Pesquisa Operacional

Pesquisa Operacional

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O nome “Pesquisa Operacional” apareceu pela primeira vez durante a Segunda Grande Guerra Mundial, quando equipes de pesquisadores procuraram desenvolver métodos para resolver determinados problemas de operações militares. Devido ao sucesso dessas operações, o mundo acadêmico e empresarial procurou utilizar as técnicas criadas em problemas de administração.

A Pesquisa operacional é um ramo da ciência administrativa que fornece instrumentos para a análise de decisões.

Assim sendo, uma DECISÃO é o resultado de um processo que se desenvolve a partir do instante em que o problema foi detectado, o que se percebe através da percepção de sintomas. Então, o processo de decisão empresarial se inicia quando uma pessoa ou grupo percebe sintomas de que alguma coisa está saindo do estado normal ou planejado.

CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA OPERACIONAL: Característica multidisciplinar das suas aplicações; Técnicas e métodos qualitativos por equipes interdisciplinares;

Procura determinar uma melhor utilização de recursos e otimizar as operações empresariais

Um novo enfoque sistêmico aos problemas de decisão das empresas ( ou seja), ultrapassa as fronteiras das especialidades, assim, um profissional especialista precisa evitar uma tendência natural de enquadrar todos os problemas dentro dos limites de sua cultura, mas sim, por outro lado, este profissional necessita de uma abordagem mais complexa e abrangente, porque a natureza e o ambiente dos negócios exigem além do raciocínio do especialista, uma visão mais aberta que reconheça os múltiplos aspectos envolvidos nos problemas da análise de decisão.

Utilização de “modelos” que permitem a “experimentação” ou seja, uma decisão pode ser bem mais avaliada e testada antes de ser efetivamente implementada.

Vale-se identificar que, o imenso progresso da Pesquisa Operacional se deve também, ao desenvolvimento dos computadores digitais, devido à sua velocidade de processamento e capacidade de armazenamento e recuperação das informações.

1) o processo de decisão é seqüencial;

2) é um processo complexo; 3) é um processo que envolve valores subjetivos.

4) é um processo desenvolvido dentro de um ambiente institucional com regras mais ou menos definidas.

O processo decisório seqüencial é conseqüência de uma série de fatos anteriores que criaram as bases para se chegar à decisão. Esta decisão resulta de várias decisões que carregam diversos aspectos do problema. A decisão é tomada a partir de discussões na forma de consenso.

O processo decisório consiste em um inter- relacionamento entre pessoas, responsabilidades pelo serviço, comunicação e sistemas de informações, código de ética moral e, às vezes, interesses e objetivos diferentes dos participantes..

É enorme o número de fatores intuitivos, provenientes de experiência pessoal e personalidade, envolvidos no processo decisório. Esses fatores influenciam a qualidade da decisão tomada, diferenciando assim, o bom do mau administrador.

Todas companhias têm uma estrutura organizacional própria que influencia e muitas vezes condiciona o processo decisório. Utiliza-se nas organizações técnicas modernas de gerência: qualidade total, empowerment, planejamento estratégico, etc. com o objetivo de que a tomada de decisão seja um ponto forte na avaliação da competitividade da organização no mercado.

DO

DISCIPLINA: PESQUISA OPERACIONAL PROFESSOR: LUIS ANTONIO CCOPA YBARRA 3 CLASSIFICAÇÃO DAS DECISÕES

De uma maneira geral as Decisões são classificadas em relação ao nível em que ocorrem dentro da empresa e pelo grau de complexidade apresentado.

Apresenta-se abaixo dois critérios :

1) NÍVEL ESTRATÉGICO : Nível estratégico de uma decisão refere-se à sua importância e abrangência com relação à organização.

2) GRAU DE ESTRUTURAÇÃO: grau de estruturação refere-se à possibilidade de uma decisão ser acompanhada em seu processo de preparação e de conclusão, ou mesmo de ser reproduzida, por outras pessoas, em outras ocasiões, com os mesmos resultados.

DA DECISÃO:1) ALTO 2) MÉDIO 3) BAIXO
DE ESTOQUES
DA PRODUÇÃO

1) ADMINISTRAÇÃO 1) PROGRAMAÇÃO

1) LOCALIZAÇÃO DE UMA NOVA FÁBRICA.

2)DIVERSIFICAÇÃO

1) FINANCIAMENTO DO CAPITAL DE GIRO 2) PROGRAMAÇÃO ORÇAMENTÁRIA POR AQUISIÇÃO DE EMPRESA

CAPA DE REVISTA

2) ESCOLHA DE 3) CONTRATAÇÃO DE UM DIRETOR

3) PROGRAMA DE PESQUISA E

NÍVEL OPERACIONAL NÍVEL GERENCIAL NÍVEL CORPORATIVO
NÍVEL ESTRATÉGICO DA
Uma decisão apresenta elevada qualidade quando, de forma eficaz e efetiva, garante

QUALIDADE DA DECISÃO: a realização dos objetivos preestabelecidos, para os quais os meios e os recursos foram reservados. Essa definição permite distinguir três características principais que possibilitam a avaliação da qualidade de uma decisão:

1) satisfação dos interesses envolvidos; 2) adaptação dos meios necessários aos objetivos procurados; 3) consistência do curso da ação.

Assim sendo, poderíamos dizer que a qualidade de uma decisão é tão mais elevada quanto maior for o grau de participação dessas três características no processo.

A Pesquisa Operacional tem sido vista pelos gerentes e praticantes sob dois enfoques:

1) Enfoque clássico ou tradicional é derivado do conceito quantitativo clássico da

Pesquisa Operacional, aplica técnicas de modelagem a problemas de decisão e resolve modelos obtidos através da utilização de métodos matemáticos e estatísticos, visando à obtenção de uma solução ótima, de uma maneira sistêmica.

Entretanto, as soluções ótimas podem não ser totalmente adequadas em todas as situações práticas, devido à sua pouca flexibilidade.

2) Enfoque atual segue o conceito qualitativo da Pesquisa Operacional. Centraliza-se
para odiagnóstico do problema, valoriza-se o espírito crítico, a sensibilidade para
decisão e quais são acessórias, quecomplementam, sem afetar os resultados.
A finalidade de toda informação é reduzir o grau de incerteza envolvido na decisão.

descobrir o problema correto e analisar quais informações são fundamentais para a Assim, a informação só tem valor no contexto de uma situação específica.

Um estudo de Pesquisa Operacional consiste, basicamente, em construir um modelo de um sistema real existente como meio de analisar e compreender o comportamento dessa situação, com o objetivo de leva-lo a apresentar o desempenho que se deseja. O sistema real é um conjunto complexo de variáveis, de forma não muito definida. O sistema real reduzido é o núcleo do sistema existente que, primordialmente, dita o comportamento deste e que pode ser modelado, para efeito de análise, por uma estrutura simplificada.

SISTEMA REAL EXISTENTE

Um trabalho de Pesquisa Operacional deve desenvolver-se segundo as fases indicadas no fluxograma abaixo:

PERCEPÇÃO OU DEMANDA POR SOLUÇÃO
DEFINIÇÃO DO
PROBLEMA
CONSTRUÇÃO DO
MODELO
VALIDAÇÃO DO
MODELO
SOLUÇÃO DO
MODELO
AVALIAÇÃO

A seqüência do fluxograma não é rígida, todavia indica as principais etapas que devem ser vencidas. Exceto a fase de Solução do Modelo, que se baseia em métodos e técnicas bem desenvolvidas, as demais não seguem regras fixas e definidas. Os procedimentos necessários para essas fases dependem do tipo do problema em análise e do ambiente que o envolve.

Apesar das dificuldades aparentes de fixação de regras para a execução dessas fases, é conveniente que seja feita alguma discussão sobre elas de forma a servir de guia geral de procedimentos.

Os retornos de informação são as revisões. Estas trocas de informações ocorrem entre as diferentes etapas, devido às considerações que surgem da análise de uma etapa, sendo que estas revisões continuam nas etapas que se seguem.

A primeira fase, DEFINIÇÃO DO PROBLEMA, do ponto de vista da Pesquisa Operacional, baseia-se em três aspectos principais:

1) descrição exata dos objetivos do estudo;

2) identificação das alternativas de decisão existentes; 3) reconhecimento das limitações , restrições e exigências do sistema.

A descrição dos objetivos é uma das atividades mais importantes em todo o processo do estudo, devido que a partir dela é que o modelo é concebido.

A equipe encarregada do estudo deve captar e refletir , na formulação do problema, nos desejos e necessidades dos executivos com relação ao problema de decisão.

Como também, é muito importante que as alternativas de decisão e as limitações sejam todas explicitadas, muito bem analisadas, com o intuito de que as soluções que resultarão no final do processo sejam válidas e aceitáveis.

A segunda fase, CONSTRUÇÃO DO MODELO, trata-se de uma fase em que o analista deve usar toda sua criatividade, tendo em vista que a qualidade de todo o processo seguinte será conseqüência do grau de representação da realidade que o modelo venha a apresentar.

Vários tipos de modelos podem ser utilizados para resolver problemas gerenciais, desde um simples modelo conceitual que apenas apresenta inter-relação entre as informações, até modelos matemáticos, complexos que exigem uma força de trabalho muito grande para sua formulação e operação.

A terceira fase, SOLUÇÃO DO MODELO, tem por objetivo encontrar uma solução para o modelo construído.

Se o modelo for matemático, a solução será obtida pelo algoritmo mais adequado, em termos de rapidez de processamento e precisão de resposta. Exigindo do analista, uma força de trabalho muito grande para sua formulação e operação.

Na quarta fase, VALIDAÇÃO DO MODELO, acontece porque no processo de solução do problema, torna-se necessário verificar a validade do modelo. Um modelo é válido se ele for capaz de fornecer uma previsão aceitável do comportamento do sistema e uma resposta que possa contribuir para a qualidade da decisão a ser tomada.

É importante observar que este processo de validação não se aplica a sistemas inexistentes, ou seja, em projeto. Nesse caso, a validação é feita pela verificação da correspondência entre os resultados obtidos e algum comportamento esperado do novo sistema.

A quinta fase, IMPLEMENTAÇÃO DA SOLUÇÃO, ocorre após a avaliação das vantagens e a validade da solução obtida, esta solução deve ser convertida em regras operacionais.

A implementação, pode ser uma atividade que altera uma situação existente, é uma das etapas críticas do estudo. Sendo conveniente que seja acompanhada pela equipe responsável, tendo em vista que, quando colocadas em prática, podem levar a possível reformulação do modelo em alguma de suas partes.

A presença da equipe permite, também, superar mais facilmente as resistências e oposições às alterações propostas na sistemática das operações e que, normalmente, aparecem nessa fase de trabalho.

A fase final, AVALIAÇÃO FINAL, nesta avaliação, um fator que tem papel primordial é a experiência do pessoal envolvido no estudo. Não se deve esquecer que o modelo é apenas uma representação simplificada, não conseguindo por isso captar todas as características e detalhes da realidade. Assim sendo, será com a experiência e uma visão crítica que se poderá avaliar e determinar a aplicabilidade da decisão.

VARIÁVEIS CONTROLADAS OU DE DECISÃO: são variáveis cujo valor está sob o controle do administrador. Decidir, neste caso, é atribuir um particular valor a cada uma dessas variáveis. Numa programação de produção, por exemplo, a variável de decisão é a quantidade a ser produzida num período, o que compete ao administrador controlar.

VARIÁVEIS NÃO CONTROLADAS: são variáveis cujos valores são arbitrados por sistemas fora do controle do administrador. Custos de produção, demanda de produtos, preço de mercado são variáveis não controladas.

Um bom modelo é aquele que tem desempenho suficientemente próximo do desempenho da realidade e é de fácil experimentação. Essa proximidade desejada é variável, dependendo do objetivo proposto. A fidelidade de um modelo é aumentada à medida que ele incorpora características da realidade, com a adição de novas variáveis. Isso aumenta sua complexidade, dificultando a experimentação, o que nos leva a considerar o fator custo-benefício quando pensamos em melhorar o desempenho de um modelo.

O QUE É A TEORIA DA DECISÃO? A Teoria da Decisão pode ser conceituada como um conjunto específico de técnicas que auxiliam o tomador de decisão a reconhecer as particularidades do seu problema e a estruturá-lo. Além disso, a Teoria da Decisão sugere soluções segundo alguns critérios preestabelecidos. O tomador de decisão pode ser uma pessoa ou, mais abstratamente, uma instituição.

existem nos problemas de decisão

O ponto de partida para a Teoria da Decisão é a identificação dos elementos comuns que Uma DECISÃO é o resultado de um processo que se desenvolve a partir do instante em que o problema foi detectado, o que se percebe através da percepção de sintomas. Então, o processo de decisão empresarial se inicia quando uma pessoa ou grupo percebe sintomas de que alguma coisa está saindo do estado normal ou planejado.

CONCEITOS: ESTRATÉGIAS = as estratégias são as possíveis soluções para o problema.

RESULTADOS = cada alternativa de solução leva a um ou mais resultados, que são as conseqüências das alternativas.

ESTADOS DA NATUREZA = são as ocorrências futuras que podem influir sobre as alternativas, fazendo com que elas possam apresentar mais de um resultado.

VALOR ESPERADO DA ALTERNATIVA = (VEA) é a soma dos produtos dos resultados da alternativa pelas respectivas probabilidades dos estados da natureza a eles associados.

VALOR ESPERADO DA INFORMAÇÃO PERFEITA = ( VEIP) é o ganho excedente sobre a decisão tomada com o mero conhecimento das probabilidades de ocorrência dos estados da natureza futuros.

DTSC = problemas de decisão tomada sob certeza

DTSR = problemas de decisão tomada sob risco DTSI = problemas de decisão tomada sob incerteza

A matriz de decisão é um auxílio visual a um problema de decisão, que permite juntar elementos comuns do problema. A matriz é geralmente constituída:

- nas linhas listam-se as alternativas possíveis;

A tabela abaixo mostra o aspecto de qualquer matriz de decisão com p alternativas e k estados da natureza:

ESTADOS DA NATUREZA
ALTERNATIVAS EN1 EN2 EN3ENK
A1 R11 R12 R13R1 K
A2 R21 R22 R23R2 K
A3 R31 R32 R33R3 K
AP RP 1RP 2 RP 3 ... RPK

TABELA MATRIZ DE DECISÃO OBSERVAÇÃO: Ai representa a i ésima alternativa, ENj o j ésimo estado da natureza

(DTSR)DECISÃO TOMADA SOB RISCO :

e Ri j o resultado associado entre eles.

Nos problemas de decisão tomada sob risco, conhecemos as probabilidades de ocorrência de cada um dos estados da natureza. A decisão é tomada com base no resultado médio ou resultado esperado de cada alternativa.

O valor esperado da alternativa (VEA) é a soma dos produtos dos resultados da alternativa pelas respectivas probabilidades dos estados da natureza a eles associados.

Assim, o VEA nada mais é do que a média ponderada dos resultados possíveis para a alternativa, tomando as probabilidades dos estados da natureza com pesos de ponderação.

Uma vez calculado o VEA para cada alternativa, a sua comparação pura e simples permite escolher a melhor das alternativas.

EXEMPLO: Uma empresa que deseja lançar um novo produto, pode ver-se a braços com as alternativas de construir uma nova fábrica, especialmente para o produto, ou aproveitar as instalações existentes.

Uma nova fábrica possibilitará maior flexibilidade para acomodar as alterações na demanda e no projeto do produto, mas levará também a maiores custos de implantação. Por outro lado, a empresa pode considerar três estados futuros da demanda: alta, média e baixa.

ESTADOS DA NATUREZA

A matriz de decisão, já com as probabilidades associadas aos estados de natureza, está dada na tabela abaixo:

P = 0,2
P = 0,3
P = 0,5
100
200

EXISTENTES - 100 CONSTRUIR NOVAS

0
400

INSTALAÇÕES - 300 SOLUÇÃO:

A matriz nos mostra que, se forem usadas as instalações existentes, as perdas serão menores se a demanda for baixa. Em compensação, os lucros serão maiores se forem construídas novas instalações e a demanda for alta (haverá maior capacidade de produção para aproveitar a alta demanda).

As probabilidades de 0,2; 0,3 e 0,5 representam as expectativas adotadas pelo tomador de decisão sobre a ocorrência futura dos estados de natureza, ou seja, neste caso, das características da demanda.

CÁLCULO DOS VALORES ESPERADOS

Alternativa: usar instalações existentes Alternativa: construir novas instalações

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