Correlação enre o VO2 pelo Teste de Cooper

Correlação enre o VO2 pelo Teste de Cooper

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Pereira et al Correlação entre o VO2máx estimado pelo Teste de Cooper e Yoyo ET1

Artigo Original

Tabela IV – Resultados do Yoyo Endurance Test

TOTAL (n=25) GRUPO 1 (n=9) GRUPO 2 (n=13) X ± DP CV X ± DP CV X ± DP CV

Dist – distancia percorrida em metros; Tempo – tempo total em segundos; VM – velocidade máxima em Km/h; VO2max – potência aeróbia máxima em ml.kg-1.min-1; Não houve diferença estatística entre os grupos.

A potência aeróbia estimada pelo teste de

Cooper de 12 min é calculada a partir da distância total percorrida. Com o tempo fixo e a distância obtida podese calcular a velocidade média e a velocidade do limiar de lactato (OBLA). Não houve variação significativa (p>0,05) entre nenhum grupo em nenhum dos parâmetros citados (Tabela V).

Comparando o VO2max predito entre os testes, verifica-se não haver diferença significativa entre eles

(p>0,05). Mesmo quando separamos em grupos de diferentes posições táticas, as médias dos valores obtidos permanecem estatisticamente idênticas (Gráfico 1). A correlação de Pearson entre os resultados de

VO2max obtidos nos dois testes foi de 0,7063 (Gráfico 2).

O teste de Cooper possibilita obter a velocidade média e segundo Silva et al. [5] pode-se predizer a velocidade do limiar de lactato. No gráfico 2 estão plotadas as duas velocidades, sendo que a velocidade do L apresenta valores menores que a velocidade média, sem no entanto haver diferença significativa entre as médias das duas velocidades. Mesmo quando os sujeitos são divididos por posições, não se observa diferença significativa nas velocidades média e do L.

Tabela V – Resultados do teste de Cooper

TOTAL (n=25) GRUPO 1 (n=9) GRUPO 2 (n=13) X ± DP CV X ± DP CV X ± DP CV

Dist – distancia percorrida em metros; VM – velocidade média em Km/h; OBLA – velocidade do limiar de lactato em Km/h; VO2max – potência aeróbia máxima em ml.kg-1.min-1; Não houve diferença estatística entre os grupos (p>0,05).

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Total Z+A M+L m ax m i n )

Yo-Yo Cooper

Gráfico 1 – Comparação do VO2max estimado em cada um dos testes e em cada sub-divisão por posição. Não houve diferença significativa entre os testes ou entre os grupos (p>0,05)

Yoyo ( m l / K g / m i n )

Gráfico 2 – Correlação entre os resultados obtidos no Yoyo endurance test L1 e Cooper de 12 min.

Pereira et al Correlação entre o VO2máx estimado pelo Teste de Cooper e Yoyo ET1

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Gráfico 3 – Velocidade Média (Vm) e velocidade do Limiar de Lactato (VLL).

Discussão

Para esses grupos os testes de campo podem ser uma das alternativas viáveis. O objetivo do presente estudo foi verificar a correlação de dois diferentes testes de potência aeróbia máxima (Vo2max): o Teste de Cooper de 12 min, mais tradicional, e o Yoyo Endurance

Test L1. Ambos os testes que requerem poucos recursos materiais, mas são diferentes em relação às características de aplicação e fisiológicas.

Os sujeitos analisados neste estudo apresentavam grande uniformidade na idade, nas características antropométricas (Tabela I) e todos estavam na pré-temporada, ou seja, em estado de destreinamento. Verificaram-se em alguns dados antropométricos diferenças morfológicas associadas as diferentes funções táticas, sendo os atacantes e zagueiros mais altos e mais pesados do que os laterais e meio-campistas. Esse resultado é encontrado pelos resultados de Bürger-Mendonça et al. [3] .

Os resultados obtidos no Yoyo Endurance Test foram bem abaixo dos verificados em atletas adultos

[16,17] e mesmo em atletas da mesma faixa etária [2,3,6] .

Em relação à comparação com adultos o resultado já era esperado. Já em relação aos resultados obtidos em estudos com atletas de mesma faixa etária esses achados podem estar relacionados ao estado de destreino por conta do retorno recente aos treinamentos

[18] , ou aos diferentes métodos de medida da potência aeróbia aplicados nos estudos citados.

A comparação dos resultados obtidos pelos grupos, tanto no Yoyo Endurance Test L1 quanto no teste de Cooper de 12 min mostraram não haver diferenças entre os atletas nas diversas posições de campo, apesar das diferenças morfológicas (estatura, MCT e MCM). A especialização de funções, derivadas das características do futebol (jogo cooperativo e realizado em um espaço físico de grandes proporções), ocorreu durante a evolução do desporto [2,3] . Os resultados deste estudo parecem incongruentes com a situação do futebol moderno, porém o retorno recente aos treinos pode ser o responsável por este achado. Pode-se também especular que a falta de especialização destes atletas ou a falta de treinamentos específicos voltados para as características fisiológicas

Pereira et al Correlação entre o VO2máx estimado pelo Teste de Cooper e Yoyo ET1

Artigo Original inerentes a cada posição foi responsável pelos índices semelhantes encontrados em atacantes, zagueiros, laterais e meio-campistas.

A comparação entre os resultados dos testes revela uma alta correlação entre os valores obtidos (r2=0,7063; p<0,01). Não houve diferenças significativas entre os valores em qualquer das comparações realizadas (CooperTotal vs YoyoTotal; Cooper GRUPO 1 vs Yoyo GRUPO 1; Cooper GRUPO 2 vs Yoyo GRUPO 2). Contudo estes achados devem ser observados com cautela pelo preparador físico ao analisar o atleta individualmente, pois a variabilidade entre estes resultados individuais é grande (-7,80 a

12,14 ml.O2 -1.min-1), não sendo aconselhado comparar resultados obtidos nos diferentes testes.

Conclusão

A partir dos achados deste estudo pode-se concluir então que ambos os testes apresentam valores da potência aeróbia máxima correlata, contudo, como em qualquer avaliação, não se deve comparar resultados individuais obtidos com diferentes testes.

Agradecimentos

A Sandra Magalhães e Catarina Arnaud pelo apoio dado durante a realização do trabalho. Ao Professor Paulo Azevedo pelas estimulantes discussões durante a redação. A Daílson Paulúcio pela ajuda na coleta de dados.

Referências

1. Strøyer J, Hansen L, Klausen K. Physiological Profile and Activity Pattern of Young Soccer Players during Match Play. Med. Sci. Sports Exerc. 2004;36(1):168-174.

2. Stølen T, Chamari K, Castagna C, Wisløff U. Physiology of Soccer - An Update. Sports Medicine. 2005;35(6):501-536.

3. Bürger-Mendonça M, Marques AT, Oliveira JC, Nunes JED, Perez SEA, Baldissera V, Azevedo PHSM. Variáveis ventilatórias em jogadores coreanos juvenis de futebol: comparação entre posições em campo. Movimento & Percepção. 2007;7(10):178-190.

4. Duarte MFS, Duarte CR. Validade do teste aeróbico de corrida de vai-e-vem de 20 metros. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 2001;9(3): 07-14.

5. Silva ASR, Santos FNC, Santhiago V, Gobatto CA. Comparação entre métodos invasivos e não invasivo de determinação da capacidade aeróbia em futebolistas profissionais. Rev Bras Med Esporte.2005;1(4): 233-237.

6. Aziz AR, Tan FHY, The KC. A pilot study comparing two field tests with the treadmill run test in soccer players. Journal of Sports Science and Medicine. 2005; 4(2);105-112.

7. Helgerud J, Engen LC, Wisløff U, Hoff J. Aerobic endurance training improves soccer performance. Medicine and Science in Sports Exercise. 2001;3(1):1925-1931.

8. Mcnaughton L, Hall P, Cooley D. Validation of several methods of estimating maximal oxygen uptake in young men. Percept Mot Skills. 1998;87(2):575-584.

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