(Parte 1 de 14)

1. A contextualização da Enfermagem no processo do trabalho em saúde e a prevenção da infecção. 1. 1 Caracterizando a Enfermagem

1.2. O hospital, a assistência de enfermagem e a prevenção da infecção 1.2.1. Atendendo o paciente no hospital 1.2.2. Sistema de informação em saúde 1.2.3. Sistema de informação em Enfermagem

2. Fundamentando a assistência de Enfermagem na prevenção e controle da infecção

2.1. Fonte de infecção relacionada a artigos hospitalares 2.1.1. Classificação de artigos hospitalares 2.1.2. Processamento de artigos hospitalares 2.2. Fonte de infecção relacionada ac ambiente 2.2.1. Classificação das áreas hospitalares 2.2.2. Métodos e freqüência da impeza, desinfecção e descontaminação 2.2.3. Principais desinfetantes hospitalares para superfícies 2.2.4. Unidade do paciente 2.2.5. Limpeza e preparo da unidade do paciente 2.3. Fonte de infecção relacionada à quipe de saúde 2.3.1. Lavando as mãos 2.3.2. Luvas esterilizadas e de rocedimento 2.4. Fonte de infecção relacionada ac paciente 2.4.1. Higienizando a boca 2.4.2. Realizando o banho 2.4.3. Lavando os cabelos e o couro cabeludo 2.4.4. Cuidados com a aumentação e hidratação 2.4.5. Nutrição enteral 2.4.6. Medindo a altura e o peso no adulto

3. Atuação da equipe de Enfermagem na prevenção e controle das principais infecções hospitalares 3.1. Na infecção do trato urinário hospitalar 3.1.1. Instalando o cateter vesical 3.1.2. Coletando urina por jato nédio 3.2. Na infecção do trato respiratório pneumonia hospitalar) 3.2.1. Controlando a freqüência respiratóna 3.2.2. Realizando a oxigenoterapia 3.3. Na infecção de sítio cirúrgico 3.3.1. Tipos de curativos 3.3.2. Realizando o curativo 3.4. Nas infecções relacionadas ao uo de cateteres intravasculares 3.5. Precauções-padrão e isolamentc 3.5.1. Precauções-padrão 3.5.2. Precauções de contato 3.5.3. Precauções respiratórias 3.5.4. Precauções empíricas

4.Fundamentando a assistência de Enfermagem frente à identificação e tratamento das infecções 4.1. lmplementando medidas para a identificação de infecções 4.1.1. Controlando a temperatura corporal 4.1.2. Controlando o pulso

4.1.3. Controlando a pressão arterial 4.2. Terapêutica medicamentosa aplicada às infecções 4.2.1 Antibióticos 4.2.2. Medicamentos antivirais 4.2.3. Analgésicos, antipiréticos e antiinflamatórios 4.3. Princípios da administração de medicarrentos 4.3.1. Administrando medicamentos por via oral e sublingual 4.3.2. Administrando medicamentos po via retal 4.3.3. Administrando medicamentos topicos por via cutânea, ocular, nasal, otológica e vaginal 4.3.4. Administrando medicamentos po via parenteral 4.3.5. Transfusão de sangue e seus componentes 4.4. Cálculo de medicação 4.4.1. Cálculo de medicação utilizando a regra de três simples 4.4.2. Calculo de medicação utilizando a porcentagem 4.4.3. Cálculo de gotejamento de infusào venosa 4.5. Terapêutica não-medicamentosa aplicada às infecções 4.6. Assistência ao paciente grave e ao morto 5. Anexos 5.1. Anexo 1 5.2. Anexo 2

1. A CONTEXTUALIZAÇÃO DA ENFERMAGEM NO PROCESSO DO TRABALHO EM SAÜDE E A PREVENÇÃO DA INFECÇÃO

Os princípios, conceitos e técnicas e,focados no presente módulo são essenciais ao bom desenvolvimento das demais disciplinas profissionalizantes, representando uma introdução à prática da Enfermagem e um de seus alicerces.

Seu conteúdo é majoritariamente composto por conhecimentos técnico-científicos que exigem prática em laboratório e no campo de estágio, ressaltando a importância da habilidade do saber-fazer em Enfermagem - ação que sempre e concomitantemente conjuga-se com a competência humana necessária para lidar com o ser humano expressa através da comunicação, da ética e do respeito aos seus direitos e valores.

A abordagem proposta neste trabalho que articula os princípios da infecção hospitalar aos procedimentos básicos de enfermagem, foi inspirada no programa desenvolvido pela Escola de Formação Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos, sita no Rio de Janeiro. Considerando-se que grande parte dos atos realizados em pacientes envolve risco potencial de infecção, é imprescindível que o auxiliar de enfermagem, já no início de sua formação, vá gradativamente incorporando os princípios de prevenção de infecção às técnicas de enfermagem.

O capítulo inicial propicia uma visão panorâmica da Enfermagem e da organização do sistema de saúde, convergindo, a seguir, para a caracterização do hospital. Nos capítulos posteriores, são abordados os princípios das técnicas de enfermagem, ordenadas de modo a facilitar as associações com a prevenção e o controle da infecção hospitalar. Ressaltamos que os procedimentos descritos são orientações gerais que devem ser ajustadas de acordo com as necessidades dos pacientes e do âmbito no qual é exercido o cuidado de enfermagem.Embora haja uma inter-relação entre os capítulos sua forma de organização oferece certa flexibilidade para se trabalhar os conteúdos, sem necessariamente exigir que se siga, de modo rígido, a seqüência aqui estabelecida.

1.1 Caracterizando a Enfermagem

A Enfermagem - reconhecida por seu respectivo conselho profissional - é uma profissão que possui um corpo de conhecimentos próprios, voltados para o atendimento do ser humano nas áreas de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, composta pelo enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem.

De acordo com os dados cadastrais do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN1), obtidos em outubrol200l, há no Brasil 92.961 enfermeiros, 1.983 técnicos e 469.259 auxiliares de enfermagem. A Enfermagem realiza seu trabalho em um contexto mais amplo e coletivo de saúde, em parceria com outras categorias profissionais representadas por áreas como Medicina, Serviço Social, Fisioterapia, Odontologia, Farmáca, Nutrição, etc. O atendimento integral à saúde pressupõe uma ação conjunta dessas diferentes categorias, pois, apesar do saber específico de cada uma, existe uma relação de interdependência e complementaridade. Nos últimos anos, a crença na qualidade de vida tem influenciado, por um lado, o comportamento das pessoas, levando a um maior envolvimento e responsabilidade em suas decisões ou escolhas; e por outro, gerado reflexões em esferas organizadas da sociedade - como no setor saúde, cuja tônica da promoção da saúde tem direcionado mudanças no modelo assistencial vigente no país. No campo do trabalho, essas repercussões evidenciam-se através das constantes buscas de iniciativas públicas e privadas no sentido de melhor atender às expectativas da população, criando ou transformando os serviços existentes.

No tocante à enfermagem, novas frentes de atuação são criadas à medida que essas transformações vão ocorrendo, como sua inserção no Programa Saúde da Família (PSF), do Ministério da Saúde; em programas e serviços de atendimento domiciliar, em processo de expansão cada vez maior em nosso meio; e em programas de atenção a idosos e outros grupos específicos.

Quanto às ações e tarefas afins efetivamente desenvolvidas nos serviços de saúde pelas categorias de Enfermagem no país, estudos realizados pela ABEn e pelo INAMPS2 as agrupam em cinco classes, com as seguintes características: Ações de natureza propedêutica e terapêutica complementares ao ato médico e de outros profissionais - as ações propedêuticas complementares referem-se às que apólam o diagnóstico e o acompanhamento do agravo à saúde, incluindo procedimentos como a observação do estado do paciente, mensuração de altura e peso, coleta de amostras para exames laboratoriais e controle de sinais vitais e de líquidos.As ações terapêuticas complementares asseguram o tratamento prescrito, como, por exemplo, a administração de medicamentos e dietas enterais, aplicação de calor e frio, instalação de cateter de oxigênio e sonda vesical ou nasogástrica;

Ações de natureza terapêutica ou propedêutica de enfermagem - são aquelas Guio foco centra-se na organização da totalidade da atenção de enfermagem prestada á clientela. Por exemplo, ações de conforto e segurança, atividades educativas e de orientação; Ações de natureza complementar de controle de risco - são aquelas desenvolvidas em conjunto com outros profissionais de saúde, objetivando reduzir riscos de agravos ou complicações de saúde. Incluem as atividades relacionadas à vigilância epidemiológica e as de controle da infecção hospitalar e de doenças crônico-degenerativas; • Ações de natureza administrativa - nessa categoria incluem-se as ações de planejamento, gestão, controle, supervisão e avaliação da assistência de enfermagem; • Ações de natureza pedagôgica . relacionam-se à formação e às atividades de desenvolvimento para a equipe de enfermagem. A assistência da Enfermagem baseia-se em conhecimentos científicos e métodos que definem sua implementação. Assim, a sistematiza ção da assistência de enfermagem (SAE) é uma forma planejada de prestar cuidados aos pacientes . que, gradativamente, vem sendo implantada em diversos serviços de saúde. Os componentes ou etapas dessa sistematização variam de acordo com o método adotado, sendo basicamente composta por levantamento de dados ou histórico de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, plano assistencial e avaliação. interfigadas, essas ações permitem identificar as necessidades de assistência de saúde do paciente e propor as intervenções que melhor as atendam - ressalte-se que compete ao enfermeiro a responsabilidade legal pela sistematização; contudo, para a obtenção de resultados satisfatórios, toda a equipe de enfermagem deve envolver-se no processo. Na fase inicial, é realizado o levantamento de dados, mediante entrevista e exame físico do paciente. Como resultado, são obtidas importantes informações para a elaboração de um plano assistencial e prescrição de enfermagem, a ser implementada por toda a equipe.

A entrevista - um dos procedimentos iniciais do atendimento - é o recurso utilizado para a obtenção dos dados necessários ao tratamento, tais como o motivo que levou o paciente a buscar ajuda, seus hábitos e práticas de saúde, a história da doença atual, de doenças anteriores, hereditárias, etc. Nesta etapa, as informações consideradas relevantes para a elaboração do plano assistencial de enfermagem e tratamento devem ser registradas no prontuário, tomando-se, evidentemente, os cuidados necessários com as consideradas como sigilosas, visando garantir ao paciente o direito da privacidade. O exame físico inicial é realizado nos prin eiros contatos com o paciente, sendo reavaliado diariamente e, em algumas situações, até várias vezes ao dia. Como sua parte integrante, há a avaliação minuciosa de todas as partes do corpo e a verificação de sinais vitais e outras medidas, como peso e altura, utilizandose técnicas específicas. Na etapa seguinte, faz-se a análise e interpretação dos dados coletados e se determinam os problemas de saúde do paciente, formulados corno diagnóstico de enfermagem. Através do mesmo são identificadas as necessidades de assistência de enfermagem e a elaboração do plano assistencial de enfermagem.

O plano descreve os cuidados que devem se dados ao paciente (prescrição de enfermagem) e implementados pela equipe de enfermagem, com a participação de outros profissionais de saúde, sempre que necessârio. Na etapa de avaliação verifica-se a resposta do paciente aos cuidados de enfermagem a ele prestados e as necessidades de modificar ou não o plano inicialmente proposto.

1.2 O hospital, a assistência de enfermagem e a prevenção da infecção

O termo hospital origina-se do latim hospitium, que quer dizer local onde se hospedam pessoas, em referência a estabelecimentos fundados pelo cl&o, a partir do século IV dc, cuja finalidade era prover cuidados a doentes e oferecer abrigo a viajantes e peregrinos.

Segundo o Ministério da Saúde3, hospital é definido como estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência sanitária em regime de internação a uma determinada clientela, ou de não- internação, no caso de ambulatório ou outros serviços.

Para se avaliar a necessidade de serviços e leitos hospitalares numa dada região faz-se necessário considerar fatores como a estrutura e nível de organização de saúde existente, número de habitantes e frequência e distribuição de doenças, além de outros eventos relacionados à saúde.

Por exemplo, é possível que numa região com grande população de jovens haja carência de leitos de maternidade onde ocorre maior número de nascimentos. Em outra, onde haja maior incidência de doenças crônico-degenerativas, a necessidade talvez seja a de expandir leitos de clínica médica. De acordo com a especialidade existente, o hospital pode ser classificado como geral, destinado a prestar assistência nas quatro especialidades médicas básicas, ou especializado, destinado a prestar assistência em uma especialidade, como, por exemplo, maternidade, ortopedia, entre outras.

Um outro critério utilizado para a classifcação de hospitais é o seu número de leitos ou capacidade instalada: são considerados como de pequeno porte aqueles com até 50 leitos; de médio porte, de 51 a 150 leitos; de grande porte, de 151 a 500 leitos; e de porte especial, acima de 500 leitos.

Conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), os serviços de saúde em uma dada região geográfica desde as unidades básicas até os hospitais de maior complexidade - devem estar integrados, constituindo um sistema hierarquizado e organizado de acordo com os níveis de atenção à saúde. Um sistema assim constituído disponibiliza atendimento integral á população, mediante ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde.

As unidades básicas de saúde (integradas ou não ao Programa Saúde da Família) devem funcionar como porta de entrada para o sistema, -eservando-se o atendimento hospitalar para os casos mais complexos - que, de fato, necessitam de tratamento em regime de internação. De maneira geral, o hospital secundáric oferece alto grau de resolubilidade para grande parte dos casos, sendo poucos os que acabam necessitando de encaminhamento para um hospital terciário. O sistema de saúde vigente no Brasil agrega todos os serviços públicos das esferas federal, estadual e municipal e os serviços privados, credenciados por contrato ou convênio. Na área hospitalar, 80% dos estabelecimentos que prestam serviços ao SUS são privados e recebem reembolso pelas ações realizadas, ao contrário da atenção arobulatorial, onde 75% da assistência provém de hospitais públicos. Na reorganização do sistema de saúde proposto pelo SUS o hospital deixa de ser a porta de entrada do atendimento para se constituir em undade de referência dos ambulatórios e unidades básicas de saúde. O hospital privado pede ter caráter leneficente, filantrópico, com ou sem fins lucrativos. No beneficente, os recursos são originários de contribuições e doações particulares para a prestação de serviços a seus associados - integralm€nte aplicados na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. O hospital filantrópico reserva serviços gratuitos para a população carente, respeitando a legislação em vigor. Em ambos, os membros da diretoria não recebem remuneração. Para que o paciente receba todos os cuidados de que necessita durante sua internação hospitalar, faz-se necessário que tenha à sua disposição uma equipe de profissionais competentes e diversos serviços integrados - Corpo Clínico, equipe de enfermagem, Serviço de Nutrição e Dietética, Serviço Social, etc. -, caracterizando uma extensa divisão técnica de trabalho.

(Parte 1 de 14)

Comentários