epidemiologia

epidemiologia

(Parte 1 de 3)

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

ELEN OLIVEIRA

IANE FERREIRA

LAURA COSTA

LAIANE ORNELLAS

LÍGIA CORREIA

NAIARA NEIVA

NARA QUEIROZ

Cenário Epidemiológico e Nutricional no Brasil nos Últimos 50 Anos

Salvador

2009

ELEN OLIVEIRA

IANE FERREIRA

LAURA COSTA

LAIANE ORNELLAS

LÍGIA CORREIA

NAIARA NEIVA

NARA QUEIROZ

CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO E NUTRICIONAL NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 50 ANOS

Trabalho pré-requisito avaliativo da disciplina Epidemiologia do curso de Nutrição da Universidade do Estado da Bahia.

Professor Orientador: Luís Jorge Silva Teles

Salvador

2009

ELEN OLIVEIRA

IANE FERREIRA

LAURA COSTA

LAIANE ORNELLAS

LÍGIA CORREIA

NAIARA NEIVA

NARA QUEIROZ.

CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO E NUTRICIONAL NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 50 ANOS

Trabalho pré-requisito avaliativo da disciplina Epidemiologia do curso de Nutrição da Universidade do Estado da Bahia, com nota final igual a ______­­, conferida pela Banca Examinadora formada pelo professor:

Prof Orientador

Universidade do Estado da Bahia

Salvador, _____de ___________de 2010.

AGRADECIMENTOS

CORREIA, Lígia; COSTA, Laura; FERREIRA, Iane; NEIVA, Naiara; OLIVEIRA, Elen; ORNELLAS, Laiane; QUEIROZ, Nara. Cenário Epidemiológico e Nutricional no Brasil nos últimos 50 Anos. 2010. __ folhas. Trabalho pré-requisito avaliativo da disciplina Epidemiologia – Curso de Nutrição, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2010.

RESUMO

Se compararmos a realidade brasileira nos últimos 50 anos, notaremos uma mudança significativa no que se refere a aspectos demográficos, econômicos, políticos, epidemiológicos e nutricionais. Esses fatores têm reflexo direto na saúde e no perfil de doenças mais freqüentes no território brasileiro. Saímos de um quadro onde as doenças infecto-contagiosas – que têm como plano de fundo a subnutrição e o precário saneamento - eram causas principais da mortalidade. E, por outro lado, entramos em um novo momento, em que assumem destaque a obesidade, as doenças cardiovasculares e o diabetes – enfermidades multifatoriais que estão ligadas, em grande parte, a um novo padrão de vida (no qual permeiam alimentação, trabalho, globalização, assistência médica, etc). Dentro desse contexto, merece destaque a transformação do perfil nutricional do brasileiro, expressa diretamente no aumento das doenças não transmissíveis. Assim, conclui-se que a qualidade nutricional oferecida aos indivíduos interfere sensivelmente na relação saúde/doença dos mesmos, o que explica a íntima ligação entre as modificações alimentares e epidemiológicas ocorridas no Brasil.

Palavras-chave: Mudança. Mortalidade. Padrão de Vida. Alimentação. Doença. Epidemiológicas.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................

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2 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................

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3 OBJETIVOS ................................................................................................................

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3.1 Objetivo geral .............................................................................................................

3.2 Objetivos específicos ..................................................................................................

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4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO E NUTRICIONAL...............................................................................................................

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4.1 Lalalalalalalalalalalalalalalala...................................................................................

4.2 Lalalalalalalalalalalalalallalala..................................................................................

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4.3 Lalalalalalalalalalalalalalala......................................................................................

4.4 Lalalalalalalalalalalalalalala......................................................................................

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4.9 Lalalalalalalalalalalalalalalalalalalalala...................................................................

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5 METODOLOGIA ........................................................................................................

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6 CONCLUSÃO...............................................................................................................

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REFERÊNCIAS ..............................................................................................................

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APÊNDICES ...................................................................................................................

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ANEXOS ..........................................................................................................................

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  1. INTRODUÇÃO

O Brasil, apesar de inserido num contexto dotado de contradições econômicas, vem sofrendo uma série de transformações nos últimos 50 anos, em especial no que diz respeito a determinantes da relação saúde/doença da população.

A transição demográfica do espaço brasileiro (o êxodo rural) e da estrutura de empregos, que passa de uma demanda de mão-de-obra do setor primário da economia para o secundário e, sobretudo, o terciário; o declínio da mortalidade infantil, a diminuição da média de filhos por família, o aumento da expectativa de vida e, conseqüentemente, a mudança da pirâmide populacional, o maior acesso aos serviços de saúde (como pré-natal e vacinação), melhores condições de saneamento básico e o acesso aos meios de comunicação em massa, em especial à TV, caracterizam algumas dessas mudanças, o que resulta em novos estilos de vida, novas demandas nutricionais e novos perfis de morbi-mortalidade. Encontra-se aí a transição nutricional, caracterizada por uma inversão nos padrões de distribuição dos problemas nutricionais, sendo no atual contexto, uma passagem da desnutrição para a obesidade.

Diante disso, forma-se um novo cenário epidemiológico no país, caracterizado pelo declínio de doenças infecciosas transmissíveis e, em contrapartida, o aumento de doenças crônicas não transmissíveis, cujos fatores de risco são de origem multifatorial (considerando-se a associação íntima das mudanças no padrão de alimentação com o aumento de tais doenças). Modifica-se, então, o perfil de saúde da população: ao invés de processos agudos que se resolvem rapidamente através da cura ou do óbito, tornam-se predominantes as doenças crônicas degenerativas e suas complicações, que implicam em décadas de utilização dos serviços de saúde.

Dessa forma, é objetivo deste trabalho constatar tais mudanças no perfil de doenças e identificar as deficiências criadas no processo em questão. São transformações que requisitam investimentos, conscientização e ações condizentes com a atualidade. Assim, é fundamental apontar tais lacunas e sugerir soluções a partir de uma ampla análise calcada em profunda pesquisa bibliográfica levando em conta todo um contexto instalado, construído e assimilado gradualmente ao longo desses cinqüenta anos.

  1. JUSTIFICATIVA

  2. OBJETIVOS

  3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. APRESENTAÇÃO DO TEMA

AS TRANSFORMAÇÕES OCORRIDAS DE 1960 A 2010

Ocorreu uma grande modificação dos modos de vida se compararmos os últimos 50 anos tanto no Brasil quanto no mundo. Falamos de transformações culturais, históricas, políticas, econômicas, demográficas, alimentares, dentre outras que em conjunto desembocam no que denomina-se de transição epidemiológica e nutricional.

O cenário mundial de 1960 se caracterizou pela intensificação da guerra fria em que os Estados Unidos da América e a União soviética bombardeavam o mundo com um modo de vida característico de seu respectivo sistema (fato iniciado no fim dos anos 40). Nessa década nota-se o mundo bipolarizado, dividido em blocos que competiam entre si militar, tecnológica, ideológica e economicamente. Houve nesse tempo, no lado do regime capitalista (do qual o Brasil era pertencente), um grande medo da expansão comunista, ampliaram-se então as ditaduras principalmente no que se refere à América latina. Ao lado disso, existiam experiências inovadoras da contracultura, que se rebelava contra as imposições dos regimes ditatoriais, contra a ideologia vigente, contra a guerra do Vietnã. Expandiu-se o movimento hippie, o movimento feminista, o movimento estudantil. A partir dessa década o mundo passa a repensar questões como a liberdade sexual e a inserção efetiva da mulher na sociedade.

A década de 1970 foi decisiva para que o Brasil ingressasse no rol dos países com maioria da população urbana. Nessa época o país cultuava as músicas e o estilo de vida americano, intensificaram-se os movimentos ambientalistas e as revoluções comportamentais.

No início dos anos 1980 a guerra fria permanecia transparecendo até nos jogos olímpicos e ganham força empresas como o McDonald’s que lançam campanhas como "Quando a América Ganha, Você Ganha", sendo um dos maiores ícones do capitalismo ao lado de outras empresas como a Coca-Cola. No fim da década 1980 terminou a guerra fria, os EUA assumiram como potência mundial, expandiram um modo de vida consumista. Enquanto que no Brasil houve o movimento das “Diretas Já!”, ocorreu também a promulgação de uma constituição liberal e o fim da ditadura militar. Ao lado disso aconteceu uma grande depressão econômica, um crescimento descontínuo e um inchaço do setor terciário.

Em 1990 é indiscutível a evolução tecnológica, computadores, celulares, televisores, a informação cada vez mais rápida e abrangente. A globalização foi ampliada, o comércio foi dinamizado e cada vez mais consumíamos produtos de origens diversas. Houve no Brasil uma privatização massiva de empresas estatais, o neoliberalismo e o plano real. Várias multinacionais instalaram-se no país, o setor agropecuário cresceu vertiginosamente e a economia se viu livre da temida recessão dos anos 80.

Na década de 2000, notou-se no mundo a queda da popularidade da potência mundial com a entrada em uma guerra infundada, uma maior preocupação com questões de cunho ambiental, a tecnologia não para de inovar e de distribuir-se (mesmo que ainda estejamos longe de uma equidade). No Brasil nota-se a ascensão do presidente Lula com a quitação da divida externa e a ocupação de um local de destaque na política internacional. Nos fins da década observa-se uma crise global em que é clara a interdependência econômica e de como todos os setores são integrados.

O perfil do brasileiro mudou nos últimos anos assim como o perfil da maioria da população mundial devido ao fenômeno conhecido como transição nutricional associado ao perfil de transição epidemiológica. A transição epidemiológica foi retratada inicialmente referindo-se a transição demográfica que analisa os efeitos provocados nas taxas de mortalidade, fecundidade e natalidade ocasionada por uma mudança no perfil destes e, sua implicação tanto no ritmo de crescimento populacional quanto no crescimento em estatura. Contudo, paralelamente a transição demográfica, ocorreram demais estágios como período de pragas e fome, desaparecimento das pandemias sendo substituída por doenças emergentes e provocadas pelos homens, modificações no estilo de vida, ressurgimento de doenças e em seguida, período da longevidade paradoxal, emergência de doenças enigmáticas, e capacitação tecnológica para a sobrevivência do inapto. A tais estágios convencionou- se denominar transição epidemiológica.

Ocorreram no Brasil transformações em vários padrões epidemiológicos principalmente nos índices de morbidade e mortalidade precoce (logo, na diminuição da mortalidade infantil) quando se tratando das que estavam relacionadas com as doenças infecciosas e parasitárias, o aumento da expectativa de vida que está intrinsecamente relacionado com o aspecto anterior e um processo acelerado de urbanização e mudanças socioculturais responsáveis pelo aumento dos acidentes, crimes e atos violentos como também, por alterar o índice de determinadas doenças transmissíveis.

Tais mudanças associadas a redução do numero de filhos na família (possível devido ao uso de medidas de controle da natalidade como contraceptivos, preservativos que começaram a ser mais disponíveis e divulgados) permitiram uma nova conformação na pirâmide populacional brasileira que deixou de possuir uma base larga e ápice estreito para ter um formato mais abaulado, com a diminuição da sua base e o aumento do seu ápice.

De acordo com dados do Pnud o país adquire IDH 0,8 no ano de 2007, ao lado disso, tem-se a expectativa de vida em 72,7 anos em 2009 e 84,7% (IBGE, 2006) da população é classificada como urbana. Destaca-se aqui uma mudança da pirâmide populacional, aproximando-se com a de países desenvolvidos. Deu-se também nesse intervalo de tempo uma mudança do perfil de empregos, saindo do setor primário para o secundário e o terciário. Bem como, uma maior participação da mulher no mercado de trabalho, 43,1% das mulheres com 10 anos ou mais têm alguma ocupação com rendimento (IBGE- 2008).

A redução de morbimortalidade por doenças infecciosas parasitárias ocorreu devido ao desenvolvimento, descobertas de novos medicamentos, à vacinação obrigatória como medida de prevenção e controle (ocasionada pela vigilância epidemiológica), melhoria do saneamento básico e sua ampla distribuição bem como ampliação do acesso aos serviços de saúde principalmente a nível primário. Medidas como essas alem de permitirem a estabilidade de algumas doenças e o seu controle, possibilitaram também a erradicação de outras como a varíola e a poliomielite. Logo, o índice de mortalidade passou a ser constituído em sua maioria por doenças cardiovasculares, neoplasias e causas externas como homicídio.

Na 21ª Assembléia Mundial de Saúde concluiu que o conceito de DANT( doenças e agravos não transmissíveis) permitia a aplicação de malformações congênitas, envenenamento na infância, leucemia, abortos, acidentes, doenças profissionais, traumas, utilização de produtos nocivos a saúde, riscos ambientais, alem de fatores comportamentais de riscos para doenças crônico-degenerativas ( como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares). A partir dos anos 50, resultados de pesquisas permitiram fazer predições sobre a incidência futuras das DANT a partir do mapeamento dos principais fatores de riscos: tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, aumento dos níveis de colesterol sanguíneo etc. Em 2000, a 53ª Assembléia Mundial de Saúde aprovou resolução sobre a prevenção e controle de doenças não transmissíveis recomendando 1)Políticas publicas saudáveis que criem ambientes condizentes com estilos de vidas saudáveis e políticas fiscais de tributação diferenciada dirigida para bens e serviços saudáveis e insalubres, 2)Estabelecimento de programas para prevenção e controle da DANT,especificamente: avaliar e monitorar mortalidade e morbidade atribuíveis às DANT e o nível de exposições aos fatores de riscos e seus determinantes na população, busca da intersetorialidade e de metas factíveis requeridas para prevenção e controle da DANT. A vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis se diferencia das DANT tanto em relação aos métodos utilizados como em relação aos objetivos. Para as doenças transmissíveis a transição epidemiológica precisa conhecer cada caso individualmente para adotar as medidas de controle apropriadas. Logo, a vigilância epidemiológica aqui esta centrada na notificação obrigatória e imediata dos casos suspeitos, seguida de uma investigação que visa identificara fonte da infecção tendo como a principal intervenção preventiva interromper o mais cedo possível a cadeia de transmissão. Já para ... (genteeeee...tive que parar aqui pra fazer imuno e deonto..a continuação ta na ultima folha!)

Ainda assim, existem doenças infecciosas e parasitarias que afligem o mundo no panorama epidemiológico atual dentre exemplos a AIDS, a dengue e a malaria, ressaltando também que nem sempre as doenças não transmissíveis são resultantes do processo de urbanização, modernização e mudanças socioculturais na população. Muito contrario, algumas dessas doenças são tratadas e curadas devido aos avanços tecnológicos na área de saúde implicando assim que essas doenças encontram-se relacionadas ao difícil acesso ainda existente aos serviços de saúde.

Esse fator também contribuiu para que as famílias acabassem comendo mais alimentos industrializados e calóricos permitindo a coexistência da subnutrição e da obesidade (além de diabetes e dislipidemias) observado na sociedade brasileira nas ultimas décadas.

Com isso, uma população urbana, mulher profissionalizada, e as influências externas o tempo ganha destaque, junto a ele ganham espaço no mercado a refeição tomada fora de casa e um alimento de rápido preparo (daí um aumento da cultura do fast-food, dos alimentos pré-peparados, ricos em aditivos, conservantes e gorduras). Esse fator também contribuiu para que as famílias acabassem comendo mais alimentos industrializados e calóricos permitindo a coexistência da subnutrição e da obesidade (além de diabetes e dislipidemias) observado na sociedade brasileira nas ultimas décadas.

A passagem do país rural pra um país urbano, melhoria das condições de saúde e de saneamento básico bem como maior participação de trabalhadores deveriam elevar o estado físico e mental do individuo, contudo, observa-se que essas transformações interferem na renda, no estilo de vida, e também no perfil nutricional do individuo. Muito comumente, a evolução do perfil nutricional brasileiro está demonstrada em pesquisas qualitativas e quantitativamente pela ENDEF (estudo nacional da despesa da família), pelo PSNS (pesquisa nacional sobre saúde e nutrição) e PNDS (Pesquisa nacional sobre demografia e saúde) que nos esclarece que o Brasil se encontra com uma baixa prevalência de desnutrição infantil nas quais entre os principais determinantes destes avanços globais no perfil da população estão: queda da fecundidade, urbanização e saneamento básico, aumento de coberturas vacinais, redução de pessoas que se encontravam abaixo da linha de pobreza, ampliação das redes básicas de assistência e das praticas de atenção primaria a saúde, aumento da proporção alfabetizada (principalmente as mulheres) e ampliação dos meios de comunicação em massa.

Observa-se, porém, que essa redução mesmo tendo ocorrido em todo território brasileiro, não ocorreu de maneira uniforme. Isso acontece por inúmeros motivos dentre eles a estrutura demográfica (as pessoas se concentram mais nas cidades onde gastam menos energia devido ao acesso a transportes e também possuem acesso a variados tipos de alimentos, principalmente os industrializados), redução do tamanho da família e logo maior disponibilidade de alimentos para os indivíduos da família, uma dieta desequilibrada com o predomínio de alimentos muitos calóricos e de fácil acesso (cereais, óleo e açúcar) a população mais carente.

MODIFICAÇÃO NA PIRÂMIDE ETÁRIA DO BRASILEIRO

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