Atenção à Saúde do Idosos

Atenção à Saúde do Idosos

(Parte 1 de 2)

Hoje estão aí trisavôs, avós, netos, bisnetos convivendo e vivendo uma história mais longa. Se, por um lado, essa situação permite que as histórias familiares, as situação vivenciadas sejam transmitidas diretamente por gerações diferentes, por outro lado exige cuidados, cuidadores e conhecer o processo de envelhecer, não como sorte de um outro membro da família e de amigos; significa saber o que fazer, como fazer, o que mudar.

•Hoje, morrer aos 60, aos 70, é morrer cedo; é interromper um processo de vida que podia significar alegrias, convivências, fazeres, antes não permitidos pelo trabalho, pela criação dos filhos.

Envelhecer sem significar sofrimento, envelhecer aprendendo cuidados novos, posturas de encarar a vida de frente...

•Nós, da Saúde, temos um papel essencial a desempenhar, para que envelhecer signifique vida com qualidade. Precisamos aprender como fazer, o que fazer, como cuidar, como tratar novas demandas, como respeitar os idosos em sua autonomia ou na ausência de autonomia.

O envelhecer da população brasileira é novo; significa que as condições de assistência à saúde, de saneamento básico, de controle das doenças infecto contagiosas estão dando resultados; significa que o conhecimento, e a tecnologia colocam-se ao alcance da sociedade.

Aceitamos esse desafio; preparemo-nos para um trabalho de qualidade na Atenção Básica de Saúde.

São Paulo, 21 de Julho de 2004.

Joana Azevedo da Silva

Coordenadora da Atenção Básica e PSF

I I --Atenção à Saúde do Idoso Atenção à Saúde do Idoso

1 -Introdução

•O envelhecimento populacional, que significa aumento da proporção de idosos na população é uma realidade; sendo assim, os serviços de saúde, bem como os profissionais, necessitam estruturar-se para atender à demanda desta população.

•O conhecimento de aspectos do processo de senescência (modificações peculiares do envelhecimento) e senilidade (alterações decorrentes de processos mórbidos) é fundamental para a prestação de uma assistência nos níveis de promoção, proteção e recuperação da saúde.

1 -Introdução

•Este material tem como objetivo orientar as ações de enfermagem na atenção à saúde do idoso, apontando peculiaridades a serem abordadas, visando um atendimento diferenciado, promovendo o máximo da autonomia e independência desta população.

•Considerando-se os princípios e doutrinas do Sistema Único de Saúde e o Estatuto do Idoso -Lei 1.741/03, este trabalho vem colaborar na organização de referência e contra-referência, prestando uma assistência voltada para a promoção da saúde do idoso, encaminhando o indivíduo para níveis secundário e terciário quando a indicação for preconizada.

1 -Introdução

Este documento não tem a intenção de abordar todos os aspectos relativos ao assunto, mas constitui-se como um norteador importante para a prática diária da(o) enfermeira(o), respaldado pela LEP 7498/86 e Resoluções do COFEN 195/97 e 271/2002.

2 -Fluxograma de Atendimento ao Idoso 2 -Fluxograma de Atendimento ao Idoso

3 -Avaliação Geronto-Geriátrica

Realizada de forma sistematizada tem como maior objetivo desenvolver um plano adequado de tratamento, considerando-se as especificidades relacionadas aos processos de senescência(alterações orgânicas, morfológicas e funcionais que ocorrem com o envelhecimento) e senilidade (modificações determinadas pelas afecções que freqüentemente acometem os idosos), auxiliando na redução de exposição e fatores de risco de agravos a saúde, visando a manutenção do estado funcional e cognitivo.

3 -Avaliação Geronto-Geriátrica

A Consulta de Enfermagem, realizada pelo enfermeiro deverá basear-se nos instrumentos da Sistematização da Assistência de Enfermagem como: o Histórico (Entrevista e Exame Físico),

Levantamento de Problemas e/ou Diagnóstico de

Enfermagem, Prescrição de Enfermagem e plano de Cuidado (anexo 1).

4 -Primeira Consulta de Enfermagem

Entrevista

•Identificação: Sexo, idade, estado civil (tempo), ocupação atual (tempo); profissão; escolaridade;

•Identificar: o conhecimento sobre sua saúde e os fatores de risco relacionados a agravos à saúde;

•Antecedentes familiares:hipertensão, diabetes, acidente vascular cerebral, câncer, demência;

•História atual e pregressa:queixa principal, doenças, tratamentos, cirurgias, vícios, quedas, sintomatologia;

4 -Primeira Consulta de Enfermagem

• Imunização;

•Uso de Medicamentos:prescritos, por conta própria, conhecimentos, dificuldades (econômica, deglutição, memória, manipulação, outras);

•Perfil Fisiológico:aspectos cardiovasculares e metabólicos; nível pressórico, colesterol, triglicérides, glicemia de jejum.

•Perfil Nutricional: Avaliação de Risco Nutricional (anexo 2); alimentação: composição, número de refeições, quem prepara, conservação; deglutição, mastigação.

4 -Primeira Consulta de Enfermagem

•Aspectos sensoriais: acuidade auditiva, acuidade visual, exame de fundo de olho; paladar, olfato, tato.

•Perfil psicológico:vícios (álcool, drogas, tabaco); cognição/memória -Escala Mini-mental (anexo 3); sono e repouso.

•Riscos familiares:obesidade, hipertensão, infarto, artrose, diabetes, câncer.

•Perfil sócio-cultural: lazer, atividades laborais, ocupação do tempo livre (freqüência, tipo, satisfação); espiritualidade: crenças, atividades, freqüência; ansiedade, estresse, depressão -Escala de Depressão de Yesavage (anexo 4).

4 -Primeira Consulta de Enfermagem

•Auto-cuidado: Atividades de vida diária (AVDs anexo 5); hábitos de higiene corporal e bucal (freqüência, dificuldades); vestuários (adequação/temperatura ambiente, elásticos, autonomia).

•Perfil de ambiente:tipo de moradia, uso de tapetes, corrimão, banheira, iluminação, animais domésticos, condições de higiene e segurança.

•Situação familiar:composição, necessidade/disponibilidade de cuidador.

•Sexualidade: parceiro, dificuldades/queixas, sexo seguro. •Hábito intestinal: freqüência, queixas.

5 -Exame Físico Geral e Específico

Avaliar

•Pressão arterial (posições senatda, deitada e em pé).

•Medidas antropométricas:peso, altura e estabelecer índice de massa corpórea.

• Cabeça:

–Fácies: simétricas, cicatrizes, erupções da pele, lesões, etc. Também podem sugerir doença renal ou disfunção glandular.

–Couro cabeludo: lesões, assimetrias, condições de higiene, etc.

–Olhos: acuidade visual, uso de óculos, sensibilidade à luz, edema, congestão, lacrimejamento, secura, catarata, movimentos extra-oculares, queda palpebral, movimentos não usuais, coloração da esclera, etc.

5 -Exame Físico Geral e Específico

–Ouvido: acuidade auditiva, cerúmen, secreções, dor, prurido, cuidados com o ouvido, etc.

–Nariz/narina: desvios, secreções, lesões, olfato, sangramento nasal, sensação de obstrução, dor e outros sintomas, etc.

–Cavidade oral: condições de dentição e/ou próteses, mucosa, odor à respiração, higiene, lesões, umidade, cor, infecções, etc.

•Pescoço: presença de nódulos, palpação da glândula tireóide, sopro em carótida; veias jugulares: distensão (cabeceira em ângulo de 45 graus).

•Pele e anexos:coloração, cicatrizes, icterícia, lesões; hidratação: turgor, xerodermia, etc; unhas: onicomicose, deformidades.

5 -Exame Físico Geral e Específico

•Tórax: forma, expansão simétrica a respiração, cicatrizes, anormalidades estruturais, etc.

–Ausculta cardíaca: freqüência, ritmo, pulso apical, arritmias, sopros, extra-sístoles, etc.

–Ausculta pulmonar: freqüência respiratória, ritmo, expansividade e ressonância. Qualidade dos sons respiratórios (estertores, roncos e sibilos).

–Mamas/mamilos: simetria, presença de massas/nódulos e secreções

•Abdômen:inspeção: simetria, hérnias, cicatrizes, veiais dilatadas, saliências, distensões, contrações fortes; ausculta: ruídos hidroaéreose sons vasculares; palpação: massas, pulsações e órgãos (fígado, baço); percussão: timpânico e/ou maciço.

5 -Exame Físico Geral e Específico

•Aparelho genitourinário: avaliação da região escrotal: simetria dos testículos, dor e massas; avaliação da próstata: urgência miccional, disúria; avaliação da região vulvar e vaginal: inflamações, presença de secreções, lesões e prolapso; coleta de colpocitologia oncótica.

•Aparelho músculo-esquelético (MS e MI):postura, força muscular, claudicação, hemiparesias, deformidades, dor articular; perfusão periférica: cor e temperatura.

•Avaliação Neurológica:o exame no idoso é de extrema importância e não deve ser omitido, pois as principais causas de incapacidade nesta faixa etária se dá pelos distúrbios neurológicos existentes.

5 -Exame Físico Geral e Específico

•Para se evitar as freqüentes mudanças de posição para avaliação do idoso, o que poderá ser intolerável para alguns idosos, recomendamos alguns passos da avaliação mais sistematizada:

–Idoso sentado: examina-se estado mental, o pescoço, os nervos cranianos, movimentos, a sensibilidade, os reflexos profundos.

–Idoso em pé: avaliar a postura, o equilíbrio e a marcha.

–Idoso deitado: avaliar o tono muscular, a força, a presença de movimentos anormais, os sinais meningorradiculares (rigidez de nuca, Brudzinski, Kerninge Lasègue).

5 -Exame Físico Geral e Específico

•Abaixo citamos alguns aspectos da avaliação neurológica considerada significativa no cliente idoso, uma vez que o exame utilizado é o mesmo do cliente adulto.

A) Nível de consciência: avaliar a orientação fazendo perguntas sobre: pessoa: nome próprio, profissão, nomes de pessoas próximas e sua ocupação; lugar: onde a pessoa está, cidade e estado; tempo: dia da semana, mês e ano.

5 -Exame Físico Geral e Específico

B) Função motora: verificar o movimento voluntário de cada extremidade, através de comandos específicos. Por exemplo: peça à pessoas para levantar as sobrancelhas, franzir a testa, mostrar os dentes, apertar as mãos. Para as extremidades inferiores, solicite que faça o levantamento da perna estendida.

C) Resposta pupilar: avaliar tamanho, forma e simetria de ambas as pupilas. Observar o reflexo direito e o consensual à luz.

D) Reflexostendinososprofundos: pesquise os reflexos do bíceps, tríceps,braquiorradial, patelar,aquileue plantar.

5 -Exame Físico Geral e Específico

E) Coordenação: teste a funçãocerebelardas extremidades superiores usando o teste dedo-nariz.

F) Postura e Marcha: solicite para que o cliente caminhe e observe marcha e postura. Sua avaliação é indispensável no exame neurológico.

•Vascular periférico:dilatação venosa, circulação colateral, engurgitamento jugular, varizes; pulso pedioso e perfusão periférica: enchimento capilar, cor e temperatura das extremidades; dor, claudicação intermitente, edema, cor, alterações cutâneas (pele fina, atrófica, lustrosa, queda de pêlos, coloração acastanhada no terço inferior das pernas, dermatite, fibrose, úlcera).

6 -Avaliação Laboratorial

• hemoglobina, •hematrócrito,

• albumina,

•creatinina,

•potássio,

•glicemia,

• hemoglobina glicada,

•colesterol total,

Exames laboratoriais básicos devem ser solicitados anualmente, visando-se identificar alterações:

•colesterol HDL e LDL, •triglicérides,

•cálcio,

•ácido úrico,

• fosfatase alcalina,

• clearence de cretinina,

7 -Consulta de Enfermagem Subsequente

•Entrevista direcionada a aspectos de relevância; •Exame físico geral e específico;

•Avaliar os cuidados prescritos e resultados obtidos conjuntamente com o cliente e/ou familiares/cuidadores;

•Avaliar resultados de exames e fazer encaminhamentos necessários para demais profissionais da equipe de saúde.

8 -O que Orientar Durante as Consultas

•Hábitos saudáveis (evitar fumo, álcool, drogas); • Exames preventivos;

•Tratamentos e uso de medicações prescritas;

•Atividade física regular

• Alimentação saudável;

•Ingestão de líquidos;

•Higiene pessoal e vestuário;

•Cuidados com pele e anexos;

8 -O que Orientar Durante as Consultas

•Cuidados com os pés; •Prevenção de quedas/segurança ambiental;

• Imunizações;

•Participação em ações de socialização e exercício da cidadania; • Recursos comunitários;

9 -Tratamento Medicamentoso e Não Medicamentoso

A(o) enfermeira(o), assim como os outros integrantes da equipe de saúde, atuam na sensibilização do idoso quanto à manutenção da qualidade de vida, bem como da autonomia e independência, especialmente durante a fase de envelhecimento.

Portanto o objetivo principal do tratamento não medicamentoso é diminuir a morbidade e mortalidade por meio de modificações do estilo de vida, como: reeducação alimentar, estimulação a prática de atividades físicas, dieta hipossódica, hipocalórica, controle glicêmico, entre outras.

9 -Tratamento Medicamentoso e Não Medicamentoso

Além disso, no tratamento medicamentoso, compete a(o) enfermeira(o) a transcrição dos medicamentos que são estabelecidos em programas oficiais de saúde pública

(tuberculose, hanseníase, diabetes, hipertensão, mulher, DST, entre outros) e em rotina aprovada pela SMS (exemplo:

Protocolos de Enfermagem Portaria SNS.G 1004/03). Sendo que a transcrição deve ser realizada somente durante a Consulta de Enfermagem.

10 -Saúde Bucal

As condições de saúde bucal dos indivíduos refletem as condições de vida, sendo assim as doenças bucais se diferenciam, dependendo da inserção social à qual o idoso pertenceu e/ou pertence. Neste contexto encontramos situações diferenciadas, que necessitam ser bem avaliadas e encaminhadas ao dentista, conforme a necessidade.

10 -Saúde Bucal

Serão relatadas a seguir orientações, a serem indicadas para os idosos, considerando-se situações diferenciadas:

Orientações Gerais: Independente da presença dos dentes é necessário limpar:

10 -Saúde Bucal

Língua:A língua deve ser higienizada com limpadores de língua ou mesmo com gaze enrolada no dedo ou em palito de sorvete, embebida em solução para a higiene. Para promover esta limpeza, a gaze deve ser embebida em solução 1/2 colher das de chá de bicarbonato em 1/2 copo de água. Não é preciso colocar força, esfrega-se levemente, para promover a limpeza. A língua também pode ser limpa com escova dental, com cerdas super macias.

10 -Saúde Bucal

Céu da boca, bochechas, gengivas:Também devem ser limpos com a mesma solução da língua e com gaze (enrolada no dedo ou no palito de sorvete).

A) Recomendações básicas para pacientes com uso de próteses

1. O sucesso da prótese depende em grande parte do próprio paciente, que deverá ter força de vontade e paciência para aprender a usá-la;

10 -Saúde Bucal

2. Para mastigar com a prótese, os movimentos devem ser mais lentos no sentido de abrir e fechar a boca, não fazendo movimentos para os lados ou para frente;

3. Usar somente os dentes do fundo na mastigação, para que não se desloquem s próteses;

4. Retirar as próteses para higiene depois de cada refeição;

5. Na hora da higienização segurar as próteses com firmeza;

6.Escová-lassobre uma bacia com água, para evitar que caiam e quebrem.

10 -Saúde Bucal

7. Orientar procurar um dentista em caso de quebra das próteses, não consertá-las em casa.

8. Escovar as próteses do lado de dentro e do lado de fora com escova dura (escova de unha) com sabão ou pasta dental.

9. Escovar o céu da boca, a língua e as mucosas internas da boca, com escova macia.

10. Orientar para que, se possível dormir sem a prótese para dar descanso às mucosas.

1. Caso o idoso durma com a prótese, recomenda-se retirar pelo menos a inferior, principalmente se a pessoa tiver hábito de apertar os dentes.

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