Atenção Farmacêutica

Atenção Farmacêutica

(Parte 1 de 2)

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Centro Universitário Newton Paiva

Juliana Leandro de Barros

Tayane Oliveira do Santos

aTenção farmacêutica:

Conceito e desafios

Belo Horizonte

2008

Centro Universitário Newton Paiva

Juliana Leandro de Barros

Tayane Oliveira do Santos

aTenção farmacêutica:

conceito e desafios

Projeto de Monografia apresentado ao Curso de Graduação de Farmácia do Centro Universitário Newton Paiva, como requisito parcial à obtenção de crédito na disciplina de Leitura e Produção de texto Científico.

Orientadora: Daniela Machado

Belo Horizonte

2008

No século XXI, a Atenção Farmacêutica estabelece novos papéis e responsabilidades para o farmacêutico.”

Cruciol e Souza, 2003, p.53

apud SANTOS, Magali da Silva et al.1

Resumo

A Atenção Farmacêutica, prática relativamente recente no Brasil e no mundo, pode se entendida como um atendimento diferenciado do farmacêutico com o paciente. Individualidade, monitoração da farmacoterapia e o uso racional de medicamentos são algumas das características atribuídas à essa prática.

A implantação da Atenção Farmacêutica encontra dificuldades em diversos aspectos como, por exemplo, o desinteresse dos proprietários de farmácias e dos próprios farmacêuticos, a necessidade de uma infra-estrutura adequada e a disponibilidade do profissional em tempo integral.

A partir disso, foi realizada uma revisão de literatura seguida de uma pesquisa de campo, na qual elaborou-se questionário destinado a farmacêuticos em farmácias comunitárias privadas, com intuito de conhecer um pouco sobre a realidade da Atenção Farmacêutica no município de Belo Horizonte. Os resultados obtidos demonstram que a implantação dessa prática profissional é complexa, devido ao desconhecimento da prática, à necessidade de ambiente adequado e o desinteresse dos proprietários dos estabelecimentos farmacêuticos.

Assim, observou-se a importância de mobilizar os farmacêuticos para divulgação e difusão da implantação da Atenção Farmacêutica, a começar pela própria conscientização dos profissionais e empresários, já que ela contribui para a promoção da saúde.

Palavras-chaves: Atenção Farmacêutica; implantação da Atenção Farmacêutica; Promoção da Saúde.

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Sumário

1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................6

2. OBJETIVO........................................................................................................................7

2.1. Objetivo Geral.................................................................................................................7

2.2. Objetivos Específicos......................................................................................................7

3. METODOLOGIA............................................................................................................ .8

4. Revisão de LITERATURA......................................................................................... 9

4.1. Conceitos de Atenção Farmacêutica...............................................................................9

4.2. Conceitos de Promoção da Saúde.................................................................................11

4.3. Origem da Atenção Farmacêutica.................................................................................12

4.4. Atividades Pertinentes à Atenção Farmacêutica...........................................................13

4.5. Desafios para a Implantação da Atenção Farmacêutica.............................................. 16

4.6. A Atenção Farmacêutica na Promoção da Saúde........................................................ 16

5. Resultados e Discussão.................................................................................... 19

6. CONCLUSÃO................................................................................................................ 21

7. REFERÊNCIAS...............................................................................................................22

APÊNDICE..........................................................................................................................24

1. Introdução

O medicamento é importante para a melhora da saúde, entretanto sua eficácia depende, dentre outros fatores, do seu uso racional 2 cuja orientação é realizada pelo farmacêutico. Esse profissional, por sua vez, deve realizar atividades vinculadas à promoção da saúde, tendo em vista o bem-estar do paciente. A recente prática profissional da Atenção Farmacêutica é um importante instrumento na promoção da saúde já que nela, o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico. 3

Para efetivar essa atividade, os profissionais farmacêuticos precisam, antes de qualquer coisa, conhecimento ou atualização nessa nova prática e dispor de fontes de informação independente e imparcial sobre medicamentos. 4 É preciso que os proprietários de farmácias comunitárias, em especial, tomem consciência da necessidade de implantá-la em seu estabelecimento, e criem um ambiente adequado para a execução desta atividade.

Atualmente, a farmácia comunitária é vista como um comércio e não como um estabelecimento de saúde. Quando presente, na maioria das vezes, o farmacêutico acumula funções gerenciais , burocráticas 4 e administrativas, assim não lhe sobra tempo para atender os pacientes de forma completa que seria a prestação de não apenas uma orientação de balcão, mas também a Atenção Farmacêutica.

Na condição de estabelecimento que integra os sistemas de saúde, a farmácia comunitária apresenta vantagens, tais como: fácil acesso a um profissional de saúde; condições adequadas para participação em campanhas sanitárias; redução de gastos com tratamentos, por possibilitar intervenção primária e encaminhamento à assistência médica; aumento na observância à terapêutica farmacológica prescrita,4 com conseqüente melhora na qualidade de vida do usuário.

O farmacêutico, mais do que nunca, tem um papel importante junto à construção de um novo modelo de atenção à saúde, onde ele possa estar inserido como profissional do medicamento, atuando como referência na orientação, cumprimento, acompanhamento e monitoramento da terapia farmacológica.

2. Objetivo

2.1. Objetivo geral

Conceituar Atenção Farmacêutica e conhecer a atuação do farmacêutico neste contexto, verificando seus desafios.

2.2. Objetivos específicos

  • Conceituar Atenção Farmacêutica;

  • Conceituar Promoção da Saúde, relacionando à Atenção Farmacêutica;

  • Descrever atividades pertinentes à Atenção Farmacêutica;

  • Demonstrar se a realidade permite a implantação da Atenção Farmacêutica, através de revisão de literatura e pesquisa de campo;

  • Elaborar um questionário para realização de entrevistas com farmacêuticos que trabalhem em farmácias comunitárias;

  • Conhecer as atividades desempenhadas pelo farmacêutico na Atenção Farmacêutica;

  • Avaliar os farmacêuticos enquanto prestadores ou possíveis prestadores da Atenção Farmacêutica.

3. Metodologia

A Metodologia empregada no estudo a respeito de Atenção Farmacêutica iniciou-se, num primeiro momento, com uma revisão de literatura em sítios consagrados como Scielo e Ministério da Saúde (ANVISA) que visou um conhecimento básico sobre o assunto, incluindo conceito e práticas pertinentes ao exercício da Atenção Farmacêutica, além de verificar a importância do profissional farmacêutico na promoção da saúde.

A partir desse conhecimento,baseando-se no artigo científico “Obstáculos da atenção farmacêutica no Brasil”5 foi preparado um questionário (Apêndice 1) com dez perguntas a serem realizadas para farmacêuticos que atuam em farmácias comunitárias a fim de avaliar sua satisfação enquanto profissional atuante nessa área e questionar a respeito da implantação da Atenção Farmacêutica nestas.

A terceira etapa foi reunir os resultados com a finalidade de organizar os dados coletados e compará-los analisando as conclusões da pesquisa de campo. Concluída esta etapa, finalizou-se a revisão de literatura, inserindo novos conteúdos, comentários e conhecimentos adquiridos na pesquisa de campo. E assim foi possível formular nossas próprias conclusões e considerações sobre o assunto.

4. Revisão de Literatura

4.1. cONCEITOS DE ATENÇÃO FARMACÊUTICA

A Atenção Farmacêutica, prática desempenhada pelo farmacêutico, foi inserida, de certo modo, recentemente na Assistência Farmacêutica. O termo Atenção Farmacêutica foi utilizado pela primeira vez por Mikeal (1975) como sendo “[...] a assistência que um determinado paciente necessita e recebe, que assegura um uso seguro e racional de medicamentos.” 3

Posteriormente, em publicações de ciências farmacêuticas, a primeira definição de atenção farmacêutica surgiu em um artigo publicado por Brodie et al (1980):

[...] em um sistema de saúde, o componente medicamento é estruturado para fornecer um padrão aceitável de atenção farmacêutica para pacientes ambulatoriais e internados. Atenção farmacêutica inclui a definição das necessidades farmacoterápicas do indivíduo e o fornecimento não apenas dos medicamentos necessários, mas também os serviços para garantir uma terapia segura e efetiva. Incluindo mecanismos de controle que facilitem a continuidade da assistência. 6

O conceito clássico dessa prática, formulado por Hepler & Strand (1990), baseia-se na responsabilidade farmacoterapêutica orientada com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, atingindo, assim a promoção da saúde através da cura de uma doença; eliminação ou redução dos sintomas do paciente; interrupção ou retardamento do processo patológico, ou prevenção de uma enfermidade ou de um sintoma. idem

Segundo Linda Strand(1997), 6 o conceito de Atenção Farmacêutica estava incompleto, passando então a defender a definição como prática na qual o profissional assume a responsabilidade pela provisão das necessidades farmacoterápicas do paciente, visando o compromisso de resolvê-las.

Na ótica da OMS a Atenção Farmacêutica é

[...] um conceito de prática profissional na qual o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico. A atenção farmacêutica é o compêndio das atitudes, os comportamentos, os compromissos, as inquietudes, os valores éticos, as funções, os conhecimentos, as responsabilidades e as habilidades dos farmacêuticos na prestação da farmacoterapia com o objetivo de obter resultados terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente. 6

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) propõe que Atenção Farmacêutica seja:

[...] um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando um farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. 3

Esse conceito proposto pela OPAS foi adotado em 2005 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Na Espanha a atenção farmacêutica está desenvolvendo intensamente. O Consenso de Granada definiu atenção farmacêutica como:

[...] a participação ativa do farmacêutico na assistência ao paciente na dispensação e seguimento do tratamento farmacoterápico, cooperando com o médico e outros profissionais de saúde, a fim de conseguir resultados que melhorem a qualidade de vida dos pacientes. Também prevê a participação do farmacêutico em atividades de promoção à saúde e prevenção de doenças. 3

Espejo acredita que essa atividade está inclusa no âmbito clínico, e uma de suas principais atividades é a farmacoterapia, definida como:

[...] a prática profissional na qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do paciente relacionadas com os medicamentos mediante a detecção, prevenção e resolução de problemas relacionados com os medicamentos (PRM), de forma contínua, sistematizada e documentada, em colaboração com o próprio paciente e com os demais profissionais do sistema de saúde, com o propósito de alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de vida do paciente. 3

4.2. Conceitos de Promoção da Saúde

Os profissionais de saúde estão sendo cada vez mais cobrados para que sua atuação vá além de prevenir e recuperar a saúde, que inclua sumariamente a promoção da saúde no seu conceito mais completo. Para bem exercer as atividades pertinentes à promoção da saúde, é necessário ter conhecimento a respeito de seus conceito mais conhecidos:

Promoção da saúde é o conjunto de atividades, processos e recursos, de ordem institucional, governamental ou da cidadania, orientados a propiciar o melhoramento de condições de bem estar e acesso a bens e serviços sociais, que favoreçam o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado da saúde e o desenvolvimento de estratégias que permitam à população o maior controle sobre sua saúde e suas condições de vida, a nível individual e coletivo. 7

Para outro autor, promoção da saúde inclui a resolução dos problemas sociais a partir da integração de todos os grupos sociais:

A promoção da saúde como vem sendo entendida nos últimos 20-25 anos, representa uma estratégia promissora para enfrentar os múltiplos problemas de saúde que afetam as populações humanas e seus contornos nesse final de século. Partindo de uma concepção ampla do processo saúde-doença e de seus determinantes, propõe a articulação de saberes técnicos e populares, e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados, para seu enfrentamento e resolução. 7

A promoção da saúde, como uma das estratégias de produção de saúde, ou seja, como um modo de pensar e de operar articulado às demais políticas e tecnologias desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro, contribui na construção de ações que possibilitam responder às necessidades sociais em saúde. 8

4.3. origem da atenção Farmacêutica

No século XX, o papel do farmacêutico associava-se à produção e comercialização de produtos medicinais, além disso, esse profissional apresentava grande vínculo com equipes de saúde e com o próprio paciente. No entanto, essa atuação tradicional sofreu uma diminuição, a partir da Segunda Guerra Mundial, em função do desenvolvimento da indústria farmacêutica. 9

Esse fato levou a um descompasso entre a formação do profissional e as ações demandadas pela sociedade, gerando uma frustração em alguns profissionais, pois os conhecimentos adquiridos na graduação já não eram mais aplicados de forma permanente na prática diária e acabavam se perdendo. 9

A partir de então, o farmacêutico relacionado à área assistencialista distanciou-se das equipes de saúde e dos pacientes, passando a ser visto apenas como um dispensador de produtos fabricados.

Nesse contexto surgiram, na década de 1960, líderes profissionais e educadores norte-americanos que organizaram um movimento profissional com a finalidade de questionar a formação e as atitudes do farmacêutico, bem como corrigir possíveis erros cometidos no exercício de sua profissão. Além disso, discutia-se o conceito de “orientação ao paciente” cuja conseqüência foi à criação do termo Farmácia Clínica, a qual é “compreendida como uma atividade que permitiria novamente aos farmacêuticos participar da equipe de saúde, contribuindo com seus conhecimentos para melhora o cuidado com a saúde do paciente”. 9

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