Teoria Ambientalista

Teoria Ambientalista

Curso de Graduação em Enfermagem - Campus Macaé

Disciplina: História da Enfermagem

Turno: Manhã / Noite

Período: 1º

Profº: Joyce Muniz

TEORIA DE ENFERMAGEM DE FLORENCE NIGHTINGALE

Dos escritos de Florence Nightingale, o meio ambiente emerge como conceito principal, sendo considerado como todas as condições e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento de um organismo, capazes de prevenir, suprimir ou contribuir para a doença e a morte.

Nightingale tende a dedicar maior ênfase ao ambiente físico do que aos ambientes psicológico e social (embora estes aspectos sejam englobados pelo primeiro).

Esta tendência pode ser melhor compreendida ao considerar-se o contexto no qual Florence deu início à sua atuação como enfermeira, que envolvia o período inicial da industrialização na Inglaterra e os campos de Guerra da Criméia onde as péssimas condições de saneamento ambiental e a promiscuidade em que se encontravam os pacientes nos hospitais resultavam em altas taxas de mortalidade, exigindo atenção imediata e constante.

O meio ambiente engloba os elementos externos ao paciente que afetam a saúde do mesmo e o processo de cura. Dentre estes elementos, segundo Florence, destacam-se os que se seguem:

  • Ventilação: provisão de ar fresco, sem correntes de ar. Florence dizia que “conservar o ar que o paciente respira tão puro quanto o ar exterior, sem deixá-lo sentir frio é o primeiro e último princípio sobre o qual a atenção da enfermeira deve fixar-se, sem o que todo o restante que possa fazer por ele não terá nenhum valor...”

  • Iluminação: os doentes têm, depois do ar puro, a necessidade de iluminação, “e não é apenas a claridade que desejam, mas a luz solar direta”.

  • Calor: a enfermeira deve observar atentamente o paciente a fim de evitar que ele se resfrie, prevenindo a perda de calor vital, essencial à recuperação.

  • Limpeza: refere-se ao ambiente, pois, um quarto sujo é fonte certa de infecções, ao paciente, de quem a higiene cuidadosa “remove matérias nocivas do sistema”. Além de proporcionar alívio e conforto, à enfermeira, que “deve estar sempre limpa” e deve “ter o cuidado de lavar as mãos freqüentemente durante o dia”.

  • Ruídos: elemento ambiental para o qual a enfermeira deve estar atenta e qualquer sacrifício é válido para assegurar o silêncio, pois nem um bom arejamento, nem uma boa assistência serão benéficos para o doente, sem o necessário silêncio.

  • Odores: o odor resultante da doença deve ser removido do corpo. Ao ventilar-se o quarto do doente, deve-se evitar o ar proveniente de esgoto; os utensílios de quarto devem ser mantidos limpos, livres de odores e guardados em local apropriado.

  • Alimentação: essencial ao processo de cura, deve ser minuciosamente observada pela enfermeira.

Como se pode ver o conceito de meio ambiente engloba diversos elementos que, quando garantidos contribuem para que o processo reparador seja instituído. Esses elementos referem-se ao ambiente físico, pois, para Nightingale, quando este está adequado, pode-se dispensar maior atenção às necessidades emocionais do doente e à prevenção de doenças.

No que se refere ao ambiente psicológico, Florence reconhece que um ambiente negativo pode resultar em estresse físico, afetando emocionalmente o paciente. Para evita-lo, recomenda que se ofereça ao paciente uma variedade de atividades para manter sua mente estimulada, enfatizando a necessidade de comunicar-se com ele, dispensando-lhe atenção, evitando interrupções e tratando de assuntos agradáveis, evitando encorajar falsas esperanças.

O ambiente social é visto como essencial na prevenção de doenças e refere-se especialmente à coleta de dados relativos a elas, na qual a enfermeira deve empregar todo seu poder de observação. Isto significa que a doença assume características diferentes para cada paciente e a enfermeira deve estar atenta às mesmas.

Neste contexto, para Florence, a Enfermagem focaliza sua atenção no “uso apropriado de ar puro, iluminação, aquecimento, limpeza, silêncio e seleção adequada tanto da dieta quanto da maneira de servi-la, tudo com um mínimo de dispêndio da capacidade vital do paciente”.

Florence descreve dois tipos de enfermagem:

  • Enfermagem da saúde: requer algum ensino prático e tem por objetivo a prevenção de doenças e pode ser praticada por todas as mulheres.

  • Enfermagem da doença: arte e ciência que requer uma educação formal, organizada e científica para cuidar dos que sofrem com a doença.

Para Florence o conhecimento da Enfermagem envolve o que deve ser feito a fim de que o organismo não tenha doenças e para que possa recuperar-se de agravos à saúde, o que naquela época, conferia à Enfermagem duas perspectivas de ação: uma preventiva e outra curativa.

A Enfermagem contribui para o processo restaurador ao colocar o paciente em suas melhores condições para que a natureza possa agir sobre ele. Com este intuito, encarrega-se de prover um ambiente no qual o paciente possa ser cuidado por si próprio e/ou pelos outros. Embora a assistência esteja centralizada na figura da Enfermeira, Florence não exclui o paciente, afirmando que “ tudo o que o doente puder fazer por si mesmo, será melhor que o faça, isto vai significar para ele menos ansiedade”.

A doença é vista como um processo restaurador, que traduz um esforço da natureza para corrigir um processo de envenenamento ou de desgaste iniciado dias, meses ou anos antes. Com base neste ponto de vista, a Enfermagem é tida não como uma prática de cura, mas como uma prática que tem por principal função colocar o paciente em suas melhores condições para a natureza agir sobre ele. O papel da Enfermeira seria o de ajudar o doente a manter suas forças vitais a fim de prevenir a doença, resistir a ela ou recuperar-se dela.

A Enfermagem focaliza-se na pessoa experienciando um processo restaurador e não na doença de um órgão ou na fisiologia da pessoa como o faz a medicina.

A saúde surge, neste contexto, como resultante da interação de fatores ambientais, de modo que Florence a considera não apenas como o contrário da doença.

O ser humano é considerado por Florence como beneficiário maior das atividades de Enfermagem. Ela considera que o ser humano tem habilidade e responsabilidade de alterar sua situação existencial.

Florence visualiza os conceitos principais da seguinte maneira:

  • Ser humano ou indivíduo: a pessoa com as forças vitais restauradoras para manejar a doença.

  • Enfermagem: com a função de colocar o indivíduo nas melhores condições para a natureza agir, o que seria obtido basicamente pela ação sobre o ambiente.

  • Saúde/doença: focalizado como um processo restaurador.

  • Sociedade/ambiente: condições externas que afetam a vida e o desenvolvimento do indivíduo.

  • Ambiente: elementos externos à pessoa e que afetam tanto a saúde do doente quanto à pessoa saudável.

Florence Nightingale não utilizava a terminologia “Processo de Enfermagem”, hoje empregada. Mas valorizava práticas tais como: a observação, a experiência e o registro de dados fundamentais para o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho que acentue a possibilidade de resolução.

Referências:

GEORGE, J. B. et al. Teorias de Enfermagem. Os fundamentos para a prática profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.38-48.

NIGHTINGALE, F. Notas sobre Enfermagem. São Paulo: Cortez, 1989. 174 p.

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