Livro de Estágio de Enfermagem

Livro de Estágio de Enfermagem

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1. Sistema Cardiovascular1
2. Sistema Digestivo19
3. Sistema Respiratório36
4. Afecções do Sangue e do Sistema Reticuloendotelial54
5. Sistema Nervoso61
8. Sinais Vitais83
as 14 necessidades básicas de Virgínia Henderson91
10. Processo de Enfermagem94
1. Exame Neurológico95
12. Escala de Braden101
13. Preparação e Administração de Medicamentos103
16. Fracturas130
17. Ligaduras132
18. Fezes134
19. Colheita Asséptica de Urina137
20. Algaliação138
21. Resíduos Hospitalares140
2. Dicionário141

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1SISTEMA CARDIOVASCULAR

LIVRO DE ESTÁGIO 1.1. AFECÇÕES

Aterosclerose - espessamento e endurecimento das artérias de médio e grande calibre

Ocorre em orifícios e bifurcações das artérias aorta, femoral, carotídeas… Factores de risco: o Irreversíveis – envelhecimento, sexo masculino, genética; o Reversíveis – tabaco, HTA, obesidade; o Potencialmente reversíveis – hiperlipidemia (hipercolosterolemia, hipertrigliceridemia), hiperglicemia, diabetes e HDL Indicador – cardiopatia isquémica (Indicador menos fiável AVC)

Arterosclerose - doença das artérias de todos os calibres.

Doença das artérias coronárias - acumulação de depósitos de gordura na íntima O aumento lesão (placa/ateroma) estreitamento crítico (oclusão a 75%) diminuição fluxo sanguíneo diminuição de O2 do miocárdio Lípidos (colesterol) + material fibroso (células dos músculos lisos) na íntima = DAC o aumento LDL (transporta o colesterol) lesiona a parede da íntima estrias gordurosas

São amarelas, planas e não produzem obstrução significativa As lesões desenvolvem-se entre 8-18 anos o As células nos músculos lisos da camada média da artéria desloca-se para a íntima e envolve a estria gordurosa tecido fibroso estimula o depósito de cálcio o A lesão continua a evoluir: estria gordurosa placa fibrosa DAC

Crescimento dos vasos sanguíneos na placa fibrosa núcleo da lesão cresce calcifica Esta lesão pode obstruir hemorragia ulceração

Factores de risco: o Os três principais são: colesterol, HTA e hábitos tabágicos; o Irreversíveis – idade, sexo masculino, raça e antecedentes familiares; o Potencialmente reversíveis – hiperlipidemia, diabetes mellitus, obesidade e HDL o Outros: vida sedentária, stress e personalidade tipo A.

Cardiopatia Isquémica: Angina Pectoris Enfarte do Miocárdio

Angina Pectoris - isquémia miocárdica transitória devido a défice relativo de O2; quando o consumo de O2 pelo miocárdio excede o aporte

Causas: o Obstrução/aterosclerose; o Causas cardíacas – hipertrofia ventricular, estenose aórtica, insuf.aórtica e mitral, estenose sub-aórtica hipertrofica idiopática (hipertrofia do septo); o Causas extra-cardíacas – anemia, hipertiroidismo, feocromocitoma, exercício físico, emoções, frio, após refeições;

Mecanismos fisiopatológicos: o Aterosclerose progressiva, trombose parcial, espasmo arterial e agregação plaquetária transitória;

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Diagnóstico: o Clínico DOR PRECORDIAL - aumenta com o esforço; diminui com o repouso; irradiação para região cubital do braço esquerdo (pescoço, maxilar inferior, ombro, braço, abdómen); o Laboratorial Definitivo; Rx tórax, ECG (infradesnivelamento ST com ou sem inversão T dor; onda Q patológica EM antigo), teste electrocardiográfico de esforço (relação entre desconforto e sinais ECG típicos de isquémia), cintigrafia (avalia perfusão miocárdica e função ventricular esquerda), ecocardiograma (anomalias regulares parede), coronariografia (invasivo, arterioesclerose);

Classificação:

o A. Estável – surge com o esforço ou em condições que aumenta o consumo de O2; previsível; aliviada com repouso ou nitroglicerina; o A. Instável – surge com menos esforço ou repouso; dura mais tempo; imprevisível; o A. Variante ou de Printzmetal – repouso com elevação ST, sem aumento da FC e da

TA; provocada por espasmo coronário; o Enfarte agudo do miocárdio;

Enfarte do Miocárdio - lesão celular irreversível por défice absoluto O2 resultando em necrose do miocárdio (consequência de isquémia prolongada)

Mecanismos: o Estenose por placa aterosclerótica das coronárias (oclusão por trombo; diminuição do fluxo sanguíneo para aumentar o consumo de O2; hemorragia da placa aterosclerótica; êmbolos; espasmo coronário; vasculite; fístulas);

Manifestações clínicas: o Principal sintoma DOR retroesternal, profunda e visceral, semelhante à dor anginosa porém mais intensa, dura mais tempo; palidez, sudorese, náuseas, tonturas, ansiedade, inquietação, sensação de morte iminente, agitação, extremidades frias; o Dispneia súbita, edema pulmonar, perda súbita de consciência, fraqueza profunda, arritmias, diminuição inexplicável da TA e morte súbita; o Hipofonese dos sons cardíacos; ritmos de galope; sopro sistólico por disfunção músculo papilar; atrito pericárdico; engorgitamento jugular (enfarteVD);

Complicações: o Agudas ou precoces – arritmias(alterações do ritmo e condução – taquicardia sinusal; fibrilhação ventricular), choque cardiogénico (falha da bomba), IC, embolismo (pulmonar e/ou arterial sistémica), ruptura do miocárdio (dissociação electromecânica, ruptura da parede, do septo e/ou dos músculos papilares) e pericardite; o Tardias – aneurisma ventricular (área não contráctil com movimentos paradoxal; IC, maior risco de tromboembolismo), síndrome pós-enfarte tardio de Dressler, síndrome ombro-mão, hipodinamia circulatória (não adaptação da circulação a novas exigências) e psiconeurose pós-enfarte;

Avaliação: o Identificar dor torácica:

Natureza e intensidade; Início e duração; Localização e irradiação; Factores precipitantes e agravantes.

Pág. 3 o Questionar quanto ao estado de saúde: medicação actual (aspirina), patologias anteriores (AVC, úlcera), … o Avaliar o estado cognitivo, comportamental e emocional; o Reunir informações relativas aos factores de risco; o Identificar as reacções relativas aos familiares e pessoas significativas.

Intervenções de enfermagem: o Dor relacionada com diminuição da perfusão sanguínea

Reduzir a dor

• Enquanto se procede a monitorização cardíaca e dos SV, manter dialogo com o doente; • Administrar nitroglicerina SL;

• Avaliar novamente os SV;

• Administrar morfina

• diminuição a actividade simpática (VC, FR, PA, ansiedade – atenção aos doentes com DPCO, PA e idosos);

• em relação a maperidina (demerol), atenção a acção vagolítica (leva ao aumento da FC) o Ansiedade relacionada com ambiente da UCI e ameaça de morte

Aliviar a ansiedade

• Explicar o equipamento utilizado e a frequência na avaliação de alguns parâmetros vitais; • Explicar a importância em limitar o número de visitas;

• Permitir que exteriorize os seus sentimentos;

• Observar quanto aos sinais de aumento de ansiedade (FC, PA, FR)

• Administração de ansiolíticos

• Explicar o motivo e objectivo da sedação;

• Despiste de sinais colaterais.

Nota: a via de eleição na administração de terapêutica é IV. o Diminuição de DC relacionado com a contractilidade cardíaca

• Manter a estabilidade hemodinâmica

Monitorização ECG contínuo (arritmias aumento do consumo de O2, disritmias e ESSV)

Monitorização contínua dos parâmetros hemodinâmicos

• Obter leituras de PAP, CO

• Calcular IC, RVS Monitorizar PA (aumento PA aumento pós-carga aumento consumo de O2; diminuição PA diminuição perfusão coronária) e PAM Monitorizar FR (despiste de EAP por insuficiência ventricular esquerda)

Observar quanto à dispneia, taquicardia, ortopneia, secreções brônquicas espumosas Avaliação da PVC Distensão jugular, pele fria, diminuição PA, auscultação pulmonar insuficiência ventricular direita Avaliação de temperatura (aumento 24-48h por necrose tecidular) Avaliar débito urinário. Balanço hídrico rigoroso Avaliar os electrolíticos séricos o Intolerância à actividade relacionada com diminuição da oxigenação para realizar AVD Aumentar a tolerância à actividade

• Garantir o repouso no leito diminuição a FC, volume sistólico, TA diminuição lesão residual promover a cicatrização o Minimizar o ruído ambiental

Pág. 4 o Manter a temperatura ambiente confortável o Elaborar um plano de actividades em parceria com o doente o Promover actividades recreativas o Necessidade para modificar as actividades a curto prazo o Alternância de decúbitos

• Ajudar nas AVD o Protocolo de levante o Introdução progressiva de actividades de acordo com a tolerância

Elevação da cabeceira a 90º Levante para a cadeira Elevação dos membros inferiores o Alteração da perfusão miocárdica relacionada com aumento zona de isquémia Manter perfusão tecidular

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