Gestão Custos I

Gestão Custos I

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Uma função inovadora organiza as atividades a partir de onde queremos chegar, e de volta em direção àquilo que temos de fazer, a fim de chegarmos ao objetivo proposto inicial.

Martins (2003) apresenta o custeio baseado em atividades, conhecido como ABC (Activity- Basead Cosing), consiste na metodologia de custeio, que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos.

Para Martins, o ABC é um instrumento que inova a gestão de custos e adquire grande importância na econômica de uma organização. Entretanto nos pensamentos de Reis (2004, p. 48) isto é possível, só por intermédio de um processo exaustivo de redesenho, modificações e numerosas pequenas melhorias para adequação do mercado consumidor.

O custeio baseado em atividades, conhecido como ABC, é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. Na verdade o ABC é um instrumento de gestão de custos.

A visão horizontal do ABC é comentada por Martins (2003, p. 286) “descreve que esta visão horizontal permite que os processos sejam analisados, custeados e aperfeiçoados através da melhoria de desempenho das atividades”.

A Gestão Baseada em Atividades apóia-se no planejamento, execução e mensuração dos custos das atividades e caracteriza-se por decisões estratégias como: Alterações no mix de produtos; Alterações no processo de formação de preços; Alterações nos processos; Redesenho de produtos; Eliminação de desperdícios; Elaboração de orçamentos com base em atividades etc.

O ABC é “um novo método de análise de custos, que busca ‘rastrear’ os gastos de uma empresa para analisar e monitorar as diversas rotas de consumo dos recursos ‘diretamente identificáveis’ com suas atividades mais relevantes, e destas para os produtos e serviços” (NAKAGAWA, 1995, p.29).

4.1 Gama de informações no ABC

Um processo de implantação do método do ABC pode propiciar uma enorme vantagem, para as empresas que desejam conhecer e reduzir os custos de atividades, e dos processos para melhor avaliarem as economias obtidas.

A classificação destas informações é identificada por Martins (2003) que inclui itens como: Custeio de produtos, linhas ou famílias de produtos; Inclusão ou não de gastos com vendas e administração no custo dos produtos, linhas ou famílias; Custeio de processos; Custeio de canais de distribuição; Custeio de clientes, mercados e segmentos de mercados; Análise de lucratividade desses objetos custeados; Utilização de custos históricos ou predeterminados.

4.2 Outras ponderações sobre o ABC

As empresas crescem e se modificam, se esse crescimento e essa modificação não forem, tanto quanto possível, preparados para dar informações, previstos com antecipação do conhecimento no desenho organizacional do sistema de controle e análise de custos, não tardará que ele se torne duvidosamente eficiente (PASSARELLI; BOMFIM, 2003).

É imprescindível que os responsáveis pela estrutura organizacional do segmento de serviços, conheçam e compreendam a implantação de um sistema de controle e análise de custos, das suas atividades, e também do tipo de informação desejada pela administração. O conhecimento traz vantagem competitiva, gera valor, é algo estratégico, mas que se realiza por meio de ações que se enraízam nos processos organizacionais e no modo de trabalhar das pessoas (TERRA, 2005).

Os autores Passarelli e Bomfim (2003, p.25) afirmam que a estrutura da organização ou organograma é fundamental para a construção de um sistema de controle e análise de custos, que deve refletir, em suas contas de controle operacional, a divisão de responsabilidade, células de trabalho ou processo de produção adotado pela empresa.

Na definição de Slack et al. (1996, p.70), “redução de custos significa produzir bens e serviços que possibilitem fixar preços apropriados ao mercado e ainda permitir retorno para a organização. Quanto menor o custo de produção de bens e serviços, menor pode ser o preço a seus consumidores”. Conforme apresenta a figura 1.

Figura 1 – Vantagem Competitiva (PORTER, 1990)

Nos pensamentos de Porter (1990, p.57) “O custo é de vital importância para estratégias de diferenciação, por ser um diferenciador deve manter o custo próximo da concorrência. A menos que o preço-prêmio resultante exceda o custo da diferenciação, um diferenciador não irá conseguir alcançar um desempenho superior”.

5. Considerações

O setor de serviços não é tão diferente e outros segmentos, mas, no âmbito econômico não pode deixar de aprimorar sua competitividade e lucratividade organizacional por um viés de gestão de custos. Quando implantados, testados, e utilizados no contexto empresarial, a gestão de custos oferecerá segurança na execução do serviço e mensuração da margem do custo com maior flexibilidade, encontrando assim, uma posição inovadora e vantajosa diante de seus competidores.

A metodologia do Custeio Baseado em Atividades (ABC) aplica-se também as empresas de

Custo mais baixoDiferenciação

Vantagem Competitiva Alvo amplo

Escopo competitivo

Alvo estreito

Enfoque noCusto

Enfoque na diferenciação

Liderança de custo Diferenciação serviços, inserida na proposta deste estudo. As atividades ocorrem tanto em processos de manufatura quanto de prestação de serviços. Portanto é possível utilizar o ABC em instituições financeiras, concessionárias de serviços públicos, telecomunicações, energia e outras prestadoras de serviços. Por ser uma ferramenta eminentemente gerencial, pode incorporar conceitos utilizados na gestão econômica, como custo de oportunidade, custo de reposição e outros mais (MARTINS, 2003).

Uma organização deve planejar e delinear os procedimentos necessários para alcançar a consonância dos seus serviços e do próprio sistema de gestão de custos. Porém, deve estender seu esforço buscando melhorar continuamente, por meio de técnicas gerenciais que contemplem a realidade organizacional.

Referências

DRUCKER, Peter F. Fator humano e desempenho. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2002. IUDÍCIBUS, Sergio; MARION, J. C. Curso de contabilidade para não contadores. São Paulo: Atlas. 1998. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9.ed. São Paulo: Atlas. 2003. MINAYO, Maria Cecilia de Souza. Pesquisa social: teoria e método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. NAKAGAWA, Masayuki. ABC: custeio baseado em atividades. São Paulo: Atlas, 1995. PASSARELLI, João; BOMFIM, E. A. Custos : Análise e controle. 2.ed.São Paulo: Thompson. 2003

PORTER, Michael. A vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior: Rio de Janeiro: Campus, 1990.

REIS, Dálcio Roberto. Gestão da inovação tecnológica. São Paulo: Manole, 2004. SLACK, Nigel. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 1996.

SLACK, Nigel; et al. Vantagem competitiva em manufatura: atingindo a competitividade. São Paulo: Atlas, 1993.

TERRA, Jose Claudio Cirineu. Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

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