Controle de Plantas Daninhas

Controle de Plantas Daninhas

(Parte 1 de 8)

Universidade Federal de Lavras

Departamento de Agricultura

Setor Plantas Daninhas

Caixa Postal 37

37200-000, Lavras, MG

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

ITAMAR FERREIRA DE SOUZA

- Semestre 02/2009 -

INDICE

Conteúdo

Página

CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS .....................

Conceito ..........................................................................................................

Definição de planta daninha .............................................................................

Classificação de plantas daninhas quanto ao ciclo .............................................

Classificação de plantas daninhas quanto ao habito de crescimento ..................

Classificação de plantas daninhas quanto ao habitat ..........................................

BANCO DE SEMENTES NO SOLO, GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA .....

Banco de sementes ..........................................................................................

Germinação .....................................................................................................

Dormência .......................................................................................................

COMPETIÇÃO DE PLANTAS DANINHAS X CULTURA ...........................

Competição .....................................................................................................

CONCEITO DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS ...........................

MEDIDAS DE MANEJO ...............................................................................

Medidas Preventivas ........................................................................................

Medidas de Erradicação ...................................................................................

Medidas de Controle .......................................................................................

Controle Cultural .............................................................................................

Controle Biológico ............ .............................................................................

Conceito ..........................................................................................................

Táticas de controle biológico ...........................................................................

Controle Químico ............................................................................................

Combinação e Integração de Métodos de Controle .............................. ...........

Diferenças entre Métodos Convencionais e Métodos Integrados ......................

ALELOPATIA PLANTA X PLANTA ............................................................

Conceito ..........................................................................................................

Alelopatia na agricultura ..................................................................................

Metabolismo primário x secundário .................................................................

Fatores que determinam a eficiência dos aleloquímicos ....................................

Natureza dos aleloquímicos .............................................................................

Mecanismo de ação dos aleloquímicos .............................................................

HERBICIDAS ................................................................................................

Introdução .......................................................................................................

Classificação fisiológica dos herbicidas ............................................................

Classificação dos herbicidas quanto à época de aplicação .................................

Classificação dos herbicidas quanto ao modo de aplicação ...............................

Classificação química dos herbicidas ................................................................

MOVIMENTO, DEGRADAÇÃO E INATIVAÇÃO DOS NO AMBIENTE ..

Movimento e degradação no solo ....................................................................

Movimento e degradação no ar ........................................................................

ABSORÇÃO E TRANSLOCAÇÃO DOS HERBICIDAS NAS PLANTAS ....

Absorção foliar ................................................................................................

Absorção radicular ..........................................................................................

Translocação ...................................................................................................

LITERATURA ...............................................................................................

CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS

Sinonímia:

Planta daninha - "daninha" é atributo humano = vontade de agir com daninhesa.

Mato - termo usado por profissionais do Paraná e São Paulo. Termo mais popular. Pode significar pequena floresta.

Erva daninha - não engloba todas as espécies. Nem todas são herbáceas.

Planta infestante - pode não causar danos, o que significa um novo conceito.

Planta invasora - a maioria das vezes não é ela que invade, mas sim o homem.

Invasora - bastante geral e muito usado. Porém, mesmo comentário da anterior.

Erva má - pouco usado e dependendo do local ou situação pode não ser má.

Inço - arroz, Rio Grande do Sul.

Juquira - Pastagem.

Planta espontânea (conceito ecológico).

Definição de planta daninha

É uma planta que se desenvolve onde não é desejada.

É uma planta que causa mais danos que benefícios.

É uma planta que causa danos a outras plantas de interesse.

É uma planta fora de lugar.

É uma planta indesejável.

É uma planta que ocupa espaço destinado a outras atividades.

É uma planta que domina todas as artes de sobrevivência, exceto a de crescer em fileiras.

É uma espécie de planta que se adaptam ao habitat alterado pelo homem.

Portanto, envolve qualquer espécie: herbácea, arbustiva, arbórea, aquática, terrestre, parasítica, epífita, melhorada, silvestre, rural, urbana.

As plantas daninhas podem ser vistas dentro de um contexto mais amplo, o que ajuda a entender que não são sempre indesejáveis pois, podem: favorecer um microclima, controlar erosão, aumentar teor de matéria orgânica, criar ambiente favorável para microflora e microfauna. Ou podem ser vistas como causadora de danos (daninha) e assim tem-se que dimensionar o problema mais específico em função: da espécie, da frequência, da época de emergência, do ciclo de vida, da competitividade.

Espécies de plantas infestantes quando não devem ser consideradas daninhas:

  1. com possibilidades apícolas: Ex. assa-peixe, Vernonia ferruginea, unha de

gato, Acacia paniculata

  1. usadas na alimentação humana: Ex. carurú, Amaranthus lividus, beldroega,

Portulaca oleraceae

  1. medicamentosas: Ex. carqueja, Baccharis trimera, apaga-fogo, Alternanthera

tenella

  1. companheiras: Ex. beldroega - cobertura do solo para o milho (Zea mays)

carurú - recicla nutrientes para batata (Ipomoeabatatas) e milho.

Características comuns a todas as plantas daninhas (silvestres) e que conferem capacidade particular de perpetuação da espécie, segundo Baker, 1974.

dormência

germinação assincrônica

desenvolvimento rápido

reprodução clonal

plasticidade fenotípica

alta capacidade reprodutiva

autogama ou apomítica

sementes pequenas e de fácil dispersão

formação de raças fisiológicas

poliploidia

Prejuízos causados pela presença de plantas infestantes nas culturas:

1. Produção mais baixa

a) Efeitos químicos (alelopatia)

b) Efeitos competitivos

2. Menos eficiência de uso da terra

a) Custos mais elevados. Têm que serem controladas às vezes a custos elevados.

b) Valor da terra decresce (devido a sua presença)

c) Custo de colheita elevado

d) Cultura danificada pelo cultivo

e) Estrutura do solo destruída

3. Custo mais elevado de proteção contra insetos e doenças

a) Abrigo de pragas e doenças

b) Migração da praga para a cultura após o final do ciclo da planta daninha.

4. Qualidade de produto mais baixa

a) Sementes de plantas daninhas

b) Restos vegetais de planta daninha em feno e algodão

c) Odor de planta daninha no leite

d) Sementes de plantas daninhas na lã

e) Plantas daninhas tóxicas diminui crescimento

f) Aumenta teor de umidade das sementes colhidas

5. Manejo da água

a) Problemas para irrigação e drenagem

b) Recreação e pesca

c) Odor e sabor em suprimentos de água

6. Saúde do homem

  1. Irritação da pele – urtiga

  2. Tóxica – cuscuta, mamona

  3. Alergia – semente de capim gordura

Custo anual para controle de pragas de culturas (US$)

Perdas

Controle

Total

%

(x 1000)

(x 1000)

(x 1000)

Doenças

3.152.815

115.000

3.267.815

27,1

Insetos

2.965.344

425.000

3.390.344

28,1

Nematóides

372.335

16.000

338.335

3,2

Plantas daninhas

2.459.124

2.535.050

5.010.680

41,6

Total

8.949.618

3.107.050

12.057.174

100,0

Classificação de plantas daninhas quanto ao ciclo

Anuais, bienuais e perenes

Anuais: germinam, desenvolvem, florescem, produzem sementes e morrem dentro de um ano. Propagam por frutos e sementes. Melhor época de controle - antes de produzir sementes. Ex: carurú (Amaranthus hibridus).

Bienuais: plantas cujo ciclo completo se dá em 2 anos. No primeiro ano

germinam e crescem. No segundo, produzem flores, frutos, sementes e morrem. Devem ser combatidas no 1º ano. Podem ser anuais em uma região e bienuais em outra. Ex.: Rubim (Leonurus sibiricus).

Perenes (ou vivazes): podem dar flores e frutos durante anos consecutivos. Reproduzem por sementes e por meios vegetativos. São melhores controladas através de herbicidas sistêmicos, pois sistema mecânico de controle fazem com que se multipliquem ainda mais através de suas partes vegetativas. Ex.: guaxuma (Sida rhombifolia).

Dentro das perenes, tem-se:

  1. Perenes simples – reproduzem apenas por sementes. De fácil controle. Ex.:

Guanxuma, cuscuta.

  1. Perenes complexas – órgãos subterrâneos, superficiais. Ex. grama seda, sapé.

a) Perenes rizomatosas - produzem caule subterrâneo (rizoma) que se propaga e se reproduz a certa distância da planta mãe. Controle através de herbicida sistêmico. Ex: capim massambará (Sorghum halepense).

b) Perenes estoloníferas - produzem estólons, os quais emitem nós e daí raízes e a nova planta. Ex: capim angola (Brachiaria purpuracens).

c) Perenes tuberosas - reproduzem basicamente por tubérculos (ou batatinhas). Ex.: tiririca (Cyperus rotundus).

d) Lenhosas: perene, de porte maior. Infestam normalmente pastagens. Ex.: assa-peixe (Vermonia ferruginea).

Classificação das plantas daninhas quanto ao hábito de crescimento

Herbácea - tenra, de porte baixo.

Arbustiva - ramificação desde a base.

Arbórea - ramificação acima da base caule bem definido.

Trepadeira - usa outras plantas como suporte.

Hemiepífita - iniciam seu desenvolvimento sobre outra e depois emitem sistema radicular.

Epífita - cresce sobre outra sem, no entanto utilizar do fotossintato do hospedeiro.

Parasita - cresce sobre outra utilizando do seu alimento.

Classificação de plantas daninhas quanto ao habitat

1. Plantas daninhas terrestres:

Vivem sobre o solo. Algumas se desenvolvem melhor sobre solo mais fértil. Exemplos: carurú (Amaranthus spp), beldroega (Portulaca oleracea). São consideradas indicadoras de solo fértil, sendo que sua presença valoriza a terra.

Ao contrário, existem as espécies que se desenvolvem em solos de baixa fertilidade. Exemplos: capim barba de bode (Aristida pallens), guanxumas (Sida spp). São indicadoras de solo pobre e desvalorizam a terra.

Existem ainda aquelas indiferentes à fertilidade. Exemplo: tiririca (Cyperus spp).

2. Plantas daninhas de baixada

São aquelas espécies que se desenvolvem melhor em solos orgânicos e úmidos. Exemplos: sete sangrias (Cuphea carthaginensis), tripa de sapo (Alternanthera philoxeroides).

O quadro a seguir mostra algumas características de solo indicadas pela presença de algumas espécies daninhas.

Espécie

Ambiente

Guanxuma

Subsolo compactado ou solo superficial erodido. Em solo fértil fica viçosa. Solo pobre fica pequena.

Nabiça

Carência de boro e manganês. A presença da aveia quebra a dormência da nabiça

Picão branco

Solo com excesso de nitrogênio e deficiente em micronutrientes. É beneficiado pela presença de cobre.

Picão preto

Indica solos de média fertilidade. Solos muito remexidos e desequilibrados

Samambaia

Altos teores de alumínio. Reduz com calagem. As queimadas fazem voltar o alumínio ao solo e proporciona um retorno vigoroso da samambaia.

Amendoim bravo

Desequilíbrio entre nitrogênio e micronutrientes, sobretudo molibdênio e cobre.

Capim barba de bode

Fogo, solo pobre em fósforo, cálcio, potássio e com pouca água.

Beldroega

Solo fértil, não prejudicam as lavouras, protegem o solo.

Capim amargoso

Aparece em lavouras abandonadas ou em pastagens nas manchas úmidas, onde a água foi estagnada após as chuvas.

Capim carrapicho

Indica solos decaídos, erodidos e compactados. Pastagens pisoteadas.

Capim marmelada

Típica de solos constantemente arados, gradeados, com deficiência de zinco. Desaparece com o plantio do centeio, aveia preta e ervilhaca. Não prejudica o milho se este levar uma vantagem de 40 cm. Regride com a adubação corretiva de fósforo e cálcio.

Capim rabo de burro

Típico de terras abandonadas. Indica solos ácidos com baixo teor de cálcio, impermeável entre 60 e 120 cm;

Capim carrapicho (amoroso)

Típico de lavoura empobrecida e muito dura, pobre em cálcio.

Espécie

Ambiente

Carqueja

Solo pobre compactado osuperficialmente, pobre em molibdênio, que retem água

Carrapicho de carneiro

Solo deficiente em cálcio

Grama seda

Solo compactado

  1. Plantas daninhas aquáticas

Fig. 1 - Comunidade de macrófitas aquáticas.

Podem ser:

3.a. Aquáticas marginais (ou de talude) - são terrestres que ocorrem às margens de rios, lagoas, represas, etc. Exemplos: tiririca, capim fino (Brachiaria purpurascens)

3.b. Aquáticas flutuantes - ocorrem livremente nas superfícies da água, com as folhas fora da água e as raízes submersas. Ex. aguapé (Eichornia crassipes).

3.c. Aquáticas submersas livres - vivem inteiramente abaixo do nível da água. Ex. algas

3.d. Aquáticas submersas ancoradas - submersas com as raízes presas ao fundo. Ex. elódea (Egeria densa).

3.e. Aquáticas emergentes - possuem as folhas na superfície da água e as raízes ancoradas no fundo. Ex. taboa (Typha angustifolia).

4. Plantas daninhas de ambiente indiferente

Vivem tanto dentro como fora da água. Exemplo: capim arroz (Echinochloa spp).

5. Plantas daninhas parasitas

Vivem sobre outras plantas e vivendo às custas delas. Exemplos: cipo chumbo (Cuscuta racemosa), erva de passarinho (Phoradendrum rubrum)

BANCO DE SEMENTES DE PLANTAS DANINHAS NO SOLO

GERMINAÇÃO E DORMÊNCIA

CICLO DE DORMÊNCIA

1 . Fatores que quebram a dormência

2 . Fatores que induzem a dormência

3 . Fatores que coicidem com condições requeridas para germinação

4 . Fatores que não coicidem com condições requeridas para germinação

Banco de sementes:

A quantidade de sementes no solo, também denominado de “banco de sementes”, pode-se consistir de milhares (10-100) de sementes por m2 e é a fonte de sementes para as futuras infestações. A maioria das sementes de plantas daninhas estão localizadas na camada de 0-6 cm do solo, podendo ir até aos 15 a 20 cm. Existem técnicas de determinação do banco de sementes que constituem de processos mecânicos e químicos.

Existem dois tipos de bancos de sementes: transiente e persistente.

(Parte 1 de 8)

Comentários