Revista Tendências

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(Parte 1 de 7)

Ano 14 - nº 129 - Julho/Agosto 2006 - R$ 2,50

FUVEST - UNICAMP 2007 Lista unificada de livros

Gil VicenteEça de QueirósCarlos Drummond

Manuel A. de Almeida Graciliano RamosMachado de Assis

Fernando PessoaJoão Guimarães RosaJosé de Alencar

Fuvest e Unicamp unificaram as listas de livros indicados como leitura obrigatória aos candidatos que se inscrevem em seus vestibulares, reduzindo de 17 para nove o total de obras. Seis são de autores brasileiros e três de portugueses. Para orientação dos estudantes, resumos e comentários das obras são apresentados nesta edição, em um trabalho especial da Profª Célia A. N. Passoni, do ETAPA, para Tendências do Vestibular.

A nova 1ª fase da Fuvest Leia análise: "A indefinição nas mudanças"

A república do curto prazo

A prova da 1ª fase da Fuvest 2007 terá 90 questões, das quais até 10% serão interdisciplinares. As demais (81, no mínimo) versarão sobre o conjunto das disciplinas do núcleo comum do Ensino Médio: Português, Matemática, História, Física, Geografia, Química, Biologia e Inglês. Candidatos provenientes de escola pública terão um bônus de 3% em suas notas da 1ª e da 2ª fase. Pela primeira vez, o número de vagas exclusivamente da USP ultrapassa 10 0. São exatamente 10 202.

Em artigo exclusivo, o Prof. Carlos Eduardo Bindi, do Etapa, analisa as mudanças de formato no exame da Fuvest.

Vunesp 2007

Páginas 3 e 4

Página 2 Unicamp 2007

Páginas 15 e 16

Páginas 5 e 6 Páginas 7 a 14

Devido ao crescente número de candidatos, a Unicamp está reestudando o modelo de sua 1ª fase, mas nenhuma modificação será adotada imediatamente, informa o Prof. Leandro Tessler (foto ao lado), coordenador do vestibular. As inscrições podem aumentar ainda mais com a implantação do novo câmpus de Limeira.

A prova de Conhecimentos

Específicos do vestibular da Unesp ficará menos trabalhosa este ano, informa o Prof. Fernando Dagnoni Prado (foto ao lado), diretor acadêmico da Vunesp. O projeto é eliminar a subdivisão em itens a e b das 25 questões da prova.

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No Brasil, a falta de uma Educação pública básica de bom nível é muito séria. Quando confrontada pelos vestibulares, essa deficiência fica gritante, escandalosa.

Um problema de tamanha gravidade não se resolve com soluções rápidas. São necessárias dezenas de anos de “tratamento”.

Falar em tratamento remete a uma analogia, que alguns devem conhecer, entre o vestibular e o termômetro que mede a febre. Se aplicamos o termômetro e observamos que o nível do mercúrio atinge os 40º C, que providências devemos adotar? Maldizer o termômetro, alterar a escala, trocar 40 por 36?

Há nessa “solução” muita semelhança com o que tem sido sugerido para fazer face às desigualdades enormes que surgem quando se aplicam os mesmos vestibulares entre estudantes do ensino médio público e aqueles que vêm da escola particular. Por falta de soluções estratégicas, opta-se por mudar regras nos exames, a escala do termômetro. Alterar o vestibular exige apenas uma ou duas penadas e obtêm-se resultados instantâneos. A aceitação é certa: o curtíssimo prazo é politicamente imbatível.

As propostas centram-se na reserva de vaga ou outras políticas inclusivas, que tratam o caso como uma doença incurável.

Não precisa ser assim. A educação pública básica da Coréia do Sul atualmente é respeitada como uma das melhores do mundo. Possui indicadores internacionais invejáveis – chegou ao primeiro lugar no PISA, programa de avaliação institucional do nível de escolaridade entre os países mais desenvolvidos do mundo. Mas os coreanos já estiveram ao lado do Brasil. Em 1970, seus índices educacionais eram tão ruins quanto os nossos. De lá para cá passaram-se 36 anos, período no qual a Coréia do Sul refez a história, enfrentando seriamente seus problemas, com medidas eficientes e duradouras.

Na década de 1960 a renda anual per capita coreana era de 900 dólares (como a de Gana). O Brasil prometia muito e a renda era o dobro desse valor. Sim, crescemos, e agora temos 8.0 dólares. Mas a Coréia foi muito além e atingiu fantásticos 20.400 dólares per capita (dados do FMI). Enquanto no outro lado do mundo comemora-se a superação dos problemas educacionais e – não por acaso – amplia-se o nível de vida da população, aqui estamos tratando enfarte com esparadrapo no tornozelo.

No Brasil, a triste história tem-se repetido e o nível geral da educação pública básica ficou até pior do que em 1970.

Ante esse quadro, o que se faz? Oferecem-se aos estudantes apenas “compensações históricas” pelos pecados educacionais. Ao contrário da Coréia, nunca foram aplicados projetos sérios de longo termo, nem se valoriza a meritocracia. Aqui os programas são feitos para caber no período curto dos mandatos, no máximo quatro anos.

A USP, a partir de 2007, e a Unicamp, desde 2005, concedem aos que tiveram o infortúnio de receber ensino público deficiente um vestibular com bônus de alguns pontos adicionais. Medidas simpáticas que, embora respeitem o mérito, não deixam de ser soluções de curto prazo.

Ajudam agora 100, 200, 300 estudantes. Nada contra, é muito bom que eles sejam ajudados pela universidade.

Mas, e os milhões de educacionalmente desamparados daqui a outros 36 anos? Teremos de esperar tudo isso para depois continuar a ouvir os mesmos lamentos? Para depois nos espantar com o sucesso de outros países que sabem que por mais duro que seja um tratamento sério ele sempre será superior à simples anestesia da ferida?

Publicação da

Gráfica Editora Guteplan

Redação: Rua Vergueiro, 1987 Tel.: (011) 2187-1000

Conselho Editorial Carlos Eduardo Bindi João Carlos Passoni Pedro Gallian Jr.

Editor Responsável

Henrique Nunes MTb 9573

Editor de Arte Adriano Emanuel Rodrigues

E D I T O R I A L A república do curto prazo

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USP ultrapassa

A USP, que sempre foi precisa nos comunicados sobre os vestibulares, definindo plenamente até maio as condições dos exames, este ano mostrou insegurança e dados ambíguos ao comunicar como será a próxima prova da Fuvest.

É certo que a mudança principal para 2007, que é o bônus de 3% nas notas dos estudantes provenientes do ensino público, foi apresentada de forma clara e em tempo. Entretanto, ao introduzir um número “indeterminado” de questões interdisciplinares na 1ª fase do vestibular, a USP prejudicou sua tradicional transparência.

Em junho, quando tradicionalmente todas as regras do vestibular estão definidas, a Pró-Reitoria de Graduação da USP ainda manifestava incerteza quanto ao formato do próximo exame. Na falta de números claros, apenas informava que “todas as disciplinas serão consideradas em igualdade de condições” e que “seriam mantidas as importâncias que elas sempre tiveram”.

Sobre essa afirmação pode-se lembrar que de certo modo não há exatamente igualdade na participação das disciplinas, já que Português, língua nacional, sempre teve destaque no número de suas questões, do mesmo modo que língua estrangeira, o Inglês, participa com menor total em relação ao das demais matérias.

Quanto à quantidade de questões interdisciplinares a ser adotada, a Pró-

Reitoria vagamente informou que “elas não seriam a maioria”. Um dado bastante genérico, que permitia suposições variando desde a presença de 1 até 4 questões interdisciplinares na 1ª fase.

No final do semestre a Reitoria da Universidade de São Paulo reduziu a imprecisão sobre as questões interdisciplinares, informando que elas ocuparão até 10% das 90 questões da prova (ver a publicação oficial na página 4). A faixa de variação caiu para o intervalo de 1 a 9 questões.

Assim, entramos na segunda metade do ano sem saber qual o número efetivo das questões por matéria e qual o total das interdisciplinares. O jornal “O Estado de S. Paulo” concluiu que os candidatos poderiam saber isso só “no dia do exame”.

Em agosto espera-se o fim dessas indefinições quanto à distribuição das questões. Mas os problemas não se localizam apenas nessa demora. Não é clara a relevância da alteração proposta para o formato do exame.

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