Apostila de Português

Apostila de Português

(Parte 1 de 10)

LINGUA PORTUGUESA

INDICE

  1. COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS04

  2. TIPOLOGIA TEXTUAL05

  3. ORTOGRAFIA OFICIAL08

  4. ACENTUAÇÃO GRAFICA11

  5. EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS15

  6. EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE18

  7. SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERIODO23

  8. PONTUAÇÃO26

  9. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL37

  10. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL52

  11. SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS68

  1. COMPREENSAO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finalidade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de necessitar de um bom léxico internalizado.

As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um confronto entre todas as partes que compõem o texto.

Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor diante de uma temática qualquer.

Denotação e Conotação

Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expressão gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma convenção. É baseado neste conceito de signo lingüístico (significante + significado) que se constroem as noções de denotação e conotação.

O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada construção frasal, uma nova relação entre significante e significado.

Os textos literários exploram bastante as construções de base conotativa, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações diferenciadas em seus leitores.

Ainda com base no signo lingüístico, encontra-se o conceito de polissemia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e esclareçam o sentido.

Como Ler e Entender Bem um Texto

Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extraem-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para resumir a idéia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça a memória visual, favorecendo o entendimento.

Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.

No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momentos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica da fonte e na identificação do autor.

A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exceto, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequada. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra alternativa mais completa.

Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontextualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para ter idéia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta será mais consciente e segura.

  1. TIPOLOGIA TEXTUAL

Basicamente existem três tipos de texto:

Texto narrativo;

Texto descritivo;

Texto dissertativo.

Cada um desses textos possui características próprias de construção.

DESCRIÇÃO

Descrever é explicar com palavras o que se viu e se observou. A descrição é estática, sem movimento, desprovida de ação. Na descrição o ser, o objeto ou ambiente são importantes, ocupando lugar de destaque na frase o substantivo e o adjetivo.

O emissor capta e transmite a realidade através de seus sentidos, fazendo uso de recursos lingüísticos, tal que o receptor a identifique. A caracterização é indispensável, por isso existe uma grande quantidade de adjetivos no texto.

Há duas descrições:

Descrição denotativa

Descrição conotativa.

DESCRIÇÃO DENOTATIVA

Quando a linguagem representativa do objeto é objetiva, direta sem metáforas ou outras figuras literárias, chamamos de descrição denotativa. Na descrição denotativa as palavras são utilizadas no seu sentido real, único de acordo com a definição do dicionário.

Exemplo:

Saímos do campus universitário às 14 horas com destino ao agreste pernambucano. À esquerda fica a reitoria e alguns pontos comerciais. À direita o término da construção de um novo centro tecnológico. Seguiremos pela BR-232 onde encontraremos várias formas de relevo e vegetação.

No início da viagem observamos uma típica agricultura de subsistência bem à margem da BR-232. Isso provavelmente facilitará o transporte desse cultivo a um grande centro de distribuição de alimentos a CEAGEPE.

DESCRIÇÃO CONOTATIVA

Em tal descrição as palavras são tomadas em sentido figurado, ricas em polivalência.

Exemplo:

João estava tão gordo que as pernas da cadeira estavam bambas do peso que carregava. Era notório o sofrimento daquele pobre objeto.

Hoje o sol amanheceu sorridente; brilhava incansável, no céu alegre, leve e repleto de nuvens brancas. Os pássaros felizes cantarolavam pelo ar.

NARRAÇÃO

Narrar é falar sobre os fatos. É contar. Consiste na elaboração de um texto inserindo episódios, acontecimentos.

A narração  difere da descrição. A primeira é totalmente dinâmica, enquanto a segunda é estática e sem movimento. Os verbos são predominantes num texto narrativo.

O indispensável da ficção é a narrativa, respondendo os seus elementos a uma série de perguntas:

Quem participa nos acontecimentos? (personagens);

O que acontece? (enredo);

Onde e como acontece? (ambiente e situação dos fatos).

Fazemos um texto narrativo com base em alguns elementos:

O quê? - Fato narrado;

Quem? – personagem principal e o anti-herói;

Como? – o modo que os fatos aconteceram;

Quando? – o tempo dos acontecimentos;

Onde? – local onde se desenrolou o acontecimento;

Por quê? – a razão, motivo do fato;

Por isso: - a conseqüência dos fatos.

No texto narrativo, o fato é o ponto central da ação, sendo o verbo o elemento principal. É importante só uma ação centralizadora para envolver as personagens.

Deve haver um centro de conflito, um núcleo do enredo.

A seguir um exemplo de texto narrativo:

Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Camborá entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava num alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal.

(Um certo capitão Rodrigo – Érico Veríssimo)

A relação verbal emissor – receptor efetiva-se por intermédio do que chamamos  discurso. A narrativa se vale de tal recurso, efetivando o ponto de vista ou foco narrativo.

Quando o narrador participa dos acontecimentos diz-se que é narrador-personagem. Isto constitui o foco narrativo da 1ª pessoa.

Exemplo:

Parei para conversar com o meu compadre que há muito não falava. Eu notei uma tristeza no seu olhar e perguntei:

- Compadre por que tanta tristeza?

Ele me respondeu:

- Compadre minha senhora morreu há pouco tempo. Por isso, estou tão triste.

Há tanto tempo sem nos falarmos e justamente num momento tão triste nos encontramos. Terá sido o destino?

Já o narrador-observador é aquele que serve de intermediário entre o fato e o leitor. É o foco narrativo de 3ª pessoa.

Exemplo:

O jogo estava empatado e os torcedores pulavam e torciam sem parar. Os minutos finais eram decisivos, ambos precisavam da vitória, quando de repente o juiz apitou uma penalidade máxima.

O técnico chamou Neco para bater o pênalti, já que ele era considerado o melhor batedor do time.

Neco dirigiu-se até a marca do pênalti e bateu com grande perfeição. O goleiro não teve chance. O estádio quase veio abaixo de tanta alegria da torcida.

Aos quarenta e sete minutos do segundo tempo o juiz finalmente apontou para o centro do campo e encerrou a partida.

FORMAS DE DISCURSO

Discurso direto;

Discurso indireto;

Discurso indireto livre.

DISCURSO DIRETO

É aquele que reproduz exatamente o que escutou ou leu de outra pessoa.

Podemos enumerar algumas características do discurso direto:

- Emprego de verbos do tipo: afirmar, negar, perguntar, responder, entre outros;

- Usam-se os seguintes sinais de pontuação: dois-pontos, travessão e vírgula.

Exemplo:

O juiz disse:

- O réu é inocente.

DISCURSO INDIRETO

É aquele reproduzido pelo narrador com suas próprias palavras, aquilo que escutou ou leu de outra pessoa.

No discurso indireto eliminamos os sinais de pontuação e usamos conjunções: que, se, como, etc.

Exemplo:

O juiz disse que o réu era inocente.

DISCURSO INDIRETO LIVRE

É aquele em que o narrador reconstitui o que ouviu ou leu por conta própria, servindo-se de orações absolutas ou coordenadas sindéticas e assindéticas.

Exemplo:

Sinhá Vitória falou assim, mas Fabiano franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cavalos, que lembrança! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando”. (Graciliano Ramos).

  1. ORTOGRAFIA OFICIAL

Ortografia é o nome dado à parte da gramática que trata da escrita correta das palavras. Embora a melhor maneira de aprender ortografia seja o exercício e a leitura constantes, algumas regras podem ser úteis. Consideraremos neste trabalho algumas questões — dentre as muitas — que costumam trazer dúvidas.

REGRAS PRÃTICAS PARA O EMPREGO DE LETRAS

1. REPRESENTAÇÃO DO FONEMA /Z/

a) Dependendo da sílaba inicial da palavra, pode ser representado pelas letras z, x, s:

Sílaba inicial a > usa-se z - azar, azia, azedo, azorrague, azêmola ...

Exceções: Ásia, asa, asilo, asinino.

Sílaba inicial e > usa-se x - exame, exemplo, exímio, êxodo, exumar ...

Exceções: esôfago, esotérico, (há também exotérico)

Sílaba inicial i > usa-se s - isento, isolado, Isabel, Isaura, Isidoro ...

Silaba inicial o > usa-se s - hosana, Osório, Osíris, Oséias...

Exceção: ozônio

Sílaba inicial u > usa-se s - usar, usina, usura, usufruto ...

b) No segmento final da palavra (sílaba ou sufixo), pode ser representado pelas letras z e s:

1) letra z - se o fonema /z/ não vier entre vogais:

az, oz - (adj. oxítonos) audaz, loquaz, veloz, atroz ...

iz, uz - (pal. oxítonas) cicatriz, matriz, cuscuz, mastruz ...

Exceções: anis, abatis, obus.

ez, eza - (subst. abstratos) maciez, embriaguez, avareza ...

2) letra s - se o fonema /z/ vier entre vogais:

asa - casa, brasa ...

ase - frase, crase ...

aso - vaso, caso ...

Exceções: gaze, prazo.

ês(a) - camponês, marquesa ...

ese - tese, catequese ...

esia - maresia, burguesia ...

eso - ileso, obeso, indefeso ...

isa - poetisa, pesquisa ...

Exceções: baliza, coriza, ojeriza.

ise - valise, análise, hemoptise ...

Exceção: deslize.

iso – aviso, liso, riso, siso ...

Exceções: guizo, granizo.

oso(a) - gostoso, jeitoso, meloso ...

Exceção: gozo.

ose – hipnose, sacarose, apoteose ...

uso(a) - fuso, musa, medusa ...

Exceção: cafuzo(a).

c) Verbos:

Terminação izar - derivados de nomes sem "s" na última sílaba:

_ utilizar, avalizar, dinamizar, centralizar ...

- cognatos (derivados com mesmo radical) com sufixo "ismo":

_ (batismo) batizar - (catecismo) catequizar ...

Terminação isar - derivados de nomes com "s" na última sílaba:

_ avisar, analisar, pesquisar, alisar, bisar ...

Verbos pôr e querer - com "s" em todas as flexões:

_ pus, pusesse, pusera, quis, quisesse, quisera ...

d) Nas derivações sufixais:

letra z - se não houver "s” na última sílaba da palavra primitiva:

_ marzinho, canzarrão, balázio, bambuzal, pobrezinho ...

letra s - se houver "s" na última sílaba da palavra primitiva:

_ japonesinho, braseiro, parafusinho, camiseiro, extasiado...

e) Depois de ditongos:

letra s - lousa, coisa, aplauso, clausura, maisena, Creusa ...

2. REPRESENTAÇÃO DO FONEMA /X/

Emprego da letra X

a) depois das sílabas iniciais:

me - mexerico, mexicano, mexer ...

Exceção: mecha

Ia laxante ...

li lixa ...

lu lixo ...

gra graxa ...

bru bruxa ...

en - enxame, enxoval, enxurrada ...

Exceção: enchova.

Observação: Quando en for prefixo, prevalece a grafia da palavra primitiva:

_ encharcar, enchapelar, encher, enxadrista...

b) depois de ditongos:

_ caixa, ameixa, frouxo, queixo ...

Exceção: recauchutar.

3. OUTROS CASOS DE ORTOGRAFIA

1. Letra g

Palavras terminadas em:

ágio - presságio

égio – privilégio

ígio – vestígio

ógio relógio

úgio – refúgio

agem viagem

ege herege

igem vertigem

oge paragoge

ugem penugem

Exceções: pajem, lajem, lambujem.

2. Letra c (ç)

a) nos sufixos:

_ barcaça, viração, cansaço, bonança, roliço.

b) depois de ditongos:

_ louça, foice, beiço, afeição.

c) cognatas com "t":

_ exceto > exceção - isento > isenção.

d) derivações do verbo "ter":

_ deter > detenção, obter > obtenção.

3. Letra s / ss

Nas derivações, a partir das terminações verbais:

ender pretender > pretensão;

ascender > ascensão.

ergir imergir > imersão;

submergir > submersão.

erter inverter > inversão;

perverter > perversão.

pelir repelir > repulsa;

compelir > compulsão.

correr discorrer > discurso;

percorrer > percurso.

ceder ceder > cessão;

conceder > concessão.

gredir agredir > agressão;

regredir > regresso.

primir exprimir > expressão;

comprimir > compressa.

tir permitir > permissão;

(Parte 1 de 10)

Comentários