(Parte 2 de 11)

Mucosa intestinal

Absorve vitamina B12, folatos e ferro e ainda elimina boa parte da bilirrubina. Rim

Produz eritropoietina e trombopoietina e elimina uma parte da bilirrubina.

Hematopoiese

Pode ser definida como a produção de células do sangue, compreendendo então a eritropoiese, a leucopoiese e a trombocitopoiese. Pode ser dividida em duas fases, a hematopoiese pré-natal e a hematopoiese pós natal.

medular começa aproximadamente na metade da gestação e perdura por toda a vida

Os primeiros indícios da hematopoiese são extra-embrionários. Esta fase se inicia em torno do décimo dia de gestação. São observados, no saco vitelínico, as primeiras ilhas de células eritropoiéticas, juntamente com os primeiros precursores dos leucócitos. Logo a seguir vem a hematopoiese embrionária, que começa no final do primeiro terço de gestação e é composta por três fases. A primeira é hepática, quando a eritropoiese predomina no fígado e a leucopoiese se torna mais evidente. Em seguida vem a fase esplênica/linfática, quando estes acontecimentos têm lugar também no baço e linfonodos. A última fase, que é a

A hematopoiese pós-natal limita-se exclusivamente a medula óssea e pode ser dividida em duas fases: a infantil, que envolve a medula óssea de todos os ossos e a adulta, quando a atividade a hematopoiética se limita aos ossos chatos a às extremidades dos ossos longos. Nesta fase, as demais medulas ósseas são tomadas por tecido adiposo e se tornam amarelas. Porém, em casos de necessidade a medula amarela volta a ser vermelha, ou seja, recupera sua atividade hematopoiética, o que pode ocorrer com os demais órgãos que desempenharam funções a hematopoiéticas na vida pré-natal.

Formação das células do sangue

Atualmente, a teoria mais aceita é que exista na medula óssea uma célula pluripotencial indiferenciada. Ao se dividir, esta célula dá origem a duas células: uma igual a si própria, destinada a manter a população constante e a uma outra célula chamada Unidade Formadora de Colônias (UFC). A UFC pode ser uma UFCe, formadora de linhagem eritrocítica; uma UFCmg, formadora de linhagem megacariocítica ou uma UFCmm, formadora de linhagem mielomonocítica, que por sua vez da origem a duas linhagens, a mielocítica ou granulocítica e a monocítica. A célula tronco provavelmente dá também origem a célula que originará os linfócitos. Após formadas, as UFCs seguem um processo de amadurecimento, com várias divisões, dando origem a um clone de células de seu grupo.

Eritropoiese Fator estimulante

O fator estimulante para a produção de eritrócitos é a eritropoietina. Este hormônio atua sobre a célula tronco da medula óssea, determinando a sua divisão e a produção da UFCe. O amadurecimento da células tronco e precursora ocorrem sob o estímulo de grandes concentrações de eritropoietina. As quatro divisões que ocorrem (de rubroblasto até metarubrócito) são mitóticas, e acontecem paralelamente com a maturação das células. Estes dois processos são caracterizados pelos seguintes eventos: perda dos nucléolos, diminuição do tamanho da célula e do núcleo, aumento na condensação da cromatina nuclear, diminuição da basofilia nuclear e aumento na policromasia, seguida então de normocromasia e síntese de hemoglobina. Ocorre, por fim, perda da capacidade mitótica. Tanto as divisões como a maturação dos eritrócitos ocorrem sob o estímulo de concentrações basais de eritropoietina.

Em situações normais, o nível basal de eritropoietina fornece estímulos necessários para a reposição de eritrócitos perdidos, mantendo a massa normal destas células. Quando há transporte insuficiente de O2 para os tecidos, sensores renais localizados no aparelho justaglomerular dos rins sinalizam para que haja aumento na secreção de eritropoietina. A eritropoietina possui duas origens: é produzida na medula renal tanto na forma de eritropoietina ativa como de pró-eritropoietina, que é ativada por um fator sérico no momento da liberação e nas células de Kupfer, as produzem uma molécula precursora, que é ativada por uma fator renal para produzir eritropoietina ativa. O rim é a única fonte de eritropoietina no cão, ao contrário das outras espécies.

UFCe

Como foi visto anteriormente, a célula tronco se divide em duas, uma igual a si e outra que dará origem à Unidade Formadora de Colônias da linha eritrocítica ou UFCe.

Rubroblasto

É a célula que vem em seguida a UFCe, também chamado de proeritoblasto. É uma célula três vezes maior que o eritrócito maduro, tem núcleo geralmente central, que ocupa quase toda a área da célula e é formado por cromatina de aspecto delicado, onde pode-se ver dois ou até três nucléolos. Apresenta DNA e RNA em atividade, além da síntese proteíca, mas não sintetiza hemoglobina.

Pró-rubrócito

O rubroblasto se divide em duas células chamadas de pró-rubrócito ou eritroblasto. É um pouco menor que o rubroblasto, a cromatina é um pouco mais grosseira e os nucléolos menos evidentes. Nesta fase inicia-se a síntese de hemoglobina, que persiste até a fase de reticulócitos.

Rubrócito basófilo

O pró-rubrócito divide-se em dois rubrócitos basófilos ou eritroblasto basófilo. Nesta fase, o citoplasma já se torna um pouco acidófilo, devido ao acúmulo de hemoglobina já nele produzida. Ocorre diminuição da síntese de ácidos. É uma célula bem menor que a anterior, o núcleo já não apresenta nucléolos e a cromatina é bem mais compacta.

Rubrócito policromático

O rubrócito basófilo se divide em dois rubrócitos policromáticos ou eritroblastos policromatófilos. Nesta fase, ocorre a finalização da síntese de DNA, que por sua vez é controlada pelo aumento da síntese de hemoglobina.

Metarubrócito

O rubrócito policromático se divide em dois metarubrócitos. É a menor célula dos precursores nucleados dos eritrócitos e neste estágio o núcleo é apenas uma mancha de cromatina compacta. Neste estágio está o auge da produção de hemoglobina.

Reticulócito

O metarubrócito não se divide mais, apenas amadurece, perde o núcleo e passa a se chamar reticulócito. A substância basófila dessas células é o RNA, pode se apresentar em formas de grânulos. Quando corados pelo novo azul de metileno ou outro corante vital, esta substância basófila precipita-se em forma de retículos, daí o nome reticulócito. Quando corados pelos métodos usuais, os reticulócitos são vistos como células não nucleadas, um pouco maiores que os eritrócitos adultos, apresentando certa policromatofilia. Essas células não são achadas normalmente na circulação de cavalos e ruminantes sadios, pois toda a maturação eritrocitária nestas espécies ocorre dentro da medula óssea. Em suínos sadios são observados cerca de 2% de reticulócitos na circulação. Já em cães e gatos normais podem ser encontrados em percentuais que variam de 0,5-1,5; sendo que nestes últimos animais se apresentam em duas formas: os reticulócitos agregados e ponteados e refletem diferenças significativas no estádio de maturação e tempo de vida no sangue. Os reticulócitos agregados apresentam a substância basófila de forma linear e se maturam em ponteados, que apresentam apenas pequenos pontos de retículo, sem formações lineares. A contagem de reticulócitos pode ser usada na avaliação da resposta individual a uma anemia em todos os animais e avaliação da terapia usada, com exceção dos eqüinos, pois nestes animais os reticulócitos só são liberados da medula após sua total maturação. Cerca de 20% da hemoglobina contida nos eritrócitos é ainda sintetizada nos reticulócitos.

Eritrócitos

Os reticulócitos se maturam em eritrócitos ou hemácias, células anucleadas e sem inclusões de retículo. Os eritrócitos são as células mais numerosas no sangue, seu citoplasma é formado por 1/3 de hemoglobina e 2/3 de água. Sua função é carrear hemoglobina, que por sua vez, transporta O2 dos pulmões para os tecidos e CO2 dos tecidos para os pulmões. A membrana eritrocitária é formada por duas camadas protéicas, envolvendo uma camada de lipídios; é flexível permitindo a deformação e passagem da célula pelos estreitos sinusóides do baço e dos tecidos. A medida que a célula envelhece e flexibilidade vai diminuindo, não consegue mais atravessar os sinusóides do baço e é então fagocitada pelo S.M.F.

Exigências Nutricionais da Hematopoiese Proteínas

São extremamente necessárias na formação da globina Vitaminas

Em especial, a riboflavina ou vitamina B2, a piridoxina ou vitamina B6, a niacina, o ácido fólico, a tiamina e a vitamina B12, sendo esta última extremamente necessária à divisão das fases nucleadas das células.

Minerais

O mais importante é o ferro, utilizado na síntese do heme. Outros minerais importantes na eritropoiese são o cobalto, necessário à síntese da vitamina B12 e o cobre, co-fator da enzima ALA-dehidrase, necessária à síntese do heme.

Lipídios

Os lipídios são integrantes da membrana do eritrócito. Além disto, o colesterol funciona como regulador da resistência osmótica da célula.

Eritropoiese ineficaz

Este termo designa a quantidade de eritrócitos que morrem ainda no interior da medula, sem chegar a circulação. A taxa de eritropoiese ineficaz é cerca de 10% na maioria das espécies, mas pode estar aumentada em algumas doenças.

Eritropoiese anormal

Na ausência dos fatores apropriados a eritropoiese, como por exemplo os fatores nutricionais, este processo pode ocorrer de forma anormal, sendo lançadas na circulação eritrócitos com teor de hemoglobina incompleto ou células atípicas, deficientes em número ou com anormalidades fisiológicas. Na eritropoiese anormal, em alguns casos, pode ser produzido número excessivo de eritrócitos.

Anticoagulantes EDTA

É o ácido etilenodiaminotetracético. Este anticoagulante é o mais utilizado na rotina dos laboratórios pois possuem um excelente poder preservador da morfologia e características de coloração das células vermelhas e brancas. Atuam como quelantes, evitando a coagulação do sangue ao se combinar com o cálcio. Não se deve exceder o nível recomendado de EDTA, pois o excesso prejudica a determinação do hematócrito, provocando uma falsa diminuição deste devido ao "encarquilhamento" celular". As quantidades recomendadas são: 1 gota de uma solução a 10% para 5 ml de sangue ou 1 mg de pó por ml de sangue. Na rotina laboratorial o tubo que o contém é identificado por uma tampa de borracha de cor roxa.

Heparina

Evita a coagulação do sangue ao interferir na conversão de pró-trombina em trombina. Afeta de forma intensa e prejudicial as qualidades de coloração dos leucócitos, por isto é usado em provas bioquímicas, como por exemplo a dosagem de Ca++ no sangue. Tem um custo bastante elevado. Por estes motivos, é utilizado na rotina como anticoagulante, sem apresentar propriedades preservativas. Na rotina laboratorial o tubo que o contém é identificado por uma tampa de borracha de cor verde.

Fluoreto de sódio

Atua como anticoagulante e conservador de glicose, por isto é usado quando se deseja a determinação da glicemia. Na rotina laboratorial o tubo que o contém é identificado por uma tampa de borracha de cor cinza.

Colheita de sangue Local de punção

O local de punção varia de acordo com a espécie, quantidade de sangue a ser colhido e a finalidade laboratorial da amostra.

Eqüinos: Principalmente na veia jugular, quando se deseja maiores quantidades. Para pequenas quantidades e pesquisa de hemoparasitas pode-se realizar uma pequena incisão na borda das orelhas, realizando-se o esfregaço do sangue obtido logo em seguida.

Bovinos: Para obtenção de maiores quantidades, utiliza-se a veia jugular, a veia mamária e a veia coccígea. Para pesquisa de hemoparasitas utiliza-se também a borda das orelhas, realizando-se o esfregaço do sangue obtido logo em seguida

Cães: Quando se deseja realizar pesquisas de hemoparasitas ou alguns testes sorológicos, como por exemplo para a Leishmaniose Visceral, realiza-se um pequeno corte na ponta da orelha, recolhendo o sangue em um papel de filtro no segundo caso e realizando um esfregaço sangüíneo normal no primeiro. Para obtenção de maiores quantidades de sangue utiliza-se as veias jugular, cefálica ou safena.

(Parte 2 de 11)

Comentários