UNISUL – UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

DISCIPLINA: TOXICOLOGIA DO TRABALHO

PROFESSOR(A): Dra. Claudia Regina dos Santos

ALUNO: Engo. João Henrique de Santiago

GÁS SULFIDRICO

Florianópolis- Agosto- 2008

GÁS SULFIDRICO

1) INTRODUÇÃO:

O gás sulfídrico (H2S) é um gás incolor, mais pesado que o ar, que forma mistura explosiva em contato com este , sendo altamente tóxico, e com cheiro de ovo podre em baixas concentrações e inibindo olfato em concentrações elevadas.

O gás sulfídrico também é conhecido como:

- Hidro sulfúrico

- Hidrido sulfuroso

- Hidrogênio sulfatado

- Ácido hidro sulfúrico

- Cru azedo

- Gás de ovo podre

- Gás hidro sulfúrico

- Sulfeto de hidrogênio

- Stink Damps

Principais propriedades:

- Solúvel em água;

- Queima facilmente, sua chama é azul e produz o SO2 (dióxido de enxofre);

- É um gás irritante;

- Forma misturas explosivas com o ar e durante o processo de corrosão, cria uma camada de FeS ( Sulfeto ferroso). Este fenômeno ocorre com freqüência nas superfícies internas de tanques, torres, vasos e tubulações (linhas) em geral;Esta escama ao entrar em contato com o ar, pode inflamar-se por auto ignição.

- Soluções que tenham absorvido gás sulfídrico, ao serem aquecidas podem liberar o gás em volumes perigosos;

- O H2S é altamente corrosivo para os metais;

- Sua toxidez se compara à do Cianureto de hidrogênio, e é mais mortal que o monóxido de carbono.

CARACTERÍSTICAS DO H2S

1- Peso molecular = 34,08

2- Peso específico = 1,189

3- Densidade = 1,539 g/l a 25,5oC e 20,0 atm a 25,5oC

4- Pressão de vapor =17,7 atm a 20oC

5- Temperatura de auto ignição = 260oC

6- Temperatura de ebulição = -60,4oC

7- Limite inferior de explosividade = 4,3%

8- Limite superior de explosividade = 46%

9- Solubilidade na água = 0,672g/100ml de água

10- Inflamável = sim

TABELA COMPARATIVA

Pode originar-se de várias fontes e muitas vezes é resultante de processos de biodegradação. Por exemplo, a decomposição de matéria orgânica vegetal e animal.

Usos: Produção de diversos sulfetos inorgânicos, ácido sulfúrico, compostos orgânicos sulfurosos, desinfetante em agricultura.

Na indústria do petróleo as principais fontes de exposição são: Perfuração e produção: poços de gás e óleo.

Transporte e armazenamento do petróleo.

Refinarias: efluentes líquidos, petróleo cru, hidrocraqueamento, bombas, hidrogenação, respiros de tanques, unidades de destilação do petróleo, águas ácidas, sistemas blow down, drenagem de tanques.

Sinônimos: Sulfeto de hidrogênio, hidrogênio sulfurado, ácido hidrossulfúrico, sulfeto de diidrogênio.

2) TOXICOCINÉTICA e 3)TOXICODINÂMICA

O gás sulfídrico é um gás altamente tóxico e irritante, que atua sobre o sistema nervoso, os olhos e as vias respiratórias. A intoxicação pela substância pode ser aguda, subaguda e crônica, dependendo da concentração do gás no ar, da duração, da freqüência da exposição e da suscetibilidade individual.

O H2S inibe enzimas que contêm metais essenciais como ferro (Fe) e cobre (Cu). Destaca-se a inibição da citocromoxidase, levando a bloqueio da respiração celular no interior das células. O H2S forma sulfetos metálicos (citocromoxidase-sulfeto), pela reação com o ferro trivalente (Fe3+) desta enzima. Em conseqüência, há um bloqueio na troca de elétrons na cadeia respiratória, o oxigênio não é consumido e não há produção de energia.

H2S interage com a metemoglobina, formando o complexo sulfometemoglobina. Combina-se também em pequena proporção com a hemoglobina, formando sulfemoglobina.

4) PRINCIPAIS RISCOS:

Os efeitos da intoxicação com este gás são sérios, similar aos do monóxido de carbono, porém mais intensos e podem permanecer por um longo período de tempo, podendo causar danos permanentes. Este gás tóxico paraliza o sistema nervoso que controla a respiração, incapacitando os pulmões de funcionar, provocando asfixia.

O H2S é um gás volátil, e a principal via de penetração é a respiratória. Experimentos com animais de laboratório mostraram absorção através da pele; contudo, no homem, a absorção por essa via é discutida.

No nível dos alvéolos pulmonares, o H2S solubiliza-se no líquido surfactante que cobre a superfície das células, ocorrendo reação com compostos básicos presentes no tecido. Durante a solubilização ocorre a hidrólise. A forma ionizada (H+) tem caráter ácido, enquanto que a forma molecular (H2S) é lipossolúvel e atravessa facilmente a membrana alveolocapilar, que tem uma composição lipídica. A partir desse ponto, o H2S atinge a corrente sangüínea, distribuindo-se para todo o organismo, produzindo efeitos sistêmicos:

  • No nível do sistema nervoso central: excitação seguida de depressão, particularmente no centro respiratório: fraqueza, dor de cabeça, náusea, vômito, hiperexcitabilidade, alucinações, amnésia, irritabilidade, delírio, sonolência, fraqueza, convulsões e morte. (Quadro abaixo).

Concentração do H2S (ppm)

Tempo de exposição

Efeitos

0,0005 - 0,13

1 minuto

percepção do odor

10-21

6 - 7 horas

irritação ocular

50 – 100

4 horas

Conjuntivite

150 – 200

2 - 15 minutos

perda do olfato

200 – 300

20 minutos

inconsciência, hipotensão, edema pulmonar, convulsão, tontura e desorientação

900

1 minuto

inconsciência e morte

1.800 - 3.700

instantes

Morte

  • No nível do sistema respiratório: tosse, às vezes expectoração sanguinolenta, polipnéia (respiração rápida), espasmo brônquico, às vezes edema agudo de pulmão, traqueobronquite, broncopneumonia tardia, rinite com anosmia (perda do olfato).

  • No nível cardiovascular: hipotensão, arritmias (taquicardia, bradicardia, fibrilação atrial).

A perda do olfato resulta da interação do H2S com o zinco (Zn), que é importante nas reações de percepção do olfato. A fadiga olfatória ocorre em 2 a 15 minutos, em concentrações acima de 100 ppm. Desta forma, o odor do H2S não é parâmetro seguro para se avaliarem concentrações perigosas.

A ação irritante do H2S sobre a pele e as mucosas gastrointestinal decorre da formação de sulfeto de sódio, surgindo prurido (coceira), queimação e hiperemia (vermelhidão). Nos olhos surgem conjuntivite, fotofobia, lacrimejamento e opacificação da córnea.

No aparelho digestivo, o H2S irrita a mucosa gastrointestinal e produz náusea e vômito.

A biotransformação do H2S ocorre muito rapidamente e envolve em parte reações de oxidação pela hemoglobina oxigenada e por enzimas hepáticas, formando sulfatos e tiossulfatos que são eliminados pela urina e pelas fezes.

Quando este mecanismo de desintoxicação é induficiente, como ocorre em exposição a concentrações muito elevadas, acima de 700 ppm, o H2S é eliminado inalterado no ar expirado.

Alguns estudos mostraram uma maior incidência de conjuntivite e queratoconjuntivites na exposição noturna. Isto poderia ser explicado pelos seguintes mecanismos:

1.       A biotransformação do H2S em sulfatos depende da glutationa, cuja concentração não é constante durante as 24 horas do dia.

2.       Pelas variações de concentração urinária de metais, havendo evid6encia de uma menor concentração de cobre e zinco à noite.

3.       Pela menor renovação celular do tecido epitelial da mucosa ocular e córnea, à noite.

5) FORMAS DE CONTROLE:

COMO DETECTAR O H2S?

Na atmosfera:

Papel embebido em acetato de chumbo - qualitativo

Tubos colorimétricos (bombas multi-gás) - quantitativo

Equipamentos portáteis de detecção - quantitativo e qualitativo

Sistemas fixos de detecção – quantitativo

Grau de Insalubridade (NR 15)

Máximo.

Grau de risco à saúde (API)

Altamente tóxico à exposição aguda.

Classificação de carcinogenicidade ocupacional (ACGIH / 95-96)

Não estabelecida.

Limites de tolerância

LT-MP ou TLV-TWA (ACGIH / 95-96) = 10 ppm, 14 mg/m3LT-ECD ou TLV-STEL (ACGIH / 95-96) = 15 ppm, 21 mg/m3IDLH = 300 ppmMAC (Rússia) = 10 mg/m3LT-NR 15 (Brasil) = 8 ppm, 12 mg/m3

6) SIMULE UMA SITUAÇÃO ONDE VOCÊ IMAGINA QUE PODE SER NECESSÁRIA A AVALIAÇÃO AMBIENTAL E BIOLÓGICA EM FUNÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL.

Uma obra de construção civil, localizada em uma área que foi utilizada como depósito de lixo orgânico por 20 anos. Etapa de fundações com escavações profundas e superficiais, onde é grande a emanação de gases entre os quais o gás sulfídrico. Como é grande a movimentação de funcionários durante os trabalhos, e o calendário da obra cobra resultados imediatos com relação ao tempo, é de suma importância o acompanhamento e a monitoração dos gases no local.

7) CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segurança do trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador.

Em termos simples, toxicologia pode ser definida como a ciência da ação de venenos em organismos vivos. De forma mais precisa, toxicologia é um ramo da farmácia que estuda os efeitos das toxinas e venenos também chamados de xenobióticos, esses podem ter origens vegetais, animais, minerais ou até mesmo sintéticas, bem como o tratamento de intoxicações. Apresenta grande importância na Medicina, Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia.

O engenheiro de segurança do trabalho tem como responsabilidade gerenciar, verificar e determinar ações seguras nos variados ramos de atividade, e deve sempre priorizar a ação toxicológica das varias substâncias, garantindo assim um maior cuidado com relação a saúde do trabalhador.

8) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Biblioteca Digital - WILKIPÉDIA.

Disponível na Internet via WWW. URL:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Toxicologia

RIVALDO, Sérgio – TOXICOLOGIA

Disponível na Internet via WWW. URL:

http://www.higieneocupacional.com.br/download/toxico-ind-rivaldo.doc

TAVARES, José Henrique da Silva –GÁS SULFÍDRICO

Disponível na Internet via WWW. URL:

http://www.higieneocupacional.com.br/download/gas-sulfidrico-jose-h-s-tavares.ppt#256,1,GÁS SULFÍDRICO

CAMPOS, Shirley de - Tóxicos / Intoxicações - Gás Sulfidrico (H2S)

Disponível na Internet via WWW. URL:

http://www.drashirleydecampos.com.br

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