Processos produtivos

Processos produtivos

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TIPOS GERAIS DE INDÚSTRIAS E SISTEMAS BÁSICOS PRODUÇÃO

Qual é o melhor sistema de contabilidade de custo? Para responder a essa pergunta é necessário, preliminarmente, verificar qual é o regime de produção da indústria na qual se pretende introduzi-lo.

De um modo geral, podemos classificar as indústrias em duas categorias: as de produção intermitente e as de produção contínua.

  1. Indústria de Produção Intermitente – Dá-se este nome àquelas indústrias em que a produção é realizada de maneira específica, isto é, quando o produto se compõe de partes separáveis e distintas. Os custos de materiais (matérias-primas, peças e componentes), Mão-de-obra e Gastos Indiretos de Fabricação Produção são acumulados por ordem de serviço (OS ou OP) e, quando a Ordem de Produção é concluída ou terminada, são divididos pelo número de unidades produzidas. Um aspecto particular desse tipo é que são apurados custos unitários para cada parte ou peça componente do produto. Essas peças devidamente terminadas, são levadas ao almoxarifado para serem, posteriormente, combinadas, ou montadas, a fim de se obter o produto final. A união de duas ou mais peças, ou partes componentes, toma o nome de montagem ou conjunto n.º 1, conjunto n.º 2, etc. – podendo-se, enfim, dar-lhe a codificação que melhor convier. A produção é realizada para atender pedidos especiais de clientes ou para ser levada ao almoxarifado. Podemos citar como exemplos para este tipo de indústrias as Empresas que produzem móveis, máquinas etc. São, em geral, indústrias de montagens. Assim, sendo, neste tipo de sistema produtivo de fabrica – por ordem, ou encomenda específica - tem aplicação o Sistema de Contabilidade de Custo por Ordem de Produção Específica.

  1. Indústria de produção contínua – Neste tipo de indústria a matéria prima é submetida a várias fases de fabricação, sofrendo transformações contínuas até o acabamento final do produto. Os custos de materiais (matérias-primas, peças e componentes), Mão-de-obra e Gastos Indiretos de Fabricação Produção são acumulados por etapas de fabricação e o custo unitário é obtido dividindo-se o custo total da produção pelo número de unidades produzidas (toneladas, quilos, litros etc.). Em outras palavras: em lugar de se obter o custo por ordem de produção específica, os custos ocorridos são coletados por departamentos ou processos de fabricação diariamente, semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, e divididos pela produção dos respectivos departamentos. Neste tipo de indústria encontramos as Empresas de mineração, as que produzem produtos químicos, líquidos, cimento etc. Nestes sistemas de produção Contínua, tem aplicação o Sistema de Contabilidade de Custo por Processos.

À guisa de cultura geral, mormente para o analista financeiro iniciante, elencaremos em seguida alguns exemplos de fluxogramas de processos produtivos.

1 – PRODUÇÃO DE FERRO-GUSA

1.1 - PROCESSO PRODUTIVO

A fabricação do Ferro-Gusa se dá através de redução direta do Minério de Ferro que introduzido ao Alto-Forno passa por diversas transformações químicas e metalúrgicas até chegar ao estado líquido, usando para isto o carvão vegetal como agente redutor, o calcário, quartzo e manganês como fundentes para a eliminação das impurezas do minério e cinzas do carvão transformando-se no que chamamos de escória.

Ar soprado através das ventaneiras faz com que tudo isto aconteça. O tempo gasto para a produção de 1 tonelada de Ferro-Gusa é de 6 a 8 horas (tempo de permanência de carga dentro do Alto-Forno) e a quantidade de matéria-prima para a produção de 1.000 kg de gusa é:

    • Minério de Ferro = 1.600 kg/t;

    • Com o uso da Sinterização = 1,12 kg/t;

    • Carvão Vegetal = 2,0 a 2,5 m³/t;

    • Calcário = 70 kg/t;

    • Quartzo = 40 kg/t; e

    • Manganês = 30 kg/t

1.2 - EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES

A usina de Ferro-Gusa é constituída por:

1 – Reator (Alto-Forno)

2 – Depósito de Carvão Vegetal

3 – Silos para matérias-primas: Minério de Ferro, Calcário, Sílica

4 – Beneficiamento:

  • Carvão Vegetal

  • Matérias-Primas

  • Minerais

5 – Sistema de carregamento

6 – Área de Corrida – Lingotamento

Outras instalações necessárias:

1 – Sala de Máquinas: turbo – sopradores.

2 – Balança recepção matérias-primas.

3 – Laboratório de análise: matérias-primas, Ferro-Gusa e escória.

4 – Instrumentação parâmetros de produção.

1.3 - DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE FERRO-GUSA

  1. RECEPÇÃO DAS MATÉRIAS-PRIMAS

As matérias-primas e o carvão vegetal são recebidos na usina e pesados em Balança Industrial, sendo que o carvão vegetal será medido também em metros cúbicos.

  1. ANÁLISES

Minério de Ferro: Análise para a determinação dos teores de Fe (ferro), S (enxofre), O² (oxigênio), AL³ (alumínio), P (fósforo) e Mn (Manganês).

Carvão Vegetal: Análise para determinar carbono fixo, matérias voláteis e cinzas, bem como teor de PES.

Calcário: Análise para determinar teor de CaO (cálcio)

Quarzto: análise para determinar teor de S (enxofre), O (oxigênio)

  1. MINÉRIO DE FERRO

Fonte: Estado do Pará, mina da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), localizada na Serra de Carajás Estado do Pará, que fornece minério de ferro com granulométrica estimada de ¼”x ¾”.

O transporte do minério será realizado por terceiros até o pátio de ensilagem da siderúrgica, após a descarga o minério é novamente analisado para confirmação da composição mineral, após análise o minério é colocado sobre caminhões utilizando-se pá carregadeira, sendo transportado para os silos. Com o objetivo de retirar a umidade contida no minério de ferro, os silos são dotados de ar quente para secagem do material (este processo de secagem é contínuo), no momento de fazer a carga é peneirado (classificado) e pesado automaticamente com separação de fins abaixo de ¼”, através de Correia Transportadora onde numa moega de espera é misturado ao fundente e carvão vegetal formado a carga para enfornamento.

  1. ALTO-FORNO

O Alto-Forno é uma cuba de grandes proporções. Sua operação é simples, mas exige uma supervisão cuidadosa nas 24h do dia. O AR é insuflado na parte inferior do Alto-Forno através das ventaneiras. O oxigênio contido no ar em contato com o carbono do Carvão forma o CO² (dióxido de carbono) que imediatamente, em virtude do excesso de carbono, se transforma em CO (monóxido de carbono). O conjunto destas duas reações provoca uma temperatura em torno de 2000C°. O gás ascendenteprovoca a redução do minério de ferro (Fe²O³) em ferro metálico e, devido às condições do Alto-Forno, há uma incorporação de carbono à gusa, formando o Carboreto de Ferro (Fe³C) que é o FERRO-GUSA.

1.4 - EQUIPAMENTOS PARA A PRODUÇÃO DE FERRO-GUSA

a – ALTO-FORNO E ACESSÓRIOS

O Alto-Forno, a carvão vegetal, é construído em chapa de aço A36 é revestido inteiramente com tijolos refratários.

b – CIRCUITO DE GÁS

Equipamento de limpeza e lavagem do Alto-Forno, compreendendo coletores de pó, tubulação e peças fundidas.

c – TROCADORES DE CALOR (GLENDONS)

Equipamentos com curvas, tipo Glendon, equipados com chapa inox, com revestimentos superiores a 60%, com entrada de AR com aproximadamente 50°C e saída com aproximadamente 800°C.

d – CIRCUITO DE AR

Equipamentos para AR (frio e quente), de combustão do Alto-Forno.

Eletro-sopradores de AR rotativo com motores elétricos.

1.5 – LINGOTAMENTO

Máquina de lingotar completa, com lingoteiras em Fe Fundido, panela para vazar o Ferro-Gusa e conjunto de acionamento.

Ponte Rolante, mais o conjunto para elevação de carga.

1.6 – ABASTECIMENTO E BENEFICIAMENTO DE MINÉRIOS E FUNDENTES

Peneiras vibratórias, moegas de pesagem, balança, pesagem de minério e calcário e correias transportadoras completas.

Silos de Minérios e fundentes.

1.7 – ABASTECIMENTO E BENEFICIAMENTO DE CARVÃO VEGETAL

Peneiras vibratórias, correias transportadoras completas.

Silos de descarga direta, tremonha e dosador.

1.8 - REGIME DE PRODUÇÃO

O regime de produção é contínuo, 24h/dia, 365 dias por ano.

1.9 - ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO:

O produto acabado (Ferro-Gusa), é transportado por caminhão até o pátio da estação ferroviária da CVRD em Marabá, que depois de formado os lotes de ferro-gusa, de acordo com a ordem de pedidos das Trades Co. Compradoras. Estes por sua vez, serão embarcados em vagões específicos com destino ao porto de Itaquí, na cidade de São Luiz (MA).

No porto de São Luiz, os lotes de ferro-gusa, aguardam o "Lay Day" do navio contratado e, em seguida é levado através da rota marítima para o exterior.

No porto, o Ferro-Gusa é embarcado em grandes navios com destino aos mercados consumidores dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

    1. - SINTERIZAÇÃO:

A Empresa pretende em curto prazo, pretende implantar o Processo de Sinterização.

O projeto e execução do Sistema de sinterização deverão ficar a cargo da MINITEC Minitecnologias Ltda (Minas Gerais).

A estimativa é que se utilize a Mini Sinterização modelo SKP 300, com capacidade anual de 300.000 toneladas de sinter de minério de ferro, suficientes para atender o consumo dos dois alto-fornos. Segunda etapa AF-II.

Tecnicamente estima-se que a utilização do sinter feed proporcionará um aumento de até 10% na produção e uma redução em até 15% no consumo de carvão nos alto-fornos.

1.11 - OS SISTEMAS DE CONTROLE AMBIENTAL

Devido às características do processo produtivo do ferro-gusa, é necessária uma atenção especial aos aspectos ambientais, adequando o projeto às exigências dos órgãos de controle ambiental. Efluentes líquidos e sólidos, gases, e emissões sonoras serão tratadas de acordo com os dispositivos da legislação ambiental.

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