Trabalho de psicologia

Trabalho de psicologia

(Parte 1 de 3)

Alunos:

Ana Laíde Videira Yamana

Dimas Francisco Vargem Zanon

Luciana Francisca de Barros

Luciana Sayuri Fugita Luíza Gonçalves Falcato

Professor Ms.: Pedro Zille Dutra

A adequação do ensino às características individuais dos alunos

A adequação do ensino às características individuais dos alunos

Psicologia da Educação 1

Sumário

A adequação do ensino às características individuais dos alunos2
Estratégias educativas de resposta às diferenças individuais2
As pesquisas ATI5
O projeto Head Start6

Tema Página

eixo da qualidade do ensino a partir de uma perspectiva construtivista7
As diferenças individuais no estado inicial dos alunos diante da aprendizagem8

A resposta à diversidade de capacidades, de interesses e de motivações na escola como um

atuação diferenciada10

A opção para um currículo aberto e ao ensino como uma tarefa de conservação constante e O que as adaptações curriculares, a opcionalidade e a diversificação curricular comportam? . 1

Curiosidades13
Referências Bibliográficas14

Sites consultados ....................................................................................................... 14

A adequação do ensino às características individuais dos alunos

Psicologia da Educação 2

A adequação do ensino às características individuais dos alunos

Estratégias educativas de resposta às diferenças individuais

A análise das características individuais do aluno e a sua relação com a aprendizagem1 escolar constituem um dos temas fundamentais na psicologia do ensino.

O objetivo dessa análise é de primeiro apresentar e discutir algumas estratégias gerais da resposta às diferenças individuais dos alunos que os diferentes sistemas educativos adotaram ao longo da história. Tais estratégias são analisadas a partir das diferentes concepções sobre a natureza e a origem das diferenças individuais, o que leva a destacar idéias baseadas na adaptação das formas e dos métodos de ensino e no ensino adaptativo como o mais adequado de acordo com a concepção interacionista2 das diferenças individuais que se adotou. A partir dessa tomada de posição, é possível analisar algumas das linhas de pesquisa e de aprofundamento teórico e empírico que desenvolvem essa estratégia com o fim de ajudar a colocá-las em prática. Assim, são consideradas em primeiro lugar as proposições das denominadas pesquisas ATI, centradas precisamente na pesquisa e interações entre características dos alunos e tratamentos ou métodos educativos. A valorização dos resultados dessas pesquisas leva a postular a importância de dispor de algum tipo de teoria do ensino que possa guiar conceitualmente a pesquisa para respostas básicas às questões sobre as características individuais dos alunos.

Seguindo a análise feita por Cronbach (1967) e Glaser (1977), cinco estratégias são utilizadas para o tratamento educativo das diferenças individuais dos alunos:

1. Estratégia seletiva: parte da premissa de que o aluno avance ou progrida no sistema educativo até o nível que as suas capacidades permitam e que abandone

1 a.pren.di.za.gem: sf (aprendiz+agem) 1 Ação de aprender qualquer ofício, arte ou ciência. 2 O tempo gasto para aprender uma arte ou ofício. 3 Psicol Denominação geral dada a mudanças permanentes de comportamento como resultado de treino ou experiência anterior; processo pelo qual se adquirem essas mudanças. Var: aprendizado.

2 Surge como uma alternativa para promover ambientes interativos de qualidade que promovam o diálogo efetivo entre alunos e professores, a interação social e a colaboração. Representada por cognitivistas como J. Piaget, o professor torna‐se o mediador, o “desequilibrador” de todo o processo de aprendizagem; provocando conflitos e situações problemáticas que estimulem a reversibilidade de pensamento e que levem ao educando a questionar sua ação, com também de “regulador”, mediando às inter‐relações dos alunos, dando ênfase a procedimentos democráticos e lúdicos. O aluno será o interagente. O conhecimento resultará da ação do aluno sobre a realidade e desta sobre ele. “A criança como o adulto, só executa alguma ação exterior ou mesmo inteiramente interior quando impulsionada por um motivo e este se traduz sempre sobre a forma de uma necessidade (uma necessidade elementar ou um interesse, uma pergunta, etc) [...] a visão de um mesmo objeto suscitará diferentes perguntas em uma criança ainda incapaz de classificação e em uma maior, cujas idéias são mais amplas e mais sistemáticas. Os interesses de uma criança dependem, portanto, a cada momento do conjunto de suas noções adquiridas e de suas disposições afetivas, já que estas tendem a completá‐las em sentido de melhor equilíbrio” (PIAGET, 1995, p.14).

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Psicologia da Educação 3 quando estas não forem suficientes ou adequadas para continuar. O sistema educativo tem alguns objetivos, conteúdos e métodos de ensino3 fixos e comuns para todos os alunos. Enquanto alguns alunos têm capacidade para alcançar esses objetivos e aprender os conteúdos mediante os métodos utilizados, outros não as têm, ou somente tem até certo nível de complexidade. Podemos citar, como exemplo, em um determinado momento e de acordo com os resultados obtidos em etapas anteriores da escolaridade, induzem os alunos até certas vertentes ou vias de ensino, impedindo-os ou desaconselhando-os ao acesso de outras; como também, as provas ou exames de grau para dar continuidade ao sistema educativo.

Estratégias educativas de respostas às diferenças individuais tem como objetivo a questão da adequação do ensino às características individuais dos alunos, não se trata somente de descrever e de tentar explicar as relações entre diferenças individuais e aprendizagem escolar, mas fundamentalmente de contribuir ao delineamento e ao desenvolvimento dos contextos e das formas de ensino que levam em conta as características dos alunos que dele participam.

2. Estratégia de adaptação dos objetivos: Compartilha com a ideia de que nem todos os alunos reúnem as capacidades necessárias para chegar a determinados níveis de aprendizagem e relação ao conjunto de objetivos e conteúdos do sistema educativo.

A educação não pode achar que todos os alunos realizem as mesmas aprendizagens, propõe-se estruturar os sistemas educativos de maneira que incluam diversas vias ou itinerários acadêmicos possíveis, que conduzam a finalidade e objetivos diferentes e aos quais os alunos se inscrevam de acordo com as suas capacidades, ou seja, com os seus interesses.

Essa estratégia apóia-se também em uma visão fortemente estática das características individuais. As decisões que o aluno é obrigado a tomar ou os caminhos educativos aos quais o dirigem o condicionarão decisivamente à futura inserção profissional e social e terão consequências diretas sobre o seu “status” potencial, sob o ponto de vista sócio-econômico e cultural

É importante que esses critérios básicos sejam aplicados na história escolar do aluno o menos tardiamente possível e que estejam apoiados em um sistema adequado de orientação escolar e profissional, inseridos no mesmo sistema educativo.

3 en.si.no: sm (der regressiva de ensinar) 1 Ação ou efeito de ensinar. 2 Forma sistemática normal de transmitir conhecimentos, particularmente em escolas. 3 Um dos principais aspectos, ou meios, de educação: Quem dá o pão dá o ensino. 4 Castigo. Var: ensinança.

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3. Estratégia temporal: Apresenta a ideia de que há um conjunto e conhecimentos que todo membro de uma sociedade deve adquirir e, portanto, o sistema educativo deve possibilitar aos alunos o tempo necessário para aprender esses conhecimentos. Entende-se que essa estratégia tem como principal objetivo trabalhar com as características individuais dos alunos através da diferença de ritmo em que cada um aprende.

adaptações, pois também traria bons resultados

4. Estratégia de neutralização ou compensação: relaciona-se com a consideração utilizada na estratégia temporal, na qual que o que importa para a aprendizagem não é a quantidade de tempo e sim a qualidade deste. Aplicando a grupos específicos de alunos. Dependendo das características do seu contexto social e cultural, os alunos podem ver as suas possibilidades de aprendizagem no sistema escolar diminuídas. A ideia central dessa estratégia é tentar neutralizar ou compensar com tratamentos educativos específicos antes do inicio da aprendizagem ou complementar a ela com a intenção de que todos os alunos cheguem a alcançar algumas aprendizagens e alguns objetivos escolares comuns. Ela pode ser ajustada a uma concepção interacionista das diferenças individuais, assumindo que tais diferenças possam modificar-se de acordo com determinadas características específicas da experiência educativa e das pessoas. Essa concepção surge como uma alternativa para promover ambientes interativos de qualidade que garantam o diálogo efetivo entre alunos e professores e que haja interação social e a colaboração. Esse trabalho de neutralizar ou compensar é desenvolvido com apenas alguns grupos de alunos. Sendo entendido como um tratamento educativo paralelo e/ou adicional. Mas se esse fosse desenvolvido com todos os alunos, não requereria

5. Estratégia de adaptação dos métodos de ensino: similar à anterior, porém, sugere que a adaptação e a flexibilidade dos tratamentos educativos sejam estendidas a todos os alunos de forma sistêmica. Considera que só é possível uma ação educativa otimizada levando-se em conta as características individuais dos alunos. Assim, entende-se que se trata de uma aproximação máxima possível de ajustamento entre as características individuais de todos os alunos e as formas e os métodos de ensino, na qual deve ser feita de modo generalizado na atuação educativa comum com todo o conjunto de alunos. Esses ajustamentos são decididos pelo professor a cada instante, durante o processo de ensino e aprendizagem, buscando sempre adaptar-se às características dos alunos nestes instantes.

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Conforme Corno e Snow (1986) apud Coll (2000), existem dois níveis de adaptação: a macroadaptação, com decisões no nível do delineamento, e a microadaptação, com decisões durante o processo. É importante ressaltar que estes dois níveis de adaptação estão diretamente relacionados e interdependentes, ou seja, para ser possível a microadaptação, deve ter sido deixado uma margem de manobra na macroadaptação (planejamento e delineamento), para uma macroadaptação consistente e assertiva é importante prever-se possíveis necessidades de microadaptação e deixar espaços para elas; exigindo muito conhecimento, dedicação e habilidade do professor. Tal estratégia fundamentaria o que ficou conhecido como ensino adaptativo, ou seja, uma metodologia com estratégias alternativas flexíveis de acordo com as características individuais dos alunos, mantendo sempre a referência em alguns objetivos e aprendizagens comuns a todos os alunos. A estratégia de adaptação dos métodos de ensino e o ensino adaptativo respondem a uma concepção interacionista das diferenças individuais, na qual se observa as características dos alunos nem as propostas educativas se mantém rigidamente, apesar de algumas metas gerais estabelecidas para todos os alunos. A concepção dos tratamentos educativos e das características dos alunos ocorre com a interação entre esses parâmetros, no processo de ensino e aprendizagem.

As pesquisas ATI

ATI (Aptitude Treatment Interaction) tem como objetivo geral analisar as possíveis correlações entre determinadas características dos alunos e os seus respectivos níveis de rendimento escolar. Trata-se de tentar determinar, de maneira experimental, quais são os tratamentos educativos mais adequados para alunos com certos tipos de aptidões/habilidades. O resultado mais importante e melhor estabelecido dessas pesquisas é a interação entre habilidade cognitiva geral e grau de estruturação do tratamento educativo. De acordo com os resultados, os tratamentos educativos com um elevado grau de estruturação mostram-se mais eficazes aos alunos com baixo nível cognitivo, e são ineficazes, quando aplicados a alunos comum nível cognitivo elevado. Para estes alunos, o ideal são os métodos de ensino menos controlados e estruturados nos quais eles podem atuar de maneira independente.

Para ajudar de modo decisivo a identificar as características individuais dos alunos, é preciso considerar desde o ponto de vista da análise e do delineamento das situações educativas escolares, por meio de quais processos ou mecanismos eles influem na aprendizagem, como também, até que ponto e de que maneira modulam o

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Psicologia da Educação 6 seu rendimento. Uma importância primordial na pesquisa e no delineamento para a elaboração de propostas concretas de macroadaptação e microadaptação, está em situar o problema das relações entre aptidões dos alunos e os tratamentos educativos.

O projeto Head Start

O projeto Head Start, desenvolvido nos Estados Unidos na década de 60, tinha como objetivo principal intervir no “ciclo da pobreza”, em um momento da vida das crianças – nos anos pré-escolares – considerado de especial importância para proporcionar-lhes experiências de aprendizagem que pudessem não ter tido no seu contexto habitual, no qual a escola constituísse um recurso básico para a inserção adequada e o êxito social, que as condições ambientais da maioria dos lares pobre não eram suficientes para preparar as crianças para o sucesso escolar e que uma assistência especial e específica nos anos pré-escolares poderia permitir o sucesso escolar das crianças desses lares e com isso, êxito social posterior. Proposto como um programa de férias acabou configurando-se como um programa de educação préescolar de aproximadamente um ano, que implicava a participação dos pais e de diversos setores da comunidade.

Os primeiros informes foram altamente favoráveis, pois mostravam em determinados testes-padrão as melhoras das crianças que participavam do programa, como também mudanças positivas na implicação dos pais na vida escolar de seus filhos. Mais tarde, apareceram informes que questionavam a efetividade do programa, como por exemplo, o informe Westinghouse o qual concluía que “quando o programa do ano letivo termina, o resultado parece uma educação compensatória mais efetiva que o programa de verão, por isso os benefícios não podem ser descritos como satisfatórios” (WLC,1969, p.1). Informes posteriores, ao contrário, voltaram a mostrar os benefícios do programa, a curto e médio prazo, em medidas de rendimentos em testes de inteligência, rendimento escolar ou nível de aspiração profissional (Royce, Darlington e Murray, 1983).

Hoje, este projeto ainda existe e muitas escolas americanas usam este tipo de programa.

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