Segurança do paciente: Higienização das mãos

Segurança do paciente: Higienização das mãos

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SEGURANÇA DO PACIENTE Higienização das mãos

SEGURANÇA DO PACIENTE Higienização das mãos

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Elaboração Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Ministério da Saúde)

Agência Nacional de Vigilância Sanitária SEPN 515, Bloco B, Edifício Ômega CEP: 70.770-502, Brasília - DF

Diretor-Presidente Dirceu Raposo de Mello

Diretores Agnelo Santos Queiroz Filho Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques José Agenor Álvares da Silva Maria Cecília Martins Brito

Coordenação Camilo Mussi Leandro Queiroz Santi

Coordenação Técnica Fabiana Cristina de Sousa Heiko Thereza Santana

Redação Adjane Balbino de Amorim - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa/MS Celso Luíz Cardoso - Universidade Estadual de Maringá – UEM - PR Fabiana Cristina de Sousa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa/MS Heiko Thereza Santana - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa/MS Icaro Boszczowski - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP – SP/ Hospital de Itapecerica da Serra - SP Isabela Pereira Rodrigues – Hospital Universitário de Brasília - DF João Nóbrega de Almeida Júnior - Hospital Tapuapé - SP Julia Yaeko Kawagoe - Hospital Israelita Albert Einstein - SP Luci Corrêa - Hospital Israelita Albert Einstein – SP/Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP - SP Lycia Mara Jenné Mimica – Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - SP Regina Maria Gonçalves Barcellos - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa/MS Silvia Figueiredo Costa - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP - SP

Revisão técnica – Anvisa/MS Carolina Palhares Lima Cíntia Faiçal Parenti Flávia Freitas de Paula Lopes Fernando Casseb Flosi Magda Machado de Miranda Rosa Aires Borba Mesiano Sâmia de Castro Hatem Suzie Marie Gomes

Revisão técnica externa Anaclara Ferreira Veiga Tipple – Universidade Federal de Goiás – UFG – GO Edmundo Machado Ferraz – Colégio Brasileiro de Cirurgiões – CBC Karin Lohmann Bragagnolo – Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná – UFPR – PR Mariusa Basso – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP – SP Mirtes Loeschner Leichsenring – Hospital das Clínicas – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – SP Plínio Trabasso – Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar – ABIH Valeska de Andrade Stempliuk – Hospital SírioLibanês - SP

Colaboradores Centro Brasiliense de Nefrologia - Brasília- DF Hospital do Coração do Brasil - Brasília- DF Hospital Santa Luzia – Brasília- DF Andressa Honorato de Amorim (Anvisa) Melissa de Carvalho Amaral Rogério da Silva Lima – OPAS/OMS

Capa e Projeto gráfico João Filipe de Souza Campello TDA Comunicação

Ilustrações “técnicas de higienização das mãos” Paulo Roberto Gonçalves Coimbra

Fotografias “técnicas de higienização das mãos” Almir Wanzeller Luiz Henrique Pinto Raimundo Walter Sampaio

Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária

APIC Association for Professionals in Infection Control and Epidemiology CCIH Comissão de Controle de Infecção Hospitalar CDC Centers for Disease Control and Prevention CFT Comissão de Farmácia e Terapêutica CIM Concentração inibitória mínima ESBL Extended-spectrum β-lactamases EUA Estados Unidos da América FDA Food and Drug Administration

GGTES Gerência Geral de Tecnologia em Servicos de Saúde GIPEA Gerência de Investigação e Prevenção de Infecções e Eventos Adversos HIPAC Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee

HIV Vírus da imunodeficiência humana

MLEE Multilocus Enzime Electrophoresis MRSA Methicillin-resistant Staphylococcus aureus OMS Organização Mundial de Saúde PCR Polymerase chain reaction PFGE Pulsed-field gel electrophoresis

Portaria GM/MS Portaria do Gabinete do Ministro/Ministério da Saúde

Portaria MS Portaria do Ministério da Saúde

PVPI Polivinilpirrolidona iodo RAPD Random Amplification of Polymorphic DNA

RDC/Anvisa Resolução de Diretoria Colegiada/Agência Nacional de Vigilância Sanitária

REP-PCR Repetitive extragenic palindromi c- PCR

RFLP Restriction Fragment Length Polymorphism SCIH Serviço de Controle de Infecção Hospitalar TFM Tentative Final Monograph for Healthcare Antiseptic Drug Products UFC Unidade Formadora de Colônia UTI Unidade de Terapia Intensiva VRE Vancomycin-resistant enterococci

I APRESENTAÇÃO 7 I INTRODUÇÃO 9 I CAPÍTULO 1 | PERSPECTIVA HISTÓRICA 1 IV CAPÍTULO 2 | ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS DA PELE 17 V CAPÍTULO 3 | EVIDÊNCIA DE TRANSMISSÃO DE PATÓGENOS POR MEIO DAS MÃOS 21 VI CAPÍTULO 4 | CONTROLE DA DISSEMINAÇÃO DE MICRORGANISMOS MULTIRRESISTENTES 27 VII CAPÍTULO 5 | PRODUTOS UTILIZADOS NA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 3 VIII CAPÍTULO 6 | INSUMOS E EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 51 IX CAPÍTULO 7 | HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 57

X CAPÍTULO 8 | EFEITOS ADVERSOS PROVOCADOS PELOS PRODUTOS UTILIZADOS PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 69

XI CAPÍTULO 9 | MÉTODOS E ESTRATÉGIAS PARA PROMOVER A ADESÃO ÀS PRÁTICAS DE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 75

XII CAPÍTULO 10 | IMPACTO DA PROMOÇÃO E MELHORIA NA ADESÃO ÀS PRÁTICAS DE HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 89

Segurança do Paciente | Higienização das Mãos 7

A higienização das mãos é reconhecida, mundialmente, como uma medida primária, mas muito importante no controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Por este motivo, tem sido considerada como um dos pilares da prevenção e controle de infecções dentro dos serviços de saúde, incluindo aquelas decorrentes da transmissão cruzada de microrganismos multirresistentes.

Estudos sobre o tema mostram que a adesão dos profissionais à prática da higienização das mãos de forma constante e na rotina diária ainda é baixa, devendo ser estimulada e conscientizada entre os profissionais de saúde. Torna-se imprescindível reformular esta prática nos serviços de saúde na tentativa de mudar a cultura prevalente entre os profissionais de saúde, o que pode resultar no aumento da adesão destes às práticas de higienização das mãos. Dessa forma, exige a atenção de gestores públicos, diretores e administradores dos serviços de saúde e educadores para o incentivo e a sensibilização dos profissionais à questão. Todos devem estar conscientes da importância da higienização das mãos nos serviços de saúde visando à segurança e à qualidade da atenção prestada.

Para contribuir com esta finalidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa/MS) apresenta o manual “Segurança do Paciente - Higienização das Mãos”. Buscou-se um aprofundamento dos conteúdos da recente publicação da Anvisa/MS “Higienização das Mãos em Serviços de Saúde”, publicada no ano de 2007, assim como uma ampliação do tema, trazendo outros conteúdos bem sistematizados e de interesse.

O presente manual se destina aos profissionais que atuam em serviços de saúde, em todos os níveis de atenção. Ainda, contribui com informações relevantes sobre o tema para apoiar as ações de promoção e melhoria das práticas de higienização das mãos, pelos profissionais de saúde, administradores dos serviços de saúde, diretores de hospitais, educadores e autoridades sanitárias. Houve preocupação, por parte dos autores, em tratar os temas que compõem o conteúdo deste manual com orientações claras, eficazes e aplicáveis sobre o tema.

A Anvisa/MS espera, com a disponibilização deste manual, contribuir com o aumento da adesão dos profissionais às boas práticas de higienização das mãos, visando à prevenção e redução das infecções bem como à promoção da segurança de pacientes, profissionais e demais usuários dos serviços de saúde. Higienizar as mãos, conforme preconizado nesta publicação, consiste no primeiro passo para a busca da segurança e da excelência na qualidade da assistência ao paciente.

Claudio Maierovitch Pessanha Henriques Diretor da Anvisa

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As infecções relacionadas à assistência à saúde constituem um problema grave e um grande desafio, exigindo ações efetivas de prevenção e controle pelos serviços de saúde. As infecções nesses serviços ameaçam tanto os pacientes quanto os profissionais e podem acarretar sofrimentos e gastos excessivos para o sistema de saúde. Ainda, podem resultar em processos e indenizações judiciais, nos casos comprovados de negligência durante a assistência prestada.

Atualmente, a atenção à segurança do paciente, envolvendo o tema “Higienização das Mãos” tem sido tratada como prioridade, a exemplo da “Aliança Mundial para Segurança do Paciente”, iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) já firmada com vários países (http://w.who.int/patientsafety/en). A criação dessa aliança realça o fato de que a segurança do paciente, agora é reconhecida como uma questão global. Esta iniciativa se apóia em intervenções e ações que tem reduzido os problemas relacionados com a segurança dos pacientes nos países que aderiram a esta aliança.

As mãos são consideradas ferramentas principais dos profissionais que atuam nos serviços de saúde, pois são as executoras das atividades realizadas. Assim, a segurança do paciente nesses serviços depende da higienização cuidadosa e freqüente das mãos destes profissionais.

A Portaria do Ministério da Saúde MS n°. 2616, de 12 de maio de 1998 estabelece as ações mínimas a serem desenvolvidas sistematicamente, com vistas à redução da incidência e da gravidade das infecções relacionadas aos serviços de saúde. Destaca também a necessidade da higienização das mãos em serviços de saúde. A Resolução da Diretoria Colegiada RDC n°. 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde (Anvisa/MS), dispõe sobre Normas e Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, definindo, dentre outras, a necessidade de lavatórios/pias para a higienização das mãos. Esses instrumentos normativos reforçam o papel da higienização das mãos como ação mais importante na prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde.

O controle de infecções nos serviços de saúde, incluindo as práticas da higienização das mãos, além de atender às exigências legais e éticas, concorre também para melhoria da qualidade no atendimento e assistência ao paciente. As vantagens destas práticas são inquestionáveis, desde a redução da morbidade e mortalidade dos pacientes até a redução de custos associados ao tratamento dos quadros infecciosos.

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CAPÍTULO 1 | PERSPECTIVA HISTÓRICA

Fabiana Cristina de Sousa Isabela Pereira Rodrigues Heiko Thereza Santana

A prevenção e o controle das infecções relacionadas à assistência à saúde constituem grandes desafios da medicina atual. Desde 1846, uma medida simples, a higienização apropriada das mãos, é considerada a mais importante para reduzir a transmissão de infecções nos serviços de saúde1-3.

A história das infecções hospitalares acompanha a criação dos primeiros hospitais, em 325 d.C. Por determinação do Concílio de Nicéia, os nosocômios foram inicialmente construídos ao lado das catedrais. Porém, não havia normalmente separação por gravidade de doença nem técnicas de assepsia que evitassem a disseminação de infecções.

Há muito já era aventada a relação entre os hospitais e as infecções, mas foi apenas no século XIX, quando a medicina ainda era permeada pela Teoria da Geração Espontânea e pela Concepção Atmosférico-Miasmática, que James Young Simpson (1811-1870) indicou a realização de procedimentos cirúrgicos domiciliares, ao constatar que a mortalidade relacionada à amputação era de 41,6% quando realizada no ambiente hospitalar e apenas 10,9%, no domicílio4.

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