Anestesia: Vitoria sobre a dor

Anestesia: Vitoria sobre a dor

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Anestesia a vitória sobre a dor

DIRETORIA DA SARGS 2000

Presidente: Ildo Meyer

Diretor Administrativo: Paulo Evangelista

Diretor Científico: Florentino Mendes Diretor Financeiro: Silvio Perez

DIRETORIA DA SARGS 2001

Presidente: Ildo Meyer

Diretor Administrativo: Jordão Chaves de Andrade

Diretor Científico: Fernando Squeff Nora Diretor Financeiro: Silvio Pérez

A579Anestesia: a vitória sobre a dor / Airton Bagatini[et al.]. Porto

Alegre : SARGS, 2001.

14x21cm. ; 99p. 1. Anestesia. I. Bagatini, Airton. CDU 612.887

Catalogação na publicação: Leandro Augusto dos Santos Lima – CRB 10/1273

Anestesia a vitória sobre a dor

Edição comemorativa dos 50 anos da SARGS Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul

PORTO ALEGRE 2001

Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul, 2001

Capa: VIOLETA GELATTI LIMA

Editoração eletrônica: AGE - ASSESSORIA GRÁFICA E EDITORIAL LTDA.

Diagramação: LAURI HERMÓGENES CARDOSO

Supervisão editorial: PAULO FLÁVIO LEDUR

Reservados todos os direitos de publicação à SARGS - Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Apresentação

A anestesia como especialidade médica no Brasil já completou 50 anos. Apesar disso, os temores da população em relação ao ato anestésico ainda permanecem elevados. Diariamente profissionais da área médica respondem a questionamentos tais como: – Será que vou morrer da anestesia?

– Pode haver perigo de uma reação alérgica à anestesia?

– É verdade que se pode ficar paralítico após uma anestesia?

– Não tenho medo da cirurgia, mas sim da anestesia! Efetivamente, essas ponderações têm certa razão de existir.

No passado, o ato considerado mais nobre e que promovia a cura do paciente era a cirurgia, sendo a anestesia relegada a um plano secundário e executada por estudantes de Medicina, enfermeiras ou paramédicos. O médico se preocupava apenas em operar com rapidez, e necessitava que não houvesse movimentos do paciente durante o procedimento. Muitos acidentes aconteciam.

Com o surgimento de cursos de especialização em anestesia para médicos, com a fundação de sociedades de anestesistas e com a conscientização da importância e dos riscos de uma anestesia, iniciou-se uma padronização na maneira de realizar a anestesia, para que não ocorressem acidentes.

Porém, o mito de que a anestesia era perigosa e muitas vezes fatal já havia sido criado. O conceito de que o anestesista era um “mal necessário” já estava estabelecido.

Os gregos pouco sabiam sobre a maneira como o mundo funcionava (segundo demonstraram mais tarde as leis de Newton e de Einstein, entre outros), mas desenvolveram um sistema de pensamento muito bem articulado. Quando uma pessoa se encontra frente a algo incomum (anestesia/cirurgia), desenvolve um raciocínio de como as coisas vão funcionar. Quanto menos ela souber, mais complexa será sua rede de pensamento.

As fantasias do que acontecerá enquanto estiver dormindo, ou sobre o tamanho e as conseqüências da injeção realizada nas “costas” são intermináveis.

O objetivo inicial desta obra é a informação. Nos próximos capítulos explicaremos quem é o anestesista, as técnicas utilizadas, as formas de monitorização e segurança, o controle da dor durante a cirurgia e no pós-operatório, as maneiras de diminuir a ansiedade, a anestesia e a analgesia para o parto, a forma de cobrança de honorários e a evolução da anestesia através da história.

Na medida em que a população aumentar seus conhecimentos em relação à anestesia, aumenta sua participação e interação no procedimento, tornando-se parceira do anestesista, vendo-o não mais como um “mal necessário”, mas como um guardião, um profissional que lançará mão de todos os esforços, tecnologias e medicamentos disponíveis para que o ato anestésico-cirúrgico possa acontecer dentro do maior conforto e segurança.

A Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul tomou a iniciativa de editar este livro para que a população, aumentando seu nível de conhecimento, saiba como é segura a realização de uma anestesia e assim diminua a ansiedade quando houver a necessidade da presença de um anestesista durante um procedimento cirúrgico ou diagnóstico.

1 - E A DOR ESTAVA VENCIDA9
OS PIONEIROS9
WILLIAM THOMAS GREEN MOR TON12
DA CIRURGIA DENTÁRIA ÀS GRANDES CIRURGIAS14
OS DIFERENTES PREÇOS DOS INVENT OS16
2 - O QUE FAZ O ANESTESIOLOGISTA21
3 - O QUE É A ANESTESIA23
4 - TIPOS DE ANESTESIA25
ANESTESIA GERAL25
Tipos de anestesia geral25
ANESTESIA REGIONAL OU CONDUTIVA26
Tipos de anestesia regional27
5 - ETAPAS DA ANESTESIA29
AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA29
ANESTESIA PROPRIAMENTE DITA29
Preparo29
Indução, manutenção e recuperação31
Como o vôo de um a vião32
RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA3
6 - COMO COLABORAR PARA O SUCESSO DA ANESTESIA?35
7 - COMO É FEITA A ANESTESIA37
ANTES37
AS TÉCNICAS E AS DROGAS DE ANESTESIA38
DE OLHO NOS EFEITOS DAS DROGAS43
8 - A DOR: UM BEM OU UM MAL?45
PRECONCEIT OS46

Sumário PAGANDO A DÍVIDA .................................................................................................46

CLASSIFICAÇÃO DAS DORES48
CONSEQÜENCIAS DA DOR49
COMO SE MEDE A DOR51
O TRATAMENTO DA DOR53
9 - CONSULTÓRIO DE ANESTESIA61
ENTREVISTA PREPARATÓRIA63
A IMPORTÂNCIA DO JEJUM65
CONCLUSÃO6
10 - MEDO DA ANESTESIA67
MEDOS MAIS FREQÜENTES68
A PRESENÇA DO MEDO DA MORTE69
MEDO DE LESÕES71
MEDO DE DOR E DESCONFOR TO71
O ALÍVIO DO ACORDAR72
O MEDO DA DOR APÓS A ANESTESIA73
O MEDO DE PERDER O OBJETO CUIDADOR74
A RELAÇÃO PACIENTE/ANESTESIOLOGISTA75
COMO ENFRENTAR O MEDO76
1 - DESMITIFICANDO O CHOQUE ANAFILÁTICO79
OS MECANISMOS DE DEFESA79
TESTES DE SEGURANÇA82
COMO DIAGNOSTICAR O CHOQUE ANAFILÁTICO83
PREVENÇÃO E TRATAMENTO85
12 - ANESTESIA E GESTAÇÃO87
CIRURGIAS DURANTE A GRAVIDEZ91
13 - OS HONORÁRIOS DO ANESTESIOLOGISTA93

ANESTESIA 9

“Senhores, isto não é uma farsa.” Com essa frase, o Dr. John Collins Warren saudou o surgimento de uma nova era que iria revolucionar a Medicina e a cirurgia, abrindo novos e vastos horizontes: a dor estava vencida.

No dia 16 de outubro de 1846, pouco depois das dez horas, era mostrado ao mundo médico e ao público que a dor estava banida da sala de cirurgia, porque naquela manhã surgira a anestesia.

Na verdade, a anestesia não surgiu de repente, num lampejo de genialidade, num rasgo de divindade. Desde o início o homem procurou, incansavelmente, livrar-se da dor.

Passemos rapidamente pelos feiticeiros, sacerdotes, alquimistas, pelas poções, pela mandrágora, pelas ervas, pelo hipnotismo e acompanhemos mais de perto os precursores, “os profetas”.

Joseph Priestley, um inglês que serviu a dois altares: ao de Deus e ao seu laboratório, porque ele era pastor e químico, descobriu o oxigênio em 1771 e, no ano seguinte, o protóxido de azoto. Era uma época de grandes alterações e progressos: surgia a indústria, a Revolução

A dor estava banida da sala de cirurgia.

1 E a dor estava vencida...

10 ANESTESIA

Francesa tomava vulto, ferviam as questões políticas na Inglaterra, dividia-se o clero. Priestley simpatizava com a Revolução Francesa e escolheu o lado errado na questão religiosa, sendo perseguido e acusado de traidor. Os fanáticos queimaram sua casa e destruíram seus trabalhos. Foi obrigado a fugir, vindo para a América para continuar suas pesquisas.

Humphry Davy, outro inglês, estudou os trabalhos de Priestley e resolveu inalar o protóxido de azoto, ainda que todas as sumidades da época afirmassem que era nocivo e mortal. Aspirou a primeira vez, a segunda vez, mais outras e, em vez de morrer, começou a pular e rir. Nos dias seguintes, continuou com as sessões de inalação, notando que o protóxido de azoto acabara com a dor de dente que o estava incomodando.

Continuou os estudos e realizou reuniões em que seus amigos inalavam o gás hilariante por divertimento. Publicou um livro, em que afirma, já em 1798, que seria sem dúvida recomendável empregar o protóxido de azoto contra as dores cirúrgicas.

Em 1805, o químico alemão Sertuerner isolou a morfina do ópio (terminou seus dias sofrendo repetidos ataques de gota, e a morfina, ironicamente, não mais lhe trazia alívio).

Michael Faraday, em 1818, descreveu os efeitos inebriantes do éter e o comparou com o gás hilariante.

Em 1824, Henry Hill Hickmann, médico inglês, procurou a Royal Society na Inglaterra e a Academia Francesa de Medicina, para demonstrar seu método de abolir a dor cirúrgica com gás carbônico e com o gás hilariante. Ofereceu-se como voluntário, sendo ridicularizado e chamado de louco, pois, segundo Velpeau, “o bisturi e a

Em vez de morrer, começou a pular e rir.

ANESTESIA 1 dor são inseparáveis numa sala de cirurgia”. Negaramlhe a oportunidade pedida. Desanimado e acabrunhado, morreu aos vinte e nove anos de idade.

Nos Estados Unidos, por volta de 1830, andavam muito em voga os ether-parties, reuniões nas quais quem quisesse poderia respirar éter ou gás hilariante, para sentir emoções novas, onde riam, pulavam e dançavam sob o efeito dos gases (não era por falta de LSD que eles iriam ficar quietos). Espetáculos eram realizados nas praças e teatros, fazendo os interessados atuarem ao embalo do éter ou do gás hilariante.

No Estado da Geórgia, na cidade de Jefferson, Crawford Williamson Long não pôde assistir a uma apresentação, pois fora atender um paciente. Seus amigos lhe contaram como foi o espetáculo e ele decidiu fazer algumas demonstrações experimentais, principalmente com as moças da cidade, já que era jovem e simpático. Notou que, depois de inalar o éter, apresentava inúmeras manchas arrocheadas e dolorosas pelo corpo, mas não recordava como apareciam. Concluiu que o éter deveria ser a causa da ausência da dor. Depois de muito pensar e repetir inalações, resolveu e operou alguns pacientes sob o efeito do éter. E eles não sentiram dor. Operou oito pacientes, mas os moradores da cidade começaram a reclamar “que alguém acabaria morrendo, que desistisse de suas tentativas diabólicas”. A 30 de março de 1842, extirpou um tumor do pescoço de James Venable, sob a ação do éter. Como era médico numa área rural, não divulgou seus trabalhos aos meios científicos.

No Estado de Connecticut, o dentista Horace Wells e sua esposa foram assistir a uma demonstração do gás

Concluiu que o éter deveria ser a causa da ausência da dor.

12 ANESTESIA hilariante. Doze voluntários se apresentaram, “oito vigorosos homens ocupavam a primeira fila para proteger a platéia de alguma violência partida dos voluntários sob o efeito do gás”. Wells notou que um dos voluntários, sob o efeito do gás, machucara o joelho, que sangrava abundantemente. Interrogado por Wells, a vítima assegurou que nada sentira.

No dia seguinte, 1 de dezembro de 1844, Wells pediu para um colega lhe extrair um dente sadio enquanto ele inalava o gás hilariante. A partir de então, passou a extrair dentes dos clientes com o auxílio do gás. Em seguida fez uma demonstração em Boston, na Faculdade de Medicina. Como não dominasse ainda a técnica de administração do gás, ele o fez de maneira inadequada e insuficiente, pois temia um acidente; resultado: o paciente urrou durante a extração. Sob os gritos de canalha e charlatão, voltou para sua cidade. Mas não desistiu. Fez outra demonstração pública, deu bastante gás, e o paciente quase morreu, matando em Wells a vontade de usá-lo. Dedicou-se à criação de canários, depois passou a vender quadros, comprando na França e vendendo, com lucros, para os amadores americanos.

Era um dentista da cidade de Boston. Tinha trabalhado com Wells, mas o consultório não progredira como desejaram e em pouco tempo Wells voltou para sua cidade, Hartford. Morton persistiu e a situação melhorou, podendo até pagar as dívidas que fizera. Naquela época, procurava-se um método para fixar com segurança as coroas sobre as raízes dos dentes. Morton conseguiu uma

ANESTESIA 13 massa especial, que permitia fixar solidamente os dentes artificiais sobre as placas de ouro. Era uma perspectiva rentável, mas a colocação dos aparelhos e dentes artificiais era extremamente dolorosa e os clientes desistiam. A dor prejudicava seu negócio. Reiniciou seus estudos de Medicina, que havia abandonado por falta de recursos. Ficou sabendo, por um médico e químico famoso, Charles Jackson, que o éter, aplicado localmente, insensibilizava a pele.

Nessa época, Wells fracassava na demonstração com o gás hilariante. Morton achou que poderia substituir o gás pelo éter. Lendo e estudando, encontrou o trabalho de Faraday, que comparava o éter com o gás hilariante. Começou a fazer experiências com o cãozinho da esposa. Ela descobriu e fez uma enorme cena doméstica. Depois, quem desapareceu foi o peixinho dourado; a empregada não achou a galinha para o assado, tendo sido achada no laboratório. De outra feita, o próprio Morton foi encontrado inconsciente, pela esposa. Persistindo, Morton conseguiu dois estudantes para observar os efeitos do éter nos seres humanos, mas, covardemente, eles não apareceram para a segunda sessão...

Morton estava com problemas e não queria recorrer ao Doutor Jackson, que não era de muita confiança (Jackson encontrara Samuel Morse, numa viagem de navio, e ficou sabendo das pesquisas de Morse que resultariam na descoberta do telégrafo. Quando Morse deu a público sua invenção, Jackson foi para os jornais, dizendo que ele é quem tinha dado a pista para Morse e que Morse era um ladrão). Mas acabou procurando Jackson. Soube, então, que o éter que usara, e em gotas, era o éter clorídrico, de ação local. Para inalação, deveria ser usado

A colocação dos aparelhos e dentes artificiais era extr emamente dolor osa.

14 ANESTESIA o éter sulfúrico, bem retificado e sem impurezas. Comprou o éter sulfúrico e o inalou em casa.

Na noite de 30 de setembro de 1846 extraiu um dente de Eben Frost, com o auxílio do éter, iniciando “uma nova era na cirurgia dentária”.

Na manhã do dia seguinte, foi ao cartório registrar sua invenção. Enquanto seus colegas protestavam contra essa “descoberta nefasta”, seu consultório estava sempre cheio.

E Morton passou a considerar a possibilidade de usar seu invento na “grande cirurgia”. Começou a aperfeiçoar um aparelho para administrar éter. Os cirurgiões não lhe davam ouvidos. Resolveu tentar a sorte no Hospital Geral de Massachusetts, Boston, cujo fundador e diretor era o Dr. Warren. Não foi fácil entrar no hospital, tendo esperado toda a manhã e boa parte da tarde, para conversar e convencer o Dr. Warren para que lhe desse uma chance. O Hospital Geral era o maior da América e todos os dias apareciam aventureiros querendo provar algo sensacional.

No dia 16 de outubro de 1846, às dez horas, seria operado Gilbert Abbott, portador de um tumor sob o maxilar direito, e Morton teria sua oportunidade.

Na véspera, Morton ficou trabalhando até as duas horas da madrugada. Eram 10h15min da manhã; na sala de cirurgia, o paciente já estava deitado, o cirurgião já se impacientava, a assistência começava a se agitar, surgiam risos, piadas, e Morton não aparecia.

Os cirurgiões não lhe davam ouvidos.

ANESTESIA 15

A cirurgia ia começar no sistema tradicional: à força. Então Morton irrompeu na sala, esbaforido pela corrida. Trazia junto o músico Eben Frost, como testemunha. O atraso foi causado pelo fabricante do seu novo inalador, que quase o aprontou tarde demais. Pediu desculpa pelo atraso, montando seu aparelho sob o olhar irônico e descrente de todos. Começou a trabalhar, dizendo para Warren:

– Senhor, o paciente é seu. Morton tinha tudo para fracassar. Devia ter chegado cedo para preparar tudo, e chegou tarde; precisava ter calma para controlar a situação, mas devia estar com os nervos à flor da pele; devia sentir-se seguro, mas não dominava o assunto, e o aparelho era grosseiro; o paciente não estava devidamente preparado; e por último, naquela sala, a única pessoa que acreditava em William Thomas Green Morton era William Thomas Green Morton...

A cirurgia terminou e Warren virou-se para uma assistência estática:

– Senhores, isto não é uma farsa. Nenhuma descoberta é resultado isolado, levado a termo por um único homem: Roentgen usou o tubo com vácuo, criado por Crookes, quando descobriu os raios X; Colombo usou um compasso criado por outro; Wells usou o gás hilariante formulado por Priestley; Lister empregou a teoria de Pasteur para tornar a cirurgia asséptica.

Por sugestão do médico e poeta Oliver Wendell

Holmes, aquela ciência passou a chamar-se anestesia, palavra grega que significa ausência de sensações.

A única pessoa que acreditava em William Thomas Green Morton era William Thomas Green Morton...

16 ANESTESIA

Morton tinha vinte e sete anos de idade. Diferia completamente de Wells, que era sonhador, tímido, observador, sério. Morton era ambicioso; queria dinheiro, roupas, posição social. Morton era fleugmático, lutando com unhas e dentes contra as investidas de Jackson, habilidoso e empreendedor; Wells era facilmente desencorajado, deprimia-se, era influenciado pelos outros. Nem Morton nem Wells eram cientistas, mas Robert Koch e Thomas Edison também não eram.

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