Manutenção preditiva

Manutenção preditiva

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Sistema de detecção Converte a radiação em sinal elétrico

Eletrônica Amplifica e condiciona o sinal

Visualização Imagem e a leitura da temperatura

Podemos citar as seguintes técnicas preditivas de inspeção: resistência de isolamento, medição de perdas dielétricas, medição da corrente de fuga, medições termográficas e decomposição harmônica da corrente de fuga.

3.6. Equipes de Inspeção termográfica

No inicio, a utilização desta técnica de manutenção preditiva estava limitada pelo peso e tamanho dos termovisores.

A evolução tecnológica permitiu a redução desses fatores; por exemplo, em 1965, o peso desses termovisores era superior a 30 kg. Hoje eles são portáteis pesando aproximadamente 2 kg, tem capacidade para o armazenamento digital dos dados, análise por meio do uso de computadores e de software específico, entre outras facilidades. E o que é mais importante a realização das inspeções são feitas por uma única pessoa. Os benefícios relacionados acima e as vantagens desta técnica preditiva tem impulsionado o uso generalizado em instalações elétricas.

3.7. Câmera de termografia ou termovisor

A luz visível, que é aquela parte do espectro eletromagnético que os nossos olhos são capazes de perceber, compreende uma parte muito pequena de todo o espectro, como pode ser observado na Fig. (20). Assim, aquilo que está fora do alcance dos nossos olhos, necessita de recursos especiais para poder ser detectados e visto.

Figura 20: Espectro eletromagnético

Para podermos “enxergar” no INFRAVERMELHO (IV) devemos utilizar câmeras especiais denominadas de TERMOVISORES e assim, a Termografia, é a tecnologia que permite “enxergar” nessa parte invisível para nossos olhos do espectro eletromagnético.

O termovisor é um equipamento destinado a aquisição e representação de uma imagem originária da recepção e tratamento de ondas eletromagnéticas dentro da faixa de (IV).

Figura 21: Termovisor

3.8. Utilização do termovisor na Light

A Light utiliza o termovisor da marca AGEMA, modelo Scanner 487, Fig. (35) e (36) do anexo, para a realização das rotinas de inspeção preditiva em suas instalações. O equipamento é da decada de 90 e de dimensões superiores aos existentes atualmente.

3.8.1. Procedimentos de medição Elementos considerados no início do procedimento de medição

3.8.1.1. Características dos equipamentos

Para uma correta análise da medição deve-se obter as seguintes informações dos equipamentos que sofrerão a intervenção:

• Identificar se o equipamento a ser inspecionado tem seu comportamento influenciado pela tensão aplicada, pela corrente passante, e/ou pelo fator de carga;

• Identificar os materiais que compõem os equipamentos a serem inspecionados, visando a determinação das respectivas emissividades envolvidas;

• Levantar a tensão / corrente / fator de carga relacionado ao equipamento no momento da inspeção;

• Levantar os valores nominais de tensão e/ou corrente do equipamento a ser inspecionado;

• Identificar condições de operação e montagem do equipamento a ser inspecionado;

• Identificar registro de ocorrências do equipamento a ser inspecionado.

3.8.1.2. Parâmetros a serem evitados ou corrigidos

• Velocidade do vento. Deve-se evitar a realização de medição termográfica em ambientes em que a velocidade do vento é superior a 25 km / h. Para velocidade inferior, utiliza-se a correção dos valores de temperatura encontrados, conforme Tabela (15);[10]

Tabela 15: Correção da velocidade do vento Velocidade do vento (km /h) Fator de correção

• Fator de carga, corrente passante e tensão aplicada;

• Radiação solar. Preferencialmente, as medições devem ser realizadas, a noite, ou em dias nublados, quando a radiação solar tem seu efeito minimizado naturalmente;

• Chuva;

• Poluição, neblina e névoa salina;

60 3.8.1.3. Parâmetros que são ajustados no termovisor

• Determinação da distância em metros entre o termovisor e o equipamento inspecionado. Deve-se garantir uma distância para que a região a ser avaliada do equipamento ocupe a maior área possível do termograma.

• Com a utilização de um termômetro é verificada a temperatura ambiente em °C;

• Utilizando um higrômetro verifica-se a umidade relativa do ar.

Quanto maior a umidade do ar do ambiente onde está sendo realizada a inspeção, maior será a atenuação na medição realizada;

• É estimada a emissividade do equipamento. Este valor está diretamente relacionado com as caracteristicas da superficie do equipamento.

Esses parâmetros são inseridos no termovisor conforme pode ser visto na

Fig. (2). Após a inserção começa-se a realizar uma varredura das temperaturas começando-se pela temperatura ambiente e observando-se o termograma. Com isso o observador, va identificando os pontos quentes do equipamento.

Figura 2: Tela do termovisor da Light com a configuração existente

3.8.2. Procedimento de calibração

Atualmente o termovisor da Light é calibrado pela empresa Flir Systems, situada na cidade de Sorocaba, São Paulo. O procedimento de calibração é o apresentado abaixo:

O procedimento de calibração foi desenvolvido para fornecer aos sistemas de imagens infravermelhas exatidão a uma medição específica, com precisão de acordo com os padrões internacionais.

Com o objetivo de estimar a incerteza de medição, a FLIR usa um grande número de corpos negros muito estáveis, trabalhando em diferentes temperaturas de 0 ºC a 1500 ºC. As temperaturas dependem das faixas utilizados.

Os Corpos Negros utilizados, Tabela (16), que são as fontes de radiação, são regularmente calibrados. A incerteza é determinada pelo NIST, o National Institute for Standards and Technology (EUA), e pelo SP, instituto equivalente de testes e pesquisas da Suécia.

O procedimento de calibração é baseado na medição de um sinal enviado pelo detector no sistema de imagem. O sinal é proporcional à radiação vinda de um corpo negro com uma temperatura conhecida e de emissividade também conhecida, a uma distancia determinada entre o sistema de imagem e o corpo negro. A distância é determinada baseando-se no campo de visão da lente usada.

O ciclo de calibração é controlado por um computador com um software dedicado à calibração. O computador também controla os movimentos mecânicos do sistema de imagem para o posicionamento e foco dos diferentes corpos negros. Todas as diferentes combinações do sistema de imagem com lentes e filtros são calibrados.

O computador armazena o valor dos sinais vindos do detector, juntamente com a temperatura de uma específica fonte de radiação.

Após completado o ciclo com todas as calibrações requeridas, o software utiliza as informações gravadas para calcular as constantes matemáticas de calibração necessárias. As constantes como os dados do sistema de imagem, são relevantes, tal como número de série, lentes e etc., que são então guardados na câmera. As constantes de calibração são usadas pelo sistema para calcular e apresentar as temperaturas corretas.

O procedimento de calibração também torna possível calcular os dados necessários para a compensação da variação de temperatura do sistema, tornando possível manter-se a qualidade da medição quando a temperatura ambiente varia.

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