal”, nos quais a água entra em uma extremidade, move-se na direção longitudinal e sai pela outra extremidade. Em geral o comprimento desses decantadores é grande em relação as demais dimensões. A velocidade da água deve ser baixa para impedir o arraste do lodo.

  2. decantador de escoamento “vertical”, nos quais a água é dirigida para a parte inferior, elevando-se a seguir em movimento ascendente até a superfície dos tanques. Estes decantadores tem uma profundidade relativamente grande.

A velocidade ascendente da água deve ser limitada para evitar o arraste de partículas.

2) de acordo com as condições de funcionamento

  1. decantadores do tipo clássico ou convencional que recebem a água já floculada e nas quais se processa apenas a sedimentação. Podem ser mecanizados (com remoção mecânica do lodo) ou não mecanizados (simples).

  2. decantadores em contacto de sólidos, do tipo “dinâmico”, “compacto”, ou floco-decantador, são unidades mecanizadas que promovem simultaneamente a agitação, floculação e a decantação.

  3. decantador com escoamento laminar (tubulares ou de placas), são do tipo mais recente e de maior eficiência.

8.4 CONTROLE DO PROCESSO DE DECANTAÇÃO

Para economia de água de lavagem é importante fornecer para os filtros a melhor água possível.

Portanto, tem-se que considerar:

cor da água – a água decantada deve ter cor baixa, 5 a 10 unidades de cor no máximo.

turbidez – também deve ser baixa e o decantador deve remover 90%, pelo menos, da turbidez encontrada na água.

(Turbidez da água coaguada – Turbidez da água decantada) x 100  90%

Turbidez da água coagulada

Uma turbidez ou cor elevada pode significar que a decantação não está sendo eficiente por uma das razões abaixo:

dosagem de coagulação imperfeita,

pH ótimo de floculação errado,

decantadores sujos, etc.

A determinação do oxigênio consumido também é um ótimo processo de controle de eficiência de decantação, uma vez que ela pode ser comparada com a água bruta. A porcentagem de redução deve ser superior a 50%.

(O2 cons. da água bruta – O2 cons. da água dec) x 100 > 50%

O2 cons. da água bruta

A comparação de contagem de colunas em placas petri de Agar padrão – água bruta x água decantada – também é um processo de controle de decantação.

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