Conforto no ambiente de trabalho

Conforto no ambiente de trabalho

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INTRODUÇÃO

Atualmente tem-se observado na indústria uma preocupação quanto à melhoria das condições do ambiente de trabalho, visando à obtenção de maior produtividade. Este trabalho tem por objetivo mostrar a necessidade de um estudo mais amplo no que se refere aos aspectos a serem considerados na análise ergonômica do trabalho dentro do espaço industrial. Dentre estes, pode-se citar a relevância da iluminação natural para a atividade humana, como meio para a obtenção das condições de conforto no ambiente de trabalho.

A adoção de um projeto adequado às condições climáticas locais e necessidades inerentes da atividade exercida pelo operário, visam à otimização dos elementos que compõem a envolvente da edificação e que participam diretamente na melhoria da qualidade de vida do usuário do espaço.

RESUMO

Todas as mudanças tecnológicas, novos processos, máquinas, equipamentos, matéria prima devem ser analisadas, com a finalidade de garantir a saúde e segurança no trabalho, bem como preservar o meio ambiente.

A Higiene Ocupacional busca a antecipação, reconhecimento, avaliação, controle e monitoramento dos riscos ambientais: físicos, químicos e biológicos (ruído, temperaturas extremas, radiações, gases, vapores de solvente, névoas de óleo, fumos metálicos de solda, poeiras metálicas, agentes biológicos, etc.) presentes nos processos produtivos.

Diante desta filosofia, a área de Higiene Ocupacional leva todos os pontos polêmicos ou problemas existentes no ambiente de trabalho, relativos à saúde e segurança no trabalho, para comitês formados por área, com o objetivo de desenvolver conjuntamente ações corretivas e preventivas assim estabelecer prioridade ações que contribuam para que sejam desenvolvidos todo o processo de trabalho sem riscos garantindo assim a segurança do colaborador de forma habitual e permanente para que com êxito possa concluir o processo com maior segurança. Tendo assim sua integridade física protegida.

Palavras chave – saúde, riscos, controle, prevenção, processo.

1 - CONFORTO TÉRMICO NO AMBIENTE DE TRABALHO

É um conjunto de fatores interdependentes, materiais ou abstratos, que atua direta e indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados dos seus trabalhos.

Um local de trabalho, seja um escritório, uma fábrica, um banco, deve ser sadio e agradável. O homem precisa encontrar aí condições capazes de lhe proporcionar o máximo de proteção e, ao mesmo tempo, satisfação no trabalho.

Neste sentido, o ambiente de trabalho é composto de um conjunto de fatores, que podem ser agrupados em dois blocos, quais sejam: fatores físicos e fatores organizacionais do ambiente de trabalho. É importante salientar que, não há uma hierarquização de importância, pois um ambiente de trabalho é, na verdade, produto da contribuição desses diversos fatores.

Definição: é um estado de espírito que reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Se o balanço de todas as trocas de calor a que está submetido o corpo humano for nulo e a temperatura da pele e suor estiverem dentro de certos limites, pode-se dizer que o homem sente conforto térmico Lamberts et al (1997). As variáveis ambientais que influenciam este conforto são:

  • Temperatura do ar

  • Umidade do ar

  • Velocidade do ar

  • Calor radiante

Além destas variáveis, a atividade desenvolvida pelo homem (met:W/m2) e a vestimenta que ele usa (resistência térmica: Iclo) também interagem na sensação de conforto térmico do trabalhador, em seu ambiente de trabalho.

1.1 - MEIOS DE MEDIÇÃO DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS

  • Temperatura do ar (Tar):

A temperatura do ar pode ser medida com um termômetro convencional de mercúrio;

  • Umidade do ar (UR umidade relativa do ar):

Esta é obtida com ajuda de um aparelho denominado psicômetro giratório, que contempla dois termômetros: termômetro de bulbo úmido (TBU) e termômetro de bulbo seco (TBS), com os quais coleta-se a temperatura de bulbo úmido e a temperatura de bulbo seco, respectivamente. Com estas duas medidas encontra-se a umidade relativa do ar correspondente, fazendo uso da carta psicométrica.

  • Velocidade do ar (Var):

O aparelho mais indicado para medir velocidade do ar é o termo-anemômetro;

  • Calor radiante:

Este fator é medido através de um aparelho denominado termômetro de globo;

  • Temperatura radiante média (Trm):

A Trm é obtida a partir de duas equações da ISO 7726, uma de convecção natural e outra de convecção forçada (equações 7 e 8, respectivamente), tendo como principais variáveis: temperatura de bulbo seco e temperatura de globo.

Para precisar se um determinado local é ou não confortável, é necessário obter, ainda, o PMV e o PPD e compará-los aos valores recomendados pela ISO 7730. Estes valores são obtidos com ajuda de um software denominado Fanger.

Definições:

PMV: índice que estima o valor médio dos votos de um grupo de pessoas na escala se sensação térmica.;

PPD: porcentagem de pessoas insatisfeitas com o conforto térmico do ambiente.

Horas

TBS (° C)

0,10m

TBS (° C)

1,10m

TBU (° C)

Var (m/s)

U.R (%)

Tg (° C)

Sensação

Trm (° C)

14:00

25,80

25,40

20,8

0,15

67

25,4

+1

25,28

14:30

25,20

25,20

20,8

0,10

68

25,8

+1

25,99

15:00

25,20

25,60

20,8

0,11

65

26,0

+1

26,24

15:30

25,40

25,60

20,8

0,11

65

26,0

+1

26,19

16:00

25,00

25,00

20,8

0,09

69

25,4

+1

25,52

(Exemplo de avaliação de conforto térmico)

TBS (0,10m) = temperatura de bulbo seco na região dos pés;

TBS (1,10m) = atividade sedentária - altura média de uma pessoa sentada;

TBU = temperatura de bulbo úmido;

UR (TBS e TBU) = carta psicométrica;

Trm (TBS e Tg) = pequenos valores p/ Var - equação recomendada: convecção natural (equação 7 da ISO 7726);

Anotar a sensação térmica do usuário em relação ao local, utilizando a escala abaixo (ISO 7730);

Taxa de metabolismo

Anexo B da ISO 7730 - a atividade sedentária com poucos deslocamentos - taxa de metabolismo é de 1,2 met ou 70w/m² ou ainda, 0,86 x 70w/m² = 60kcal/hm².

Índice de resistência térmica do corpo

Anexo B da ISO 7730 - diferentes peças de roupa utilizadas pelo trabalhador no momento das medições ð Iclo = 0,57

b) Software Fanger

A alimentação do software comporta os dados da tabela 1, o Iclo, a taxa de metabolismo e, ainda, as incertezas dos equipamentos:

TBS: ± 0,2 ° ; U.R.: ± 2% ; Var: ± 0,1m/s ; Trm: ± 0,2 ° ;

Iclo: ± 0,05 ; taxa de metabolismo: ± 5W/m².

c) Análise dos resultados do exemplo

PMV:

O PMV obtido da opinião do usuário: 0 ... + 1;

PMV obtido pelo programa: 0,27 ... 0,58, o qual está coerente com os dados fornecidos pelo usuário;

Conforme a ISO 7730, os valores recomendados estão entre 0,5 < PMV < + 0,5.

PPD:

O PPD obtido pelo programa: 7,9% a 15%

PPD recomendado: 5% a 20%.

Neste caso, a sala de estudo apresentou-se confortável no período das medições.

1.2 - AMBIENTE TÉRMICO

Segundo Verdussen (1978), a temperatura é um ponto que deve merecer o maior cuidado, quando se busca criar adequadas condições ambientais de trabalho. Há temperaturas que nos dão uma sensação de conforto, enquanto outras tornam-se desagradáveis e até prejudiciais à saúde do trabalhador. Por este motivo deve-se atentar a temperatura do corpo humano para que não prejudique a saúde e a integridade física do mesmo.

Temperatura do corpo humano

Temperatura ideal do corpo = 36,5 graus.

O equilíbrio térmico do organismo é descrito pela equação.

M +- C +- H +- R – E = ZERO

(equação do balanço térmico)

O organismo humano, para a manutenção de sua estrutura, consome uma energia "mínima de repouso" que se traduz por uma "temperatura interna constante". A fim de manter sua temperatura interna constante o homem deve então comunicar-se com seu meio ambiente (Noulin, 1992).

As trocas de energia se realizam por:

Condução: é a propriedade de um corpo transmitir energia calorífica a outro, com o qual esteja em contato.

Convecção: trocas por intermédio de um fluido (ar ou água).

Radiação: troca de calor entre o organismo e o ambiente, que consiste na transmissão de energia por meio de ondas eletromagnéticas .

Evaporação: é o mecanismo mais importante do equilíbrio térmico. Quando as condições de temperatura ambiente atingem um nível tal que a dissipação do calor do corpo, tanto por radiação como por condução-convecção, não mais atende às necessidades do organismo, entra em ação o processo de evaporação do suor, que resfriará a superfície do corpo.

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