Controle de erosão e escorregamentos em escarpa

Controle de erosão e escorregamentos em escarpa

(Parte 1 de 6)

FAPEMAT – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso -

RELATÓRIO FINAL Cuiabá, novembro de 2002

Área focodas erosões

Primavera do Leste Bacia do Araguaia-Tocantins Bacia do Prata

64 SUMARIO

Pág. I. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO I. SITUAÇÃO I. RESUMO

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO1
CAPÍTULO 2 – OBJETIVOS5
CAPÍTULO 3 - MATERIAIS E MÉTODOS6
CAPÍTULO 4 – RESULTADOS19
4.1. CONCEITOS E CONDICIONANTES DOS PROCESSOS EROSIVOS19
APRESENTAÇÃO DE CARTAS TEMÁTICAS34
4.2.1. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO34
4.2.2. CLIMA37
4.2.3. VEGETAÇÃO41
4.2.4. HIDROGRAFIA41
4.2.5. GEOLOGIA REGIONAL43
4.2.5.1. UNIDADE TERCIÁRIA-QUATERNÁRIA4
4.2.5.2. GRUPO BAURU4
4.2.6. GEOLOGIA LOCAL46
4.2.7. GEOMORFOLOGIA48
4.2.7.1. MORFOESCULTURA CHAPADA E
PLANALTO DOS GUIMARÃES48
4.2.7.2. CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS NA ÁREA50

4.2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA OBJETO E 4.2.7.3. ANÁLISE GRANULOMÉTRICA ........................................ 53

4.2.8. COMPARTIMENTOS MORFOPEDOLÓGICOS DA ÁREA5
4.3. COBERTURA PEDOLÓGICA E SUSCETIBILIDADE À EROSÃO58
EROSIVOS EXISTENTES EM PRIMAVERA DO LESTE63

4.4. DIAGNÓSTICO, CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS DOS PROCESSOS

TALUDE DA EROSÃO E NO ASSOREAMENTO79
4.5. PLANO DE CONTROLE DOS PROCESSOS EROSIVOS
EXISTENTES EM PRIMAVERA DO LESTE81
4.5.1. DETERMINAÇÃO DA BACIA DE CAPTAÇÃO DAS
ÁGUAS PLUVIAIS E DA VAZÃO DE PROJETO83

4.4.1. ENSAIO DE GRANULOMETRIA DOS MATERIAIS NO

INFILTRAÇÃO83
4.5.3. ALTERAÇÃO DO GREIDE DAS RUAS83
4.5.4. SISTEMA DE DRENAGEM AUXILIAR84

4.5.2. LOCAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DAS CAIXAS DE

CONDUÇÃO DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS84
4.5.6. VAZÕES DE PROJETO91
4.5.7. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DOS BARRAMENTOS92
4.5.8. ETAPAS DE CONSTRUÇÃO94
4.5.9. PLANO DE CONSERVAÇÃO DE OBRAS95
CAPÍTULO 5 – CONCLUSÃO97
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS100

4.5.5. IMPLEMENTAÇÃO DAS OBRAS DE ACUMULAÇÃO E ANEXOS: 102

ANEXO 1 – Mapa de Uso e Ocupação ANEXO 2 – Mapa Geológico ANEXO 3 – Descrição de Trincheiras e Análises Granulométricas ANEXO 4 – Mapa Morfopedológico

FIGURA 12
FIGURA 23
FIGURA 324
FIGURA 425
FIGURA 526
FIGURA 627
FIGURA 728
FIGURA 839
FIGURA 939
FIGURA 1040
FIGURA 140
FIGURA 1241
FIGURA 1343
FIGURA 1447
FIGURA 1553
FIGURA 1654
FIGURA 1754
FIGURA 1859
FIGURA 1963
FIGURA 2064
FIGURA 2164
FIGURA 267
FIGURA 2368
FIGURA 2469
FIGURA 2570

LISTA DE FIGURAS: FIGURA 26 ........................................................................................................... 72

FIGURA 2774
FIGURA 2876
FIGURA 2978
FIGURA 3080
FIGURA 3182
FIGURA 3285
FIGURA 386
FIGURA 3487
FIGURA 358
FIGURA 3689
FIGURA 3790
TABELA 115
TABELA 215
TABELA 357
TABELA 471
TABELA 573
TABELA 675
TABELA 77
TABELA 878
TABELA 979

V. DIFUSÃO DOS RESULTADOS 103 VI. PUBLICAÇÕES 103 VII. RECURSOS HUMANOS ENVOLVIDOS 104

À FAPEMAT, que viabilizou o trabalho com o apoio financeiro, e à Prefeitura

Municipal de Primavera do Leste pelo apoio logístico, em especial ao Sr. Prefeito Érico Piana e toda sua equipe de secretários, assessores e técnicos.

69 I. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO:

• Título:

• Área do Conhecimento/CNPq: GEOCIÊNCIAS • Coordenador: Fernando Ximenes de Tavares Salomão

I. SITUAÇÃO:RELATÓRIO FINAL

Projeto executado com recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de

Mato Grosso – FAPEMAT, através do convênio n° 2.1.02/000034-1998-04, e apoio logístico da Prefeitura Municipal de Primavera do Leste, Estado de Mato Grosso.

A cidade de Primavera do Leste, como ocorre com várias cidades no Brasil, foi vítima das modificações impostas pela ocupação humana sem que o planejamento considere a capacidade de suporte do ambiente.

Mato Grosso

O objeto deste trabalho foi estudar a dinâmica dos processos erosivos atuantes em zona de escarpa na área urbana e periurbana da cidade de Primavera do Leste, estado de

A abordagem metodológica aplicada fundamentou-se em concepções que buscam inter-relações entre as características do meio físico e o uso e ocupação do solo. Esta abordagem possibilitou a compartimentação da área estudada em cinco unidades morpedológicas. Como produtos dos trabalhos realizados, além de levantamentos do meio físico, é apresentada uma concepção voltada ao controle dos processos erosivos.

O presente relatório está sendo apresentado em cinco capítulos, sendo que o

Capítulo 1 faz uma introdução ao trabalho localizando e justificando a área de estudo; o Capítulo 2 apresenta o objeto da pesquisa; o Capítulo 3 faz uma abordagem quanto aos materiais e métodos utilizados na execução dos trabalhos; o Capítulo 4 apresenta os resultados e o Capítulo 5 as conclusões finais.

CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO

Os registros de grandes erosões no Brasil estão diretamente associados ao mau uso do solo, pelo desmatamento descontrolado, seguido de colonização, exploração agrícola do solo, abertura de ferrovias ou rodovias e expansão de áreas urbanas. Entre as razões relacionadas ao mau uso do solo, o desconhecimento da complexidade dos processos erosivos destaca-se como uma das mais importante, merecedoras de pesquisas mais aprofundadas. A bibliografia consultada ressalta sempre a necessidade de pesquisa tanto em nível regional como local, principalmente com relação à mecânica dos processos erosivos

Na maior parte dos municípios brasileiros, especialmente aqueles situados em solos arenosos, desenvolvem-se, em maior ou menor proporção, processos de erosão por ravinas e boçorocas, causadas principalmente pela concentração do escoamento superficial de águas pluviais e servidas (SALOMÃO, 1989). Primavera do Leste, em Mato Grosso, enquadra-se nesse contexto. A localização do núcleo urbano de Primavera do Leste nas proximidades da borda do Planalto dos Guimarães, divisor de águas das Bacias do Araguaia-Tocantins e do Prata, deixou-a em situação de risco, uma vez que não há um estudo sobre a estabilidade dos taludes que margeiam esse planalto, desconhecendo-se sua capacidade de resistir às modificações locais, geradas pela urbanização, como por exemplo o desmatamento de suas bordas, a impermeabilização dos solos, os acúmulos de lixo, o escoamento mais intenso e concentrado das águas superficiais, queimadas, trânsito de pessoas e animais, etc.

A área objeto do presente trabalho compreende o perímetro urbano e peri-urbano da cidade de Primavera do Leste, assentada sobre um platô que tem nas escarpas ao sul seu limite natural (Figura 1).

Figura 1 – Vista aérea da área de estudo, objeto desse trabalho

Está localizada no Centro-Oeste do Brasil, Região Sudeste Mato-grossense e a

Leste de Cuiabá-MT, tendo como reverência central as coordenadas geográficas de Longitude 54º 17' 41,8" W e Latitude 15º 3' 45" S.

Sua Altitude média é de 636 m, e a área municipal é de 5.664 Km2. Está à seguinte distância das principais cidades: Cuiabá a 230 km, Brasília a 900 Km, São Paulo a 1.500 Km, e Goiânia a 700 Km. Como limites municipais tem: ao Norte Paranatinga, Nova Brasilândia e Planalto da Serra, ao sul: Poxoréo, a leste Poxoréo e Santo Antônio do Leste, e a oeste Campo Verde e Poxoréo (Figura 2).

Situada em fronteira agrícola, a rápida ocupação territorial do município nas décadas de 80 e 90 foi acompanhada por um intenso desmatamento, gerando grande impacto ambiental que atingiu diretamente o solo e descaracterizau a fauna e a flora local. O solo exposto passou a ser agredido pelas águas pluviais, pelo vento e pelo sol. O uso e a ocupação inadequado do solo, aliado ao desmatamento irracional, em muitos casos com desrespeito aos limites legais estabelecidos pelo Código Ambiental do Estado, propiciou o desencadeamento de processos erosivos.

Figura 2 – Localização da cidade de Primavera do Leste.

A urbanização, como toda obra que envolve a construção de estruturas pouco permeáveis sobre o solo, faz com que o escoamento das águas superficiais sejam fortemente incrementados em detrimento do processo de infiltração. Essa alteração no ciclo natural das águas que se direcionam para o setor sul da cidade, acabam desencadeando degradação ambiental na borda, escarpa e fundo de vale do platô sobre o qual está assentada a cidade de Primaveral do Leste.

As águas concentradas pelas ruas formam enxurradas, que ganham volume e aceleração à medida que se aproximam da borda do platô. Ao descerem as escarpas, recoberta por vegetação de cerrado degradado, com trilhas e cercas formando caminhos preferenciais, as águas passaram a buscar esses caminhos e a desencadear processos erosivos que num momento seguinte geraram a instabilização dos taludes da escarpa. Esta instabilização acabou por gerar escorregamentos que abriram caminho à evolução dos processos erosivos, numa seqüência de solapamentos, colapsos e ravinamentos remontantes, em direção ao setor sul do núcleo urbano da cidade, ameaçando áreas públicas, comunitárias e particulares. Em vários pontos da encosta, ao longo da área de influência da ocupação urbana, podem ser observadas marcas deixadas pela erosão, numa ameaça de novos deslizamentos.

O presente relatório sintetiza a pesquisa realizada que compreendeu um diagnóstico dos processos erosivos e uma contribuição com soluções para o seu controle, subsidiando a proposição e aplicação de medidas preventivas e apresentando concepção de obras de contenção dos processos já instalados, beneficiando diretamente a população de Primavera do Leste residente nos bairros afetados pelas erosões, e impedindo a continuidade da degradação ambiental verificada nas cabeceiras de drenagens afluentes do rio Coité, afluente do rio São Francisco.

CAPÍTULO 2. OBJETIVOS

Fornecer uma base de entendimento sobre os condicionantes dos meios físico, biótico e antrópico, geradores de processos da dinâmica superficial, analisando-os de forma integrada e verificando sua interferência no comportamento hídrico da região, compreendida pelo perímetro urbano e periurbano da cidade de Primavera do Leste, e na cobertura vegetal de áreas de preservação permanente (cabeceiras, bordas de platôs, matas ciliares), de maneira a subsidiar e gerar ações de controle dos processos erosivos, disciplinando o uso do solo.

CAPÍTULO 3. MATERIAIS E MÉTODOS

Tendo em vista o objetivo do trabalho, foi adotado um roteiro metodológico que permitiu conhecer a dinâmica dos processos erosivos ocorrentes na área objeto, levantando suas causas e conseqüências, além dos condicionantes do meio físico e da forma de ocupação do solo. A partir desse conhecimento foram concebidos o projeto e as obras envolvidas. Essa concepção tem como referência metodológica proposta apresentada pelo DAEE-IPT (1990), que identificam três aspectos principais do meio físico influentes no desenvolvimento dos processos erosivos:

- ligados à natureza do solo, envolvendo principalmente as suas características físicas e morfológicas tais como: textura, estrutura e permeabilidade.

- ligados à morfologia do terreno, envolvendo principalmente a declividade e comprimento da encosta.

- ligados ao clima, envolvendo essencialmente a quantidade de água que atinge a superfície do terreno, causando a renovação do solo através das chuvas.

Procurou-se contemplar essas orientações numa seqüência de atividades que serão, apresentadas e agrupadas em 5 (cinco) etapas de trabalho.

1ª Etapa: Pesquisa Bibliográfica, Levantamento de Dados Disponíveis, Elaboração do Mapa Base e Caracterização Geral da Área Objeto

O conhecimento dos conceitos e das abordagens metodológicas de estudo, dos processos erosivos só foram possíveis a partir da pesquisa bibliográfica em confronto com informações extraídas no campo. Nessa etapa foram também selecionadas imagens de satélite e fotos aéreas, e extraídas informações sobre a legislação ambiental.

Para atender a essa etapa, foram realizadas as seguintes atividades:

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