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2.4 Fonte de infecção relacionada ao paciente

Na maioria das vezes, a pessoa hospitalizada tem seus mecanismos de defesa comprometidos pela própria doença, tornando-se mais susceptível às infecções. Além disso, a infecção hospitalar pode ser predisposta por fatores tais como:

• idade - os idosos são mais susceptkeis às infecções porque apresentam maior incidência de doenças básicas que acabam debilitando e afetando seu sistema imunológico, e pelas alterações de estrutura e funcionamento do organismo;

• condições de higiene - a integridade da pele e da mucosa funciona como barreira mecânica aos microrganismos. A camada externa da pele é constituída por células que se renovam e descarnam continuamente; como conseqüência, diversos tipos de sujidades a ela aderem com facilidade e microrganismos multiplicam-se intensamente em toda a sua superfície;

• movimentação - a imobilidade no leito, causada por distúrbios neurológicos ou fraqueza, torna o paciente mais susceptível às infecções. Nessas condições, apresenta maiores chances de desenvolver úlceras de pressão, que causam ruptura na pele e facilitam a penetração de microrganismos; certas enfermidades - como a Aids, em conseqüência da diminuição da defesa orgânica causada pela própria doença;

• estado de nutrição - a carência de 3roteínas e de outros nutrientes prejudica a formação e renovação das células do nosso corpo, causando diminuição da resistência e retardamento do processo de cicatrização de feridas.

Ao prestar qualquer cuidado ou execução de uma técnica, é fundamental que o profissional de enfermagem contemple o paciente em sua dimensão biopsicossocia. Assim, é importante que os cuidados não sejam realizados de maneira automatizada e impessoal, como se o paciente fosse uma máquina a ser analisada e manipulada nas suas diferentes peças. Apesar de estar doente, ele não perde a condição de sujeito e cidadão. Sua autonomia deve ser resguardada. Ele tem total direito de ser esclarecido sobre os objetivos e natureza dos procedimentos de enfermagem, sua invasibilidade, duração dos tratamentos, beneficios, prováveis desconfortos, inconvenientes e possíveis riscos físicos, psíquicos, econômicos e sociais, ou seja, sobre tudo o que possa fundamentar suas decisões. E muito comum o profissional de saúde argumentar que boa parte dos pacientes não compreende as informações prestadas. Esquecem que, na maioria das vezes, isto é causado pela inadequação de corno são passadas, e não na pretensa incapacidade de compreensão do paciente. O natural pudor e intimidade dos pacientes devem ser sempre respeitados, pois espera-se que os profissionais de enfermagem lhes assegurem ao máximo a privacidade. A intimidade deve ser preservada mesmo quando são feitas perguntas pessoais, por ocasião do exame físico e do tratamento, lembrando que o conceito de intimidade tem diferentes significados para cada pessoa e fatores como idade, sexo, educação, condições socíoeconômica e culturais têm influência no mesmo. Os pacientes sempre esperam que o erfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem que lhe presta cuidados seja um profissional competente, com habilidade e segurança. Para que isto seja uma realidade e os resultados eficazes, todos os cuidados devem ser previamente planejados e organizados. Os materiais necessários à execução dos procedimentos devem ser reunidos e levados numa bandeja para junto do paciente, e 3 ambiente devidamente preparado para evitar idas e vindas desnecessárias e a impressão de deslefxo. Para a segurança do paciente, do próprio profissional e das pessoas que com ele trabalham, indica-se. maís uma vez, lavar sempre as mãos antes e logo após os cuidados dispensados. Para diminuir os riscos de o paciente vir a desenvolver infecção durante sua internação, a enfermagem implementa cuidados bastante diversificados, de acordo com as condições e necessidades que cada um apresenta. Dentre eles, os que visam à manutenção da integridade cutâneomucosa, através de cuidados de higiene, mobilização e alimentação adequada, são os que causam grande impacto nos resultados do tratamento.

2.4.1 Higienizando a boca: A higiene oral freqüente reduz a colonização local, sendo importante para prevenir e controlar infecções, diminuir a incidência de cáries dentárias, manter a integridade da mucosa bucal, evitar ou reduzir a hailtose, além de proporcionar conforto ao paciente. Em nosso meio, a maioria das pessoas está habituada a escovar os dentes - pela manhã, após as refeições e antes de deitar - e quando isso não é feito geralmente experimenta a sensação de desconforto.

Higienizando a boca Material necessário:

• bandeja - escova de dentes ou espátula com gazes • creme dental, solução dentifricia ou solução bicarbonatada

• copo com água (e canudo, se necessário)

• cuba-rim toalha de rosto • lubrificante para os lábios, se necessário luvas de procedimento

Avaliar a possibilidade de o paciente realizar a p[ópria higiene. Se isto for possível, colocar o material ao seu alcance e auxiliá-lo no que for necessário. Caso contrário, com o material e o ambiente devidarnente preparados, auxiliar o paciente a posicionar-se, elevar a cabeceira da cama se não houver contraindicação e proteger o tórax do mesmo com a toalha, para que não se molhe durante o procedimento.

Em pacientes inconscientes ou impossibilitados de realizar a higiene bucal, compete ao profissional de enfermagem lavar-lhe os dentes, gengivas, bochechas, língua e lábios com o auxílio de uma espátula envolvida em gaze umedecida em solução dentifrícia ou solução bícarbonatada . a qual deve ser trocada sempre que necessário Após prévia verificação, se necessário, aplicar um lubrificante para prevenir rachaduras e lesões que facilitam a penetração de microrganismos e dificultam a alimentação. Para a proteção do profissional, convém evitar contato direto com as secreções, mediante o uso de luvas de procedimento.

Após a higiene bucal, colocar o paciente numa posição adequada e confortável, e manter o ambiente em ordem. Anotar, no prontuário, o procedimento. reações e anormalidades observadas. O paciente que faz uso de prótese dentária (dentadura) também necessita de cuidados de higiene para manter a integridade da mucosa oral e conservar a prótese limpa. De acordo com seu grau de dependência, a enfermagem deve auxiliá-lo nesses cuidados. A higiene compreende a escovação da prótese e limpeza das gengivas, bochechas, íngua e lábios - com a mesma frequência indicada para as pessoas que possuem dentes naturais.

Por sua vez, pacientes inconscientes não devem permanecer com prótese dentária. Nesses casos, o profissional deve acondicioná-la, identificá-la, realizando anotação de enfermagem do seu destino e guardá-la em local seguro ou entregá-la ao acompanhante, para evitar a possibilidade de ocorrer danos ou extravio. A mesma orientação é recomendada para os pacientes encaminhados para cirurgias. Ao manipular a dentadura, a equipe de enfermagem deve sempre utilizar as luvas de procedimento.

2.4.2 Realizando o banho

Os hábitos relacionados ao banho, como freqüência, horário e temperatura da água, variam de pessoa para pessoa. Sua finalidade precípua, no entanto, é a higiene e limpeza da pele, momento em que são removidas células mortas, sujidades e microrganismos aderidos à pele. Os movimentos e a fricção exercidos durante o banho estimulam as terminações nervosas periféricas e a circulação sangüínea. Após um banho morno, é comum a pessoa sentir-se confortável e relaxada. A higiene corporal pode ser realizada sob aspersão (chuveiro), imersão (banheira) ou ablusão (com jarro. .banho de leito). O autocuidado deve ser sempre incentivado Aesim, deve-se avaliar se o paciente tem condições de se lavar sozinho. Caso seja possível, todo o material necessário á higiene oral e banho deve ser colocado na mesa-de-cabeceira ou carrinho móvel do lado da cama, da forma que for mais funcional para o paciente. A enfermagem deve dar apoio, auxiliando e orientando no que for necessário. Para os pacientes acamados, o banho é dado no leito, pelo pessoal de enfermagem. Convém ressaltar que a grande maioria deles considera essa situação bastante constrangedora, pois a incapacidade de realizar os próprios cuidados desperta sentimentos de impotência e vergonha, sobretudo porque a intimidade é invadida. A compreensão de tal fato pelo profissional de enfermagem, demonstrada ao prover os cuidados de higiene, ajuda a minimizar o problema e atitudes como colocar biombos e mantê-lo coberto durante o banho, expondo apenas o segmento do corpo que está sendo lavado, são inegavelmente mais valiosas do que muitas palavras proferidas. O banho no leito, como qualquer outro procedimento, requer prévio planejamento e organização dos materiais e roupas da unidade - considerando as especificidades do paciente.

Inicialmente, retirar o cobertor do eito co paciente, dobrá-lo e inseri-io entre os lençóis e colcha limpos, devidamente organizados na ordem de utilização. Para facilitar a tarefa, solicitar ou trazer o paciente o mais próximo da borda da cama. Antes de iniciar o banho, elevar um pouco a cabeceira da cama, para evitar que o paciente aspire liquido. Tradicionalmente, costuma-se lavar primeiro o rosto, braços, região ventral, membros inferiores, dorso e genitais, contudo é importante que o profissional de enfermagem avalie o estado geral do paciente e estabeleça a melhor maneira e prestar o cuidado, sempre lembrando que a higiene deve ser realizada da região mais limpa para a mais suja, evitando-se levar sujidade e contaminação às áreas limpas. Ao se posicionar o paciente de lado, para lavar o dorso, habitualmente se realiza uma massagem de conforto para ativar a circulação local Quando do banho, expor somente um segmento do corpo de cada vez, lavando-o com luva de banho ensaboada, enxaguando-o — tendo o cuidado de remover todo o sabão - e secando-o com a toalha de banho. Esse processo deve ser repetido para cada segmento do corpo. A secagem deve ser criteriosa, principalmente nas pregas cutâneas, espaços interdigitais e genitais, base dos seios e do abdome em obesos - evitando a umidade da pele, que propicia proliferação de microrganismos e pode provocar assaduras. Procurando estimular a circulação, os movimentos de fricção da pele devem preferencíalmente ser direcionados no sentido do retorno venoso.

Na higiene íntima do sexo feminino, a limpeza deve ser realizada no sentido ântero-posterior; no masculino, o prepúcio deve ser tracionado, favorecendo a limpeza do meato urinário para a base da glande, removendo sujidades (pêlos, esmegma, urina, suor) e inibindo a proliferação de microrganismos. A seguir, recobrir a glande com o prepúcio.

Durante todo o banho o profissional de enfermagem deve observar as condições da pele, mucosas, cabelos e unhas do paciente, cuidando para mantê-lo saudável. Ao término do banho, abaixar a cabeceira da cama e deixar o paciente na posição em que se sinta mais confortável, desde que não haja cor tra-indicação. Avaliar as possibilidades de colocá-lo sentado na poltrona.Providenciar o registro das condições cio paciente e de suas reações.

2.4.3 Lavando os cabelos e o couro cabeludo

A lavagem dos cabelos e do couro cabeludo visa proporcionar higiene, conforto e estimular a circulação do couro cabeludo. Quando o oaciente não puder ser conduzido até o chuveiro, esta tarefa deve ser realizada no leito. O procedimento a seguir descrito é apenas uma sugestão, considerando- se que há várias formas de realizá-lo.

Material necessário: dois jarros com água morna sabão neutro ou xampu duas bolas de algodão pente toalha grande de banho (duas, caso necassário) balde bacia luvas de procedimento impermeável / saco plástico

2.4.4 Cuidados com a alimentação e hidratação

Como sabemos, a alimentação é essencial para nossa saúde e bem-estar. O estado nutricional interfere diretamente nos diversos processos orgânicos como, por exemplo, no crescimento e desenvolvimento, nos mecanismos de defesa imunológica e resposta às infecções, na cicatrização de feridas e na evolução das doenças. A subnutrição - conseqüente de alimentação insuficiente, desequilibrada ou resultante de distúrbios associados à sua assimilação — vem cada vez mais atraindo a atenção de profissionais de saúde que cuidam de pacientes ambulatoriais ou ir;ternados em hospitais, certos de que apenas a terapêutica medicamentosa não é suficiente para se obter uma resposta orgânica satisfatória. O profissional de enfermagem tem a responsabilidade de acompanhar as pessoas de quem cuida, tanto no nível domiciliar como no hospitalar, preparando o ambiente e auxiliando-as durante as refeições. È importante verificar se os pacientes estão aceitando a dieta e identificar precocemente problemas como a bandeja de refeição posta fora do alcance do mesmo e sua posterior retirada sem que ele tenha tido a possibilidade de tocá-la - fato que se observa com certa freqüência. Os motivos desse tipo de ocorrência são creditados ao insuficiente número de pessoal de enfermagem e ou ao envolvimento dos profissionais com atividades consideradas mais urgentes. Além de causas estruturais como a falta de recursos humanos e materiais, evidenciam- se valores culturais fortemente arraigados no comportamento do profissional, como a supervalorização da tecnologia e dos procedimentos mais especiallzados, o que, na prática, se traduz em dar atenção, por exemplo, ao preparo de uma bomba de infusão ou material oara um curativo, ao invés de auxüiar o paciente a alimentar-se. Coincidentemente, os horários das refeições se aproximam do início e término do plantão, momentos em que há grande preocupação da equipe em dar continuidade ao turno anterior ou encerrar o turno de plantão, aspecto que representa motivo adicional para o .abandono. do paciente. No entanto, os profissionais não devem eximir-se de tal responsabilidade, que muitas vezes compromete os resultados do próprio tratamento.

Os pacientes impossibilitados de alimentar-se sozinhos devem ser assistidos pe’a enfermagem, a qual deve providenciar os cuidados necessários de acordo com o grau de dependência existente. Por exemplo, visando manter o conforto do paciente e incentivá-lo a comer, oferecer-lhe o alimento na boca, na ordem de sua preferência, em porções pequenas e dadas uma de cada vez. Ao término da refeição, servir-lhe água e anotar a aceitação da dieta no prontuário.

Durante o processo, proteger o tórax do paciente com toalha ou guardanapo, limpando-lhe a boca sempre que necessário, são formas de manter a limpeza. Ao final, realizar a higiene oral. Visando evitar que o paciente se desidrate, a enfermagem deve observar o atendimento de sua necessidade de hidratação. Desde que não haja impedimento para que receba líquidos por via oral, cabe ao Serviço de Nutrição e Dietética fornecer água potável em recipiente apresentável e de fácil limpeza, com tampa, passível de higienização e reposição diária, para evitar exposição desnecessária e possível contaminação. Nem sempre os pacientes atendem adequadamente à necessidade de hidratação, por falta de hábito de ingerir suficiente quantidade de água . fato que, em situações de doença, pode levá-lo facilmente à desidrata ção e desequilíbrio hidroeletrolítico. Considerando tal fato, é importante que a enfermagem o oriente e incentive a tomar água, ou lhe ofereça auxílio se apresentar dificuldades para fazê-lo sozinho. A posição sentada é a mais conveniente, porém, se isto não for possível, deve-se estar atento para evitar aspiração acidental de líquido.

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