O livro negro do açucar

O livro negro do açucar

(Parte 1 de 9)

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Fernando Carvalho

R
Algumas verdades sobre a indústria da doença
O MOVIMENTO AÇÚCAR ZERO
GAÚCHOS DERROTAM A DITADURA DO AÇÚCAR

2006 Rio de Janeiro copyrightby Fernando Antonio Carneiro de Carvalho

Dedicado in memoriam a William Dufty e Robert Atkins. Um comia basicamente arroz integral, o outro carnes e gorduras. Ambos sabiam o nome do verdadeiro veneno da dieta do homem contemporâneo.

-Açúcar? Polidoro recusou. Balinho, indiferente, encheu-lhe a xícara de açúcar, fazendo mossa da recomendação. - Vai fazer bem. É indicado para emoções fortes.

Nélida Piñon

Do romance A Doce Canção de Caetana de

Se o açúcar fosse denunciado dos púlpitos científicos como um pecado, essa atitude comprometeria seriamente uma cultura industrial que se sustenta mutuamente, de alimentos e medicamentos.

Robert Atkins

A moderna fabricação do açúcar nos trouxe doenças inteiramente novas. O açúcar nada mais é do que um ácido cristalizado que está provocando a degeneração dos seres humanos e é hora de insistir num esclarecimento geral.

Robert Boisler

tornaram-se fontes de penúria

As mais avançadas fontes de saúde, graças a uma misteriosa distorção, Karl Marx

em novas formas de poder

O maior consumo mundial do açúcar não parece vir resultando de uma pura pressão econômica de consumo sobre produção. E sim, também, de facilidades tecnológicas para a transformação do simples açúcar em regalos industrializados. O papel desempenhado pelo anúncio nesse aumento de consumo é considerável. As técnicas de comunicação, de persuasão, de propaganda não se apresentam como simples servas de interesses econômicos, mas também como expressões de outros afãs no sentido da dominação de massas por grupos que se vêm constituindo Gilberto Freyre

Em 1984, George Orwell revela-nos o retrato de um mundo tétrico no qual todos são vigiados sem o pedido cínico de um sorriso pelo fato de estarem sendo filmados.

Quem vigiava e controlava até mesmo o pensamento era o Big Brother, espécie de George W. Bush e Idi Amin Dada numa só pessoa com o poder total nas mãos.

O cenário sinistro da distopia orwelliana pouco fica a dever ao mundo capitalista de hoje em guerra com o terrorismo que ele mesmo engendrou.

No tempo do Big Brother os lemas do Partido eram:

Guerra é Paz

Liberdade é Escravidão Ignorância é Força.

acrescentaria:

Inspirado no mundo em que vivemos eu Dulçor é morte.

Agradecimentos

Agradeço primeiramente a meus pais, o ferroviário Plácido Carvalho in memoriam e à doceira dona Ivonete que hoje só faz para mim doces com adoçante; a minha amiga Márcia Ribeiro que ajudou a por o livro em pé; a Marcello Anelhi, que levou os primeiros originais para o computador , o Marcello é um que riscou o açúcar de sua dieta e deixou para trás 20 quilos de gordura; a Aliedo pelas ilustrações; a Rafaela Capibaribe pela fotografia; ao jornalista José Gorayeb pelo copidesque; ao poeta Alexei Bueno pela revisão; ao doutor Sérgio Puppin pelo prefácio; às pessoas que leram os originais: Mônica Caire, Sérgio de Vasconcellos, Lisiane e a brizolista dona Iracema; os atkinianos Flávio Terra e Thereza Macruz; Maria Helena Imbassaí; meus irmãos Paulo e Jorge, a psicóloga Raquel Staerke; minha dentista Karinny Figueiredo; e aos amigos que formam uma espécie de torcida que me ajudou com estímulos, cobrança e também sugestões bibliográficas: o pintor Antonio Santos da Silva, a historiadora Jordana Ribeiro Urquiza, a festeira Leila Oliveira, o personal Léo; os livreiros Sérgio Calvoso, Francisco Olivar, Pimentel, Cláudia Stumpf e Alberto; o artista popular Raimundo Parabelum; o sociólogo Thomas Weiss; o comerciante Geraldo Filgueiras; o violonista Oldemário Carneiro da Cunha; o baterista Luiz Carlos Figueiredo; o aposentado João Baptista; o ator Guilherme Nogueira; o poeta e cantor Anísio Vieira, a saxofonista Suly, o encadernador Nina; o orientalista Jesualdo Corrêa; Mário Saldanha - o homem livro; o gastrônomo Carlos Ditadi; Lila, Marcos e Erick; e finalmente agradeço aos traficantes de açúcar: não fosse eu uma vítima da dieta açucarada moderna, não teria escrito este livro.

Açúcar, o doce amargo

A Humanidade evoluiu durante milhares de anos nutrindo-se dos alimentos que a natureza lhe oferecia.

E quais foram os alimentos responsáveis por nossa evolução através dos tempos?

Simplesmente aqueles que estavam ao alcance da mão: frutas, raízes, frutos do mar, aves, ovos, carnes em geral, gorduras e leite. O homem depois de descobrir que alimentos lavados na água do mar ganhavam um sabor especial, incorporou o sal à sua dieta. Em contrapartida, verificou que o mel conferia um sabor doce aos alimentos - e este passou a ser o seu adoçante. E assim, como temperos e condimentos, o homem foi selecionando gradualmente o que hoje se tornou requinte nas melhores cozinhas do mundo.

Apesar de na Antigüidade a vida média das pessoas ser menor, devido às duras condições de existência, muitas das doenças que atualmente são quase epidêmicas, naquele tempo eram menos freqüentes, dentre elas as doenças cardiovasculares e o próprio câncer.

Há menos de dez mil anos o homem dominou o cultivo das sementes, dando início à agricultura moderna. Há menos de mil anos conseguiu extrair o açúcar da natureza e há pouco mais de 400 anos praticamente universalizou seu consumo. Certamente este foi um dos principais fatores da disseminação da obesidade, do diabetes e outras doenças crônicas.

Atualmente a bioquímica humana revela que o coração é dependente de gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais, mas de nem um miligrama sequer de açúcar. Por outro lado o cérebro necessita da glicose proveniente dos alimentos. Por que então não ingerir grandes quantidades de açúcar para nutrir nosso cérebro? A glicose, leia-se o açúcar dos alimentos, não faz mal à saúde. O problema está no açúcar refinado. Durante o refino, inúmeros produtos químicos são utilizados para que o veneno doce fique branco, bem solto e bonito. Nesta hora, as fibras, os sais minerais, as proteínas e demais nutrientes são eliminados e o que sobra é um produto químico que é apenas calorias vazias. Afora isso, o consumo de açúcar produz um estado de superacidez que desmineraliza o organismo. O corpo então passa a ter falta de cálcio, magnésio, zinco, cobre e selênio, dentre outros nutrientes.

A sacarose é constituída de duas moléculas, uma de glicose e outra de frutose. A glicose que o açúcar refinado fornece à dieta é supérflua e nociva; a frutose, por sua vez, é a matéria-prima para formar colesterol. Assim, o açúcar refinado contribui duplamente para elevar o colesterol, já que a glicose estimula a produção de insulina e esta sinaliza para maior produção de colesterol pelo fígado.

Para aqueles que consideram o colesterol um verdadeiro assassino culpado pelas doenças cardiovasculares, lembro que tanto a hiperinsulinemia quanto a hiperglicemia fenômenos exacerbados pelo consumo de açúcar - são fatores maléficos mais importantes do que o colesterol. Por isso há uma tendência entre os médicos a recomendar taxas de glicose abaixo de 100 mg/dl e de insulina inferiores a 8 moUI/ml.

O culto do açúcar se inicia ainda nos primeiros dias de vida, quando as mamães mergulham as chupetas no açucareiro para acalmar os bebês e evitar que chorem. E continua ao longo da infância sendo estimulado pelos pais que oferecem doces e balas aos seus filhos, como presentes e prêmios. Sem contar com a televisão, que nos bombardeia com anúncios sedutores para induzir-nos a consumir esse doce que nos mata.

Tornar-se escravo dele é muito fácil, pois sua absorção é extremamente rápida, logo alcançando o cérebro, onde juntamente com a insulina libera triptofano, que se converte em serotonina, a qual tem ação tranqüilizante. Por isso é que quando uma pessoa está nervosa logo se oferece um copo de água com açúcar, que acalma.

Este O LIVRO NEGRO DO AÇÚCAR dá continuidade à luta iniciada com a obra

Sugar blues de William Dufty. Fernando Carvalho, porém, atualiza e confere mais consistência e dureza à crítica do açúcar feita pelo autor americano. Escrita num estilo franco e corajoso ela é um verdadeiro desafio aos homens e instituições responsáveis pela saúde pública em nosso país.

De forma didática, às vezes um tanto menos doce, mas com um toque de humor, o autor expõe a saga do açúcar desde seu advento na história, e sua evolução através dos tempos; mostra como o açúcar hoje impregna e encontra-se oculto nos mais diversos produtos, sobretudo nos alimentos industrializados. Seu livro é um verdadeiro eu acuso!, um alerta para as conseqüências desastrosas dessa situação. Fernando Carvalho defende a tese de que o açúcar, apenas ele, é o aditivo químico responsável pelo caráter patogênico da dieta humana e propõe, nada menos, que ele seja abolido da mesa com açucareiro e tudo. Parte da comunidade médico-científica e dos profissionais de saúde será tomada de surpresa.

SALVAR MUITAS VIDAS!

Fruto de um trabalho de pesquisa bem documentado, o alvo deste livro é o público em geral, mas tenho a certeza de que sua leitura proporcionará mesmo aos médicos e nutricionistas importantes esclarecimentos. Uma obra que efetivamente contribuirá para

Sérgio Puppin, cardiologista e nutrólogo, é professor do Curso de Geriatria e Gerontologia da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, membro da Academia de Ciências de Nova York e autor dos livros Doenças cardiovasculares, verdades e mitos e Ovo, o mito do colesterol.

Apresentação13
Onde foi que eu errei ?15
A revolução, a ditadura e a civilização do açúcar17
O conceito de alimento19
Alimento versus calorias21

A teoria dos açúcares 2

Açúcar não é açúcar: o simples e o complicado23
A diferença entre o do açucareiro e o das frutas25
Os açúcares do açucareiro26
A frutose27
Pureza e perigo27
O excesso de açúcar28
A guerra das dietas29
A dieta patogênica30
Dieta hipocalórica3
O elogio da gordura e do colesterol34
O sal e o açúcar na mesa36
Sal Assassino?37
Olfato e paladar38
Calorias negativas39
Açúcar e álcool39
Dos adoçantes40
O green card do açúcar41
Alimento ou veneno de rato? A toxicologia do açúcar43
O lixo químico fino do açúcar4
Alimento ou explosivo? Bombas de açúcar46
Açúcar e cárie dentária: a paranóia e a parafernália47
Açúcar causa dependência51
Açúcar e câncer52
Açúcar, obesidade e diabete53
Açúcar e crime I e I54
Açúcar e lavagem cerebral5
A magia do açúcar56
O pão nosso que o diabo amassou56
Chocolate com pimenta57

A EXPANSÃO DO IMPÉRIO DO AÇÚCAR O leite da moça 59

Barriga de cerveja61
Vinho com açúcar62
Açúcar para cachorro63
Picadinho açucarado64

Cerveja com açúcar 60

Falsificação de sucos de frutas6
A indústria da doença e a ciência67
A ditadura do açúcar e o aspartame68
O nutrólogo da Universidade de Harvard69
O químico da Universidade de Pittsburg70
O médico brasileiro71
Os três mosqueteiros australianos73
The New Sugar75
A Ingestão Diária Recomendável de açúcar76
Crítica da análise das recomendações médicas sobre o açúcar76
O Ministério Público e o açúcar78
Parecer do Conselho Federal de Nutricionistas79
A Organização Mundial de Saúde e o açúcar83
Tio Sam entra na briga84
A doce aliança (Lula, Bush, Fidel)85
O teor de açúcar dos alimentos86
Do fome zero ao açúcar zero8
2000 calorias e Governo de açúcar89
O subversivo da cesta básica90
Maçã com açúcar90
Café na merenda91
Diabete e guerra91
Índio quer açúcar92
Gandhi e o açúcar92
Índia desdentada93
Micropatriologia93
Os judeus e o açúcar93
Eçaé de Queirós 94
Carvão e Diamante de açúcar95
Plástico de açúcar95
Mais doce que açúcar95
Espíritos e açúcar96
Açúcar nas formigas96
Celulite, Estrias97
Enxaqueca97

AS MULHERES E O AÇÚCAR Endometriose 98

Pré-Eclâmpsia, Picamalacia9
Diabete gestacional100
Bebê balofo101
Rugas de açúcar101
A luta para largar o açúcar102
Supermercado o templo da perdição103

Menopausa, Menstruação e TPM 98

Os médicos e o açúcar105
O vertiginoso amigo do Dr. Fukuda107
A vida ou a morte do bebê?109
Açúcar e gastroenterologia110
A ecologia clínica1
O Dr. Joslin e o açúcar112
Anamnésia113
Teste de tolerância à glicose113
Açúcar e radicais livres115
A gênese dos bonecos de açúcar115
Teoria geral do diabetes118
Pau de açúcar120
Angola é aqui121
Estreptozotocina e açúcar121
Os ratos diabéticos121
Diabetologia ontem e hoje122
Açúcar e candidíase123
Açúcar e memória124
Açúcar e sistema imunológico124
Açúcar e doenças125
Açúcar e mau colesterol125
Açúcar antibiótico126
Açúcar e folclore medicinal126
Crime caseiro126
Açúcar e cromo126
O sedentário, o obeso; o tranqüilo e o gordinho127
Atividade física e açúcar127
Corra e morra mais rápido128
Obesidade nos Estados Unidos129
Açúcar pela contra mão130
Paulada na ADA131
As mentiras da Coca-Cola132
Açúcar na mídia134
William Dufty responde136

GUERRA AO AÇÚCAR Programas de Saúde 139

Açúcar nos dicionários e enciclopédias 140

Sugar Blues144
O fator homocisteína144
A dieta revolucionária145
O episódio Waerland146
Hebert M. Shelton147
Fordismo nutricional147
Alimentação dissociada do Dr. Hay147
Os adventistas do sétimo dia148
Os naturalistas149
Os macrobióticos150
Alimentos ácidos e alcalinos150
Gaúchos derrotam a ditadura do açúcar151
Ciência ocidental e sabedoria oriental152
Aonde se esconde o açúcar153
Doce holocausto156
O custo humano e ecológico do açúcar157
Doce glossário160
146 ways sugar can ruin your health165
Bibliografia175
Sobre o autor177

ANEXOS Contracapa 177

Este trabalho pretende dar continuidade, em novo patamar, à luta simbolizada pelo livro Sugar blues, de William Dufty, falecido em 28 de junho de 2002 com 86 anos em Birmingham, Estado de Michigan, Estados Unidos. Eu tinha esperança de que ele chegasse a conhecer o desdobramento que seu livro inspirou em condições tropicais. Já havia um rebento primogênito, o Sem açúcar, com afeto de Sônia Hirsch.

O livro de Dufty, por sua vez, foi publicado na esteira de outros tantos como o pioneiro Body, mind and sugar de Pezet & Abrahamson; The sweet malefactor, de W. Aykroyd; Saccharine disease de T. L. Cleaver; Low bloody sugar and you, de Frederick & Godman, e Sweet and dangerous de John Yudkin. Nenhum deles foi traduzido para o vernáculo.

Sugar blues, no entanto, se destacou como o mais famoso libelo sobre o açúcar.

Apareceu nos Estados Unidos em 1975; a edição brasileira é de 1978. Hoje o livro anda meio esquecido, além de marcado pela passagem do tempo. Conheço gente bem informada que o ignora; portanto creio oportuna a edição deste, que pretende, humildemente, ser o mais formidável dossiê jamais escrito sobre o açúcar.

Aqui há informações que são, eu diria, surpreendentes mesmo para quem leu o

Sugar blues. Por exemplo, sobre a toxicologia ou as propriedades explosivas do habitante do açucareiro.

O tratamento que dou ao tema e a maneira de expor são diferentes da utilizada por

humano

Dufty. Amarrando o assunto há uma hipótese ou teoria geral explicativa, ausente no Sugar blues, dando conta da revolução que o açúcar representou na história do gênero humano, desde seu advento como uma estranha droga doce consumida pelas elites até seu atual estatuto de novo ópio do povo que impregna quase tudo que entra pela boca do ser

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