Endireite as Costas

Endireite as Costas

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ENDIREITE AS COSTAS Desvios da Coluna — Exercícios e Prevenção

Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

K78eEndireite as costas :desvios da coluna, exercí-
Bibliografia.
CDD - 616.73

Knoplich, José, 1935- cios e prevenção / José Knoplich. - São Paulo: IBRASA, 1989 1. Coluna vertebral - Anomalias 2. Coluna verte- bral - Doenças - Prevenção 3. Ginástica medicinal 4. Postura I. Título. I . Título: Desvios da coluna, exercícios e prevenção. -613.78

8-2227-616.7305

-615.824

Índices para catálogo sistemático: 1. Coluna vertebral: Desvios: Medicina 616.73 2. Coluna vertebral: Doenças: Prevenção 616.7305 3. Exercícios corretivos: Coluna vertebral: Fisioterapia 615.824 4. Ginástica postural: Fisioterapia 615.824 5. Postura correta: Higiene 613.78

Desvios da Coluna — Exercícios e Prevenção 5ª EDIÇÃO

À Profa. Laura Giora Gonçalves, pelo apoio e dedicação para a coordenação deste projeto

Aos professores

Joaquim Antunes dos Santos

Maria Ignês Pissolante Peligrini Nicandro de Almeida

O autor agradece a participação e dedicação a esse projeto dos professores de Educação Física da DRECAP-1

Divisão Regional do Ensino da

Capital - 1, que incentivaram o projeto de prevenção de escoliose na Zona Norte da Capital de São Paulo.

INTRODUÇÃO9
I. COMO USAR ESTE LIVRO13
Primeiro13
Segundo13
Terceiro14
Quarto14
I. ANATOMIA DA COLUNA16
I. POSTURA - EQUILÍBRIO ADEQUADO25
Introdução25
Coluna vertebral na postura ereta26
Evolução de Postura na Criança28
Coluna cervical e espáduas28
Coluna lombar29
Outros Detalhes de Postura31
Crescimento31
Centro de gravidade31
Joelhos e pernas31
Peso corporal32
IV. LEVANTANDO O CORPO DO CHÃO34
V. MOVIMENTOS DO CORPO - CENTRO DE GRAVIDADE37
Postura Estática39
Postura Dinâmica40
Estabilização da postura e sua definição41
VI. FATOR PSÍQUICO DA POSTURA42
Imagem Corporal42
Conclusões45
VII. ANTES É BOM ENTENDER DE EXERCÍCIOS47
VIII. VAMOS ENTENDER O QUE É ESCOLIOSE?59
Definição59
ESCOLIOSE IDIOPÁTICA59
Incidência60
Causas da Escoliose60
Fator Genético60
Fator Músculo60
Fator Ligamento61
Hiperlassidão Articular62
Fator Metabólico63
Fator Crescimento63
Papel do Sistema Nervoso Central64
Fator Equilíbrio e Postural64
Fator Orgânico65
Escoliose e Gravidez65
História Clínica65
JOVENS COM DORES NA COLUNA: DOENÇAS65
Exame Físico6
Teste de um Minuto6
Exame de Costas67
Exame Radiológico69
Localização da Curva71
DIAGNÓSTICO PRECOCE E CONTROLES73
TRATAMENTO DA ESCOLIOSE74
IX. O QUE É TREINAMENTO MUSCULAR?76
Treinamento das Meninas7
Período Infantil e Pré-puberal78
Outros Esportes81
X. AGORA, OS EXERCÍCIOS PARA ESCOLIOSE83
Exercício de Alongamento85
Exercícios de Flexão Lateral87
Exercícios de Rotação8
Exercícios para os Peitorais8
Exercícios Abdominais90
XI. TRATAMENTO CORRETIVO COM COLETE102
Colete Gessado102
Colete de Milwaukee102
Colete de Boston ou órtese toracolombossacra (OTLS)104
Estimulação Elétrica dos Músculos104
Evolução da Escoliose105
Tratamento Cirúrgico da Escoliose106
“Halo”' e Harrington1
Aspecto Emocional da Operação de Escoliose112
Escoliose do Adulto113
Exercícios com os Coletes113
XII. VAMOS ENTENDER O QUE É CIFOSE?115
Introdução115
Dorso Curvo Postural115
Cifose Juvenil de Scheüermann116
Cifose do Adulto118
XIII. EXERCÍCIO PARA A CIFOSE120
Exercício de Extensão da Coluna120
XIV. VAMOS ENTENDER O QUE É LORDOSE?124
Introdução124
Evolução124
Causas124
Exercício Para Lordose125
Encaixe de Bacia125
XV. ESQUEMA DE EXERCÍCIOS127
XVI. POSTURA128
Andar128
Jovens com Seios Grandes129
Modo de Dormir131
Tipos de Cama e Colchões132
Tipo de Travesseiro132
Cuidados com o Corpo133
Sapatos133
Coluna Lombar/Dorsal134
Para Concluir134

Muitas mães, com toda certeza, já pediram para a filha: "Endireite as costas!" e completaram: "Você está com uma postura horrível!".

Geralmente, esse aviso, repetido inúmeras vezes, é feito com a idéia de que as filhas têm uma postura inadequada ou as costas tortas porque querem. Veremos mais adiante que isso, na maioria das vezes, não é verdade. A postura errada é causada pelos desvios da coluna vertebral, que surgem independentemente da vontade dos jovens. Todas as mães (muito mais frequentemente que os pais) que gritarem seguidamente para a filha "Endireite as costas!" devem procurar um médico especialista da coluna.

Esta advertência insistente de endireitar as costas é mais dirigida às meninas do que aos meninos, pois essas é que têm, com maior freqüência, desvios de coluna.

Em duas oportunidades, por vontade própria, as meninas "entortam" as costas. Uma, quando são muito altas, maiores que os meninos de sua idade, e com isso ficam arqueadas, por timidez ou outros problemas psicológicos.

A outra circunstância é quando surgem os seios e a menina, por vergonha, procura escondê-los, acabando por produzir uma deformidade na coluna.

De qualquer maneira, por vontade própria ou porque é nas meninas que surge maior número de desvios, ou porque as mães exigem que as filhas tenham um porte mais elegante, são elas que ouvem com mais freqüência o brado "Endireite as costas!". Os meninos também têm desvios, porém com menor freqüência e gravidade do que as meninas.

Há, entretanto, um enorme número de outras mães (e pais) que nem sequer notaram que suas filhas adolescentes estavam ficando tortas, com um ombro mais alto do que o outro, ou um lado da cintura mais elevado do que o outro.

Quem chamou a atenção para o problema foi a professora de

Educação Física da escola, quando fez o exame biomédico, ou a professora de Bale. Quando a mãe foi avisada de que a criança tinha um desvio na coluna, surpresa, ela logo afirmou: "Más ela nunca se queixou de dor ou qualquer outra coisa!"

E verdade, esses desvios, por maiores que sejam, não causam sintomas clínicos, mas podem piorar com o passar do tempo, até os 18 anos, e se tornar causa de dores de coluna na idade adulta; por isso precisam ser tratados.

Está, pois, delimitado o problema para quem explicar os desvios de coluna, para as mães, para os adolescentes e professores de Educação Física e de dança e para todas as pessoas que lidam com a saúde da criança.

As mães, que vêem o desvio, o arqueamento das costas de seus filhos, principalmente de "suas filhas", ficam preocupadas e querem tomar alguma providência. Vão ao pediatra, que geralmente não dá importância, ou ao ortopedista, que manda nadar, não tendo tempo de informar sobre o problema. Os médicos especialistas de coluna são poucos. Assim, a ansiedade da mãe fica ampliada, porque não sabe o que fazer, e fica reclamando: "Endireite as costas!".

Para essas mães (e pais), é escrito este livro. Para que possam acompanhar o tratamento, a evolução da coluna de seus filhos.

Esta obra é também dirigida ao jovem adolescente, para que possa fazer os exercícios sozinho, se tiver boa vontade e disposição. Mas, o que é mais importante é que fique ciente do que tem, quais as possíveis implicações se não fizer o tratamento adequado. Todas as vezes que se apelou para a conscientização, os jovens têm correspondido, com melhor aceitação do tratamento.

Este livro foi escrito principalmente para o professor de Educação

Física, que, mais do que o fisioterapeuta e o fisiatra, tem contato com os jovens em idade escolar. Esses professores, em todos os países, desde 1960, estão sendo solicitados a colaborar com as equipes de Medicina Preventiva, para descobrir precocemente os jovens com desvios de coluna; e esses mesmos professores é que, depois, têm melhores condições de explicar os exercícios corretivos.

Na minha atividade didática junto aos professores de Educação

Física, fisioterapeutas e leigos em geral, encontrei sempre um contingente razoável de pessoas que tinham uma imensa curiosidade de entender o que estavam fazendo e queriam aprofundar os seus conhecimentos sobre os desvios da coluna e problemas posturais. Para tais leitores, ampliamos a parte de exercícios deste livro com uma base teórica, escrita em linguagem o mais acessível possível.

Para médicos especialistas da área, clínicos gerais e pediatras, escrevemos um tratado geral: Enfermidades da Coluna Vertebral, já na 2ª edição (1986), e um livro específico: Coluna Vertebral da Criança e do Adolescente (1985). Tentamos divulgar ao máximo a problemática da coluna por um livreto editado pela Nestlé (1986), que foi distribuído para 15.0 pediatras do País. Com o apoio de Biogalênica-Ciba-Geigy um outro livreto, com exercícios corretivos, foi distribuído para 30.0 médicos do Brasil sobre o mesmo tema. O Centro Brasileiro de Estudos da Coluna Vertebral edita, graças à colaboração da Syntex, o Informativo Sobre Coluna Vertebral, um jornal que sai 4 vezes por ano, distribuído para 15.0 médicos, com artigos científicos sobre esses temas. Em 1983 esse Centro lançou uma Campanha de Prevenção Nacional de Escoliose entre escolares, atingindo cerca de 40 cidades. Em São Paulo, sob o patrocínio de uma Associação pró-Paciente de Coluna (Apropac), ligada ao Centro de Estudos da Coluna Vertebral, e com o apoio da Secretaria de Educação do Estado, realiza-se na Zona Norte da cidade, desde 1983, censo cadastral cada vez mais amplo. No ano de 1983 - 5 escolas; em 1984 - 25 escolas; em 1985 - 62.0 escolares; em 1986 - 90.0 escolares; em 1987 - 110.0 alunos das 198 escolas coordenadas pela DRECAP - 1, com a colaboração entusiástica dos professores de Educação Física e a coordenação geral da profa. Loura Giora Gonçalves, beneficiaram-se com esse trabalho preventivo.

Desde 1986 até hoje, no Centro de Saúde do Tucuruvi, atendemos às crianças com problemas mais graves, dando-lhes uma assistência mais efetiva, realizando ginástica corretiva, no próprio Centro de Saúde, com a colaboração voluntária de professores da região.

Toda essa movimentação em torno da problemática da coluna dos escolares, que é feita numa área carente e pobre, deveria ser ampliada para toda a cidade e a nação. Na cidade de Milwaukee, E.U.A., desde 1968 realizase esse tipo de controle em um milhão e meio de crianças, observando-se que, com o passar dos anos, vai diminuindo o número de casos graves e de operações, graças a essa campanha preventiva.

Na Inglaterra, verificou-se que a campanha preventiva deve ser feita com voluntários, pois, quando o Governo ou as autoridades médicas resolvem realizá-la, burocratizam de tal maneira a campanha, com chefe, subchefe e diretores e com milhares de relatórios que, ao final, ela fica com um orçamento colossal.

Toda a movimentação descrita acima é feita sem nenhum ônus para o Governo e com a participação voluntária de pessoas de boa vontade; médicos, professores de Educação Física, assistentes sociais, diretores de escolas, etc., etc. A eles também interessará conhecer mais profundamente o problema da coluna e seus desvios, que é o assunto deste livro.

Aqui estão publicados os exercícios básicos para os problemas de desvios de coluna; portanto, este não é livro de ginástica ou de exercícios gerais. O professor de Educação Física criativo deverá complementar esses exercícios básicos. A coluna tem ginástica específica, mas não se deve deixar de lado a concepção de que o organismo do jovem, como um todo, necessita de atenção global. Musculação, exercícios aerobióticos, isométricos, respiração, sensibilização corporal precisam ser ensinados, mas não constam deste livro.

Os problemas posturais da coluna também serão aqui tratados resumidamente, pois já foram objeto de um outro livro, Viva Bem Com a Coluna Que Você Tem (14ª edição), também editado em slides e Tagora produzido em fita de videocassete.

Sabemos as limitações que este livro tem. Nossa pretensão é ajudar os jovens, esclarecer os pais, colaborar com os professores em geral e os de

Educação Física e fisioterapeutas, dentro dos limites possíveis. Estimular neste imenso país a prevenção dos desvios de coluna entre escolares é objetivo complementar à tarefa básica de ensinar exercícios corretivos para os desvios da coluna vertebral dos jovens.

Dr. José Knoplich

Dependendo do tipo de leitor que você é, talvez deva manusear este livro de formas diversas.

O que a mãe (ou pai) tem que saber.

Os pais têm a preocupação fundamental de não deixar os fi-lhos(as) apresentarem um defeito corporal para toda a vida, sendo possível preveni-lo ou evitá-lo.

A sensação de culpa, que inúmeros pais apresentam quando vão ao consultório, é muito grande. A culpa é porque não descobriram antes o desvio ou porque, quando descobriram cedo, o médico não deu importância, e, quando deu importância, o filho não quis fazer exercícios ou natação.

Então, vamos, de início, deixá-los sem complexo de culpa, mas conscientizados da problemática. Alguns informes básicos, antes de passar para os exercícios práticos. Se quiser leia com vagar a parte teórica.

Primeiro

Existe um enorme grupo de especialistas de coluna, dos mais afamados, geralmente norte-americanos, que afirmam que os exercícios para a coluna com escoliose ou cifose adiantam muito pouco. Se a coluna tiver que endireitar, a natureza fará o trabalho sozinha. Se tiver que entortar mais, somente duas coisas poderão resolver: o colete ou a operação. "Os exercícios adiantam muito pouco ou quase nada", dizem eles.

Outros especialistas, geralmente europeus, afirmam que os exercícios adiantam bastante, permitindo uma melhora postural geral, com maior conscientização corporal do jovem, que passará a cuidar mais adequadamente da coluna pelo resto da vida. Esses especialistas que acreditam nos exercícios dizem que existe uma enorme porcentagem de casos (97%) em que a coluna não evoluíra para curvas muito graves. A vigilância do médico, da própria família e da criança que pratica os exercícios corretivos permite localizar a pequena porcentagem (2 a 3%) dos casos em que, apesar dos exercícios, a curva piora, ou do uso do colete que resultou em cirurgia. O prof. Robert Winter, dos Estados Unidos, chamou esses casos de malignos. Felizmente são muito raros.

Segundo

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