Teoria da Produção

Teoria da Produção

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA

DISCIPLINA: TEORIA ECONÔMICA APLICADA

Teoria da Produção

Francisco Casimiro Filho

Professor Adjunto III – DEA/CCA/UFC

1. INTRODUÇÃO

A Teoria da Firma é a parte da microeconomia que se preocupa em estudar o comportamento da firma. Esse tópico foi pouco abordado até agora, sendo que apresentamos apenas a curva de oferta de mercado A Teoria da Firma é a parte da Economia que engloba a Teoria da Produção, Teoria dos Custos de Produção e os Rendimentos da Firma.

Na Teoria da Produção a unidade econômica em estudo e a firma ou empresa. Assim esta teoria visa proporcionar ao produtor a base racional necessárias para suas decisões, com relação à produção, que é precondição para se chegar a oferta.

A importância do estudo da Teoria da Produção reside no fato de que:

  • seus princípios gerais proporcionam as bases para a análise dos custos e da oferta dos bens produzidos; e

  • seus princípios, também, se constituem peças fundamentais para a análise dos preços e do emprego dos fatores de produção, bem como da alocação desses fatores entre os diversos usos alternativos na economia.

Para um melhor entendimento temos que explicitar, inicialmente, alguns conceitos básicos da Teoria da Produção, que são apresentados a seguir

2. CONCEITOS BÁSICOS

2.1 Empresa ou Firma

É uma unidade técnica que produz bens e/ou serviços de forma racional, procurando maximizar seus resultados relativos a produção e o lucro. Esse conceito abrange um empreendimento de modo geral, que inclui as atividades industriais e agrícolas, as atividades profissionais, técnicas e de serviços. Assim, é uma firma um mecânico de automóveis, um barbeiro, um médico, uma loja de confecções etc.

2.2. Produção

É o processo pelo qual uma firma transforma os fatores de produção em produtos e serviços.

Insumos

2.3 Processo de Produção

É a técnica por meio da qual um ou mais produtos vão ser obtidos a partir da utilização de determinadas quantidades de fatores de produção.

2.4. Fatores de Produção

Os fatores de produção são bens ou serviços transformáveis em produção, e se dividem em:

  • fatores de produção primários - são os fatores naturais, que existem independentemente da ocorrência de um processo produtivo anterior. Exemplo de fator de produção primário é a terra; e

  • fatores de produção secundários - são aqueles que necessitam de um processo produtivo anterior para criá-los. Exemplo de um fator de produção secundário são as máquinas;

Os fatores de produção também podem ser classificados considerando uma distinção puramente temporal em:

Fatores fixos: São aqueles cuja quantidade utilizada não se modifica, embora se altere a quantidade produzida do produto. Ex: mão-de-obra permanente (contratada) beifeitorias etc.

Fatores variáveis: São aqueles em que a quantidade varia com a variação na quantidade produzida do produto. Ex: semente, adubo, mão-de-obra etc.

2.5 Curto Prazo e Longo Prazo

  1. Curto prazo: É o período de tempo no qual existe pelo menos um fator de produção fixo.

Y = f(X1/X2, X3,... , Xn)

  1. Longo prazo: É o período de tempo no qual todos os fatores de produção variam.

Y = f(X1, X2, X3,... Xn)

2.6. Funções de Produção

É a relação técnica entre as quantidades físicas produzidas de determinado produto e as quantidades fisicas dos fatores empregados na sua produção em determinada unidade de tempo.

Ex: milho→ terra, trabalho, semente, fertilizante etc.

A função de produção pode ser representada por:

Y = f(X1, X2, X3,... Xu),

onde:

Y = quantidade máxima produzida do bem, sendo q > 0 e

X1 , X2, ..., Xn são as quantidades utilizadas dos diversos fatores de produção, sendo xi > 0 (i = 1, 2, ..., n).

i) O nível de produção depende de técnicas de produção utilizada (tenologia)

ii) O nível de produção depende dos níveis de uso dos fatores (alocação).

Admitir-se-á que o produtor utilizará a mais eficiente tecnologia, assim, o problema tornar-se-á apenas um problema de alocação dos insumos.

2.7. Eficiência técnica e a eficiência econômica

Na teoria de produção há ainda dois conceitos, a saber, os quais fazem a diferença entre empresas ou firmas e em cooperativas. A eficiência técnica e a eficiência econômica são meios pelos quais afetam a produção.

A eficiência técnica envolve aspectos físicos da produção. Assim, a produção é tecnicamente eficiente quando não há a possibilidade de substituir um processo produtivo por outro capaz de obter o mesmo nível de produção com uma quantidade inferior de insumos, exemplo: Se para produzir 10 ton de feijão são necessários 100 Kg de sementes e 10ha, e se verificar que utilizando 90Kg de sementes não afeta na produção com a mesma área, desta forma podemos dizer que houve uma eficiência técnica.

A eficiência econômica envolve os aspectos monetários da produção de modo a conduzir o processo produtivo de forma a deter máximo lucro ou menor custo.

Para entender melhor esses conceitos consideremos oseguinte exemplo suponha que temos uma fazenda de 100 hectares, dos quais 80 são aptos ao plantio de milho.

A fazenda é uma firma. Os 80 hectares de terra adequados ao plantio de milho, o trabalho utilizado, as sementes, os inseticidas, os corretivos de solo etc., são os fatores de produção. Esses serão combinados, através de determinada técnica, para gerar a produção de milho.

Existem várias técnicas de plantio de milho, sementes por metro linear, agrotóxicos, variedades etc. Cada uma dessas técnicas é um processo de produção. A função de produção considera o processo de produção que permite obter o máximo produto a partir de certa quantidade de fatores de produção.

Portanto, a função de produção indica o máximo de produto que se pode obter com as quantidades dos fatores, uma vez escolhido determinado processo de produção mais conveniente.

3. FUNÇÃO DE PRODUÇÃO COM UM FATOR VARIÁVEL ou Relação Fator-Produto (Análise de curto prazo)

Consideremos uma função de produção com apenas dois fatores de produção, sendo um fixo (que não varia com a realização do processo produtivo) e outro variável:

q = f(x1, x 2),

onde: q = quantidade de produto;

x1 = fator variável; e

x2 = fator fixo;

Esta relação se fundamenta na Lei dos Rendimentos Decrescentes ou Lei das Proporções Variáveis que diz:

“Quando aumentamos a quantidade do fator variável, mantendo as demais constantes, a produção aumenta inicialmente a taxas crescentes, depois a taxas decrescentes, atinge um máximo e finalmente decresce”.

Três pontos devem ser ressaltados na Lei dos Rendimentos Decrescentes:

a) só ocorre quando temos apenas um fator variável e todos os demais fixos;

b) ocorre devido a uma alteração nas proporções da combinação entre os fatores e

c) foi considerada por Ricardo como válida para a agricultura e generalizada pelos Neoclássicos para toda a economia.

Devido a Lei dos Rendimentos Decrescentes, a curva do produto total é formada de três segmentos: o primeiro é convexo em relação ao eixo de x1, o segundo é côncavo em relação ao eixo de x1 e o terceiro tem inclinação negativa (Figura 5.1).

3.1. Conceito de Produção Total, Produtividade Média e Produtividade Marginal

3.1.1 Produção Total (PT)

Representa as máximas quantidades do produto (Y) que podem ser obtidas a determinados níveis de usos do insumo (mediante adequada escolha do processo produtivo).

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